Encontrei a pouco este canal de História - Leitura ObrigaHISTÓRIA e além de tratar de vários temas relevantes, é muito didático e esclarecedor.
Fica aqui a dica e este link leva a um tema pouco conhecido, apesar de cada vez mais importante atualmente, fugindo das interpretações superficiais. Destaca várias polêmicas acerca do tema e a escassez de material para se analisar o tema.
Os
sinos de alarme tocam quando a especulação desenfreada faz explodir as
“possíveis” ogivas nucleares miniaturizadas de Pyongyang.
Cuidado com os cães da guerra. As mesmas “pessoas” de inteligência
que trouxeram “malvados” bebês iraquianos de incubadoras e as Armas de
Destruição em Massa (WMDs) inexistentes, estão vendendo a noção de que a
Coréia do Norte produziu uma ogiva nuclear miniaturizada capaz de se
adequar ao ICBM recentemente testado.
Esse é o núcleo de uma análise concluída em julho pela Agência de
Inteligência da Defesa (DIA). Além disso, a inteligência norte-americana
acredita que Pyongyang agora tem acesso a até 60 armas nucleares. No
terreno, os EUA na Coreia do Norte são virtualmente inexistentes – essas
avaliações equivalem a adivinhação na melhor das hipóteses.
Mas quando comparamos as conjecturas com um documento anual de 500
páginas publicado no início desta semana pelo Ministério da Defesa do
Japão, os sinos de alarme do início tocam.
O white paper enfatiza o “avanço significativo” de Pyongyang
na corrida nuclear e sua habilidade “possível” para desenvolver ogivas
nucleares miniaturizadas capazes de se ajustar às pontas de seus
mísseis.
Essa habilidade “possível” é prejudicada em especulações definitivas. Como afirma o relatório,
“É concebível que o programa de armas nucleares da Coréia do Norte
já tenha avançado consideravelmente e é possível que a Coréia do Norte
já tenha alcançado a miniaturização de bombas nucleares em ogivas e
adquiriu ogivas nucleares”.
As mídias empresariais ocidentais dificilmente se absteriam de
metastasiar a especulação pura em um frenesi “Coreia do Norte tem
miniaturizado armas nucleares” consumindo o ciclo do noticiário
principal / manchetes de jornal. Fale sobre corações e mentes
confortavelmente entorpecidas pelo fator medo.
O livro branco japonês, convenientemente, também escalou a condenação
da China sobre as ações de Pequim nos mares do Leste e do Sul da China.
Então, vejamos as agendas em jogo. O Partido da Guerra nos EUA, com
suas inúmeras conexões no complexo industrial-militar-mídia, obviamente
quer / precisa da guerra para manter a maquinaria oleada. Tóquio, por
sua vez, apreciaria muito o ataque militar preventivo dos EUA – e
malditas as inevitáveis e maciças baixas sul-coreanas que resultariam do
contra-golpe de Pyongyang.
Ministro da Defesa do Japão, Itsunori Onodera (Fonte: Wikimedia Commons)
É bastante esclarecido que Tóquio, para todos os propósitos práticos,
considera a China como uma “ameaça” tão séria quanto a Coréia do Norte;
O ministro da Defesa, Itsunori Onodera, foi direto ao ponto, quando
disse:
“Os mísseis da Coréia do Norte representam uma ameaça crescente.
Isso, juntamente com o contínuo comportamento ameaçador da China no Mar
da China Oriental e no Mar da China Meridional, é uma grande preocupação
para o Japão. “A resposta de Pequim foi rápida.
Kim Jong-Un, demonizedo ad infinitum, não é um tolo, e não
vai se entregar a um ritual seppuku atacando unilateralmente a Coréia do
Sul, Japão ou território dos EUA. O arsenal nuclear de Pyongyang
representa a dissuasão contra a mudança de regime que Saddam Hussein e
Kaddafi não podiam contar. Só existe uma maneira de lidar com a Coréia
do Norte, como já discuti antes; Diplomacia. Diga isso a Washington e
Tóquio.
Enquanto isso, há a resolução do Conselho de Segurança das Nações
Unidas 2371. Destinada as principais exportações da Coréia do Norte –
carvão, ferro e frutos do mar. O carvão representa 40% das exportações
de Pyongyang e, sem dúvida, 10% do PIB.
No entanto, este novo pacote de sanções não toca as importações de
petróleo e produtos refinados de petróleo da China. Essa é uma das
razões pelas quais Pequim votou a favor.
A estratégia de Pequim é uma tentativa asiática de encontrar uma
solução para salvar a carência – e isso leva tempo. A resolução 2371 do
CSNU compra tempo – e pode dissuadir a administração do Trump, por
enquanto, de metal pesado, com consequências horríveis.
O ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, declarou
cautelosamente que as sanções são um sinal de oposição internacional aos
programas de mísseis e armas nucleares da Coréia do Norte. O último que
Pequim precisa é um direito nas suas fronteiras, também obrigado a
interferir negativamente na expansão das Novas Estradas da Seda, a.k.a.
Belt and Road Initiative (BRI).
Pequim sempre pode trabalhar para reconstruir a confiança entre
Pyongyang e Washington. Esse é um pedido mais alto do que o Himalaia.
Basta apenas olhar para o Quadro Acordado de 1994, assinado durante o
primeiro mandato de Bill Clinton.
