O
acordo comercial entre 12 países (Acordo Transpacífico), entre eles
Estados Unidos e Japão, é um dos mais importantes da História. O pacto
eliminará milhares de tarifas e afetará trocas comerciais feitas por
países que representam 40% da economia mundial.
Entenda os principais pontos do compromisso firmado nesta
segunda-feira (5) em Atlanta. Parlamentares dos países pertencentes
ainda têm que aprovar o acordo.
O que é o Acordo Transpacífico?
O Acordo de Parceria Transpacífico (TPP) é um novo pacto comercial
entre 12 países do Pacífico, incluindo Estados Unidos e Japão, duas das
três maiores economias mundiais. A parceria pode se converter no maior
acordo regional da história, com a redução de barreiras tarifárias e
estabelecimento de padrões comuns para os 12 países que o integram e
representam 40% da economia mundial. No caso americano, o governo
calcula que serão eliminadas 18 mil taxas que incidem sobre os produtos
Made in USA. O acordo, no entanto, ainda precisa ser ratificado pelos
legisladores dos 12 países integrantes.
Quais são os países participantes?
São 12: Estados Unidos, Japão, Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura e Vietnã.
Quem ficou de fora?
O componente geopolítico do acordo é muito forte. E o pacto foi uma
das principais bandeiras econômicas do presidente americano, Barack
Obama, em relação à Asia. No passado, o TPP era visto como um mecanismo
para conter o avanço comercial chinês. Mas, nos últimos anos, a relação a
americana com Pequim foi suavizada.
De acordo com o jornal britânico Financial Times, a China está
observando o desenvolvimento do acordo com cautela e está comprometida
com negociações comerciais próprios. Muitos na comunidade empresarial
americana, segundo o “FT”, acreditam que a real promessa do acordo é uma
possível abertura à participação de outros países, especialmente da
China.
Ainda conforme o jornal britânico, Coreia do Sul, Taiwan e Filipinas são países asiáticos que poderiam aderir ao acordo.
As principais regras
Tarifas e cotas: Muito utilizadas para proteger as
indústrias nacionais de bens importados mais baratos, as tarifas sobre
importações já foram um padrão de política comercial, e geraram a maior
parte da receita do Tesouro dos EUA no século XIX. Após a Grande
Depressão e a Segunda Guerra Mundial, os EUA lideraram um movimento em
direção a um comércio mais livre. Hoje, os EUA e os países mais
desenvolvidos têm poucas tarifas, mas algumas permanecem. Os EUA, por
exemplo, protegem o mercado interno de açúcar de fornecedores globais de
menor preço e impõem tarifas sobre calçados importados, enquanto o
Japão tem sobretaxas crescentes sobre produtos agrícolas, incluindo
arroz, carne e produtos lácteos. O pacto é um esforço para criar uma
zona de livre comércio no Pacífico.
Meio ambiente, trabalho e propriedade intelectual:
Negociadores americanos destacam que o acordo do Pacífico busca nivelar
as condições entre os países ao impor rigorosas normas de trabalho e
ambientais aos parceiros comerciais, além da supervisão dos direitos de
propriedade intelectual.
Fluxo de dados: O pacto comercial do Pacífico também
tem o objetivo de resolver uma série de questões que surgiram desde que
acordos anteriores foram negociados. Uma delas é que os países
concordam em não bloquear as transferências de dados via internet, e não
exigem que os servidores sejam localizados no país para fechar negócio.
Esta proposta tem atraído a preocupação de alguns países, entre eles a
Austrália, pois isso poderia entrar em conflito com as leis e
regulamentos sobre privacidade e dados pessoais armazenados no exterior.
Serviços: Um grande objetivo do pacto do Pacífico é
aumentar as oportunidades para indústria de serviços, que responde pela
maioria dos empregos privados na economia americana. Os EUA têm uma
vantagem competitiva em uma gama de serviços, incluindo finanças,
engenharia, software, educação, direito e tecnologia da informação.
Embora os serviços não estejam sujeitos a tarifas, condições de
nacionalidade e restrições sobre o investimento são usadas por muitos
países em desenvolvimento para proteger as empresas locais.
