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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Poderá Grã-Bretanha vencer a China em uma eventual Guerra? - Voz da Rússia

Poderá Grã-Bretanha vencer a China em uma eventual Guerra?
Foto: EPA

Atualmente, o Exército da China conta com 2,3 milhões, enquanto o do Reino Unido se estima em 225 mil efetivos.

O Reino Unido, que há muito deixou de ser encarado como uma potência militar, tem todas as chances de alcançar vitória sobre a China, se um conflito armado acontecer a uma equidistância, anunciou Malcolm Chalmers, professor catedrático do Instituto Real de Serviços Unificados (Royal United Services Institute).
O desenvolvimento das Forças Armadas chinesas tem atraído atenção na altura em que o Exército britânico continua sofrendo uma série de cortes orçamentais e demição do pessoal. No entanto, a Grã-Bretanha possui possibilidades maiores quanto à deslocação das tropas em grandes distâncias e, a nível de preparação de alguns destacamentos e de equipamentos, mantém a evidente supremacia sobre a China.
É verdade que as possibilidades britânicas de enviar tropas para regiões distantes, por exemplo, para África ou Oriente Médio, continuam superando, como antes, as da China. Trata-se não apenas da quantidade de equipamentos militares que a China poderia, se necessário, aumentar, mas também da experiência muito mais rica dos britânicos em combates nos pontos mais remotos do planeta. Tal experiência de centenas de anos será, pelo visto, mantida e até multiplicada.
Apesar do “tamanho ridículo”, as Forças Armadas britânicas marcam presença permanente em várias regiões e zonas climáticas, resolvendo com êxito questões de logística, manutenção técnica, prontidão combativa e estado físico dos efetivos. Para além disso, os britânicos possuem a experiência de combates nessas regiões. Em geral, do ponto de vista da experiência e preparação do pessoal, com eles podem competir, em menor medida, apenas os franceses.
Não obstante os cortes orçamentais, até as capacidades técnicas do Exército da Grã-Bretanha não cedem às chinesas. O número de vasos de guerra britânicos vai diminuindo, a Marinha nem sequer conta com um porta-aviões normal. Até 2020 deverão ser construídos dois navios desse gênero, CVF (Queen Elisabeth), capazes de portar, em separado, cerca de 50 parelhos voadores.
Em contrapartida, um único porta-aviões chinês não está apto para o serviço devido à falta de pilotos, cuja formação levará muito tempo. Enquanto isso, os britânicos podem sempre contar com um apoio técnico dos EUA, razão pela qual os porta-aviões britânicos estarão prontos para agir mais cedo, ultrapassando assim os dois congêneres chineses.
O Reino Unido dispõe de aviação militar estratégica mais potente, incluindo 8 aviões C-17A Globemaster II e 32 aparelhos C-130, inclusive os C-130J modernos. A Grã-Bretanha leva vantagem pelo número de submarinos atômicos polivalentes (6 contra 5). O seu patamar técnico e a preparação de tripulantes se mantêm mais elevado. É preciso ter sempre presente que a Grã-Bretanha é um único país no mundo que empregou um submarino atômico num combate marítimo real, ao afundar, em 1982, o cruzador argentino General Belgrano.
Por outro lado, em termos da presença econômica nas regiões distantes, a China tem suplantado o Reino Unido e a França. Contudo, do ponto de vista da segurança dos seus cidadãos no exterior, a China vai perdendo muito. A Grã-Bretanha está empenhada na luta antiterrorista, encabeçada pelos EUA, tendo enviado seus contingentes militares para o Afeganistão, Chipre, Oriente Médio e nos seus territórios ultramarinos. A França realizou uma campanha militar no Mali, atuando agora na República Centro-Africana. Seria, pois, difícil imaginar que o Exército chinês estivesse em condições de efetuar operações semelhantes.
Ao mesmo tempo, a China vai superando os problemas que impedem ao seu Exército expandir a presença militar. Os militares chineses se envolvem cada vez mais em operações internacionais de manutenção de paz. Milhares de soldados e oficiais tinham prestado serviço no território de outros continentes. Além das unidades de engenharia e médicas, em missões de paz começaram a participar destacamentos militares.
A China vem aumentando o número de aviões militares de transporte, procurando criar até um avião pesado desse gênero. A Força Aérea da China vai ganhando experiência através de exercícios militares conjuntos com a Rússia e a Turquia. Em vias de construção se encontra ainda a frota oceânica. As questões técnicas se resolvem, amiúde, mais depressa do que os problemas organizacionais ou de quadros qualificados. No entanto, o Exército de Libertação Popular poderá transformar-se, com o tempo, numa força global e acabar por vencer o Exército da Grã-Bretanha.

Os fatos citados e as opiniões expressas são de responsabilidade do autor.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Poder Naval - Futuros porta-aviões britânicos navegarão sem alerta aéreo antecipado nos seus primeiros anos

“Se o novo AEW não estiver lá para protegê-los, teremos construído o mais caro alvo desprotegido do mundo”.

Fontes do Ministério da Defesa do Reino Unido (UK DoD) revelaram que a tecnologia de alerta radar que avisará os comandantes sobre a aproximação de aviões de guerra e mísseis inimigos pode não estar pronta até cinco anos após o primeiro dos porta-aviões da classe Queen Elizabeth entrar em serviço em 2017.
Os atuais helicópteros Sea King AEW da Royal Navy, que fornecem Alerta Aéreo Antecipado para a frota, deverão ser aposentados em 2016. E os seus substitutos podem não estar operacionais antes de 2022, deixando o HMS Queen Elizabeth e HMS Prince of Wales sem cobertura aérea durante os testes iniciais dos navios.
Os navios devem iniciar seus testes de mar por volta de 2017 e deverão estar operacionais por volta de 2020, o que significa que eles podem ser enviados para qualquer área em conflito ao redor do mundo.
Uma fonte militar disse: “Se o novo AEW não estiver lá para protegê-los, teremos construído o mais caro alvo desprotegido do mundo”.
A notícia do buraco nas defesas da Marinha ocorre após o lançamento do “Strategic Defence and Security Review” do Primeiro Ministro David Cameron, que cortou os aviões de vigilância aérea Nimrod e os jatos Harrier.
O Ministério da Defesa confirmou que haverá um “déficit de capacidade” em AEW a partir de 2016, e disse que os navios de guerra seriam capazes de usar seus próprios sistemas de radar para detectar ameaças quando osSea King forem retirados de serviço.
Mas os críticos alertaram que este plano trás lembranças desagradáveis da Guerra das Malvinas – o último período em que a Royal Navy não possuiu um sistema AEW.
Cinco navios foram perdidos no conflito de 1982, causando a morte de dezenas de militares e centenas de outros feridos.
“Lord” Alan West, que comandou a Marinha Real de 2002 a 2006 e comandante do HMS Ardent bombardeado nas Malvinas, advertiu ontem à noite: “Nós corremos o risco de repetir os erros do passado. Será que vamos aprender? AEW é absolutamente essencial.”
FONTE: Mailonline 
 http://www.naval.com.br/blog/2012/12/07/repetindo-o-erro-das-malvinas/#axzz2EUXgTbE1