O quadro deveria congelar – e até mesmo desmantelar – o programa
nuclear de Pyongyang e obrigado a normalizar as relações EUA-Coréia do
Norte. O consórcio liderado pelos EUA construirá dois reatores nucleares
de águas claras para compensar a perda de energia nuclear de Pyongyang;
As sanções seriam levantadas; Ambas as partes emitiriam “garantias
formais” contra o uso de armas nucleares.
Nada aconteceu. O quadro entrou em colapso em 2002 – quando a Coréia
do Norte foi consagrada o “eixo do mal” pelo regime de Cheney. Para não
mencionar que a Guerra da Coréia ainda está, tecnicamente, em alta; O
armistício de 1953 nunca foi substituído por um verdadeiro tratado de
paz.
Então, o que vem depois? Três lembretes.
1) Cuidado com uma bandeira falsa desenhada a culpar Pyongyang; Esse seria o pretexto perfeito para a guerra.
2) A narrativa atual é estranhamente semelhante às suspeitas
habituais que provocam desde sempre que o Irã é um batimento cardíaco
distante de “construir uma arma nuclear”.
3) A Coreia do Norte detêm trilhões de dólares americanos em
riqueza mineral inexplorada. Observe as sombras de candidatos que se
destinam a lucrar com um saque tão suculento.
Kim observa lançamento do foguete - Kyodo / Reuters
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PYONGYANG/NOVA YORK — Desafiando as recomendações
internacionais e estremecendo ainda mais sua relação com o mundo, a
Coreia do Norte anunciou neste domingo ter realizado com sucesso o
lançamento de um foguete de longo alcance que colocou em órbita um
satélite espacial. A ação, considerada pela comunidade internacional
como um teste secreto de mísseis balísticos intercontinentais, foi
condenada por Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão, Rússia e Reino
Unido, que convocaram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança
da ONU sobre o tema e prometeram "respostas duríssimas". Aliados de
Pyongyang também se distanciaram do país pela atitude.
O
foguete foi lançado a partir da base de Dongchang-ri, no Noroeste do
país. A colocação do satélite em órbita não foi confirmada, mas uma
fonte americana de Defesa informou que o artefato parece ter chegado ao
espaço.
“Foi colocado com sucesso em órbita nosso satélite de observação da Terra Kwangmyong 4”, informou a emissora.
O ditador Kim Jong-un insiste que a ação faz parte de um programa
espacial exclusivamente científico e pacífico. No entanto, muitos países
consideram ser um teste camuflado para esconder o desenvolvimento pelo
regime da tecnologia de mísseis intercontinentais, capazes de
transportar bombas atômicas para qualquer lugar do planeta.
O secretário de Estado americano, John Kerry, classificou a medida
como uma violação às resoluções das Nações Unidas que limitam o uso de
tecnologia por Pyongyang, e a presidente da Coreia do Sul, Park
Geun-hye, definiu a operação como uma provocação. Além disso, poucas
horas depois do anúncio, os dois países anunciaram o início de
negociações para implantar no território sul-coreano um sistema
antimísseis THAAD, um dos mais modernos do mundo.
— Decidiu-se abrir oficialmente negociações sobre a possibilidade de
preparar o sistema Terminal High Altitude Area Defense (THAAD), dentro
dos esforços para reforçar a defesa antimísseis da aliança Coreia do
Sul/EUA — declarou o representante do Ministério sul-coreano da Defesa
Yoo Jeh-Seung.
A instalação do sistema é discutida há anos, com os americanos
insistindo que se trata de um elemento de despersuasão necessário frente
ao programa de mísseis balísticos da Coreia do Norte. Mas China e
Rússia afirmam que a medida afetará a estabilidade da região e
desencadeará uma corrida por armamentos em uma área de equilíbrio
frágil. Enquanto isso, a Coreia do Norte afirma que se trataria de uma
tática de Guerra Fria com o objetivo de conter os governos chinês e
russo.
Foto divulgada pela TV estatal norte-coreana mostra foguete de longa alcance sendo lançado
- YONHAP / AFP
CRÍTICAS GERAIS
Para
discutir o cenário, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu neste
domingo em caráter de urgência. O lançamento do foguete, da considerado
uma violação das obrigações internacionais da Coreia do Norte, pode
levar ao reforço das sanções já aplicadas ao país, além da imposição de
novas restrições.
— Os membros do Conselho condenam fortemente o lançamento. Trata-se
de uma violação séria das resoluções do órgão — disse a repórteres o
atual presidente do Conselho, o embaixador Rafael Ramírez.
A retórica da entidade foi seguida de críticas de duas das maiores potências globais.
— Garantiremos que sejam impostas duras consequência. As
transgressões requerem uma resposta ainda mais firme — advertiu Samantha
Power, a representante americana na ONU.
O secretário de Relações Exteriores britânico, Philip Hammond,
convocou o embaixador norte-coreano e discutiu com o homólogo japonês
Fumio Kishida.
— O que faremos é tentar persuadir os chineses de que aplicar estas
restrições atende aos interesses da comunidade internacional após estas
ações extremamente desestabilizantes. SEM AMIGOS
A escalada bélica da Coreia do
Norte a tem deixado cada vez mais isolada de Rússia e China, seus
maiores parceiros. No início de janeiro, Kim Jong-un anunciou um suposto
teste com bomba de hidrogênio numa área remota de seu país, o que gerou
reações alarmadas de toda a comunidade internacional. À época, foi
registrado um terremoto de magnitude semelhante ao de outros provocados
por três exercícios nucleares realizados nos anos anteriores, o que
levou analistas a descrerem que se tratava de um teste de bomba H.
