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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Presidente afegão culpa 'falha' da Otan por ataques


Ofensiva militante em Cabul e outras três cidades afegãs terminou após 18 horas e deixou total de ao menos 47 mortos

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, relacionou os ataques militantes de domingo no país a falhas de inteligência, especialmente da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Em sua primeira resposta aos ataques, Karzai elogiou o desempenho das forças de segurança afegãs, afirmando que elas se provaram capazes de defender o país.
                                              Soldado carrega seu cão farejador de bombas.
Os violentos combates entre militantes e forças de segurança nas ruas do centro da capital do país, Cabul, e em outras três cidades terminaram nesta segunda-feira após 18 horas de tiroteios, explosões e disparos de foguetes, deixando um total de ao menos 47 mortos: 36 militantes, oito policiais e três civis, segundo o ministro afegão do Interior, Besmillah Mohammadi.
"A infiltração de terroristas em Cabul e em outras províncias é uma falha de inteligência nossa e especialmente da Otan, e deveria ser seriamente investigada", disse o líder afegão.
De acordo com um militante preso, a ofensiva militante foi lançada pela rede Haqqani, um grupo letal de insurgentes com vínculos com a milícia islâmica do Taleban e com a rede terrorista Al-Qaeda, disse uma graduada fonte de segurança afegã nesta segunda-feira.
Os confrontos, que começaram por volta do meio-dia de domingo (hora local), espalharam-se durante a noite por bairros centrais da capital afegã e paralisaram o bairro governamental da cidade. Houve combates também em três outras províncias afegãs, no que a milícia islâmica do Taleban, que assumiu a autoria da ofensiva, disse ser o início de uma ofensiva de primavera.
"Em apenas um curto período conseguimos estancar seus planos diabólicos, e todos os 36 insurgentes foram mortos. Eles portavam trajes suicidas, mas não conseguiram fazer nada exceto serem mortos", disse o chefe de operações do ministério do Interior, Afzal Amane
O incidente ilustra a capacidade dos militantes de atacar alvos valiosos no coração da capital, mais de dez anos depois de o regime islâmico do Taleban ter sido derrubado por grupos locais apoiados por forças estrangeiras.
Ele representa também um revés para o presidente dos EUA, Barack Obama, que gostaria de usar a campanha contra o Taleban - e o plano para retirar as tropas de combate do Afeganistão até o final de 2014 - como trunfos na sua campanha a reeleição, neste ano.

Embaixadas e prédios públicos
A ofensiva, que começou com ataques a embaixadas, um supermercado, um hotel e o Parlamento, foi uma das mais sérias na capital em mais de dez anos de guerra. Karzai ficou entrincheirado no palácio presidencial.
Aumento de mortos: Feto é listado como 17ª vítima de massacre de soldado no Afeganistão
Um porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid, disse à Reuters que a ofensiva foi planejada durante meses, em vingança contra vários incidentes envolvendo tropas dos EUA no Afeganistão - incluindo a queima de exemplares do Alcorão num quartel da Otan, e o massacre de 17 civis por um soldado americano. Ele prometeu que haverá mais ações.
*Com Reuters
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