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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Israel e Hamas rumam para conflito inútil em Gaza



Faz quatro anos que Israel lançou uma ampla operação na Faixa de Gaza para tentar conter o lançamento de foguetes do Hamas e outras organizações palestinas contra o sul do território israelense. Depois de três semanas de bombardeios e invasão terrestre, cerca de 1.300 palestinos e 13 israelenses morreram. Eu cobri este conflito para o Estadão.
Agora, o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, cogita levar adiante uma nova ofensiva para conter o lançamento de foguetes. Obviamente, é uma repetição do cenário da virada do ano de 2008 para 2009. O resultado tende a ser parecido, com o agravante de o Hamas ter alguns foguetes com capacidade de atingir Tel Aviv e aumentar as baixas israelenses.
Israel ainda precisará lidar com o apoio do governo do Egito ao Hamas. As fronteiras não ficarão fechadas. O aliado Hosni Mubarak foi derrubado do poder nos protestos da praça Tahrir e  a atual administração da Irmandade Muçulmana no Cairo não fechará a passagem de Rafah como fez o ditador há quatro anos.
Neste momento, os israelenses possuem problemas mais graves. Primeiro, a guerra civil na Síria. Bashar al Assad e seu pai Hafez mantiveram a segurança nas colinas do Golã por mais de 30 anos. Esta estabilidade acabou. O aliado rei Abdullah da Jordânia corre o risco de cair em protestos pró-democracia. O Sinai aos poucos se transforma em um oásis de militantes de organizações inspiradas pela Al Qaeda. O Hezbollah, no Líbano, ainda é a mais poderosa milícia do mundo. Para completar, há a questão iraniana.
Já o Hamas demonstra mais uma vez uma inabilidade total. Consegue, como sempre, deteriorar a imagem dos palestinos. Exatamente no mês em que o presidente Mahmoud Abbas, do Fatah, decide ir à ONU buscar o reconhecimento do Estado com o status de não-membro da organização em votação na Assembleia Geral, a organização responsável pelo controle de Gaza decide armar mais um conflito contra os israelenses.
A Cisjordânia, com todos os seus problemas, evoluiu bastante ao longo dos últimos quatro anos. Gaza regrediu na história. Se os palestinos quiserem ter um Estado, devem se inspirar em Ramallah, não em Gaza.
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     Acrescentaria alguns aspectos.
a)A eliminação do líder do Hamas se foi pertinente do ponto de vista militar, do ponto de vista político entendo não ter sido.  Ele exercia uma liderança de fato entre a militância e defendia a trégua com Israel;
b)Aumentar o atrito com os palestinos é conveniente porque reforça a unidade interna num momento em que as eleições estão se aproximando e arrastam os EUA para uma reafirmação de sua aliança com Tel Aviv;
c)A deterioração geral das condições anteriores favoráveis tanto no Egito como na Síria, podem vir a arrastar os iranianos para algum envolvimento.  A atualização desta condição de fortaleza sitiada dá ao governo de Israel meios para atrair apoio moral para sua autodefesa e até, no limite, um ataque ao Irã. 
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