Moscou e Pequim já haviam considerado extremamente negativa a decisão de
Kim.
Homem faz exercícios em frente ao rio Yalu, que separa a China da Coreia do Norte - JOHANNES EISELE / AFP
A
porta-voz da Chancelaria chinesa, Hua Chunying, se limitou a dizer que o
país “lamenta a insistência” dos norte-coreanos em seus esforços
bélicos. O embaixador de Pyongyang foi chamado para dar explicações.
— Kim cometeu muitos erros. Este é um dos maiores. É difícil saber
qual abordagem a China tomará após este caso — disse ao “New York Times”
Cheng Xiaohe, da Universidade de Renmin, que ainda considera improvável
um distanciamento radical entre os países, uma vez que Pequim teme
agravar o isolamento do vizinho comunista.
Imediatamente unida aos coros de protesto pelo lançamento, a Rússia
também optou por tornar público o endurecimento de sua retórica contra a
Coreia. O Ministério das Relações Exteriores disse que o lançamento se
trata de “um novo desdém audacioso às normas da lei internacional”.
“É óbvio que estas ações levam a um sério agravamento da situação na
Península Coreana e no entorno como um todo, além de fazer um dano sério
à segurança regional, inclusive à da própria Coreia do Norte”, disse a
Chancelaria em nota. “Exortamos urgentemente a liderança do país a
pensar se a política de se opor à comunidade internacional é de
interesse nacional.”
Da amizade Rússia-Paquistão pode surgir um Mega Bloco Militar de Potências Nucleares na Ásia.
Em julho
de 1949, Liaquat Ali Khan como presidente do Paquistão enfrentou um
imbróglio complexo. Índia e Paquistão estavam em seu início. Em um mundo
composto por dois blocos políticos opostos, os dois países tiveram de
escolher um dos lados rapidamente. Eles tinham a opção de aderir a
América com sua suntuosa uma linha democrática de “uma galinha na
panela e dois carros na garagem”, ou voltar para a URSS.
O Presidente dos EUA, Harry S. Truman, desconfiado de um efeito
dominó comunista subindo, fez uma abertura para Nehru da Índia em 1948
para visitar a América, o mundo dos sonhos. Este movimento estimulou a
Rússia a enviar um convite contador para o Paquistão e seu premier
Liaquat Ali Khan. Este convite, por sua vez, levou a um convite dos EUA
para o primeiro-ministro paquistanês. Liaquat Ali Khan tinha algumas
opções bastante flexíveis em sua mesa. Foi então que ele decidiu que
seria a América que ele iria visitar, e seria América que iria ajudar o
Paquistão fora das questões com as quais ele se deparou no seu início.
Isso é algo que surpreendentemente nunca aconteceu.
Nesse ínterim, Paquistão e Rússia desfrutavam de uma relação às
avessas. Por volta de 1960, Ayub Khan tinha percebido que foi a Rússia e
não a América que tinha a intenção de servir como uma cura para todos
os problemas do Paquistão. A confiança na ajuda da América tinha se
deteriorado ainda mais em ambos as guerras de 1965 e 1971. A Índia
tinha sido devidamente apoiada pela Rússia – tanto na guerra como nas
mesas de negociação em Tashkent. Os EUA, no entanto, tinham mostrado ao
Paquistão um ombro frio. Isso foi algo que irritou Ayub Khan e que o
motivou a escrever seu livro “Amigos, não senhores.” O Fracasso Dhaka e a
guerra de Bangladesh em 1971 tinham mostrado que a Rússia tinha sido de
fato uma aliada da Índia. Os EUA foram também aliados, mas com muitas
restrições.
O Paquistão tinha vindo a entender por inúmeras razões que a Rússia
manteve a sua palavra. A construção com ajuda da Rússia do Pipri Steel
Mill foi um exemplo instrutivo. Mas o interesse da Rússia no Paquistão
sofreu um duro golpe quando o Paquistão desempenhou um papel fundamental
em forçar a Rússia a partir do Afeganistão. O desastre afegão também
desempenhou um papel importante na queda da União Soviética. A queda
significou que a Rússia não estava em posição de contestar, mesmo que de
longe, a vantagem que os EUA tinham ganhado na região.
O avanço rápido para 2015. Após quase 20 anos de progresso sob
Vladimir Putin e Dmitry Medvedev, a Rússia está novamente na vanguarda
das nações. Há mais de duas décadas, o Paquistão também se tornou uma
nação com capacidade nuclear – uma conquista que já havia escapado dele.
A Rússia também se tornou tão agressiva quanto sempre foi. Sob Putin,
ela encontrou um messias que garantisse que a enorme nação não se
desintegrasse como a União Soviética. Sendo assim, o Paquistão tem a
certeza de que a Rússia é de fato uma força a contar.
Em termos bilaterais, a evolução em ambas as nações há mais de duas
décadas atualmente sinaliza que a Rússia precisa do Paquistão e o
Paquistão precisa da Rússia. Em sua busca para encontrar um messias nos
Estados Unidos, o Paquistão teve o acaso de descobrir a Rússia. A Ásia
no século 21 é muito diferente do que era no passado. As diferenças
ideológicas e uma mudança no locus do poder deixou a região aberta à
exploração e cansaço. A Ásia precisa desesperadamente de um bloco de
superpotências que garantam que os seus assuntos corram sem problemas.
