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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Parceria Estratégica, não. Parcerias!

Em documento interno da UE, a diplomacia brasileira é qualificada de “contraditória”, a aproximação com o Irã incomoda a própria União, os membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e têm gerado tensões com os EUA e seus aliados.

Este é um assunto que certamente será levantado na reunião prevista para o dia 14 deste mês, em Brasília, e já demonstra, junto com outros sinais, que a pretensão de obter assento permanente no CS ficou mais distante.
A partir deste quadro talvez se deva fazer uma reflexão sobre até que ponto considerarmos uma aliança estratégica.
A anunciada aliança franco-brasileira em torno da aquisição de de submarinos convencionais, uma parceria num sub nuclear (SNBR), a construção de uma base naval em Itaguaí, a capacitação do Arsenal de Marinha e a conclusão – enfim? - do FX-2, ao mesmo tempo que teoricamente nos autonomizava parcialmente diante da hegemonia norte-americana, serviria para atrair o apoio de Paris à pretensão brasileira.
Mas o envolvimento e os posteriores desdobramentos da questão iraniana, puseram, no final, Brasil e França em campos opostos. O negócio prossegue, mas ficou claro até que ponto vai a tal “parceria”.
Esta semana foi anunciado que durante a visita do 1º Ministro italiano Sílvio Berllusconi ao Brasil, seria firmada uma outra parceria estratégica. Neste caso, sairia da fase dos projetos a construção de uma série de embarcações para a renovação e expansão da Marinha diante das crescentes responsabilidades sobre a área do pré-sal, as Amazônia Azul e Verde, controle das rotas marítimas do Atlântico Sul e nossa fronteira líquida até a África Ocidental.
Segundo o Monitor Mercantil, o acordo militar inclui modernas fragatas que, construídas em parceria com a DCNS francesa, são uma versão italiana superior em alguns aspectos àquelas. Também estão no pacote navios patrulha e de apoio logístico girando num valor inicial de R$ 3 bilhões de reais, mas sem definição do custo final. Isso é muito menos do que o pacote francês (R$ 27 bilhões de reais), mas essa nova aliança é muito interessante para os italianos.  Até porque se soma a outro negócio anunciado pela Folha de SP, no valor de R$ 7 bilhões para a fabricação de blindados pela Iveco - subsidiária da FIAT.
Conhecidas como Classe Carlo Bergamini, as fragatas multi-missão italianas são mais baratas que a versão francesa, o que permitiria adquirir 5 delas. Numa atmosfera de desconforto entre o Brasil e a Itália desde o Caso Battisti, o presidente Lula acena com um grande negócio potencial que ajudaria não só os italianos, mas a própria Zona do Euro com a injeção de dinheiro ali diante da recessão atual.
Para o Brasil o acordo bilateral também é importante pois os italianos ofereceram uma vantajosa transferência de tecnologia, o que está no cerne da Estratégia Nacional de Defesa (END).
Segundo o site Blog Defesa BR, numa perspectiva de médio prazo até 2030, a MB poderia estar operando até 2 NAe (navios-aeródromos) e 4 porta-helicópteros para apoiar operações limitadas de controle de área e apoio a operações de desembarque, que coligados com fragatas, embarcações e aeronaves de patrulha, satélites, bases e dispersão de efetivos, dariam à força naval brasileira a necessária capacidade multifuncional que irá requerer tornar-se de fato uma potência regional.
Ao mesmo tempo, por ocasião do 89º aniversário da Batalha de Carabobo e que é o Dia do Exército na Venezuela, foi informado que estavam sendo ativadas novas unidades, com destaque para uma brigada de infantaria mecanizada, assim como batalhões blindados, infantaria mecanizada, grupos de artilharias de campanha e antiaérea, esquadrões de cavalaria motorizada, entre outros. Também inclui a transformação da 11 ª Brigada de Infantaria, em blindada, e a ativação futura da 49ª Brigada de Defesa Anti-aérea.

Enquanto o Brasil planeja, projeta, negocia, protela, etc, a Venezuela vai se equipando.

A opção do Brasil com os italianos, descartou todas as propostas feitas anteriormente a empresas particulares, pois segundo a END a ênfase era por "pacotes" que permitam a aquisição de tecnologia.  Segundo o site Poder Naval, os italianos baixaram, e muito, o preço das embarcações oferecidas, o que lhes deu uma decisiva vantagem.
Existem persistentes vínculos militares entre os dois países (participação na 2ª Guerra e mais recentemente o projeto conjunto AM-X) e em novembro passado 150 empresas italianas participaram de uma rodada de negociações com 400 empresários brasileiros para apresentação de projetos variados.
É ver, lembrar e crer!
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