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O Nacionalismo irlandês se reorganiza - um novo IRA

Três grupos dissidentes se unem na Irlanda do Norte para criar novo IRA


Três dos quatro grupos dissidentes do já inativo Exército Republicano Irlandês (IRA), opostos ao processo de paz na Irlanda do Norte, anunciaram nesta sexta-feira a formação de uma nova organização para prosseguir com a luta armada.
Em comunicado enviado hoje ao diário "The Guardian", a nova organização terrorista assinala que criou uma "estrutura unificada sob um só comando" para servir "como um Exército Republicano Irlandês".
O grupo armado se nutre principalmente de membros do IRA Autêntico, separado do IRA em 1997 e responsável um ano depois pelo atentado de Omagh - no qual morreram 29 pessoas -, enquanto ficou de fora o IRA Continuidade, o outro grande grupo dissidente.
A coalizão se completa com voluntários da Ação Republicana Contra as Drogas (RAAD), que opera na cidade de Derry, e de um grupo de facções republicanas independentes localizadas em Belfast e zonas rurais, conhecido como Óglaigh na hÉireann.
Segundo o "The Guardian", entre os três estão "várias centenas" de efetivos, incluídos membros do já inativo IRA em Derry. A nova organização, aponta o diário, deverá unir forças para aumentar o número de ataques contra as forças de segurança e outros alvos britânicos na região.
"Nos últimos anos, o estabelecimento de uma Irlanda livre e independente sofreu contratempos devido ao fracasso da liderança do nacionalismo irlandês e à fratura interna do republicanismo", diz o comunicado.
Com essas palavras, o grupo faz referência às divisões criadas no movimento republicano desde que o antigo braço político do IRA, o Sinn Féin, decidiu abandonar as armas e perseguir seus objetivos por meios democráticos.
http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2012-07-27/tres-grupos-dissidentes-se-unem-na-irlanda-do-norte-para-criar-novo-ira.html

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Crise faz Exército britânico encolher e ser o menor em 200 anos


      A Grã-Bretanha anunciou nesta quinta-feira que realizará grandes cortes militares por causa da crise financeira, reduzindo de 102 mil para 82 mil o número de seu efetivo, o menor número em 200 anos.
     Segundo os novos planos, a serem aplicados até 2020, 17 unidades vão ser afetadas, incluindo cinco batalhões de infantaria.
     Exército terá cerca de metade do tamanho que tinha durante a Guerra Fria. Em 1978, ele tinha mais de 163 mil soldados.
     O governo disse que o futuro Exército britânico será constituído por duas partes, Forças de Reação, composta por soldados regulares, e Forças Adaptáveis, que incluirá soldados empregados ocasionalmente.
     O número de reservistas empregados ocasionalmente subirá de 15 mil para 30 mil.
Crítica
     "Após herdar gastos enormes do último governo, tivemos que tomar decisões difíceis para implementarmos nossa visão de Forças Armadas formidáveis, adaptáveis e flexíveis", disse o ministro da Defesa britânico, Philip Hammond.
     O analista para assuntos de Defesa da BBC Jonathan Beale diz que o moral entre os militares britânicos é baixo e não será melhorado com o anúncio de duas novas levas de demissões.
     O país tem cerca de 9,5 mil soldados no Afeganistão e o governo pretende diminuir o déficit gerado pelas Forças Armadas.
     Mas o partido Trabalhista, de oposição, criticou a medida, argumentando que seria uma resposta inadequada para as ameaças globais e poderia colocar o país em risco.
Fonte:  http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/07/120705_britisharmy_rc.shtml

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Autor iraniano acusa França e Inglaterra de "invejar" Brasil e Turquia