Este é o lugar onde a idéia de bloco geopolítico entre o Paquistão, a
China e a Rússia ganha tração. Paquistão e Índia têm sido sempre
arqui-inimigos. Os dois países consideram-se inimigos um do outro. É por
isso que o Paquistão precisa da Rússia. O Paquistão, por causa de sua
inimizade distinta e eterna com a Índia, não pode se dar ao luxo de ser
parte de um bloco regional que tem a Índia sentada no topo da
hierarquia.
O Paquistão, a partir deste ponto de vista, é melhor aderir a um
bloco composto por China e Rússia – as nações que têm o poder para
compensar a Índia. Se o Paquistão quer a voz para ser ouvido, se o
Paquistão considera que pode ter um impacto sobre os eventos futuros na
Ásia, em seguida, emendar os laços com a Rússia é talvez o melhor
caminho a percorrer. Uma análise cuidadosa dos acontecimentos recentes
leva à conclusão de que as velhas inimizades agitadas por Mao Zedong e
Joseph Stalin uma geração atrás, todas têm desaparecido e que as trocas
diplomáticas entre os dois países estão se compondo.
Esta situação criou um caminho sem obstáculos para o Paquistão, um
caminho que pode levar a um bloco bem sucedido. Além do mais, somente a
Ásia se orgulha de ter 5 países que são membros do clube nuclear:
Rússia, China, Israel, Paquistão, Índia e Coréia do Norte, com o Irã
aspirando a se juntar à lista. O Paquistão está em uma posição forte em
um mundo onde os países são divididos naqueles que têm armas nucleares e
os que não têm.
Israel é um aliado americano, daí a intervenção contra esse bloco de
seu lado não estar prevista. Uma coalizão entre a China, Rússia e
Paquistão ameaçam muito o seu papel e poder na Ásia. Com três dos
poderes das armas nucleares em um bloco, seria impossível para Índia ou
Israel uma postura de ameaça. Nesta situação complexa, a Índia tem
desempenhado as suas cartas em uma forma reacionária também. O interesse
da China em ganhos econômicos do porto de Gwadar do Paquistão deixou a
Índia em estado de choque e desespero. Eles reagiram iniciando
financiamento para desenvolver o porto de Chabahar no Irã, perto do
porto de Gwadar. A Índia se sente tão ameaçada pelos laços
China-Paquistão que constrói uma aliança com Israel e Irã. Para
contrariar esta aliança, Paquistão e Rússia precisam reviver suas
relações e virarem uma nova página da diplomacia, uma página que
colocaria ambos em um caminho para a supremacia regional.
Além da supremacia regional, existem outros ganhos a serem feitos
pelo Paquistão e Rússia. Uma recente visita à Rússia pelo Chefe de
Pessoal do Exército do Paquistão, Raheel Shareef, sugere que ambos os
países estão ansiosos para construir relações militares de cooperação
onde ambos podem vir ao auxílio do outro. Há também especulações de que
um acordo foi alcançado entre as duas nações sobre a troca e compra de
armas de alta tecnologia da Rússia. Isso criaria uma oportunidade
bem-vinda para o Paquistão, que tem sofrido com as escolhas de
Washington de manter as armas americanas avançadas fora das mãos do
Paquistão. A decisão de Putin
de não visitar o Paquistão durante a presidência de Zardari tinha mais a
ver com a política externa duvidosa do Paquistão, no momento de
intenções russas. A Rússia tinha buscado boas relações com o Paquistão.
Mas a relutância de Zardari em apoiar fortemente a Rússia resultou no
cancelamento da visita. As relações entre Paquistão e Rússia são um
pasticho de tipos, uma viagem que tem todos os tipos de sabores. É uma
relação que viu a inimizade e agora está experimentando amizade. A
opinião popular no Paquistão agora favorece a perseguição desta
emocionante amizade com a Rússia. Não há muita chance de falha como
Henry Kissinger disse uma vez sugestivamente: “Nenhuma política externa –
não importa o quão engenhosa – tem alguma chance de sucesso se nasce
nas mentes de poucos e realizada nos corações de ninguém.”
Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com Fonte: http://defence.pk/threads/pakistan-and-russia-—-a-comely-dalliance-opinion.382341/
e http://atimes.com/2015/06/pakistan-and-russia-a-comely-dalliance-opinion/
Por MICHAEL AUSLIN Tradução e edição de Nicholle Murmel
A guerra nuclear parece coisa do passado. A União Soviética
desmoronou há quase 25 anos. A guerra disfarçada de contra-insurgência e
contraterrorismo definiu uma nova geração de combate. Ainda assim, no
começo deste mês o secretário de Defesa, Chuck Hegel, convocou a
liderança militar dos Estados Unidos para uma reunião de emergência
acerca da força nuclear do país. Escândalos envolvendo demissões,
trapaças e falhas contínuas em inspeções resultaram em uma crise do que
antes era o símbolo do poder dos EUA.
Um fato ainda mais preocupante – enquanto os guerreiros nucleares
lutam para recuperar a confiança da liderança civil, nossos 20 anos de
férias atômicas estão acabando. Ao contrário do sonho do presidente
Obama de um futuro global sem armas nucleares, a tecnologia de
destruição mais perigosa do mundo está se espalhando. O Pentágono
precisa revitalizar suas forças estratégicas em face do risco de se
tornar cada vez mais incapaz de responder a um mundo instável de
potências nucleares.