Negócios estatais: Os negociadores americanos têm
discutido a necessidade de abordar o favoritismo frequentemente
concedido a empresas estatais. Embora Vietnã e Malásia tenham muitas
dessas empresas, os EUA também têm algumas (o serviço postal e Fannie
Mae, por exemplo). O acordo final pode incluir termos que buscam
garantir alguma neutralidade concorrencial, mantendo a porta aberta para
a aceitação futura da China no pacto.
Qual é o tamanho das economias participantes?
EUA
Com um PIB de US$ 17,42 trilhões em 2014, os EUA se mantêm no posto de
maior economia do mundo, à frente da China. Os americanos importaram US$
2,33 trilhões e exportaram US$ 1,61 trilhão no ano passado. Seus
principais destinos de exportação foram Canadá (19,2%), México (14,8%),
China (7,6%) e Japão (4,1%). Já as importações feitas pelos americanos
vieram majoritariamente de China (19,9%), Canadá (14,8%), México
(12,5%), Japão (5,7%) e Alemanha (5,3%).
Japão
No ano passado, a terceira maior economia do mundo registrou um PIB de
US$ 4,616 trilhão. As exportações totalizaram, US$ 710,5 bilhões e
foram, principalmente, para EUA (18,9%), China (18,3%), Coreia do Sul
(7,5%), Hong Kong (5,5%) e Tailândia (4,5%). As importações, num total
de US$ 811,9 bilhões, vieram de China (22,3%), EUA (9%), Austrália
(5,9%), Arábia Saudita (5,9%), Emirados Árabes Unidos (5,1%), Qatar
(4,1%) e Coreia do Sul (4,1%).
Austrália
A economia australiana somou bens e serviços no valor de US$ 1,44
trilhão em 2014. Exportou US$ 250,8 bilhões. Entre as commodities que
vendeu para o exterior estão carvão, minério de ferro, ouro e carne. Os
principais compradores foram China (33,7%), Japão (18%), Coreia do Sul
(7,4%) e EUA (4,2%). A origem dos US$ 245,9 bilhões em compras externas
foram China (20,5%), EUA (10,6%), Japão (6,8%), Cingapura (5%), Alemanha
(4,7%), Coreia do Sul (4,7%), Malásia (4,4%) e Tailândia (4,3%). Entre
os itens estão máquinas e equipamentos de transporte, computadores,
partes e equipamentos de telecomunicação, petróleo e derivados.
Brunei
Seu PIB foi de apenas US$ 15,1 bilhões no ano passado. As exportações,
principalmente de petróleo e gás natural, para Japão (39%), Coreia do
Sul (12,5%), Austrália (9,7%), Índia (9,2%), Tailândia (6,4%) e
Indonésia (5,8%), totalizaram US$ 11,38 bilhões. As importações, que
incluem bens e alimentos, vieram de Japão (39%), Coreia do Sul (12,5%),
Austrália (9,7%), Índia (9,2%), Tailândia (6,4%) e Indonésia (5,8%), num
total de US$ 4,3 bilhões.
Canadá
Com um PIB de US$ 1,789 trilhão em 2014, os EUA são o principal parceiro
comercial dos canadenses. Mais de 76% das exportações do Canadá foram
para o país vizinho. Entre os produtos vendidos aos exterior por um
montante de US$ 465,1 bilhões no ano passado estão veículos, máquinas
industriais, aeronaves, químicos, petróleo, gás, eletricidade e
alumínio. As importações de máquinas e equipamentos, veículos e partes,
petróleo, químicos, eletricidade e bens duráveis, que totalizaram US$
482,1 bilhões, vieram de EUA (54,5%), China (11,5%) e México (5,6%).
Chile
O Chile registrou um PIB de US$ 258 bilhões no ano passado. O país
exportou US$ 76,98 bilhões e importou US$ 70,67 bilhões. Entre os
principais produtos vendidos para fora estão cobre, frutas, peixes e
vinho. Os destinos foram China (24,4%), EUA (12,3%), Japão (10%), Coreia
do Sul (6,2%) e Brasil (5,4%). O país comprou petróleo e derivados,
químicos, equipamentos elétricos e de telecomunicações, veículos e gás
natural de China (20,9%), EUA(19,8%), Brasil (7,9%) e Argentina (4%).
