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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Lula, o Irã e Perspectivas

*Elaborado ontem, mas a postagem falhou!!!!

A poucas horas começaram a circular algumas notícias que merecem destaque e que envolvem os presidentes Lula e Ahmadinejad e um possível acordo na questão nuclear.
Primeiro foi o anúncio de que o1º Ministro Erdogan, da Turquia, viajaria para o Irã para reforçar as chances de um acordo que contentasse tanto as autoridades iranianas como a comnuidade internacional.
Me parece pouco provável de que Brasil e Turquia, membros temporários do CS da ONU e comprometidos a esta altura com uma mediação da crise, e consequentemente expostos a prováveis "danos" as suas imagens, não tenham nenhum tipo de chances para uma solução diplomática.  E isto parece-me ainda mais claro neste caso: sem chance, por que o premiêr turco deixaria uma inócua visita ao Azerbaijão nesta segunda-feira?
Esta viagem tem visibilidade "zero" na mídia internacional, mas seria útil para manter distância de um fracasso na questão iraniana.  Mas o que faz então a principal liderança turca? Desmarca a sua viagem ao Azerbaijão e embarca para Teerã.  Atrás de um fracasso ou para colher sua parte do acordo e das repercussões? 
Turuia e Brasil têm, por elementos distintos, se destacado na busca de um acordo diplomático com os iranianos.  Para o Brasil, uma vitória neste quesito não só reafirmaria as pretensões brasileiras a um CS reformulado, como elevaria o status brasileiro de potência regional a um patamar de veracidade quase que inédito.
Para a Turquia, um sucesso desta magnitude reforçaria suas credenciais como ponte entre o Ocidente e o Oriente, qualificando-se para agir de forma mais incisiva não só nas questões do Oriente Médio como em relação a União Europeia.  No primeiro caso, as divergências entre as lideranças turcas - moderadas porém hoje mais sensíveis as pressões de fundamentalistas - e o governo israelense deverão se acentuar, pois a perene repressão israelense aos palestinos, a ocupação de Gaza e Cisjordânia, o impasse insuperável nas negociações com a Autoridade Palestina e política de assentamentos, têm levado as autoridades de Ancara a "subir" o tom das críticas.
No que tange a União Europeia, as protelações desta em relação a plena entrada da Turquia no bloco têm também, por sua vez, gerado uma crescente insatisfação entre os turcos, para quem todos os empecilhos colocados servem apenas para demostrar sutilmente, ou não, o racismo e o preconceito em relação a eles. 
E a mídia dos EUA?
Estranho que justamente neste domingo, 16 de maio, tenha sido destacado que justamente os órgãos de imprensa mais influentes dos EUA tenham preferido não enfocar a viagem do presidente brasileiro e seus eventuais resultados positivos.  Muito pelo contrário.
Grandes veículos de comunicação, como a Newsweek, preferiram destacar outros temas, aparentemente desprezando um acordo cada vez mais improvável ou remoto.
Porém, aqui, as intrepretações foram da cautela ao ceticismo.  O tom foi de que o presidente Lula arrisca seu prestígio e o próprio país poderia ver ainda mais distante o projeto de obter um assento no CS.
Mas se pensarmos com cuidado, os EUA, a França e a Rússia, com todo o peso econômico, político e militar que dispõem, ainda assim foram incapazes de obter um acordo concreto ou concessões definitivas de Teerã.
O Brasil tem mais a ganhar com um sucesso, do que perder em caso de fracasso. 
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