Mesmo que as forças estratégicas americanas tenham ficando em segundo
plano em relação ao fortalecimento interno e às guerras recentes no
Oriente Médio, o equilíbrio atômico global mudou de forma permanente.
Ainda que Washington se recuse a admitir, a Coreia do Norte se tronou um
estado nuclear que também conta com mísseis balísticos de longo
alcance. Apesar do tom apaziguador do governo Obama, o Irã garantiu para
si um espaço para respirar enquanto negociações lhe permitem continuar
seu programa nuclear relativamente a salvo da comunidade internacional.
Enquanto isso, a China acaba de testar uma plataforma balística móvel
de longo alcance capaz de atingir alvos no território americano – o que
é apenas uma parte da expansão nuclear chinesa. O país também começou a
montar uma força de submarinos lançadores de mísseis balísticos. Índia e
Paquistão continuam a fazer jus às previsões dos analistas de que a
fronteira entre os dois países é o local mais provável para um embate
atômico – cada uma das partes recentemente forneceu novos mísseis a suas
forças. E acima de tudo isso, Vladimir Putin está modernizando os
massivos arsenais atômicos da Rússia, à medida em que seu governo
recupera influência na Europa e na Ásia.
Ao passo em que o mundo abraçou as armas nucleares, o poder dos
Estados Unidos na área se degradou. Entre as potências atômicas
declaradas, apenas os EUA e o Reino Unido não estão modernizando seus
armamentos nem os veículos necessários. Os padrões organizacionais da
força nuclear americana também decaíram. A Força Aérea passou por uma
série de lapsos vergonhosos nos anos 2000 – por exemplo, transportar por
engano armas atômicas operacionais dentro o território nacional e
enviar dispositivos de disparo para Taiwan. O vice-comandante do Comando
Estratégico, equivalente atual do Comando Aéreo Estratégico da
Guerra-Fria, foi retirado de serviço em outubro de 2013 por usar fichas
falsas de pôquer em um cassino, o que e crime federal. Uma semana
depois, a Força Aérea demitiu publicamente um oficial-general de duas
estrelas, encarregado do arsenal americano de 450 ICBMs, por
comportamento inapropriado durante visita a Moscou. Em janeiro deste
ano, notícias revelaram que diversas equipes de lançamento de ICBMs
trapacearam em testes e inspeções.
Agora, o cenário dos Estados Unidos cercados por potências atômicas
mais fortes está causando um mini-renascimento do esforço nuclear
interno. Não há dúvidas de que os oficiais superiores encarregados do
arsenal estão comprometidos com sua revitalização e com a “liderança
exemplar e conduta pessoal inatacável” necessária para operar as armas
mais perigosas que existem, conforme me disse recentemente o atual
vice-comandante do Comando Estratégico americano, general James
Kowalski. Ainda assim, o governo Obama precisa se movimentar mais rápido
para planejar um futuro em que as armas atômicas provavelmente
desempenharão um papel crescente na defesa nacional. Por mais difícil
que seja admitir, o Dr. Strangelove está de volta.
A Força Aérea só agora está começando a desenvolver uma nova geração
de bombardeiros para substituir os B-52 com 50 anos de serviço, os B-1s
da década de 1980, e o efetivo minúsculo de B-2 dos anos 1990. Por mais
que bombardeiros invoquem os tempos da Guerra-Fria, eles serão cada vez
mais importantes nas próximas décadas. Diferente dos mísseis, as
aeronaves podem ser reagrupadas, o que é vital para a resposta americana
à proliferação nuclear de regimes dissidentes como o Irã. Os aviões
também são um elemento dissuasório flexível contra potências atômicas
maiores como a China. É necessário lembrar que não temos canal de
contato direto ou outras formas de entendimento com Pequim como as que
existiam entre Washington e Moscou mesmo nos dias negros da Crise dos
Mísseis de Cuba.
A US Navy, por sua vez, está iniciando os trabalhos para um sucessor
da classe Ohio de submarinos balísticos, que carregam em torno de metade
do arsenal operacional de armas nucleares e são atualmente o elemento
com maior capacidade de sobrevivência entre as os suportes desse tipo de
armamento. Os futuros SSBN(X) precisarão de vida-útil de 40 anos,
começando no ano de 2030, mas a um custo estimado entre seis e oito
bilhões de dólares por unidade, o programa enfrentará batalhas duras.
Cogita-se também a substituição dos mísseis baseados em terra, uma vez
que o ICBM Minuteman III entrou em serviço em 1970, e teve sua produção
encerrada em 1978. Nossas armas atômicas precisam, também, de
atualização, já que nossas ogivas atuais foram projetadas e construídas
entre as décadas de 1960 e 1980.
À medida em que esse renascimento nuclear ganha força, as verbas para
a modernização e manutenção não devem ser reduzidas, apesar de os
cortes orçamentários sistemáticos afetarem as Forças Armadas como um
todo. É preciso que permaneça o compromisso total com o desenvolvimento
do novo Bombardeiro de Ataque de Longo Alcance, dos SSBN(X), e
particularmente com a extensão da vida útil das nossas ogivas. O custo
da renovação atômica é estimado em 132 bilhões de dólares ao longo dos
próximos dez anos – a cifra é assustadora em épocas de austeridade, mas a
perspectiva de mais armas nucleares na mão de regimes instáveis ou
agressivos ao redor do mundo é um lembrete de que segurança nunca é algo
barato.
