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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Novas questões das eleições iranianas.

A mobilização eleitoral presente na campanha presidencial iraniana encontrou um desdobramento após a divulgação dos resultados.
Surpreendidos pela vitória, incomumente rápida na apuração, do reeleito presidente Ahmadinejad, Teerã foi sacudida por uma onda de protestos à qual foi seguida por uma onda contrária de repressão, prisões e restrições ao uso da internet. Apesar de Ahmadinejad ter reiterado a lisura do processo eleitoral, do líder religioso supremo Kathami ter reconhecido e emprestado legitimidade ao resultado, e ter ocorrido um grande comício de apoio ao vitorioso, ainda assim os setores oposicionistas mantiveram ontem as pressões contra o resultado final.
Os boatos sobre a prisão do oposicionista Mousavi - que não se confirmaram - somaram-se as prisões, estas confirmadas, de mais de uma centena de oposicionistas e inúmeros manifestantes aprisionados , marcando as últimas horas da República Islâmica com uma intensa instabilidade.
Apesar dos desmentidos do novo-velho governo sobre reclamações infundadas da oposição, o ayatolá Ali Khamenei ordenou uma investigação destinada a esclarecer as circunstâncias em que ocorreram as ditas eleições. É importante considerar que houve um recuo e que o mesmo desmente as recorrentes declarações que minimizaram, até aqui, as manifestações populares contrárias ao resultado, demonstrando que as mesmas tiveram de fato uma possibilidade ampla de uma contestação fora dos limites do regime. E em segundo lugar, percebe-se neste episódio um certo afastamento de Khamenei em relação a Ahmadinejad.
Houve ou não houve fraudes? Se houve, porque a pressa na confirmação do eleito? Se não houve, porque a investigação, chancelada pelo mesmo líder que na sexta-feira aceitou o resultado?
Ainda que a tal investigação seja viciada, sua simples instalação desmonta o desprezo dos vencedores em relação aos protestos oposicionistas.
A situação não parece estar sequer perto de uma, digamos assim, revolução, mas abre uma fresta reivindicatória que vai muito além do que inicialmente o regime estava predisposto a aceitar.
É até possível que a investigação seja um artifício para acalmar um pouco a agitação, enquanto o governo se organiza, ampliando o controle possível da capital e da sociedade pela mobilização da milícia do regime islâmico: a Guarda Revolucionária. Mas mesmo assim, seria um inédito desafio da sociedade diante de um clero cada vez mais envelhecido e sem outros expoentes do tempo de Khomeini. Talvez uma versão atualizada e de caráter religioso daquilo que foi um dos impasses do finado regime soviético e que foi qualificado de gerontocracia (o envelhecimento da cúpula do Comitê Central da URSS levou à ascensão de uma nova geração, mais flexível e reformista, da qual Gorbachev foi o mais conhecido e influente rosto.
O mesmo pode estar no limiar de começar no Irã dos turbantes!
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