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domingo, 27 de junho de 2010

Brasil, Síria e EUA

Esta semana promete ser interessante para o Brasil, e não é por causa da Copa.
Bashir Assad, senhor da Síria, chega esta semana para discutir o aumento do intercâmbio entre os dois países e já antes de embarcar fez um afago à diplomacia brasileira e sua recente intervenção nos assuntos do Oriente Médio.
Segundo entrevista ao Estado de SP, o presidente sírio afirmou que seu país gostaria de ver um envolvimento mais direto do Brasil numa negociação sírio-israelense, aproveitando o papel mediador que o Brasil desempenhou junto ao Irã e a comunidade internacional.
É evidentemente que a iniciativa brasileira já rende frutos em termos de prestígio e projeção internacional, mesmo que o resultado do acordo tripartite tenha ficado aquém do que se esperava em termos de sucesso.  Até porque o fracasso dependeu mais da intransigência liderada pelos EUA do que dos próprios iranianos ou mediadores.
Mas se aquela intermediação trouxe um bom fruto, também trouxe um fruto ruím.
Quinta-feira passada, o Congresso norte-americano aprovou uma lei de restrições energéticas ao Irã que embute, em um de seus artigos, uma restrição à venda de etanol àquele país.
Ora, sendo os EUA e o Brasil os maiores produtores de etanol mundiais, e como dificilmente Washington autorizará a comercialização deste produto para Teerã, é óbvio que o destino é o Brasil.
A eventual venda de etanol brasileiro para o Irã exporia o país a uma retaliação norte-americana.
Talvez seja agora a hora de ver de fato se o aval de Obama à negociação Brasil-Irã era para valer, já que se especula ter havido um descompasso entre o que queria o ocupante do Salão Oval e sua Secretária de Estado, Hillary Clinton.
Se o presidente Obama não "tirou a escada" do presidente Lula, agora é a hora de abrandar a exposição brasileira, pois mesmo não tendo negócios relevantes nesta área neste momento, segundo informa a Petrobrás, e portanto tornando pouco provável uma sanção do governo norte-americano, isso deixa uma abertura para possíveis ações posteriores.
O presidente Obama está lutando para recuperar, ainda que parcialmente, o brilho da diplomacia da Casa Branca que tem sido atingida por uma sucessão de problemas que não foram ou não puderam receber a devida resposta: a crise coreana, o desafio do Irã, as divergências com Israel, o protagonismo emergente do Brasil e Turquia, etc. 
Um dos sinais do mal-estar nas relações brasileiras/norte-americanas pode ser sentido na ausência do presidente Lula na reunião do G-20.  Mesmo alegando apropriadamente que o desastre que se abateu sobre o Nordeste com as chuvas e a destruição de cidades e  dezenas de vítimas, era uma razão relevante, se quisesse, Lula teria ído.  Preferiu anunciar sua participação em outra reunião grupo no final do ano.   
Na ausência de sucessos visíveis é necessário aparentar estar fazendo algo.  Principalmente em Washington!  
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