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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Marinha negocia compra de 3 navios



Roberto Godoy                                                                

A Marinha do Brasil está negociando a compra de três navios de patrulha oceânica de 2 mil toneladas, classe Port of Spain, produzidos pelo grupo britânico Bae Systems originalmente para a Força naval de Trinidad e Tobago. O governo tobaguiano desistiu do negócio por razões financeiras. As três unidades estão prontas e completaram os testes de mar em setembro de 2010, na Escócia.

A operação permitirá reduzir o custo do programa de renovação da frota da superfície, o Prosuper – estimado entre 4 bilhões e 6 bilhões – e ainda ganhar tempo na parte sensível do processo, o da ampliação da capacidade de patrulhamento em alto-mar, principalmente na região do pré-sal.

O Prosuper abrange 11 embarcações – cinco fragatas de 6 mil toneladas, cinco escoltas de 1.800 a 2 mil toneladas e um super navio de apoio de 22 mil toneladas, capaz de transportar a qualquer distância todo tipo de suprimentos necessários às operações da Marinha.

O negócio em andamento com a Bae Systems pode incluir quatro fragatas usadas Type 22 Série 3, recentemente desativadas pela marinha inglesa. Modernas e tecnologicamente revitalizadas, permitiriam a desativação dos equipamentos mais antigos da esquadra brasileira. Do grupo, três entrariam em ação quase imediata. A quarta fragata seria mantida como banco de peças, partes e componentes.

Oportunidade. Uma fonte do Ministério da Defesa admitiu ao Estado que a aquisição dos navios-patrulha “é de oportunidade”, mas, se completada, abre a possibilidade de mais encomendas, de três a cinco unidades, que seriam construídas no Brasil por estaleiros privados e ampla transferência de tecnologia.

Cada navio mede 91 metros, leva cerca de 65 tripulantes e um helicóptero médio. Nos ensaios a velocidade máxima sustentada ficou em cerca de 28 km/hora. O armamento principal é um canhão 30mm na proa, mais dois menores, de 20mm e duas metralhadoras 12,7mm.

Os navios estão preparados para receber sistemas de mísseis e de lançamento de torpedos. O complexo eletrônico, radar e centro de combate, foi definido apenas como “adequado” por especialistas que destacam o fato desses recursos não seguirem a disposição padrão brasileira.

Enquanto isso, o Prosuper segue a agenda prevista há um ano. A escolha final, entre ofertas de Itália, Reino Unido, Alemanha, Coreia e França, sairá em 2012. A primeira fragata ficará pronta entre 2018 e 2019 – a entrega do navio patrulha ocorreria 12 meses antes. Esse aspecto do programa muda com a compra dos três navios da classe Port Of Spain.

A Marinha vai adquirir 24 unidades da mesma aeronave que venha a ser selecionada pela Força Aérea por meio da escolha F-X2, dos novos caças avançados, mas em versão embarcada para equipar um porta-aviões de 60 mil toneladas que planeja incorporar entre 2027 e 2031 – a nau capitânia da projetada 2.ª Frota, na foz do Amazonas.

Plano da Força Naval abrange 61 navios e 5 submarinos

A Força Naval apresentou aos empresários do setor industrial seu plano completo. Abrange 61 navios de superfície e cinco submarinos – quatro de propulsão diesel-elétrica e um movido a energia nuclear. As encomendas vão até 2030. Há 48 grupos empresariais – representando cerca de 25 mil empregos em 19 diferentes setores – diretamente interessados em participar do empreendimento.

A Odebrecht Defesa e Tecnologia prepara os estaleiros da Enseada do Paraguaçu, na região metropolitana de Salvador, capital baiana, para disputar o Prosuper. A empresa, associada à francesa DCNS, constrói em Itaguaí, no Rio, uma nova base naval e as instalações industriais de onde sairão os cinco submarinos do Prosub, encomendados por 6,7 bilhões de euros.

A prioridade estratégica da Marinha do Brasil, para ser cumprida em várias fases durante 15 anos, é o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul, o SisgAAz. A área de cobertura do SisgAAz é imensa – cerca de 4,5 milhões de quilômetros quadrados – equivalente à metade do território brasileiro, tão grande quanto a Europa Ocidental.

O aparato é destinado a vigiar e proteger um tesouro – na indústria da energia são 15,3 bilhões de barris de petróleo, 133 plataformas (86 fixas, 47 flutuantes) de processamento da Petrobrás, patrimônio decorrente de investimentos da ordem de US$ 224 bilhões, de 2010 até 2015.

Mais ainda: são desenvolvidas pesquisas sobre a biodiversidade exótica encontrada nas fontes hidrotermais localizadas nas zonas de encontro das placas tectônicas. As características apuradas permitem garantir em escala bilionária o aproveitamento na indústria farmacêutica e de cosmésticos. O oceano, na abrangência controlada pelo Brasil, abriga, ainda, 80 reservas de 100 materiais estratégicos. Mapeadas, não prospectadas.

FONTE: O Estado de São Paulo
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