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sábado, 23 de outubro de 2010

Um Bom Sinal entre La Paz e Lima

Pode estar sendo encaminhada, finalmente, a superação do contencioso entre a Bolívia e o Chile e que é um resquício da pouco conhecida hoje Guerra do Pacífico.
Travada entre os anos de 1879 e 1883, este conflito envolveu além de bolivianos e chilenos, os peruanos, que embora pouco interessados em envolver-se numa guerra em meio a uma série de dificuldades econômicas, acabou arrastado para o confronto ao manter um compromisso - secreto - com a Bolívia.
A causa do conflito foi a disputa por riquezas minerais na região do deserto do Atacama, que possuía ricos depósitos de guano e salitre, então muito procurados por seu uso agrícola como fertilizantes e também na fabricação de explosivos, no caso do segundo.
As disputas envolveram interesses britânicos presentes em empresas chilenas de exploração mineral e a crise foi evoluindo de uma disputa comercial para um confronto armado.  Neste, o Chile, melhor armado e com forças terrestres e navais mais modernas, enfrentou os fracos e desorganizados exércitos boliviano e peruano, e que culminou com a perda da única saída para o mar que a Bolívia tinha, tornando-se assim um dos poucos Estados insulares do mundo.
Nos tratados posteriores que encerraram oficialmente a guerra, o Chile foi o mais beneficiado em virtude da anexação de todo o antigo litoral pacífico boliviano, apropriando-se de suas riquezas minerais e portos.  Quanto ao Peru, apesar de parcialmente ocupado no final da guerra, veio a receber, no início do século XX a devolução de parte de suas terras e uma indenização.
Já a Bolívia, atribuiu ao desastroso desfecho da guerra a maior parte da responsabilidade por seus problemas econômicos e sociais.
Mas agora, os governos de La Paz e Lima implementaram um acordo de cessão pacífica ao Pacífico (desculpem o trocadilho), pelo qual nos próximos 99 anos (renovável por igual período) os bolivianos terão um canal de acesso ao oceano e todas as possibilidades econômicas daí decorrentes.  Além do acesso como via de comunicação, a ampliação da área já existente e onde funciona uma espécie de Zona Franca boliviana, permitirá que mais empresas industriais se instalem nesta área e construam depósitos e armazéns.
Em relação ao Chile, as negociações prosseguem embora sejam muito mais delicadas.  Neste caso, o desejo boliviano é o de uma devolução das terras perdidas na guerra, ao que setores importantes da sociedade chilena se recusam a discutir pois envolve os resultados de uma clara vitória militar e ceder, equivaleria a "manchar" a honra nacional.  Mesmo assim, é um ponto positivo que os pontos de vista sejam externados pelas diplomacias de ambos os países, e não por suas armas.
Por sinal, o governo de Santiago têm investido já a muito tempo, recursos oriundos da exploração por exemplo das minas de cobre no reaparelhamento militar nacional, o que foi ajudado também pelas boas relações com Washington.  Os interesses da Casa Branca em manter laços fortes com uma país sul-americano que foi por décadas um aliado regional na luta contra o comunismo, cujo ditador Pinochet implementou uma política de abertura econômica e desnacionalização que gerou um forte crescimento econômico e que podia se contrapor a influência territorial e humana de um Brasil ou Argentina, permitiu inclusive que a Força Aérea Chilena recebesse os poderosos caças F-16.  E não se pode desconsiderar que o estabelecimento de relações privilegiadas entre Santiago e Washington, além de atrair o interesse chileno para o norte, e não para o Mercosul - enfraquecendo-o - também permitiu que uma expansão de seus gastos militares tenha agido no sentido de fazer com que seus vizinhos também gastassem mais, desviando recursos de outros setores.  Mas vale lembrar que a atual escalada de gastos militares não pode ser atribuída apenas aos chilenos.  A Venezuela têm reforçado a aquisição de armas russas e chinesas, o Brasil vêm sinalizando grandes investimentos para os próximos anos e a Colômbia continua sendo beneficiada pela aliança com o governo norte-americano para conter e eliminar as FARC e os narco-traficantes.
Em 2009/10, o Chile completou a aquisição de uma dezena de modelos na versão Block 50 e mais 18 de uma versão mais simples, e de segunda mão, da Holanda.  Também está finalizando um contrato de mais 18 também holandeses, além de adquirir aviões brasileiros, tanques e veículos blindados de transporte alemães e belgas, 12 helicópteros novos, três baterias anti-aéreas, veículos de combate dos fuzileiros navais norte-americanos, aeronaves de reabastecimento aéreo e mais helicópteros de fabricação russa.  De quebra, também vêm sendo cogitado o aumento do efetivo militar.
Por tudo isso, neste período, o Chile assumiu a 2ª posição no ranking de gastos militares sul-americanos, atrás apenas do Brasil.  Estes dados podem ser conferidos em  http://www.militarypower.com.br/frame4-ranking.htm

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