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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Questão nuclear de um lado e um navio capturado noutro.

A marinha israelense interceptou uma embarcação que, segundo as autoridades do país, destinava-se a entregar ao Hezbollah entre 60 a 100 toneladas de armas. Comandos da marinha levaram o barco apreendido para um porto israelense e comunicaram que o navio, de origem iraniana, tinha como porto de desembarque o litoral sírio.
Numa tacada Israel envolveu seus três desafetos: Irã-Síria-Hezbollah (Líbano). Além disso reacendeu, de forma favorável, a perspectiva de uma ação militar preventiva contra os iranianos e seu programa nuclear.
Mas deixa também no ar uma pergunta. Os avanços diplomáticos no sentido de um "monitoramento" sobre o programa atômico do Irã foram reais ou uma cortina de fumaça destinada a esconder o que ocorria alhures?
Inicialmente Teerã havia aceito enviar seu combustível nuclear para ser enriquecido na Rússia, o que permitiria impedir que este fosse enriquecido num porcentual de aplicabilidade militar. Assim, o Irã poderia levar adiante um programa nuclear para a geração de energia e não para dotar o país de armas atômicas. Neste episódio, por sinal, a interveniência positiva da Rússia, foi um benefício indireto do abandono do programa de escudo antimísseis na Europa pela administração Obama - o qual Moscou acusava de ser potencialmente uma forma de intimidação, pelo posicionamento de mísseis de alcance intermediário no leste europeu, facilmente tornados ofensivos pela instalação de ogivas nucleares táticas nos mesmos.
Assim, pelo abandono de um sistema europeu de interceptação voltado para as ameaças norte-coreana e iraniana, a administração Obama reduziu o atrito com os russos e colheu o apoio destes na questão nuclear iraniana.
Porém, o caso do navio transportando armas pode sinalizar que os iranianos faziam concessões no Golfo Pérsico para desviar os olhares do que ocorria com seu aliado libanês.
Autoridades iranianas fizeram novas exigências na questão nuclear, entravando novamente uma solução diplomática, e a Secretária de Estado Hilary Clinton insinuou (sic) que a paciência do Sexteto (EUA, Rússia, França, Irã, Israel e Grã-Bretanha) estava acabando.
A interceptação do navio serve a quem?
O Irã poderia estar reforçando o Hezbollah para - conforme já indiquei anteriormente - retaliar Israel ou dissuadí-lo de agir militarmente contra seu programa nuclear.
O Hezbollah violou o acordo de cessar fogo com Israel (que também já o violou, ressalte-se) e as armas, que incluiam mísseis terra-terra, antiaéreos e antitanques, obviamente reforçariam sua estrutura militar. Para atacar ou defender?
O Líbano arrisca-se a ser, de novo, um campo de batalha dos conflitos de terceiros, que destroem o país de tempos em tempos e evitando danos, ou reduzindo-os, em seus próprios territórios.
Israel reforçou sua posição de que mesmo que ataque o Irã, isso seria justificável ante o comportamento de Teerã.
E a Síria? Israel e Irã engalfinhados no Golfo ou no Líbano, com ou não a participação do Hezbollah, poderia tentar o governo de Damasco a agir na fronteira norte de Israel ou retornar para o território libanês, que ainda não foi abandonado no plano das ambições sírias.
O Oriente Médio continua entrecortado de ambições territoriais, políticas e religiosas que tudo embaralham e redefinem, a cada vez, as alianças e os interesses.
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