Juntamente com a modernização, enfatizar a importância do arsenal
nuclear ajudará a combater o moral baixo e as irregularidades entre os
militares encarregados desses armamentos. O engajamento intelectual mais
forte também é necessário. Em dezembro do ano passado, o Comando Global
de Ataque da Força Aérea realizou seus primeiros jogos de guerra
tômica, batizados de Strategic Vigilance, em resposta ao novo ambiente
de ameaças – essa é a abordagem correta. A medidas como essa, deve ser
somado o encorajamento de uma nova geração de pesquisadores e
intelectuais civis da área atômica, que trariam a visão dos fatores
políticos e econômicos que podem ser considerados pelo Comando
Estratégico e as unidades a ele submetidas.
Ainda que os dias do icônico Comando Aéreo Estratégico tenham
acabado, a tríade nuclear certamente se tornará mais e mais relevante
nos próximos 20 anos do que foi nos 20 anos passados. A instabilidade
dramática que resultará da capacitação nuclear do Irã ou de uma arma
atômica norte-coreana, bem como os temores de uma China nuclear mais
forte e da Rússia, farão com que a segurança estratégica em casa volte a
ocupar posição de destaque nos planos de Defesa. Lideranças políticas
hoje precisam começar a pensar em como as armas nucleares se encaixam em
um mosaico mais amplo dos planos de defesa dos Estados Unidos diante de
um futuro cada vez mais incerto. Michael Auslin é pesquisador do American Enterprise Institute em Washington FONTE: Forbes.com (tradução e adaptação do Poder Naval a partir de original em inglês) http://www.naval.com.br/blog/2014/03/06/analise-a-perigosa-degradacao-do-arsenal-nuclear-americano/
O ocidente busca compreender os recentes movimentos da
Coreia do Norte em meio a um mar de simplificações. A hipótese mais
banal é veiculada acriticamente por diversos veículos de comunicação:
Kim Jong Un seria um insano e, assim, estaria brincando com a vida de
milhões de coreanos ao liderar o país como uma criança mimada a jogar
videogame. Ora, temos à disposição informações suficientes para não
acreditar nessa bobagem.
Os quase vinte e cinco milhões de
norte-coreanos sabem perfeitamente o quanto é inútil a discussão sobre a
sanidade mental de Kim Jong Un. O que eles sabem é que Un, um jovem de
30 anos, assumiu o comando do sexto maior exército do mundo e precisa
dar respostas ao grave problema de abastecimento que o país enfrenta.
Mobilizar a unidade nacional e forçar uma saída negociada com os EUA e a
Coreia do Sul parece ser a estratégia do regime. Se, ao final dessa
escalada de agressões verbais, conseguirem negociar algum tipo de ajuda
humanitária e outras formas de assistência, terão obtido uma grande
vitória. Kim Jong Un, ao dar sequencia ao Songun, política estabelecida
pelo pai, Kim Jong Il, que tem como fundamento a prioridade aos
interesses militares, pretende reforçar sua capacidade de debelar
qualquer indício de desestabilização política interna.
A Coreia
do Norte possui um dos regimes mais militarizados que a história
contemporânea conhece. Perto dessa dinastia militarista, a antiga URSS
fica parecendo, praticamente, uma democracia liberal. E engana-se quem
acredita que os movimentos de Kim Jong Un são decorrência de algum tipo
de combate ideológico frente ao ocidente e o capitalismo. É pragmatismo
mesmo. O regime norte-coreano, por sinal, advoga a superação do marxismo
pelo Juche, uma espécie de doutrina teológica que reserva ao grande
“presidente imortal e eterno”, Kim Il Sung - avô de Kim Jong Un e
fundador da Coreia do Norte - um lugar divino. O Juche foi transformado
em doutrina oficial em novembro de 1970, substituindo o
marxismo-leninismo. Uma das lendas Juche bastante conhecida na Coreia do
Norte, afirma que uma estrela de brilho intenso e um duplo arco-íris
apareceram nos céus do Monte Paekdu quando o grande líder Kim Il Sung
nasceu neste que é o mais auspicioso feriado da Humanidade.
Pode
parecer engraçado, mas discordar ou rir da história oficial pode custar
a vida de um norte-coreano comum. Juche, em Coreano tem um significado
que se aproxima de autoestima. Transformada em ideologia oficial, essa
doutrina que, em diversos aspectos, se aproxima do corporativismo
fascista, busca legitimar com apelo religioso um regime tirânico que
permite a seu “Líder supremo” desperdiçar milhões de dólares com seu
programa nuclear enquanto milhares de camponeses se veem obrigados a
comerem cascas de arvores para matar a fome.
A retórica
norte-coreana não é nova. Em 2002, após George W. Bush incluir o país
entre os membros do “eixo do mal” - expressão criada pelo então
Presidente dos EUA - Pyongyang já havia anunciado que “varreria da terra
sem piedade seus agressores”. Não deu em nada. E agora, mais uma vez,
um conflito não parece ser o objetivo real do regime, muito embora o
aparente despreparo de Kim Jong Un e as incertezas sobre o comando do
país possam levar o atual processo a um desfecho imprevisível no
momento. Mas, de fato, há bons motivos para acreditarmos que os
dirigentes norte-coreanos não optaram por uma espécie de suicido
coletivo.
