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domingo, 11 de março de 2012

Cinco passos para a calma na Síria

A Rússia e a Liga Árabe acordaram cinco medidas para resolver a situação na Síria. O documento foi elaborado em uma reunião do ministro das Relações Exteriores russo Serguei Lavrov com seus colegas dos países da Liga Árabe que foi realizada em 10 de março no Cairo. As principais disposições do plano são a rejeição do uso da força por todas as partes do conflito e a inaceitabilidade de interferência externa nos assuntos dos sírios.
     Confrontos na Síria continuam mais de um ano. Segundo a ONU, durante esse tempo pelo menos 7,5 mil pessoas foram mortas. O Ocidente acusa o presidente do país de “uso desproporcional da força”. Bashar al-Assad, por sua vez, diz que a situação está sendo desestabilizada por combatentes da oposição que estão sendo armados do exterior.
     Desde o início do conflito Moscou disse que a primeira condição para estabilizar a situação na Síria deve ser um cessar-fogo – e não apenas pelas tropas do governo, como exige a coligação de países ocidentais e a Liga Árabe, mas também por grupos armados de oposição. A Rússia e a China tiveram que utilizar seu direito de veto no Conselho de Segurança da ONU duas vezes para bloquear resoluções contra o regime de al-Assad.
     Atualmente, a crise na Síria parece estar à beira de uma nova reviravolta. Os resultados das últimas conversações entre o ministro russo com seus homólogos árabes foram anunciados pelo próprio Serguei Lavrov. A posição conjunta das partes é composta de cinco pontos. “O primeiro é o fim da violência de qualquer parte. O segundo é a criação de um mecanismo de controlo independente. O terceiro – nenhuma intervenção externa, o quarto – acesso sem entraves de todos os sírios à ajuda humanitária. E, finalmente, o quinto é um forte apoio da missão de Kofi Annan (enviado especial da ONU e da Liga Árabe para resolver a crise síria) para iniciar um diálogo político entre o governo e todos os grupos da oposição”, disse a jornalistas o ministro das Relações Exteriores da Rússia.
     Entretanto, infelizmente, as forças de oposição estão tentando fazer tudo o possível para que os eventos na Síria se desenvolvam segundo os cenários da Líbia ou do Egito, disse em entrevista à Voz da Rússia o comentarista do jornal egípcio Al-Masri al-Yaum Khaled Omar.
     "No entanto, nestas circunstâncias, Bashar al-Assad está conseguindo se manter no poder. As posições do regime se fortalecem ainda porque ele está pronto para a um diálogo de grande escala com a oposição. A Rússia também apela para um diálogo entre sírios. E a sua posição permanece inalterada. A reunião no Cairo não só foi uma tentativa de amenizar a tensão entre a Rússia e a Liga Árabe ligada à atitude dura do Catar e da Arábia Saudita, mas também ajudou a formular uma posição construtiva das partes para resolver a crise da Síria."
     Realmente, foram o Catar e a Arábia Saudita que tinham tomado a atitude mais intransigente para com o regime de al-Assad. Atualmente, Moscou parece ter sido capaz de arrefecer um pouco as “cabeças quentes” propondo aos estados árabes uma saída da situação conveniente para todos. Este acordo é um passo importante para resolver a crise síria. Apesar de, claramente, não resolver todos os problemas existentes, nota a perita orientalista Irina Zvyaguelskaya.
     "O problema da implementação dos acordos alcançados é que em qualquer cenário o apoio à oposição vai, obviamente, continuar. É bem possível que militantes vão continuar penetrando através da fronteira com a Líbia. O monitoramento acordado não vai dar a possibilidade de tomar medidas que possam por um fim a isso. No entanto, de qualquer forma, o acordo é positivo. Porque antes nós tínhamos sérias divergências com a Liga Árabe, e agora conseguimos superá-los."
     No entanto, esses problemas também devem ser resolvidos – a menos, claro, que as partes não tenham o desejo de sair da crise. É nisso, na verdade, que consiste a missão do representante especial das Nações Unidas. Kofi Annan se reuniu com Bashar al-Assad, e apresentou suas propostas ao presidente sírio. Annan também se reuniu com os líderes da oposição, empresários proeminentes da Síria.
     E para Sergei Lavrov a reunião na capital egípcia foi a primeira etapa de preparação para a reunião do Conselho de Segurança da ONU. Do Cairo, o Ministro de Negócios Estrangeiros russo voou para Nova York, onde manterá conversações com a Secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton. Os resultados das reuniões sobre a situação na Síria serão discutidos em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU em 12 de março.
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