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domingo, 22 de agosto de 2010

Bushehr - O Irã Nuclear

Após mais de três décadas de esforço e dedicação, entrou ontem em operação a usina nuclear de Bushehr, que com supervisão russa, produzirá dentro de três meses energia elétrica para o país.  Caberá aos russos o acompanhamento geral das operações da usina e a retirada do urânio utilizado, o que pelo menos em tese, elimina a possibilidade de desvio do material para a eventual fabricação de armas nucleares.
O nível de enriquecimento será de 3,5% e portanto, muito distante dos 90% necessários à fabricação de um artefato atômico.  Ao mesmo tempo, a diplomacia de Washington vêm dando mostras de que o alvo de suas críticas está sendo melhor delimitado, provavelmente diante do fato consumado que a usina já existe, está operacionalmente carregada e em uso.
Para Israel, a posição manifestada pelo ministério das Relações Exteriores, através do porta-voz, foi classificar como "inaceitável" um Irã nuclearizado, apesar de estar submetido a seis rodadas de sanções internacionais, quatro delas associadas ao programa nuclear de Teerã. Segundo o Conselho de Segurança o programa de desenvolvimento de usinas e enriquecimento de urânio pode servir para a aquisição de armas nucleares.  Já para as autoridades iranianas seu programa é pacífico e, apesar das sanções, seguirá a meta de alcançar 20% de enriquecimento para uso medicinal e de pesquisas.
Os próximos meses ainda serão tensos diante de um possível ataque israelense e cujas consequências e retaliações serão imprevisíveis.
O presidente Ahmadinejad é profícuo em declarações estapafúrdias, mantêm seus cidadãos sob controle, amplia seus meios militares, mas mesmo assim, parece pouco provável que ele cometa um ato de desatino que arraste seu país à destruição.
Só existe perspectiva de confronto se o mesmo fornecer algum ganho.  A destruição de Israel à custa da destruição do Irã, para benefício dos "rivais" sunitas, não parece ser o caminho a ser trilhado.
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