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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Irã e potências mundiais estendem por 4 meses prazo para acordo nuclear - Opera Mundi

A contagem regressiva para determinar se o programa nuclear iraniano é pacífico ganhou na sexta-feira (18/07) um acréscimo de quatro meses, depois que a comunidade internacional e o Irã estabeleceram que, apesar de um acordo ainda estar longe, o progresso conseguido nos últimos seis meses faz com que as tentativas mereçam continuar.
As seis cúpulas realizadas em Viena desde fevereiro permitiram "progressos tangíveis", explicaram neste sábado (19/07) o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammed Yavad Zarif, e a responsável pela política externa da União Europeia (UE), Catherine Ashton, que negocia em nome da comunidade internacional. No entanto, os dois admitiram em comunicado conjunto que "ainda existem lacunas significativas em alguns assuntos chave que necessitarão de mais tempo e esforços".
Agência Efe

A Alta-Representante da UE, Catherine Ashton, e o ministro iraniano Javad Zarif após reunião neste sábado em Viena, na Austria.
Para salvar as conversas foi estabelecida uma nova data limite: o próximo dia 24 de novembro, exatamente um ano após a assinatura de um primeiro acordo interino em Genebra e que tornou possível essa negociação. Até lá, as partes terão que superar as diferenças que impedem a assinatura de um tratado que dê garantias ao mundo de que o Irã não pode, nem quer desenvolver armas atômicas e que permita ao país asiático ter o direito de usar a energia atômica.
A prorrogação conseguida hoje, 48 horas antes de expirar a data limite inicial de 20 de julho, teve que ser negociada com firmeza e exigiu o comprometimento de ambas as partes. O Irã se comprometeu a continuar reprocessando suas reservas de urânio enriquecido a 20%, de modo que esse combustível nuclear não possa ser usado na confecção de uma bomba atômica.
Uma vez que o urânio for transformado em combustível para um reator científico, "será muito difícil para o Irã utilizar esse material para uma bomba, em um cenário de quebra [do acordo]", explicou em comunicado o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, para enfatizar a importância dos compromissos adquiridos por Teerã.
Também foi possível neutralizar a possibilidade de que o Irã pudesse fabricar plutônio, outro material que poderia ser utilizado na fabricação de armas, na usina de água pesada de Arak (em construção), e que o país asiático aceitasse um sistema de inspeções mais rígido para controlar suas atividades nucleares, enumerou o secretário de Estado dos EUA.
Teerã, por sua vez, continuará recebendo durante os próximos quatro meses parte dos recursos pela venda de petróleo que as sanções internacionais mantêm bloqueados.
Em troca desse compromisso, segundo Kerry em sua nota, o G5+1 "continuará aliviando as sanções conforme foi estabelecido no Plano de Ação Conjunta e permitirá ao Irã ter acesso a US$ 2,8 bilhões de seus ativos retidos". Entretanto, Kerry prometeu hoje que "o Irã não vai obter mais dinheiro durante esses quatro meses do que obteve nos últimos seis".
Além disso, deixou claro que a maior parte de suas receitas relativas à produção de petróleo continua congelada, enquanto as outras sanções internacionais permanecem vigentes. O alívio nas sanções foi um dos temas mais espinhosos que mantiveram a aprovação da prorrogação bloqueada, conforme reconheceu hoje Wang Qun, o chefe da delegação chinesa, país que participa das negociações junto com EUA, Rússia, Alemanha, França, Reino Unido e o Irã.
Entre os problemas que se apresentam no caminho de um acordo, o principal é estabelecer a quantidade e índice de pureza do urânio enriquecido que o Irã poderá produzir. Enquanto os iranianos querem manter o atual alcance de seu programa, os países do G5+1 querem limitá-lo ao máximo para evitar um possível uso militar desse material.
Nem Ashton, nem Zarif confirmaram hoje quando e onde serão os próximos encontros e só disseram que "se reunirão de novo nas próximas semanas em diferentes formatos". Fontes diplomáticas americanas não descartaram hoje que algumas negociações possam ocorrer em paralelo com a Assembleia Geral da ONU em setembro na cidade de Nova York.
(*) Com informações da Agência Efe
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/37088/ira+e+potencias+mundiais+estendem+por+4+meses+prazo+para+acordo+nuclear.shtml 
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