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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Mais Espaço Geopolítico Implica Mais Responsabilidades

O presidente Luís Ignácio Lula da Silva perseguiu abertamente uma maior projeção do Brasil no cenário internacional até por que entende que isso abre oportunidades políticas e econômicas em outro nível.  É impressionante que um homem com sua origem e história pessoal eivada de reveses, ainda assim foi capaz de demonstrar uma sintonia fina entre pragmatismo e oportunidade neste final de governo.  Que Lula é um expert em comunicação não é segredo; mas nunca se falou tanto do Brasil...e bem!
O velho adágio de que "à mulher de Cesar não basta ser honesta, e sim parecer honesta" serve para destacar um ponto, ou contraponto.
Durante o governo Fernado Henrique, a diplomacia do Itamaraty obteve certamente sucessos vários, porém vai ficar marcada pela imagem humilhante do chanceler Celso Lafer sendo obrigado a tirar seus sapatos para inspeção nos EUA após os ataques de 11 de Setembro.  E isso marca, independente de qualquer outra coisa.
Ontem o jornal O Globo trouxe uma entrevista com o historiador e economista Niall Fergusson onde ele destaca que o desempenho da economia brasileira, hoje baseada em múltiplos mercados e na sua própria capacidade de consumo interno, lhe dá um desempenho destacado.  E vai mais além. 

Sobre a questão nuclear iraniana ele destaca que:


"Não há dúvida de que o Brasil está ganhando dimensão no cenário internacional. E o caso das sanções contra o Irã é exemplar disto. Para o governo Obama foi certamente muito irritante ver que o Brasil e a Turquia conseguiram um acordo para oferecer uma alternativa para o caminho das sanções. Ficou evidente que o governo Obama já tinha negociado um acordo sobre o esboço de sanções e que estava apostando no fracasso das conversas de última hora. O governo Obama não quer admitir novos jogadores no cenário internacional".

No dia 10 de Maio passado, a jornalista Denise Luna, também de O Globo, citando a agência Reuters, informou que a Marinha pretende abrir uma licitação entre o final deste ano e o início de 2011, num valor de 9 bilhões de euros, para construir 18 navios de apoio.  O Blog Defesa BR qualifica o negócio como um FX2-Naval (numa alusão ao FX-2 da FAB e que esperemos que ao contrário deste, tenha um desfecho).
"Os navios deverão ser construídos no Brasil em associação com um estaleiro projetista internacional, informou o militar [contra-almirante Francisco Deiana], prevendo o prazo de 5 anos para a construção.
Destinados à proteção da costa, possivelmente na região do pré-sal da bacia de Santos, onde estão localizadas reservas de petróleo que podem mais que dobrar as atuais reservas brasileiras, os navios escolta terão que ter no mínimo 40 por cento de conteúdo nacional...".

Todo o programa, que inclui o projeto do submarino nuclear, os convencionais, o estaleiro em Itaguaí e uma nova base específica para os submersíveis, inclui também 27 navios patrulha de 500 toneladas (80 milhões de reais cada), outros 12 de 1800 toneladas (R$230.000.000,00 cada unidade).  No geral, o programa de modernização da frota envolve valores da ordem de até 80 bilhões de euros em duas décadas, segundo Deiana.
Entre as embarcações estariam as FREMM (Fragatas Multimissão franco-italianas) e possivelmente um ou mais navios de apoio logístico, como o projeto italiano de um navio de apoio logístico, também multimissão.

 O Projeto das FREEM pode ser semelhante a este:

Até porque, recentemente, o ministro da defesa Nelson Jobim, esteve no estaleiro italiano que participa de projetos conjuntos com a DCN francesa na área militar. 
Podemos ver que o projeto inclui alta furtividade, capacidade anti-navio e anti-submarino, e também para efetuar bombardeios em terra mediante mísseis de cruzeiro.
No RJ, a Petrobrás está concluindo o arrendamento do estaleiro Ishibras, destinado a construir as embarcações de apoio à nova estatal vinculada ao Pré-Sal, e que pode receber parte das encomendas da Marinha.
Tudo isso envolve investimentos, tempo, continuidade e vontade política.  Mais que governos, precisam ser políticas de Estado!
Ter projeção no cenário internacional implica ter custos correspondentes não só às responsabilidades que isso envolve, mas talvez, acima disso, ser capaz de dissuadir ambições e ameaças - inclusive regionais.  Haja vista uma certa inquietação na Argentina acerca do domínio de todo o ciclo do urânio pelo Brasil, e que poderia terminar num artefato nuclear e numa "ameaça" aos vizinhos.  O que é uma rematada tolice já que o país é signatário de tratados de limitação de tais engenhos, e também de recíprocas fiscalizações acertadas desde os anos 80/90.
Pré-Sal, Amazônia Azul, Amazônia Verde, o recém descobeto aquífero paraense, etc, são recursos naturais que ao mesmo tempo que sustentam novos patamares de desenvolvimento, atraem também cobiça e interferências. 

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