EUA 'traíram' Brasil e Turquia, e França e Grã-Bretanha tiveram 'inveja', diz autor de livro sobre Irã
Os governos de Brasil e da Turquia foram "traídos" pela diplomacia americana, e potências como França e Grã-Bretanha tiveram "inveja" da capacidade dos dois países emergentes de convencer o Irã a assinar um acordo nuclear, segundo o especialista em Oriente Médio, Trita Parsi.
O analista lançou no mês passado, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, o livro A Single Roll of the Dice ("Uma Única Jogada do Dado"), no qual entrevistou mais de 70 pessoas envolvidas nos esforços de diplomacia entre Estados Unidos e Irã, inclusive algumas autoridades brasileiras.
Um dos capítulos do livro é dedicado à missão de Brasil e Turquia, em maio de 2010, que acabou resultando em um acordo com o Irã. No entanto, poucas horas depois do anúncio, os Estados Unidos desautorizaram a iniciativa, preferindo adotar sanções contra o governo de Teerã.
Trita Parsi – que nasceu no Irã, mas fugiu com sua família quando criança e acabou construindo sua carreira nos Estados Unidos – conversou por telefone com a BBC Brasil.
BBC Brasil: No histórico do esforço de diplomacia entre Irã e potências ocidentais, o quão importante foi essa missão de Brasil e Turquia?
Trita Parsi: Eu acho que ela foi crítica, pois no fim das contas, a missão mostrou que a diplomacia poderia funcionar. O problema com a diplomacia que foi perseguida até então é que o timing ou as circunstâncias políticas nos países envolvidos não eram abertos o suficiente para que se chegasse a um acordo.
Se não fosse pelo esforço de Brasil e Turquia, poderíamos facilmente ter ficado com a impressão de que o esforço feito em 2009 por Obama havia levado à exaustão todas as iniciativas de diplomacia, e que não havia mais esperança. Brasil e Turquia mostraram que havia uma solução que poderíamos encontrar.
BBC Brasil: O que aconteceu com os EUA nesse processo? Os americanos mudaram de opinião depois que Brasil e Turquia conseguiram convencer o Irã a fechar um acordo, ou eles já estavam predispostos a não aceitar o sucesso da missão?
Trita Parsi: Infelizmente, acho que os EUA nunca levaram a sério esse acordo. Isso está claro hoje, olhando para trás. Eles esperavam que o Brasil (e a Turquia) fracassasse, e como resultado disso, que eles (americanos) pudessem gerar uma pressão por novas sanções. Quando Brasil e Turquia foram bem-sucedidos, isto atordoou os americanos e eles não estavam preparados para aceitar o acordo.
BBC Brasil: Então Brasil e Turquia – e sobretudo o ex-presidente Lula e o premiê turco Recep Tayyip Erdogan – foram traídos pela diplomacia americana?
Trita Parsi: Eu acho que sim. Eu acho que eles foram com boa vontade e fizeram o que achavam que seria necessário para obter o apoio dos EUA, e acabou se provando que não era bem assim. Agora, é verdade também que em algumas comunicações orais, autoridades dos EUA haviam deixado claro que eles não estavam muito contentes com os esforços de Brasil e Turquia.
Mas Brasil e Turquia são países independentes com vagas no Conselho de Segurança, e têm seu próprio papel a cumprir. Os EUA não podiam, necessariamente, dar um "não" completo a ambos. Mas daí eles enviaram uma carta a Lula dizendo "isso é o que você precisaria cumprir para que tudo funcione", e ele conseguiu cumprir.
Na minha visão, isso não é um dos melhores momentos da diplomacia americana ou de Obama.
BBC Brasil: Existe algum papel que países emergentes – em especial Brasil e Turquia – podem cumprir nas negociações com o Irã, depois desta experiência tão frustrante?
Trita Parsi: O problema é que isso se tornou um marco negativo e desestimula outros países a se envolver, porque mesmo quando você é bem-sucedido, você acaba tendo problemas. O perigo é que isso se torne um empecilho para outros países que queiram ajudar no futuro.
BBC Brasil: Então os países emergentes não têm um papel em negociações como a do programa nuclear iraniano?
Trita Parsi: Eu acho que eles têm sim. Mas na próxima vez, será preciso entender que estas iniciativas são bastante arriscadas. E entre todas as prioridades do governo brasileiro, este será um assunto que o presidente brasileiro está disposto a colocar muito de seu capital político? Ou não? Mas claramente, Brasil e Turquia mostraram que têm habilidade para mediar e fazer as coisas funcionarem. A diplomacia deles foi eficiente, bem-sucedida e construtiva. O problema é podermos nos certificar de que o acordo será aceito politicamente pelas grandes potências, depois de acertado.
BBC Brasil: Não foram apenas os EUA que desautorizaram o acordo. França e Grã-Bretanha também se manifestaram contra a Declaração de Teerã...
Trita Parsi: Eles não ficaram contentes. Mas é preciso lembrar que para a Grã-Bretanha e França – dois países com assento permanente no Conselho de Segurança e poder de veto, é francamente um pouco embaraçoso ver potências novatas como Brasil e Turquia chegarem e serem bem-sucedidas na diplomacia e em questão de meses, onde França e Grã-Bretanha fracassaram por tantos anos.
BBC Brasil: Então existe um pouco de inveja nisso?
Trita Parsi: Claro. Existe um sentimento que mostra que o mundo está mudando, que existem novas potências em ascensão, e que as velhas potências não são mais tão eficientes. E Brasil e Turquia, neste sentido, envergonharam a França e a Grã-Bretanha.
BBC Brasil: Mas as velhas potências continuam ditando as regras, já que o acordo não foi cumprido e novas sanções foram adotadas contra o Irã. Estas potências emergentes têm mesmo algum poder?
Trita Parsi: Eu não diria isso. Eu acho que é importante notar que mesmo que o acordo não tenha ido adiante, mas as sanções tenham, o que isso tudo mostra é que a ordem internacional não reflete a distribuição de poder real. França e Grã-Bretanha não tem poder – ou pelo menos não tiveram a habilidade – para obter um acordo. Mas por eles estarem no Conselho de Segurança, algo que ainda reflete a estrutura de poder de 1945, eles ainda têm a sua vaga e a sua voz. Mas eles não tiveram habilidade para resolver o assunto. Brasil e Turquia tiveram.
BBC Brasil: E os outros países – inclusive emergentes – que não manifestaram apoio ao acordo firmado por Brasil e Turquia. Por que eles não fizeram nada?
Trita Parsi: Levando em consideração o quão rápido os EUA rejeitaram o acordo – e de forma tão veemente e categórica – eu acho que havia muito pouca oportunidade para que outros países pudessem fazer qualquer coisa. Eu acho que parte do motivo de os EUA terem sido tão rápidos, duros e negativos foi justamente para impedir outros Estados de apoiarem Brasil e Turquia.
BBC Brasil: O senhor parece bastante otimista, em seus artigos recentes, com a nova rodada de negociações entre EUA e Irã que começou no fim de semana passado. Existe motivo para esperança?
Trita Parsi: Eu acho que existem alguns fatores que podem fazer com que isso funcione. Existe um desejo do governo Obama de evitar uma guerra, de baixar o preço do petróleo, existe uma abertura devido à aceitação do enriquecimento de urânio no Irã sob certos limites. Parece haver alguns novos ingredientes que podem fazer com que isso funcione. Mas novamente o teste definitivo será ver se os desafios políticos serão vencidos ou não. Não só a parte técnica.
BBC Brasil: É preciso convencer os atores internos no Irã e nos EUA de que um acordo é importante?
Trita Parsi: Exatamente. E convencer os países que se opõem a um acordo, como Israel.
BBC Brasil: Não é pouco provável que isso vá acontecer justo em um ano de eleições presidenciais nos EUA?
Trita Parsi: É muito fascinante. Eu não esperava que isso fosse acontecer em um ano de eleição. Mas parece que justamente por causa das eleições, isso se tornou importante. Ou seja, os preços do petróleo precisam cair. Porque se os preços de petróleo estão altos em um ano de eleições, isso significa que o preço da gasolina é alto. Se a gasolina fica cara, a geração de empregos não vai acontecer de forma eficiente. E isso pode fazer com que Obama perca as eleições.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

'Tática de Cristina Leva País a Beco sem Saída' diz cientista político



Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires
BUENOS AIRES - "A estratégia do governo da presidente Cristina Kirchner para reaver as Ilhas Malvinas aprofunda o ressentimento dos ilhéus com a Argentina. Sua posição é cada vez mais rígida e desprovida de alternativas. É um beco sem saída". A frase é de Vicente Palermo, sociólogo e cientista político, pesquisador do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet), membro da Associação Brasileira de Ciência Política e autor de "Sal nas Feridas", obra que analisa o simbolismo das Malvinas na sociedade argentina. A seguir, entrevista concedida ao Estado por Palermo, que integra um recém-criado grupo de 17 intelectuais de prestígio que pedem uma revisão da política da presidente Cristina sobre o disputado arquipélago.
Estado: Nas escolas, desde a primária, semanalmente as crianças aprendem que 'as Malvinas são argentinas'. Qual é o peso simbólico das ilhas hoje no imaginário coletivo argentino?
     Vicente Palermo: Antes de 1982, a coisa era muito mais "light", pois não havia ocorrido a guerra. Mas a derrota no conflito do Atlântico Sul deixou uma marca dura no ego. E isso provocou a ideia de uma perda, que talvez seja definitiva. Acho que o argentino médio atual não destina muita atenção ao tema, felizmente, apesar das convicções nacionalistas do governo. Mas muitos argentinos consideram que os direitos de nosso país sobre as Ilhas Malvinas são inquestionáveis e a presença britânica no arquipélago é colonialismo.

Estado: Diversos historiadores afirmam que a junta militar, em caso de sucesso nas Malvinas, tinha planos para uma guerra com o Chile....
     Vicente Palermo: Sim, com certeza, o próximo alvo teria sido o Chile. Vários setores muito importantes pensavam que nossa capacidade militar era elevada...

