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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Diante do radical salafista, candidato da Irmandade no Egito é moderado


de Gustavo Chacra

A Irmandade Muçulmana decidiu lançar o empresário Kheirat al Shater (a esquerda) neste domingo como candidato à Presidência porque temia a emergência do salafista e radical Hazem Salah Abu Ismail (ao lado, de barba comprida) como favorito na disputa.  Antes disso, a organização islâmica trabalhava com o Conselho Supremo das Forças Armadas para escolher conjuntamente um nome neutro.
Para a Irmandade, o ideal seria manter apenas o controle do Parlamento e da constituinte, deixando os militares com alguma força no poder executivo. Diante da ameaça e do radicalismo de Ismail, o próprio Exército concordou, apesar de não publicamente, que a única alternativa seria Shater.
Caso sua candidatura alavanque, como é provável, Ismail se transformaria apenas em um candidato marginal. Amr Moussa, ex-secretário geral da Liga Árabe e laico, passaria a ser o principal adversário.
Neste cenário, o Egito teria duas opções moderadas para os padrões do Oriente Médio. De um lado, um executivo religioso, mas sem radicalismo, que exerceria um governo pragmático, preocupado com a política doméstica e uma agenda interna não muito distinta da de Recep Tayyp Erdogan, premiê da Turquia. Do outro, um experiente burocrata que busca manter o secularismo do Egito.
É importante, porém, observar com atenção a constituinte do Egito, que é completamente controlada pela própria Irmandade e pelos salafistas. Neste caso, esperamos que a tradicional organização islâmica defenda os valores mais moderados de Shater, não cedendo ao radicalismo de Ismail.
O Egito, assim como a Tunísia, ruma para a democracia. Mas o caminho será longo e repleto de obstáculos.

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