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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

BRICs e Capacidade Militar

O Brasil é o primeiro país da sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e também o mais jovem. Conta 510 anos de idade, enquanto os outros são muito mais antigos, sendo que a China e a Índia têm história milenar. A Rússia, a China e a Índia são potências nucleares e possuem Exércitos gigantescos tanto em efetivos como em armas pesadas. A Rússia se enfraqueceu depois do desmoronamento do Estado soviético, mas ainda se conserva como potência militar e investe bastante em tecnologia bélica, sendo um grande exportador de armamentos. A China está investindo pesadamente em tecnologia militar visando manter uma hegemonia geopolítica na Ásia Pacífico, vis a vis o industrializado e antigo inimigo o Japão.

A Rússia se afastou de vez da Guerra Fria ao aceitar a proposta da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de estabelecer em conjunto com os EUA um sistema de defesa anti-mísseis, fato esse recente por ocasião da gigantesca conferência de cúpula da Otan em Lisboa no fim de novembro deste ano. Tive a oportunidade de estar em Lisboa e acompanhar de perto várias etapas daquela conferência considerada histórica pelo significado do fim da Guerra Fria e por essa parceria militar entre Rússia e a aliança atlântica contra mísseis vindos provavelmente de fora do território europeu...
A Índia quer manter sua influência na área do Oceano Índico e garantir sua hegemonia naval em rotas de petróleo vindas do Oriente Médio. Aliás, dois programas de construção naval são considerados os mais ambiciosos do mundo. O primeiro é da Índia e o segundo do Brasil, ambos por conta de reservas petrolíferas, sendo que a Índia é um grande importador de óleo bruto, enquanto o Brasil deverá se transformar em grande produtor se as reservas do pré-sal forem efetivamente confirmadas. A Índia precisa garantir fluxo externo de petróleo. O Brasil precisa garantir sua soberania marítima de produção petrolífera...
Nosso País tem extensa fronteira marítima, como também extensa fronteira terrestre. Além disso, o Brasil tem um gigantesco patrimônio ambiental representado por florestas e reservas de água doce consideradas as maiores do mundo, sendo também uma potência mineral de primeira grandeza o que o torna um dos líderes mundiais no futuro de duas décadas em termos de economia.
Mas como anda hoje o nosso poderio militar? Do ponto de vista qualitativo nossas Forças Armadas são as melhores da América Latina superando de longe as potências mais próximas deste continente como a Argentina e o México. Também do ponto de vista quantitativo nossas Forças Armadas são superiores a todos os países latino-americanos, incluindo Cuba, que no passado foi grande “exportadora” de terroristas de esquerda e hoje está à míngua, numa situação constrangedora para alguns intelectuais que defendem a dinastia castrista. Setenta por cento das Forças blindadas cubanas estão sucateadas e enferrujadas e o salário dos oficiais cubanos são ao nível da pobreza absoluta o que atinge o moral daqueles militares...
O Brasil sofreu uma redução no investimento militar no governo FHC. O governo Lula recuperou parte desse investimento, mas em nível insuficiente. De qualquer forma estão se modernizando as Forças blindadas do Exército, renovando os meios flutuantes da Marinha, inclusive com a construção de novos submarinos de tecnologia francesa, e se espera que a FAB consiga resolver a questão dos caças supersônicos no curto prazo...
Um fato interessante: dos BRICs, dois são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Rússia e China), enquanto a Índia já obteve apoio formal dos Estados Unidos para fazer parte daquele colegiado mundial.
Um sinal para o Brasil: se quiser ser membro permanente daquele conselho, deve fortalecer suas Forças Armadas, mantendo-as ao nível do “estado da arte” em tecnologia militar e na ampliação e qualificação do pessoal, garantindo qualidade e profissionalismo desse sensível segmento da vida nacional.



Fonte: Jornal do Commercio
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