Estado: Quais as chances de a Argentina recuperar as ilhas?
     Vicente Palermo: Considero que fica cada vez mais complicada uma eventual recuperação das ilhas. A estratégia atual de pressão não favorece. Se o governo pretende recuperar as ilhas desse jeito, está perdido. Os kelpers se aferrarão mais ainda aos britânicos. E estes, por seu lado, também afirmam-se mais em sua posição de não entregar as ilhas e seus habitantes. Mas se o governo não puder conseguir as Malvinas, a segunda opção é a de definir os britânicos como os inimigos permanentes.
  
Estado: O respaldo dos países latino-americanos nos esforços do governo argentino para reaver as ilhas possui um efeito prático?
     Vicente Palermo: Não terá efeito prático na negociação com a Grã-Bretanha. Acontece que a faixa de negociação de Buenos Aires com Londres é muito estreita. Ou melhor: a Argentina simplesmente não coloca nada na mesa de negociações e somente diz que quer a soberania plena das Ilhas Malvinas. E, por isso, Londres não vai ceder. Além disso, essas pressões sobre a Grã-Bretanha complicam as relações dos outros países sul-americanos com o governo de Londres. E a ideia de uma “soberania compartilhada” parece inverossímil.

Estado: O governo Kirchner argumenta que os ilhéus não contam nestas negociações porque são uma comunidade "transplantada".
      Vicente Palermo: Existem dois artifícios entre os preferidos da ortodoxia argentina quando o assunto são os ilhéus. O primeiro é um jogo de números que pergunta qual a relevância de 3 mil pessoas diante de 40 milhões (população da Argentina). Mas acho que mais importante do que isso é que os ilhéus possuem identidade.

30 Anos Depois

A propósito da recente escalada retórica entre os dois países acerca do conflito e sobre a soberania destas ilhas, vale pensar que hoje, tanto como naquela época, os governos estavam em meio a uma perda de prestígio interno e o conflito serviu para produzir uma solidariedade das respectivas populações com seus governos.
Acho que o Brasil acerta em reconhecer o direito argentino, mas condenar a invasão de 1982 mas me preocupa - apesar de entender - a dependência de nossa diplomacia em relação aos interesses de Buenos Aires.  
O fundamental é ouvir os ilhéus e esses são claramente britânicos, possuindo pouco ou nenhum vínculo com os argentinos.  Pelo direito de autodeterminação, as ilhas são Falklands e não Malvinas.
E ao tentar impor uma soberania sobre o território, são os argentinos que assumem uma postura autoritária e colonialista.
O argumento de que Londres explora em seu proveito território é improcedente, pois o custo de manutenção de serviços e das instalações militares (maior base britânica no hemisfério sul), consome mais de US$ 300 milhões de dólares/ano e toda a renda gerada pela exploração econômica do arquipélago fica com os habitantes.
Minha Opinião



     Uma série de cerimônias e discursos na Grã-Bretanha e na Argentina marcarão nesta segunda-feira o 30º aniversário do começo da Guerra das Malvinas (ou Falklands, para os britânicos).
     No total, 255 soldados britânicos e 650 argentinos morreram no conflito que começou com uma invasão argentina das Malvinas no dia 2 de abril de 1982.
     O aniversário acontece em um momento de novas tensões entre argentinos e britânicos. Recentemente a Argentina voltou a manifestar seu direito às ilhas, mas a Grã-Bretanha segue comprometida a manter a soberania na região no Atlântico Sul.
     A Grã-Bretanha controla as Malvinas desde 1833, mas a Argentina afirma que o território pertencia à Espanha, e que foi herdado pelo país sul-americano com a sua independência.
'Chama eterna'
     Veteranos britânicos de guerra e parentes dos mortos farão uma cerimônia especial no Memorial Nacional Arboretum, em Staffordshire, na região oeste da Inglaterra. Uma única vela será acesa como um gesto de memória aos mortos.
     O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, disse que a segunda-feira é um dia de lembrar argentinos e britânicos mortos no conflito
     "Há 30 anos, o povo das Ilhas Falklands sofreram um ato de agressão que quis roubá-los das suas liberdades e do seu modo de vida", disse Cameron. "Hoje é um dia de comemoração e reflexão: um dia para lembrar todos aqueles que perderam suas vidas no conflito - os integrantes das nossas Forças Armadas, assim como os argentinos que morreram."
     Ele prestou homenagem ao que chamou de "heroísmo" dos soldados britânicos que libertaram as Malvinas da Argentina, e disse que a Grã-Bretanha está orgulhosa de "corrigir um erro profundo".
     A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, visitará o porto de Ushuaia nesta segunda-feira, para uma cerimônia de homenagem aos soldados argentinos mortos no conflito. Ela vai acender uma "chama eterna" no local. Na madrugada passada, veteranos de guerra fizeram uma vigília.
Diplomacia
     A Argentina solicitou a abertura de negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas, mas o governo britânico diz que não há nada para se discutir, se não houver consentimento dos moradores.
    A Grã-Bretanha acusa a Argentina de tentar impor um bloqueio à população local, depois de proibir embarcações com a bandeira de Falklands em seus portos. A medida também foi adotada pelos demais países do Mercosul.
     Já os argentinos acusam os britânicos de militarizar o Atlântico Sul, depois que foi divulgado que um dos navios de guerra da Marinha britânica será enviado à região.
     A derrota das forças argentinas no conflito contribuiu para o fim do regime militar liderado pelo general Leopoldo Galtieri, que foi preso acusado de "incompetência" na guerra. A premiê britânica na época, Margaret Thatcher, não participará de nenhum dos eventos desta segunda-feira, devido aos seus problemas de saúde.

quinta-feira, 1 de março de 2012

A nova Guerra Fria já começou na Síria

Foi bom saber, pelo secretário de Relações Exteriores britânico, que “não estamos apoiando a ideia de alguém atacar o Irã neste momento”. Talvez mais tarde, então. Ou talvez depois de o presidente Assad cair, privando o Irã de seu único – e valioso – aliado no Oriente Médio. É disso que se trata, eu suspeito, esse monte de rugidos vociferando contra Assad. Livre-se de Assad e você estará cortando parte do coração do Irã. Se isso vai levar Ahmadinejad a transformar suas usinas nucleares em fábricas de leite, bem, isso já é outro assunto.
“Se o Irã obtiver armas nucleares, eu acho que outras nações em todo o Oriente Médio vão querer desenvolver armas nucleares”.

