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domingo, 23 de setembro de 2012

Crise Japão-China: os EUA encararão um ataque às ilhas Senkaku como ameaça à sua própria segurança.

http://www.estadao.com.br/fotos/CHINA-JAPAN_REUTERS_Stringer.jpg

     Em caso de a China atacar as ilhas Senkaku, os EUA encararão esse passo como uma ameaça à sua própria segurança, tal como está previsto no Tratado de Cooperação Mútua e Garantias de Segurança entre os EUA e o Japão, assinado em 1960.
     Esta posição conjunta (de que a situação em torno das ilhas é abrangida pelo tratado) foi hoje tornada pública pelo ministro nipônico das Relações Exteriores, Koichiro Gemba, após um encontro com o secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta.
     O ministro japonês sublinhou que o seu país e os EUA envidarão esforços para normalizar as relações entre o Japão e a China, que se agravaram devido ao litígio territorial em torno das referidas ilhas.[1]
China/Japão: disputa territorial com consequências econômicas.
     As autoridades chinesas apelaram aos organizadores e participantes das manifestações anti-nipônicas para porem termo às desordens.
     As ações de protesto prosseguem desde o dia 11 de setembro, após Tóquio ter declarado a intenção de comprar as ilhas Diaoyu (Senkaku). Ao mesmo tempo, Pequim não deixou de anunciar que a política do governo japonês terá efeitos negativos no estado das relações econômicas bilaterais.
     Na quarta-feira, porém, pela primeira vez nos últimos dias, não foram registradas quaisquer ações de protesto em Pequim e outras cidade chinesas. O governo da China exortou pôr fim à violência depois de um incidente ocorrido, esta terça-feira, ao Embaixador dos EUA que, felizmente, se escapou ileso.
     Enquanto isso, os peritos avisam que o agudizar do conflito entre Pequim e Tóquio poderá provocar uma autêntica guerra comercial entre os dois países. Essa perspectiva alude também o governo chinês. Alguma mídia da China lança insistentes apelos no sentido de proibir as importações de artigos nipônicos. Paralelamente, vão surgindo exigências de suspender as exportações chinesas de metais de terrosos raros que são de enorme importância para a indústria japonesa. Em todo o caso, uma confrontação econômica aberta afetará ambas as partes conflitantes, considera o perito do Instituto do Médio Oriente, Yakov Berger.
     “Com efeito, a guerra comercial seria mais perigosa para o Japão que depende da China em maior medida. Mas a China também sofrerá prejuízos. O Japão, por sinal, tem investido muito na economia chinesa. Criou ali novos empregos. No entanto, os operários chineses de baixa qualificação trabalham, sobretudo, em cadeias de produção. Por isso, eventual encerramento de fábricas fará com que eles voltem para os seus lares em zonas rurais onde não há trabalho.”
     Na sequência das agitações que eclodiram na China foram fechadas, por um período indeterminado, as filiais de várias companhias japonesas, inclusive da Panasonic e Canon. Foi igualmente suspenso o funcionamento de numerosas empresas daquele país. Todavia, uma guerra comercial de larga escala não se configura num horizonte próximo, reputa o perito em questões do Oriente, Alexander Salitski.
     “No século XXI, tudo se resolve por companhias industriais e mercados. O grande capital, naturalmente, fará parar qualquer ação que ultrapasse os limites do razoável. Não se trata, pois, de uma confrontação séria, pois os processos de produção estão interligados.”
     A China possui experiência na regularização de disputas territoriais com os Estados vizinhos, incluindo com a Rússia. Mas o caso com Tóquio incide sobre um dos conflitos mais agudos, razão pela qual as partes conflitantes, na pior das hipóteses, podem esquecer-se de motivos econômicos reais e de atitudes sensatas. O governo da China guarda na memória a ocupação chinesa dos 30 e 40 do século passado. Os centros de educação e a comunicação social também têm apelado para não esquecer esse período dramático e vergonhoso na historia do país.
     Enquanto peritos e analistas se envolvem em polêmicas, o investimento estrangeiro na econômica chinesa tem vindo a diminuir. O Japão reduziu o volume de alocações em mais de duas vezes, embora a queda geral se cifre em apenas 1,5%%, informa a agência Bloomberg. A principal causa disso reside na desaceleração do ritmo do crescimento econômico chinês. Mas, de qualquer maneira, uma escalada do conflito pode afetar os planos dos investidores. [2]
Revolta contra o Japão alastra a outros países.
     O litígio entre a China e o Japão sobre a posse das disputadas ilhas Senkaku (Dyaoiuidao) está se alargando a outros países. Ações de protesto contra o país do Sol Nascente já ocorreram nos EUA, na Itália e na ilha Formosa.
     Enquanto isto, a China está preparando um golpe preventivo na economia japonesa. O diretor-adjunto de estudos políticos da Academia de Comércio Internacional e Cooperação Econômica da China declarou que seu país deverá aproveitar a instabilidade das obrigações japonesas como “o método mais eficiente de sanções econômicas”. A China é a maior credora do Japão, investindo cerca de $230 bilhões em suas obrigações. [3]
Fonte:
[1] http://portuguese.ruvr.ru/2012_09_17/88471827/
[2] http://portuguese.ruvr.ru/2012_09_19/88704409/
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