Os interesses da China na região, que não aceita a
ideia de ter os EUA margeando suas fronteiras no caso da derrubada da
dinastia norte-coreana é um fator que os líderes militares norte
coreanos manipulam muito habilmente. O colapso da Coreia do Norte e um
eventual deslocamento em massa de gente faminta em direção à grande
potência asiática é outro risco que Pequim não pretende correr. E assim,
Kim Jong Un segue os passos de seu pai, com uma relativa convicção de
que não será atacado. O povo norte-coreano segue sofrendo as
consequências de um jogo tão real quanto lamentável.
Não há nada
de loucura na grandiloquência verbal de Kim Jong Un. É a tal
realpolitik. A mesma que torna conveniente aos EUA a atual tensão na
península coreana - oportunidade para ampliar sua presença militar na
região. E a ONU segue impotente evitando contrariar interesses e
adotando sanções cujos efeitos são sentidos unicamente pelos miseráveis
confinados nos campos da distante Coreia do Norte.
O serviço de propaganda da Coreia do Norte publicou recentemente no
YouTube um material intitulado "Tempestade de fogo atingirá a sede da
guerra". No vídeo, composto principalmente por registros de desfiles
militares na capital norte-coreana e lançamentos de mísseis, o exército
local ataca o Capitólio e a Casa Branca.
Ao comentar o ataque imaginário, o locutor diz: "A Casa Branca está
na mira de nossos mísseis de longo alcance, enquanto a capital da guerra está
na zona de alcance de nossa bomba atômica".
Segundo especialistas da CNN, porém, a Coreia do Norte não possui armas
nucleares e levará muito tempo para criá-las.
"Os EUA não aceitarão que a Coreia do Norte se torne uma potência
nuclear. Não ficaremos de braços cruzados à espera de que a Coreia do Norte
construa mísseis nucleares e os aponte contra os EUA", disse o porta-voz
da Casa Branca, Jay Carney.
"Anunciamos recentemente a intenção de desenvolver nosso programa
de defesa antimíssil. Isso reflete nossas preocupações a respeito da ameaça por
parte da Coreia do Norte", acrescentou.
Por um lado, a Casa Branca admite que a Coreia do Norte não tem e nem terá
mísseis nucleares porque os EUA não permitirão que isso ocorra. Por outro, os
EUA continuam reforçando seu escudo antimíssil no Extremo Oriente.
Falsa defesa
Isso ocorre, porém, porque desejam se defender da China, e não da Coreia
do Norte. Os lançamentos de mísseis, os testes nucleares e a retórica belicosa
do governo norte-coreano dão
motivos aos EUA para aumentar
sua força antichinesa.
De acordo com especialistas do Instituto Russo de Estudos sobre os EUA
e Canadá, a China possui entre 180 e 200
ogivas nucleares, das quais entre 40 e 50 podem atingir o território
norte-americano (nas regiões do Alasca, Havaí e na costa do Pacífico). Além
disso, a China possui centenas de mísseis de médio alcance.
Da mesma forma a principal frota de submarinos nucleares
norte-americanos se encontra no Pacífico, e não no Atlântico, como durante
Guerra Fria. A base de Bangor aloja oito submarinos porta-mísseis balísticos
norte-americanos, dos quais seis estão em uso.
No total, são 192 lançadores de mísseis balísticos, dos quais 156 estão em uso. Na base de Kings Bay,
há apenas seis submarinos, dos quais quatro estão em uso. Isso equivale a 145
lançadores, dos quais 96 em uso.
Portanto, os EUA possuem cerca 130 mísseis balísticos, com mais de 500
ogivas nucleares e tempo de voo de 10
a 15 minutos, instalados em submarinos, para poder
desarmar a China.
Em caso de perigo, 30 mísseis interceptores estratégicos GBI no Alasca e
seis na Califórnia serão suficientes para interceptar as poucas ogivas chinesas
que escaparem da destruição
durante um ataque por
parte dos EUA.
Os mísseis de médio e curto alcance chineses serão combatidos pelos
mísseis Patriot PAC-3, que estão sendo vendidos pelos EUA ao Japão, Coreia do
Sul e Taiwan, e pelos mísseis SM-2 e SM-3 instalados em navios.
Em 2010, dos 21 navios equipados com o sistema Aegis, 18 estavam no
Oceano Pacífico. Além disso, o secretário de Defesa dos EUA, Chuck
Hagel,
anunciou no dia 16 de março que os EUA instalarão mais 14 sistemas
antimíssil no Alasca e mais um radar no Japão, além de examinar a
possibilidade de criar
em seu território o terceiro conjunto de mísseis armazenados em
depósitos.
Combatendo mísses norte-coreanos inexistentes
A China é o principal patrocinador político e econômico da Coreia do
Norte. Mesmo assim, não conseguiu dissuadir o governo norte-coreano de realizar
testes de mísseis: o enviado especial da China na Coreia do Norte teve seu
pedido de audiência negado.
O gesto pouco amistoso em relação a Pequim demonstrou quão
importante foi para o governo norte-coreano realizar os testes e, aparentemente, reforçar a posição de seu jovem
líder.