     Assim trovejou o nosso amado secretário de Relações Exteriores, William Hague, em um dos pronunciamentos mais ridículos que já fez. Hague parece passar muito de seu tempo representando diferentes personagens, então realmente não estou certo de qual Sr. Hague fez esta declaração.
     O erro número um, é claro, é o fato do Sr. Hague não mencionar que já existe uma nação do Oriente Médio que já possui centenas de armas nucleares juntamente com os mísseis para dispará-las. Ela se chama Israel. Mas o Sr. Hague não mencionou esse fato. Ele não sabia disso? Claro que sim. O que ele estava tentando dizer, veja só, é que se o Irã seguir querendo produzir uma arma nuclear, os Estados árabes – Estados muçulmanos – vão querer adquirir uma. E isso não pode acontecer. Não lhe ocorreu mencionar a ideia de que o Irã pode estar tentando desenvolver armas nucleares porque Israel já as possui.
     Agora, como uma nação que vende bilhões de libras de equipamento militar para países do Golfo Pérsico – para eles se defenderem de planos não-existentes do Irã para invadi-los -, a Grã-Bretanha não está propriamente em condições de advertir sobre a proliferação de armas na região. Eu fui às feiras de armas no Golfo, onde os ingleses mostraram filmes alarmantes sobre uma nação “inimiga” ameaçando os árabes – o Irã, é claro – e falando da necessidade dos países árabes comprarem mais kits da British Aerospace e dos nossos demais mercadores da morte.
     Em seguida, a conversa de Hague pratica um assassinato histórico. Ele adverte sobre “o mais grave capítulo de proliferação nuclear desde que as armas nucleares foram inventadas”, que poderia produzir “a ameaça de uma nova Guerra Fria no Oriente Médio”, o que seria “um desastre mundial”. Eu sei que Hague senta-se na sala de Balfour e Eden – dois pseudo-especialistas em Oriente Médio -, mas será que ele tem mesmo que maltratar a história desse jeito? Certamente a rodada mais grave de proliferação nuclear ocorreu quando a Índia e o Paquistão adquiriram a bomba, está última uma nação inundada por grupos ligados a Al-Qaeda, talibãs e duvidosos agentes de serviços de inteligência.
     Foi bom saber que “não estamos apoiando a ideia de alguém atacar o Irã neste momento”. Talvez mais tarde, então. Ou talvez depois de o presidente Assad eventualmente cair, privando o Irã de seu único – e valioso – aliado no Oriente Médio. É disso que se trata, eu suspeito, esse monte de rugidos vociferando contra Assad. Livre-se de Assad e você estará cortando parte do coração do Irã. Se isso vai levar Ahmadinejad a transformar suas usinas nucleares em fábricas de leite para criança, bem, isso já é outro assunto. Aqui está a questão central. As vozes poderosas que pedem a saída de Assad aumentam mais de volume na medida em que se recusam a se envolver na sua derrubada. Quanto mais eles se comprometem a não “meter a OTAN” na Síria, cada vez que dizem que não podem haver zonas de exclusão aérea na Síria, mais e mais ficam furiosos com Assad. Por que ele não parte simplesmente para sua aposentadoria na Turquia, acabando com o teatro de uma vez por todas, e parando de envergonhar a todos nós, coagindo seu país com bombas, francos atiradores e milhares de assassinatos, entre eles o de jornalistas.
     Desnecessário dizer que Hague também tagarela sobre a Síria, supostamente também não “apoiando a ideia de alguem atacar a Síria neste momento”. E esse é um problema que fede muito para o ministro das Relações Exteriores. Ela estava justamente denunciando o assassinato de Marie Colvin esta semana – eu a vi nos últimos dias da revolução egípcia, avançando, como de costume, em meio ao estouro de granadas de gás lacrimogêneo -, mas centenas de outros seres humanos inocentes foram cruelmente assassinados na Síria sem que isso provocasse um sussurro sequer de Hague. Alguns deles foram mortos pela oposição armada a Assad. O assassinato de alauitas por sunitas está se tornando terrivelmente familiar, assim como a matança de civis por fogo de artilharia do governo sírio se tornou um modelo nesta guerra terrível.
     Não, nós não vamos nos envolver na Síria, muito obrigado. Porque a nova Guerra Fria na região, papagaiada por Hague, já começou na Síria, não no Irã. Os russos estão alinhados contra nós lá, apoiando Assad e denunciando-nos. Só que a reação de Putin a uma substituição de Assad é um mistério. Não será uma “nova” Síria, necessariamente, a democracia pró-Ocidente que Hague e outros gostariam de ver.
     Os sírios, afinal não vão esquecer a maneira pela qual os britânicos e os americanos silenciosamente aprovaram o massacre infinitamente mais terrível de 10 mil sírios muçulmanos sunitas em Hama, em 1982. Este ano marca o 30º aniversário desse massacre, praticado pelas Brigadas de Defesa de Rifaat Ali al-Assad, tio do atual presidente Assad.
     Mas, como Hague, Rifaat também tem seu “doppelgänger” (termo alemão para sósia ou duplo de uma personagem). Longe de ser o assassino de Hama – um termo que ele contesta ferozmente -, ele agora é um senhor simpático e aposentado, vivendo em grande estilo e em segurança muito próximo da mesa de Hague. Na verdade, se Hague sair do prédio do Ministério das Relações Exteriores e dobrar à esquerda ele pode encontrar e conhecer o homem pessoalmente em – onde mais ele poderia viver? – Mayfair (área nobre no centro de Londres). Agora, isso seria um desastre para os assuntos mundiais, não?

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
FONTE: Carta Maior http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19679

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Ofensiva colonialista ameaça a América Latina

Gilson Caroni Filho/Carta Maior
Ofensiva colonialista ameaça a América Latina. 16312.jpegA decisão da União Européia de reconhecer o arquipélago das Malvinas como seu território, endossando as posições belicistas do premier britânico, David Cameron, que aprovou um plano para aumentar o contingente militar nas ilhas, serve para reacender um dado histórico que nunca deve ser esquecido: a tragédia dos países da América Latina, com seu fundo aberrante de exploração, miséria e desculturalização é uma só e com os mesmos inimigos: o neocolonialismo europeu e o imperialismo estadunidense.

Uma atualização política do "currency board", sistema inventado pelo império inglês para controlar seus domínios. Se nele, a colônia não tem autonomia nenhuma e a economia flutua ao sabor do déficit comercial, na geopolítica, que se afigura ameaçadora, os países periféricos voltam a orbitar em torno dos ditames das grandes potências. Cameron tira as gravatas de seda e os ternos alinhados para, três décadas depois, reafirmar a retórica de Margareth Thatcher.

Do convés do destróier Antrim, atravessado por uma bomba que não explodiu, Thatcher pronunciou o último discurso no seu giro de cinco dias pelas Malvinas: "Uma coisa tem que ficar clara: estas ilhas são britânicas, seus habitantes são súditos da rainha Elisabeth II e querem permanecer como tais". Dirigindo-se aos jornalistas que acompanhavam, ela reiterou que "não se pode negociar a soberania com os argentinos. Estendemos as mãos à Argentina. Não responderam. Confiamos em que eles o farão um dia. Mas não negociaremos a respeito de nossa posição soberana".

Cameron deve ignorar que o tempo histórico tem suas razões, que devem ser levadas em conta. A aventura do regime militar de Leopoldo Galtieri tinha como objetivo a permanência indefinida no governo, todo o tempo que fosse possível. Em 2012, Cristina Kirchner representa um modelo político em andamento na região há algum tempo, mais democrático de fato, humanizado e com ênfase nas reformas estruturais necessárias após o desmonte promovido pelo neoliberalismo. Ao contrário do "reel", dança típica inglesa, o tango se dança em silêncio, não contam tanto as palavras, mas os movimentos e os gestos.

