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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Preparação de ataques de tanque dos EUA na Europa faz lembrar a Guerra Fria.

Em 31 de janeiro, 29 tanques americanos de última geração chegaram à base militar americana na Baviera. Segundo afirmam militares americanos, estes tanques pesados Abrams de última modificação irão fazer parte do programa europeu de preparação combativa (European Activity Set – EAS), sendo integrados num centro de treino.
O seu aparecimento na Europa explica-se com o fato de, no momento em que no comando norte-americano surgiu a ideia de preparar condutores americanos de tanques na Europa, não haver meios adequados de ensino. Durante a redução de armamentos dos EUA na Europa, na primavera do ano passado, a última brigada de tanques norte-americanos foi retirada. Mas, passado menos de um ano, uma nova geração de Abrams chegou de volta à Europa.
Militares de toda a Europa passam há muito por cursos de aperfeiçoamento profissional em vastos polígonos e campos de tiro do Centro Unido Polifuncional de Treino (JMTC) (Joint Multinational Training Command) na base americana de Tower Barracks em Grafenwohr. Por que razão os militares americanos não podem ser treinados numa base americana? Em palavras do coronel Thomas Matsel da seção operativa do JMTC, “com a ajuda do EAS, nossas unidades terão acessos a todo o leque de operações militares que, possivelmente, terão de efetuar”.
Com certeza, o problema da eventual falta de equipamentos militares próprios na Europa faz parte dos assuntos internos dos EUA e das estruturas europeias da OTAN. Mas os Estados Unidos revelaram especial interesse por uma certa unidade desse “espetro” – as Forças de Resposta da OTAN (NRF) (NATO Response Force). Nas palavras de militares norte-americanos, o programa europeu desenvolvido pelos EUA deve “dar nova vida à participação americana das NRF”.
Em outono do ano passado, o próprio secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, explicou a missão das NRF. “As Forças de Resposta da OTAN são unidades de intervenção rápida da Aliança Atlântica Norte… capaz de defender qualquer país-membro, de garantir o desdobramento em qualquer lugar e de resistir a qualquer ameaça”. Segundo o princípio rotativo, os Estados-participantes concedem seus contingente militares a essas forças por o prazo de um ano. Este é um passo normal e digno de louvor. Mas, como se verifica, não são apenas os membros da aliança que aspiram a garantir a proteção dos países da OTAN.
Em 2014, a Suécia, Finlândia e Ucrânia irão enviar seus contingentes para as NRF e, em 2015, juntar-se-á a estes países a Geórgia. No ano passado, as maiores etapas das respetivas manobras foram realizadas na Letônia e Polônia. Quatro grandes exercícios com aproximadamente a mesma geografia serão efetuados no ano em curso. “A manutenção desta força num estado adequado, pronta a ser utilizada” (foi assim que o secretário-geral da OTAN definiu a tarefa das manobras das NRF) decorre em condições do teatro europeu de ações militares e, frequentemente, não longe da fronteira da Rússia. Será que agora os problemas da defesa da Europa serão resolvidos não apenas por sistemas americanos de DAM, mas também por tanques dos EUA?
É pouco provável que um batalhão e elementos de estados-maiores superiores, de comando e de controle representem uma força de envergadura. Mas os americanos desenvolveram um esquema bastante interessante de rotação. O “primeiro destacamento” (First Team), nome dados à 1ª divisão blindada dos EUA (1st Cavalry Division), cujo pessoal formou o primeiro “turno” na Alemanha, reflete exatamente os futuros planos do Pentágono. O batalhão do “primeiro destacamento” será substituído por efetivos de outras unidades e sua rotação será mais frequente do que uma vez ao ano.
Mesmo algumas pessoas nos Estados Unidos concordam com que os jogos militares dos últimos tempos fazem lembrar cada vez mais os tempos da Guerra Fria. Comentando o regresso de tanques americanos à Alemanha, Michael Darnell da americana Stars and Stripes observou: “Quando os últimos 22 tanques Abrams abandonaram o continente (em abril de 2013), todos viram nisso o fim de uma época… Mas agora parece que este capítulo da história foi encerrado um pouco prematuramente”.
Autor: Vadim Fersovich 
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