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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Notas Curtas para um Longo Debate

Resenha sobre O Sentido da Colonização e a Civilização Ibero-Americana. http://www.fef.unicamp.br/sipc/anais8/Tiago%20Kramer%20-%20UFMT.pdf



Este texto não se destina a aprofundar nem desenvolver uma análise ampla, mas registrar minhas próprias impressões sobre um debate da historiografia brasileira, qual seja, o seu sentido. Este debate, que opôs renomados historiadores como Caio Prado Jr., Celso Furtado e Fernando Novais, entre outros tantos, foi por sua vez criticado por figuras como João Fragoso, Manolo Florentino, Maria Fernandes Bicalho, Maria de Lourdes Gouveia, etc.
Neste texto , sobre o qual agora teço rápidas considerações referenciais, Tiago Kramer e Sueli Pereira Castro retomam o contraditório das posições envolvidas e, por sua vez, fazem uma proposta complementar.
Segundo os autores, a ênfase da historiografia destacava o caráter mercantilista e exploratório vigente na colonização, elementos centrais do sentido apontado por Caio Prado e Novais. Para este, era inegável levar-se em conta a conjuntura de transição da era Moderna e que era elemento indissociável daquela colonização, pari passu à acumulação primitiva de capitais.
Mas os autores lembram, porém, que “... a História não segue a linearidade das transições e a homogeneidade de um ‘sentido” (p. 3). E a esta crítica básica, eles juntam outras de Morse e E. P. Thompson.
A rigor, entender as relações na colônia para além das políticas metropolitanas – e ai sua proposta central – é insuficiente. Para os autores é fundamental enquadrar estes elementos dentro do conjunto as práticas e realidades luso-brasileiras e até, de forma mais ampla, ibero-americanas. Eles são explícitos em refutar que estatísticas ou teorias são suficientes para dar conta do objeto colonização.
Recorrendo à dialética eles argumentam “Se a estrutura global não determina a ação da sociedade e de todos os seus sujeitos, também umas estruturas locais, individuais ou de um grupo ou comunidade não pode determinar diretamente a história destes sujeitos” (p.p 3 e 4).
Parece-me um pouco a reinvenção da roda.
Os autores que com maior ou menor brilho, erudição e retórica debruçaram-se sobre o tema, passaram ao largo de pura e simplesmente recortar a colonização brasileira descontextualizando-a em termos de metrópole ou da influência ibérica em geral. Além disso, a questão não é de quem determina quem, pois num trabalho já clássico de José Roberto do Amaral Lapa (O Sistema Colonial, SP, Ed. Ática, 1991) sua concepção de sistema é justamente a de interdependência, de mútua influência. Houve uma adaptação dos objetivos metropolitanos às múltiplas realidades coloniais, como, por sua vez, os colonos adequaram-se a situações que forçavam, adaptavam, flexibilizavam e até negavam o Pacto Colonial.
Em suma, para mim, Kramer e Castro pegaram carona em algo que não era objeto central dos autores por eles criticados – mas que era algo implícito – e propuseram um diálogo sobre o um “falso novo”.
Sua proposta já nasceu desfocada, vazia de sentido e de participantes.
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