A autodeterminação dos Kelpers, argumento central de Thatcher e Cameron, encerra uma contradição difícil de superar. Como podem reivindicar a cidadania britânica e o direito à autodeterminação? O que temos, de fato, é uma ocupação colonial permanente travestida de "independência". Não há mais condições objetivas para o oprimido fazer sua uma memória fabricada pelo opressor.

Convém recordar que se há 30 anos os países da América Latina foram muito além do previsível em seu apoio aos direitos argentinos, não cedendo um metro do seu território para que aviões militares fizessem escala, a resistência seria bem mais intensa com a região estruturada em comunidades como a Unasul e a Celac. Uma empreitada militar teria custos políticos bem mais profundos do que podem imaginar seus idealizadores.

Nada impede o início de discussões bilaterais sobre as Malvinas. Há para isso um antecedente importante: o documento celebrado em 1968 com a Argentina pelo governo trabalhista de Harold Wilson, que só não entrou em vigor, devido ao adiamento por causa da campanha eleitoral, e à vitória do conservador Edward Heath, depois, nas eleições de 1970.

Seu artigo 4 era bem explícito. "O governo de sua Majestade Britânica reconhecerá a soberania argentina sobre as ilhas a partir da data a ser combinada. Essa data será fixada tão logo o governo de sua Majestade Britânica esteja satisfeito com as garantias e salvaguardas oferecidas pelos governos argentinos para defender os interesses dos seus habitantes."

Como se vê, há uma saída para um impasse. Majestática, britânica e sensata. Algo que seria bem apreciado no sul do nosso continente

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

domingo, 8 de janeiro de 2012

Britânicos enviam navio de guerra ao Estreito de Ormuz

       Irã ameaça fechar passagem por onde um sexto do petróleo do mundo é escoado

Soldado iraniano no Estreito de Ormuz Um sexto do petróleo do mundo circula pelo Estreito de Ormuz (Hamed Jafarnejad / Reuters)
A Grã-Bretanha enviou um destróier ao Estreito de Ormuz, após o Irã ameaçar fechá-lo à navegação. O Ministério de Defesa britânico informou neste sábado que esta é a primeira missão do navio de guerra HMS Daring, tipo 45 – o mais novo da Marinha britânica.
Embora esta mobilização já estivesse prevista, o envio coincide com um aumento das tensões devido à intenção do Irã de realizar manobras navais perto do estreito e de ameaçar fechá-lo.
Um sexto do petróleo do mundo circula pelo Estreito de Ormuz, passagem entre o Golfo de Omã e o Pérsico. A ameaça do Irã de bloquear a passagem é uma reação à advertência do Ocidente, que estuda mais sanções a Teerã como meio de deter seu programa nuclear. O ministro da Defesa da Grã-Bretanha, Philip Hammond, advertiu ao regime de Teerã que qualquer tentativa de bloquear o estreito será considerada ilegal.
O HMS Daring, equipado com mísseis antiaéreos Sea Viper e capacidade para transportar helicópteros tipo Chinook, completou em 2011 quatro anos de testes e é um de seis novos destróieres da Marinha.
A tensão entre Irã e Grã-Bretanha se aprofundou em novembro passado, quando um grupo de estudantes islâmicos invadiu a embaixada britânica em Teerã. As relações bilaterais se deterioraram nos últimos anos pela insistência da República Islâmica em manter seu programa nuclear. Em novembro, o governo britânico decidiu suspender as relações financeiras entre os dois países, incluindo o banco central iraniano.
(Com Agência EFE)
http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/birtanicos-enviam-navio-ao-estreito-de-ormuz-para-coibir-ira

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Argentina reafirma seus direitos de soberania sobre as Malvinas

     A chancelaria argentina emitiu um comunicado, assinalando que o governo de Cristina Fernández de Kirchner “reafirma mais uma vez os imprescritíveis direitos de soberania da Argentina sobre as Ilhas Malvinas, Georgias do Sul e Sandwich do Sul, e os espaços marítimos circundantes, que são parte integrante de seu território nacional”. A declaração foi divulgada no momento em seu que se completam 179 anos desde que as Ilhas Malvinas foram ocupadas por forças britânicas (em 3 de janeiro de 1833).

Francisco Luque - Correspondente da Carta Maior em Buenos Aires

     A chancelaria argentina emitiu um comunicado, na noite de segunda-feira, onde assinala que o governo de Cristina Fernández de Kirchner “reafirma mais uma vez os imprescritíveis direitos de soberania da Argentina sobre as Ilhas Malvinas, Georgias do Sul e Sandwich do Sul, e os espaços marítimos circundantes, que são parte integrante de seu território nacional”. A declaração foi divulgada no momento em seu que se completam 179 anos desde que as Ilhas Malvinas foram ocupadas por forças britânicas (em 3 de janeiro de 1833).
     A reivindicação surge dias após o Reino Unido ter expressado sua preocupação com a decisão dos países do Mercosul com costas marítimas (Argentina, Brasil e Uruguai) de impedir que os barcos com bandeiras das Malvinas ingressem em seus portos.
     O documento oficial assinala que a ilegítima ocupação colonial britânica é agravada por um provocador e continuado desprezo ao direito internacional expresso pela persistente recusa do Reino Unido em retomar as negociações sobre a soberania das ilhas, conforme o mandato vigente das Nações Unidas, estabelecido mediante a Resolução 2065 da Assembleia Geral e referendado por nove resoluções subsequentes. Esta ilegitimidade, sustenta a declaração, é agudizada pela presença da base militar estabelecida no Atlântico Sul, invocando falsas necessidades de defesa, assim como pelo constante desenvolvimento de atividades ilegítimas unilaterais na zona disputada.
     Para o governo argentino, as atividades realizadas pela Inglaterra na região são contrárias às resoluções da ONU e incluem a exploração, contrário ao direito internacional, dos recursos naturais renováveis e não renováveis da área, e realização de exercícios militares, incluindo o lançamento de mísseis desde as Ilhas Malvinas. Não obstante, o governo argentino reitera sua “permanente e sincera disposição para retomar o processo de negociações bilaterais com o Reino Unido, tal como reclama a comunidade internacional, para achar uma solução pacífica e definitiva para a disputa de soberania e pôr fim, deste modo, a uma situação anacrônica, incompatível com a evolução do atual mundo pós-colonial”, assinala o documento.
     A presença militar britânica no Atlântico Sul, foi criticada unanimemente pelos governos da região. Em outubro passado, a Unasul (União de Nações Sulamericanas) expressou seu rechaço contra o deslocamento da fragata inglesa “Montrose” para o Atlântico Sul por um período de seis meses e advertiu que essa medida “é contrária à política da região de defesa da busca de uma solução pacífica do conflito” entre o Reino Unido e a Argentina. A preocupação pelas mencionadas atividades unilaterais também foi expressa por meio de diversos pronunciamentos das cúpulas de presidentes dos estados membros do Mercosul, da Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac) e pela Cúpula Íberoamericana.
     Também se manifestaram a favor da retomada das negociações entre ambos os países a Cúpula de Países Sulamericanos e Países Árabes (ASPA), a Cúpula de Países Sulamericanos e Africanos (ASA) e o Grupo dos 77, mais China.
     Mas Londres não cede. O primeiro ministro inglês David Cameron assinalou que o Reino Unido não entregará a Argentina a soberania das Malvinas e criticou a decisão dos governos do Mercosul de bloquear o acesso a seus portos de embarcações com essa bandeira. Cameron assegurou que a questão da soberania depende dos habitantes das ilhas. “Que fique muito claro. Sempre vamos manter nosso compromisso sobre qualquer questão de soberania. A base de nossa política é o direito à autodeterminação”.
     Por outro lado, a ratificação do governo do Chile – país associado ao Mercosul e com a principal comunidade estrangeira nas ilhas – da decisão de não reconhecer navios com bandeiras das Malvinas também gerou controvérsia diplomática. Jon Benjamín, embaixador da Inglaterra em Santiago, reconheceu a inquietação de seu governo com a decisão dos governos sulamericanos que se somaram “a uma espécie de bloqueio econômico contra as ilhas”. “Parece ser uma espécie de bloqueio econômico para as ilhas e sua pequena população civil em inocente”, assinalou Benjamín.
     Cabe destacar que este ano se completa o trigésimo aniversário da Guerra das Malvinas (2 de abril – 14 de junho de 1982), conflito armado que deixou 649 argentinos e 255 britânicos mortos e que terminou com a rendição argentina. Naquele momento o país era governado pela ditadura militar do general Leopoldo Galtieri. Para muitos analistas políticos, a derrota da Argentina neste conflito possibilitou a queda da junta militar que governou o país desde 1976.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

