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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Rejeitada Proposta Russa de Sistema Conjunto ABM

Os Estados Unidos rejeitam a proposta russa para uma defesa antimísseis conjunta entre a Otan e a Rússia na Europa, afirmou o embaixador americano diante da Aliança Atlântica, Ivo Daalder, em entrevista publicada nesta quarta-feira pelo jornal russo “Kommersant”.
                                          Radar flutuante do sistema ABM rumo a Turquia Daadler reiterou assim a postura dos EUA à proposta feita pelo presidente russo, Dmitri Medvedev, que sugeriu a criação de um sistema conjunto Rússia-Otan, no qual cada uma das partes seria encarregada da segurança de um setor do continente.

“A Otan não pode aceitar essa ideia. Unicamente porque estamos convencidos que só a Aliança, e não uma potência estrangeira, pode garantir a segurança de seus membros e seus territórios. Mesmo Moscou não quer que sua segurança fique nas mãos da Otan”, justificou o diplomata americano.

A Aliança insiste em uma cooperação na qual as partes respondam unicamente pela defesa de seu território.

“Podemos aceitar uma versão adaptada da proposta russa (de defesa) setorial. A Otan se encarregará de defender seu território, e Rússia o seu. Juntos podemos determinar como podem cooperar nossos sistemas independentes de antimísseis para reforçar a segurança da Europa e protegê-la da ameaça iraniana”, indicou.

No fim de novembro, o presidente russo anunciou a instalação de um radar e ordenou reforçar a segurança das instalações das forças estratégicas da Rússia em resposta à recusa dos EUA de dar garantias por escrito de que seu sistema de defesa antimísseis na Europa não ameaça o poderio nuclear russo.

“Não há nada novo entre as medidas anunciadas pelo presidente Medvedev. O mais importante que temos ouvido é que a porta para o diálogo continua aberta. Temos intenção de cooperar com a Rússia, mas ao mesmo tempo nossa intenção é ter nossa própria defesa antimísseis”, indicou Daadler.

O embaixador americano diante da Otan reconheceu que atualmente as negociações entre a Aliança, Estados Unidos e Rússia sobre o escudo antimísseis estão em ponto morto.

“Estamos em um atoleiro, mas há saída. Todos nós sabemos conversar. Vemos com clareza nossas diferenças e estamos prontos para superá-las”, ressaltou.

Otan diz que Rússia não deve temer o escudo antimíssil

Ministros das Relações Exteriores dos países membros da Otan estão reunidos em Bruxelas com o chefe da diplomacia russa. O objetivo do encontro é tranquilizar o representante de Moscou sobre o projeto de escudo antimíssil contestado pela Rússia.

A Otan tenta tranquilizar a Rússia sobre a finalidade do escudo antimíssil durante a reunião dos ministros das Relações Exteriores dos 28 países membros da Aliança e o chefe da diplomacia de Moscou, Sergueï Lavrov, que acontece nesse momento em Bruxelas. “Seria um desperdício financeiro importante para a Rússia investir em medidas para impedir um inimigo artificial que não existe”, declarou o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen antes do início da reunião.

O escudo antimíssil, decidido durante uma cúpula da Aliança em 2010, é um ambicioso sistema de defesa, de tecnologia norte-americana, que a Otan pretende implementar para proteger a Europa. Mas o projeto não é visto com bons olhos pela Rússia, que considera o programa como uma ameaça para sua segurança.

Desde que a iniciativa foi lançada, os Estados Unidos e a Otan afirmam que o escudo não visa o arsenal de dissuasão nuclear da Rússia, e sim “uma ameaça vinda do Oriente Médio”. Alguns militares apontam diretamente o regime iraniano e seu programa bélico como principal fonte de preocupação da Aliança.

Mas Moscou exige garantias de que poderá manter seu programa de defesa sem interferência externa.

“Nossos amigos da Otan recusam categoricamente nos apresentar por escrito o que eles afirmam oralmente, principalmente o fato de que esse projeto de escudo antimíssil na Europa não apresenta nenhum risco para a Rússia”, disse o chefe Sergueï Lavrov. O chefe da diplomacia russa confirmou que seu país não está disposto a um acordo sem garantias concretas da Otan.

O escudo antimíssil deve estar operacional entre 2018 e 2020, e cobrirí vários países próximos da Rússia, como a Polônia, a Romênia e a Turquia.

Fonte: Folha / RFI
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