Pesquisar este blog

domingo, 26 de janeiro de 2014

Ponto de vista balcânico sobre gasoduto trans-adriático - Voz da Rússia

“Se ele for realizado, o país passará a ter uma importante estação de distribuição de gás azerbaijanês, o que irá contribuir para a diversificação dos fornecimentos à indústria e a consumidores particulares com uma possível redução do preço, criação de postos de trabalho num momento de pesada crise econômica e social.”
Em 2013, os presidentes do Montenegro, Albânia, Croácia, Bósnia e Herzegovina reuniram-se em Tirana (Albânia) e assinaram um memorando de cooperação na construção de dois novos gasodutos: o GTA e o seu braço Iônico-Adriático (GIA).
O projeto GTA, elaborado em 2003 pela companhia suíça EGL Group, prevê o transporte de gás da região do Cáspio para a Europa. A capacidade de escoamento anual do GTA é de 10 bilhões de metros cúbicos, que poderá ser aumentada até um máximo de 20 bilhões. O gasoduto terá início na Grécia e, depois de passar através do território da Albânia e do mar Adriático, chegará à Itália. Nesses dois países, ele será ligado à infraestrutura de transporte de gás já existente. Por isso, alguns peritos consideram que o GTA é um projeto para os arrabaldes da Europa e para os Bálcãs, que não trará sérias vantagens nem ao Azerbaijão, nem à UE. A Albânia consome, anualmente, apenas 20 milhões de metros cúbicos, a Grécia utiliza cerca de 4 bilhões de metros cúbicos por ano e também não pode tornar-se um grande consumidor do gás azerbaijanês, o mercado dos países balcânicos não é grande. No Montenegro, através do qual passará o GIA, nunca houve gasodutos. O Projeto Iônico-Adriático deve ligar a cidade albanesa de Fier e a croata Split através do território do Montenegro e Bósnia e Herzegovina.
A principal fonte de fornecimento do GTA será o gás que se planeja extrair no jazigo de Shah Deniz. Em 2013, o consórcio Shah Deniz escolheu o GTA como itinerário para o transporte do seu gás para os mercados europeus. O diretor Kjetil Tungland considera que essa opção tem futuro:
“A escolha do projeto GTA para o transporte do gás azerbaijanês para a Europa é o primeiro passo importante no projeto Corredor Gasífero do Sul. O Nabucco, prematuramente “falecido”, e o Gasoduto Trans-Cáspio, cujo destino é desconhecido, são parte desse corredor."
O GTA do Sul da Europa é o menos dispendioso de todos os três projetos. Além disso, a construção do GTA, segundo o primeiro-ministro grego Antonis Samaras, “permitirá à Grécia, pela primeira vez na história, ser não apenas uma direção secundária, mas um país por onde passam redes transeuropeias”.
Além disso, o GTA promete a Atenas 2.000 novos postos de trabalho e investimentos da ordem dos 1,5 bilhões de euros. Porém, o partido da oposição Syriza considera que a construção do gasoduto Trans-Adriático é favorável aos EUA, que não estão contentes com a cooperação energética da Grécia e da Rússia. Segundo dados do partido, os EUA ingeriram-se no processo de privatização da companhia nacional de gás DEPA e da sua filial DESFA, pretendidas pelas empresas russas Gazprom e Negusneft, pela Companhia Pública do Petróleo do Azerbaijão (CPPA), pelas gregas M2M (empresa conjunta da Mytilineos e Motor Oil) e pela companhia de energia GEK Terna.
Seja como for, os EUA olham com muita sensibilidade para o projeto Corredor Gasífero do Sul. Segundo Richard Morningstar, embaixador norte-americano no Azerbaijão, “nós apoiamos o projeto do Gasoduto Trans-Cáspio e estamos a fazer tudo para que seja realizado”.
É de assinalar que o GTA não é concorrente da Gazprom no mercado de gás europeu. Os 10 bilhões de metros cúbicos de gás azerbaijanês que irão ser fornecidos à Europa na fase inicial são uma gota de água em comparação com os fornecimentos do gigante russo, 2% do consumo total europeu, e isso diz respeito a apenas dois países da UE que serão atravessados pelo gasoduto: Grécia e Itália.
Postar um comentário