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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Estratégia militar de Obama comete mesmo erro de seus predecessores desde a 2ª Guerra

ROBERT SCALES, THE WASHINGTON POST, É GENERAL DO EXÉRCITO APOSENTADO, EX-COMANDANTE DO ARMY WAR COLLEGE DOS EUA

     E começamos tudo de novo. Há duas semanas, ao anunciar sua nova estratégia militar, o presidente Barack Obama cometeu o mesmo erro que todos os seus predecessores cometeram desde a 2.ª Guerra. Ele afirmou que: “além disso, temos que nos lembrar das lições da história. Não podemos nos permitir repetir os erros do passado – depois da 2.ª Guerra Mundial, depois do Vietnã – quando nosso Exército foi deixado despreparado para o futuro. Como comandante em chefe, não permitirei que isso ocorra novamente. Não sob a minha guarda”.
     Infelizmente, o plano apresentado por ele faz exatamente isso. Esquece as lições da história. Alguns fatos: Harry Truman, desejando que o país não repetisse os gastos que teve na 2.ª Guerra Mundial, reduziu o efetivo do Exército de oito milhões de soldados para menos de meio milhão. Se o Congresso não interviesse, ele teria eliminado o Corpo de Fuzileiros Navais. O resultado foi o enfraquecimento das forças terrestres na Coreia, uma guerra que Truman jamais pretendeu combater.
     Dwight Eisenhower adotou a estratégia que denominou “New Look” (Novo Aspecto) cujo objetivo foi reduzir novamente o efetivo do Exército e do Corpo de Fuzileiros Navais, de modo a permitir a criação de uma força de operação nuclear criada em torno do Comando Aéreo Estratégico. Mas então veio o Vietnã, guerra que Eisenhower, John Kennedy e Lyndon Johnson jamais desejaram travar. Mas em 1970 nosso Exército profissional estava espatifado, substituído por amadores. O resultado foi a derrota e 58 mil mortos.
Depois do Vietnã, o governo Nixon mais uma vez desarticulou as forças armadas. Eu sei. Estava lá para ver a dependência da droga, os assassinatos nos quartéis e a indisciplina crônica, causadas principalmente por uma corporação abatida que mostrava a sua insatisfação. Em seguida, observamos o descaso, sem paralelos, de Jimmy Carter que resultou no “Hollow Army” (Exército esvaziado) no final dos anos 70, um Exército que falhou rotundamente na sua tentativa para resgatar os reféns americanos no Irã.
     A única exceção à triste história foram os anos de governo Reagan, quando as forças terrestres receberam fundos suficientes para se equiparem e treinarem para lutar tão bem na Operação Tempestade no Deserto. Então, nova desgraça, quando o governo Clinton reduziu de novo o efetivo das forças armadas, confiando na “Transformação”, um programa para aquisição de mais navios e aviões, reduzindo o número de divisões do Exército de 16 para 10. No governo de George W. Bush, Donald Rumsfeld prosseguiu com uma política que visava aproveitar a tecnologia da informação para substituir o componente humano na guerra. Não tivessem ocorrido os atentados de 11 de setembro de 2011 e o Exército teria sido reduzido a menos de oito divisões.
     De modo que nos encontramos na mesma situação novamente. O governo Obama vai reduzir o efetivo terrestre, profissional e muito experiente, para custear uma nova estratégia chamada “Air Sea Battle” (Batalha no ar e mar) que visa a compra de mais navios e aviões para enfrentar a China com tecnologia em vez de pessoas. Essa estratégia sugere um grau de desconhecimento da história que supera o de qualquer governo americano após a 2.ª Guerra. Ponto final nesta questão de lembrar “as lições da história”.
     Eis o que as lições dos passados 70 anos realmente nos ensinam: não podemos escolher nossos inimigos; nossos inimigos nos escolherão. Como sempre fizeram no passado, eles nos cederão o domínio no ar, no mar e no espaço, porque não têm capacidade para travar uma guerra conosco nesses campos. Nossos inimigos nos observaram de perto no Iraque e no Afeganistão e aprenderam as lições fornecidas por Mao Tsé-tung, Ho Chi Min e Saddam Hussein: a maior vulnerabilidade dos EUA são os americanos mortos. De modo que nosso futuro inimigo procurará lutar contra nós em terra, onde tradicionalmente estamos despreparados. Seu objetivo será matar como fim e não um meio para atingir esse fim. E entraremos na sexta guerra de novo, tragicamente sem o recurso precioso que desprezamos durante seis governos: nossos soldados e fuzileiros navais. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Fonte: Estado de São Paulo http://blogs.estadao.com.br/radar-global/esquecendo-as-licoes-da-historia/
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