domingo, 4 de dezembro de 2011

Cenas de Uma Nova Guerra Fria

Podia ser cena de um filme de Quentin Tarantino: centenas de manifestantes enfurecidos invadem a Embaixada da Grã-Bretanha no Irã; sirenes são sufocadas pelos brados em farsi contra o eixo Estados Unidos-Inglaterra-Israel; um jovem escala o estandarte, arranca a bandeira britânica e a substitui pelo pavilhão iraniano; outro rouba o quadro da rainha Elizabeth II como souvenir; outro ainda aproveita para levar um cartaz do filme americano Pulp Fiction: Tempo de Violência como troféu. Corta.


É a deixa para a historiadora americana Annie Tracy Samuel, formada pela Universidade Colúmbia e estudiosa do Centro de Estudos Iranianos da Universidade de Tel-Aviv. Para ela, nada é teoria da conspiração. O enredo a que assistimos hoje no Oriente Médio, ainda sacudido pela Primavera Árabe, é um jogo geopolítico instável, em que cada movimento é crucial. “Estamos em um processo complicado de transição: é o fim do ‘velho’ Oriente Médio, pois o ‘novo’ Oriente Médio está chegando e deve ser o dos movimentos, da juventude, do respeito aos direitos humanos, da liberdade, da dignidade, da representação política da sociedade civil”, enxerga a pesquisadora, com otimismo.

Atualmente no Belfer Center for Science and International Affairs, de Harvard, Annie Samuel se debruça sobre a complexidade do conflito dentro e fora da região. “Interessa-me como o Oriente ‘Médio’ parece hoje uma boa definição. É o que está entre o antigo e o moderno, o velho e o novo”, diz. De Boston, a historiadora de 27 anos, jovem como os que protestam na Primavera Árabe, conversou com o Aliás sobre os últimos acontecimentos no Irã e na Síria.

O que a invasão da embaixada britânica em Teerã sinaliza? Ela foi basicamente uma reação às sanções impostas pela Inglaterra recentemente, ao lado dos EUA e do Canadá, em resposta ao novo relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), das Nações Unidas, que trazia suspeitas de que o Irã estaria trabalhando no programa de armas nucleares. Isso, além da explosão na base militar da Guarda Revolucionária do Irã no início de novembro, pareceu confirmar aos iranianos que realmente existe uma campanha ocidental contra seu programa nuclear. O ataque à embaixada também pode ser interpretado como uma resposta ao assassinato de um cientista nuclear iraniano, que Teerã aponta como obra de espiões britânicos e israelenses.

Como fica a questão nuclear? As perspectivas para um diálogo internacional sobre o programa nuclear iraniano já não eram boas. A Grã-Bretanha era uma potência ocidental que ainda mantinha embaixada em Teerã. As relações diplomáticas nunca foram fáceis nos últimos 30 anos, mas o fato de os ingleses ainda terem uma embaixada lá era uma forma de manter os canais abertos para o diálogo. O fechamento dela, e o acirramento da hostilidade entre os dois países, certamente não vai facilitá-lo.

Desde a Revolução Islâmica, as relações diplomáticas entre Irã e Grã-Bretanha foram marcadas por altos e baixos. Elas estão comprometidas depois da invasão? Depois da fatwa do aiatolá Khomeini contra o escritor Salman Rushdie, em 1989, as relações diplomáticas foram rompidas completamente por 18 meses. Agora, ainda é difícil dizer o que acontecerá. Alguns analistas avaliam que o episódio não levará a um rompimento completo de relações, com aumento nas hostilidades e mais violência. Mas é preciso ver o que acontecerá a partir de agora, depois que a União Europeia endureceu as sanções contra o Irã, em resposta ao ataque à embaixada. Certamente houve altos e baixos, mas as relações entre o Reino Unido e o Irã são tradicionalmente mais próximas se comparadas às relações entre os EUA e o Irã - que absolutamente não dialogam nos últimos 30 anos.

Durante a campanha da Otan na Líbia, a França teve papel central. Agora, a Inglaterra protagoniza uma investida diplomática contra o Irã - e os EUA continuam em segundo plano. É um jogo combinado? Não concordo com essa teoria da conspiração nem com a ideia de um jogo combinado. Mas acho que os EUA estão de fato recuando desse papel principal no mundo, que exerceram durante o governo de George W. Bush. É possível ver isso na campanha na Líbia, quando Barack Obama deixou claro que os EUA se manteriam em segundo plano. E, há um mês, quando o presidente se comprometeu com a retirada total das tropas norte-americanas do Iraque. O governo de Obama tenta se portar de maneira mais contida no contexto internacional, em segundo plano nas questões políticas no Oriente Médio. Até porque se encontra ocupado com os problemas da economia e com as eleições do ano que vem. E a Obama não convém ficar no meio desses diversos levantes árabes. Diante das revoltas da chamada Primavera Árabe, os EUA hesitaram em escolher um lado. Primeiro porque havia ditadores, como o egípcio Hosni Mubarak, que, de certa forma, serviram a interesses americanos por muito tempo. Segundo porque, para os rebeldes, não seria bom ter o país ao seu lado - os EUA não desfrutam de boa reputação no Oriente Médio. Então, acredito que essa posição mais recuada foi um bom movimento no jogo.