Como resultado, a China aprovou as sanções da ONU contra a Coreia do
Norte. Pelo visto, é a única maneira possível de chamar o governo norte-coreano à razão.
Por outro lado, a atual situação pode estimular um estreitamento na
cooperação entre Moscou e Pequim contra os EUA em matéria de defesa antimíssil.
Já em maio do ano passado, durante a cúpula da SCO (do inglês,
Organização de Cooperação de Xangai) em Pequim, Rússia, China e os demais
integrantes da organização condenaram os planos dos EUA de instalar um escudo
antimíssil na Europa e na Ásia.
A Rússia encara o escudo antimíssil norte-americano na Europa como a
principal ameaça a sua segurança nacional. A China também duvida que a
instalação de elementos terrestres e navais do escudo antimíssil
norte-americano no Japão, Taiwan, Coreia do Sul e Filipinas se deva unicamente
às preocupações dos EUA com o programa nuclear da Coreia do Norte.
"O aumento unilateral e ilimitado do potencial do escudo antimíssil
por um Estado ou grupo de Estados pode prejudicar a segurança internacional e a
estabilidade estratégica", diz a Declaração dos
Chefes de Estado da SCO aprovada em Pequim. Talvez seja tempo de Moscou e Pequim
adotarem fórmulas mais concretas.
A Coreia do Sul anunciou nesta quarta-feira que fez o
lançamento bem-sucedido de um foguete que pôs um satélite em órbita pela
primeira vez a partir de seu próprio território, ação de orgulho
nacional que acontece semanas depois da arquirrival Coreia do Norte ter conquistado feito similar. Dezembro: Coreia do Norte Lança Foguete com Sucesso e Desafia Alertas Internacionais
AP
Foguete sul-coreano é lançado de Centro Espacial Naro em Goheung
O foguete sul-coreano foi lançado de plataforma
na vila costeira de Goheung, no sudeste do país. Minutos depois,
autoridades científicas disseram aos espectadores felizes que o foguete
havia posto um satélite de observação em órbita. As autoridades esperam
saber na quinta-feira se o satélite está operando como pretendido.
O lançamento é o resultado de anos de esforços da Coreia
do Sul - a quarta maior economia da Ásia - de avançar seu programa
espacial e cimentar sua posição como base tecnológica cujos
semicondutores, smartphones e automóveis atraem uma demanda mundial. O
programa de foguetes de longo alcance da Coreia do Norte, em contraste,
estimulou temores internacionais de que o país está se aproximando cada
vez mais de desenvolver mísseis nucleares capazes de atingir os EUA. Dia 23:Coreia do Norte ameaça com "dissuasão nuclear".
O sucesso da Coreia do Sul acontece em meio ao aumento de tensão na Península Coreana após a ameaça do regime de Pyongyang de explodir seu terceiro artefato atômico. O plano foi anunciado pela Coreia do Norte em reação a novas sanções internacionais após o lançamento do foguete em 12 de dezembro. Para o regime
comunista, seus rivais têm padrões duplos em relação aos programas
espaciais das duas Coreias. Dia 24: Coreia do Norte planeja terceiro teste nuclear e admite ter o EUA como alvo.
Washington e Seul descreveram o lançamento de foguete
norte-coreano como um teste disfarçado de um míssil balístico,
tecnologia que Pyongyang é proibido de deter. Recentemente, o regime
comunista reconheceu que seus foguetes de longo alcance têm usos
científicos e militares, e Kong Chang-duk, professor na Universidade de
Chosun, na Coreia do Sul, disse que o mesmo pode se aplicar a Seul.
A Coreia do Sul pode eventualmente ser capaz de
"construir mísseis melhores e investigar a Coreia do Norte com satélites
melhores", disse. "Há objetivos duplos na tecnologia espacial."
Já há satélites sul-coreanos no espaço, lançados de
países que incluem o Japão, os EUA e a Rússia. Seul tentou e fracassou
em lançar satélites de seu próprio solo em 2009 e 2010; tentativas mais
recentes foram abortadas no último minuto.
Especialistas dos EUA descreveram o satélite
norte-coreano como instável e afirmaram que parece não estar
funcionando, embora Pyongyang diga o contrário.
*Com AP http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2013-01-30/coreia-do-sul-lanca-foguete-semanas-depois-da-coreia-do-norte.html
Analistas
sul-coreanos dizem que o foguete lançado pela Coreia do Norte a 12 de
dezembro para alegadamente pôr um satélite em órbita usou tecnologia de
mísseis balísticos de longo alcance.
Os sul-coreanos conseguiram,
na altura, recuperar restos do projétil que correspondem à parte
superior do foguete Unha-3, que caiu no Mar Amarelo.
O estudo da
peça, de 7 metros de comprimento, 2 metros de diâmetro e 3,2 toneladas
de peso, levou os analistas a concluir que é feita de uma liga de metais
de alumínio e magnésio e que armazenava ácido nítrico vermelho. Este
composto «era utilizado em mísseis desenvolvidos pela União Soviética»,
disse um dos analistas à agência Yonhap.
A Coreia do Sul, EUA e
grande parte da comunidade internacional consideram que o lançamento
ocultou um teste de mísseis, o que violaria duas resoluções da ONU que
proíbem Pyongyang de realizar tais testes.
A falta de
informações sobre a segunda e a terceira partes não permite concluir se o
Unha-3 poderia efetuar uma reentrada na atmosfera para causar impacto
num alvo. http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=372275