Malásia
No PIB de US$ 326,9 bilhões de 2014, o comércio exterior respondeu por
US$ 231,3 bilhões em exportações e US$ 193,6 bilhões em importações. As
exportações foram de semicondutores e equipamentos eletrônicos,
petróleo, madeira, borracha, têxteis, químicos e painéis solares para
Cingapura (14,2%), China (12%), Japão (10,8%), EUA (8,4%), Tailândia
(5,3%), Hong Kong (4,8%), Austrália (4,3%), Índia (4,2%) e Indonésia
(4,2%). Já as importações de eletrônicos, máquinas, derivados de
petróleo, plásticos, veículos, ferro, alumínio e químicos vieram de
China (16,9%), Cingapura (12,6%), Japão (8%), EUA (7,7%), Tailândia
(5,8%), Coreia do Sul (4,6%) e Indonésia (4,1%).
México
Em 2014, o PIB mexicano foi de US$ 1,283 trilhão. As exportações
totalizaram US$ 406,4 bilhões. Os principais produtos vendidos foram
bens manufaturados, petróleo e derivados, prata, frutas, vegetais, café e
algodão. Os EUA foram o principal destino, ficando com mais de 80%. As
importações, de US$ 407,1 bilhões, incluíram máquinas, equipamentos
elétricos, partes de automóveis para montagem e reparo e aeronaves. A
origem principal origem também foram os EUA (48,8%), seguidos de China
(16,6%) e Japão (4,4%).
Nova Zelândia
Os bens e serviços da neozelandeses geraram um PIB de US$ 198,1 bilhões
no ano passado. As importações incluem frutas, carne, vinho e petróleo,
num total de US$ 40,21 bilhões, para China (20%), Austrália (17,5%), EUA
(9,3%) e Japão (5,9%). As importações, avaliadas em US$ 40,71 bilhões,
vieram de China (17%), Austrália (12,3%), EUA (11,7%), Japão (6,7%),
Alemanha (4,8%), Coeria do Sul (4,5%) e Malásia (4,3%) e incluem
petróleo e derivados, veículos e têxteis.
Peru
O país sul-americano teve um PIB de US$ 202,9 bilhões em 2014. As
exportações de US$ 36,43 bilhões foram para China (18,3%), EUA (16,1%),
Suíça (6,9%), Canadá (6,6%), Brasil (4,2%) e Japão (4,1%). Entre os
produtos estão cobre, ouro, zinco, aspargos, café, peixe, gás natural e
petróleo. As importações de US$ 40,25 bilhões incluem petróleo e
derivados, químicos, plásticos, veículos, TVs, equipamentos de
telecomunicações, papel, algodão e medicamentos vindos de China (21%),
EUA (21%), Brasil (4,7%), México (4,6%) e Equador (4,2%).
Cingapura
O PIB da ilha foi de US$ 308,1 bilhões no ano passado. As vendas ao
exterior totalizaram US$ 409,5 bilhões em máquinas e equipamentos,
farmacêuticos e químicos, produtos refinados de petróleo e bebidas a
China (12,6%), Malásia (12%), Hong Kong (11%), Indonésia (9,4%), EUA
(5,9%), Japão (4,1%) e Coreia do Sul (4,1%). Os US$ 366 bilhões em
importações vieram de China (12,1%), Malásia (10,7%), EUA (10,3%),
Coreia do Sul (5,9%), Japão (5,5%), Indonésia (5,1%), Emirados Árabes
Unidos (4.2%) e Arábia Saudita (4%). Entre os principais produtos estão
máquinas e equipamentos, e combustíveis minerais.
Vietnã
A economia vietnamita registrou um PIB de US$ 186 bilhões no ano
passado. Suas exportações foram de US$ 147 bilhões, majoritariamente de
roupas, sapatos, eletrônicos, frutos do mar e arroz. Os EUA foram o
principal destino (20%), China (10,4%), Japão (10,3%) e Coreia do Sul
(5%). As compras externas totalizaram U$ 138,6 bilhões e vieram de China
(30,4%), Coreia do Sul (15%), Japão (8,9%), Tailândia (4,9%), Cingapura
(4,7%) e EUA (4,4%). Os itens foram máquinas e equipamentos, derivados
de petróleo, matéria-prima para indústria de vestuário e calçado,
eletrônicos, plásticos e automóveis.
Ver também
http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/05/economia/1444048323_601347.html