Como ficam, nesse tabuleiro geopolítico, as relações entre EUA, Israel e Irã? A questão árabe-israelense está certamente ligada à questão iraniana e as relações do Irã com o Ocidente. Os iranianos veem o conflito entre Israel e Palestina como uma forma para buscar os próprios interesses e aumentar sua influência no Oriente Médio. Usam o conflito para se projetar como líderes na campanha contra os EUA - aliado de Israel -, em apoio à Palestina. É uma forma de se aproveitar da situação.

A Primavera Árabe pode chegar ao Irã? Na verdade, acredito que, de diversas formas, muitos dos levantes saíram do Irã para chegar ao mundo árabe. Tanto a Revolução Islâmica de 1979 como as turbulentas eleições de 2009 (após a vitória de Mahmoud Ahmadinejad, milhares de partidários do principal candidato da oposição saíram às ruas para denunciar que teria havido fraude na eleição) de alguma forma influenciaram as revoltas no mundo árabe. Claro que os revolucionários não querem ser relacionados aos iranianos de forma alguma. Mas vale lembrar que, depois dos primeiros protestos na Tunísia e no Egito, houve alguns dias de protestos no Irã em apoio a essas revoltas - duramente reprimidos. Desde as eleições de 2009, o regime iraniano e a Guarda Revolucionária fizeram um “bom trabalho”, se é que se pode chamar assim, garantindo que os protestos não ameaçassem o regime no Irã. Mas a situação na República Islâmica do Irã não é estável e qualquer faísca ou movimento pode ameaçar o regime. Por isso a repressão é tão forte. Até o momento, os mecanismos de controle do regime sobre a sociedade têm se mostrado fortes, com a propaganda, a repressão e a Guarda Revolucionária.

O regime de Bashar Assad na Síria parece perder apoio em todo o mundo árabe. Como o Irã se posiciona sobre essa questão? A condenação ao regime de Bashar Assad certamente está aumentando. Mas sua possível queda não é o que Ahmadinejad quer. Síria e Irã são grandes aliados no Oriente Médio desde a Revolução Islâmica - e, juntos, estendem sua influência em Israel e na Palestina, por meio do Hezbollah. Então, os líderes iranianos estão preocupados em perder um aliado tão importante. Por outro lado, muitos desses líderes apoiaram os movimentos na Tunísia, no Egito e no Bahrein, e o fato de agirem diferentemente na Síria os coloca em uma posição muito esquisita. Eu não ficaria surpresa se eles em breve se dessem conta de que é melhor planejar uma Síria pós-Assad. Pois, com a possível queda de Assad, eles não querem os novos líderes sírios contra o Irã por ter apoiado o antigo ditador.

Na quinta-feira, a Alta Comissária para Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, disse que a Síria está em guerra civil. Como isso vai afetar o atual contexto no Oriente Médio? Há dois caminhos possíveis: Assad pode cair ou pode acirrar a repressão. Se continuar com essa campanha repressiva com brutalidade e mortes, pode continuar a desestabilizar o Oriente Médio. Enquanto a Turquia tenta descobrir como lidar com isso, Israel se posiciona contra a Síria. Virão mais sanções, já que uma intervenção militar está fora da jogada... Considerar o que está acontecendo na Síria como uma guerra civil, com 4 mil mortos segundo as Nações Unidas, é uma forma de pressionar Assad a renunciar. Se as pessoas não perceberam ainda como a situação é grave, terão que perceber agora.

A ONU também indicou que o Irã estrutura a produção de tecnologia nuclear possivelmente com o intuito de fabricar armas atômicas. Há razões para preocupação? O relatório da Agência Internacional de Energia Atômica não diz especificamente que o Irã tem uma bomba nuclear. Até agora, não há evidência clara de que o Irã tenha uma bomba nuclear. E o Irã tampouco se posicionou claramente se quer investir em um programa nuclear a toda potência. O que acontece é que o país mantém todas as opções ao alcance com a tecnologia nuclear. Eles querem manter as possibilidades abertas. Essa posição ambígua funcionou ao longo da última década e os iranianos pretendem mantê-la até quando for possível.

Essa posição de tensão no Oriente Médio, com a possibilidade do uso de armas nucleares, mas sem confronto direto, remete a uma espécie de nova Guerra Fria? A situação atual é tão fluida que é incrivelmente difícil defini-la. Mas a falta de comunicação, especialmente entre os EUA e o Irã, é característica de uma “guerra fria”. E, eu diria, ainda mais drástica que aquela Guerra Fria. Naquela época, sempre houve uma forte comunicação entre os EUA e aliados da União Soviética, inclusive Cuba e Coreia do Norte. Agora, a falta de comunicação é muito mais grave. O que vemos não é mais uma guerra fria bipolar: há hostilidade entre os EUA e o Irã, entre a Inglaterra e o Irã, entre a Arábia Saudita e o Irã. Precisamos ver o que acontece com Assad, com o potencial do programa nuclear de Ahmadinejad. China e Rússia até agora não sinalizaram no sentido de se unir à UE e aos EUA nas sanções contra o Irã. É muito mais complicado que uma guerra fria. É um conflito multipolar e muito acelerado.

Qual tem sido o papel da Turquia? Nos últimos anos, a Turquia mudou: antes era um aliado tanto do Ocidente quanto do Irã. Mas em 2009, a Turquia e o Brasil se reuniram para negociar qual seria o posicionamento na questão do enriquecimento do urânio iraniano. Era evidente como eles estavam tentando trabalhar com os dois lados. Agora, a Turquia está se afastando, realmente se posicionando contra Assad na Síria, impondo sanções ao Irã, discutindo o projeto de escudo antimíssil da Otan em território turco. Estão tentando se firmar com uma posição inteligente e não ideológica no Oriente Médio. Não querem ser vistos no mesmo campo que Irã e Síria.

Em um artigo recente, publicado no site Open Democracy, a sra. comenta o delicado contexto da região e fala da emergência de 'um novo Oriente Médio'. Como ele será? Durante décadas, diversos países do Oriente Médio estavam en situação muito difícil, duramente reprimidos por ditadores que estavam no poder havia muito, muito tempo. E pouca gente percebeu o que estava acontecendo no interior dessas sociedades - mesmo os ditadores não se deram conta do que ocorria e do que estava por vir. O novo Oriente Médio deve ser o dos movimentos, da juventude, do respeito aos direitos humanos, da liberdade, da dignidade, da representação política da sociedade civil. Minha natureza é otimista. Vivi em Israel por cinco anos. Se assistir de perto a situações tão complicadas como essas não acabou com meu otimismo... Acredito que continuaremos a ver, por muito tempo, um período de transição no Oriente Médio. Com cidadãos se recusando a ser suprimidos por seus líderes e brigando por seus direitos. É certamente um novo começo.


Fonte: O Estado de São Paulo
http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,cenas-de-uma-nova-guerra-fria,806271,0.htm