Tem uma parcela das FFAA que continuam se comportando como se fossem recrutas do "exército" privado de Bolsonaro, e não como servidores militares da República.
A lista de "insubordinações" vem desde muito tempo. Elas incluem insinuações - como sempre - de chefes militares sobre mudanças, o estado de saúde Lula, tolerância com os acampamentos antidemocráticos, a entrega antecipada dos cargos dos comandantes para não serem exonerados pelo presidente eleito, a mais absoluta inação diante do golpe frustrado do dia 8 de janeiro, a movimentação militar diante do acampamento golpista com a colocação de blindados e tropa para impedir que envolvidos na destruição das sedes dos três poderes fossem capturados - finalmente pela ação da PM (por que esse aparato não foi visto antes e nem naquele dia?), a recusa do comandante do Exército em permitir mesmo com a intervenção do ministro da Justiça Flávio Dino que fossem presos [segundo relatos o general disse "Ali ninguém será preso"], a omissão do GSI/BGP* em relação a tudo que transformou no dia 8 e finalmente culminando coma nomeação de um conhecido oficial da confiança de Bolsonaro para comandar uma tropa importante perto da capital. Essa foi a gota d'água pois Lula fez saber pelo ministro da defesa que o militar devia ser exonerado e o comandante do Exército se recusou.
Primeiro que esses criminosos não são "patriotas". Nunca foram senão foras da lei pois o que propunham era contrário à Constituição. Não é questão ideológica e lamento até pessoas queridas que entendem de outra forma mas que não levam seu raciocínio "libertário" a temas como pedofilia, feminicídio ou consumo de entorpecentes.
Segundo, o silêncio dos militares. Acho que quando não se manifestam já é um avanço pois nas últimas décadas deixamos de nos preocupar com o que diziam as ordens do dia. Os últimos anos não serão varridos da noite para o dia, mas também não serão varridos se forem para baixo dos tapetes: que se averigue e cobre uma ação - ainda que corporativa de autocrítica - ou se exponham a uma ação externa. A anarquia em seu sentido mais pejorativo, devia, a priori, causar urticária nos militares e chama a atenção a recusa do comandante da Marinha em a passar o comando para o sucessor.
Terceiro os danos patrimoniais e culturais são inestimáveis e em alguns casos irrecuperáveis. Mas talvez sejam o sacrifício para salvar a democracia que sofreu seu ataque mais violento. E isso não foi pouco dentro de uma quadra onde os ataques contra ela foram de uma escalada crescente. Porém podemos entender e esperar que uma direita democrática pode ser a herdeira dessa extrema direita fascistóide e em grande parte amorfa, simploria, rasteira e meramente cimentada por uma pauta vaga o suficiente para juntar qualquer um vagamente insatisfeito e acrítico.
Quarto aspecto é que o processo contra os detidos - irrelevantes suas desculpas sobre uma certa "irresponsabilidade" por falsas crenças, manipulação digital, desemprego etc - pois esse raciocínio não exime ninguém. Desconhecer a lei não isenta o homicida, o motorista infrator ou o sonegador. Logo .... Portanto deverão arcar com sua participação ainda que inerte na destruição perpetrada. Fazer parte de organização criminosa não cria interstícios entre quem comanda e quem serve o café! Pode afetar o peso do castigo, mas não fabrica "per si" inocentes.
Quinto é a questão dos financiadores. Residentes por aqui ou não é vital, é talvez mais eficaz no curto prazo, seguir o rastro do dinheiro. Na justiça os processos hão de levar tempo até que se chegue a termo, o que não impede que pelo constrangimento e nos empecilhos cotidianos aos envolvidos junto aos órgãos do Estado, a penalização já possa ocorrer. Mas os financiadores dessa trama criminosa podem sentir muito mais rapidamente o peso da mão do Estado democrático. Identificar os orquestradores do caos deve ser seguida pelo levantamento de seus débitos (caso existam) junto ao mesmo, execução destas dívidas e impedimento de acesso ao crédito via instituições bancárias e financeiras. Mais uma vez, não são inocentes, são criminosos contra as instituições.
E finalmente, assim como estes, é necessário apurar as responsabilidades daqueles que se omitiram, seja por incompetência, covardia, preguiça ou simpatia política. Apurar e punir aqueles que prevaricaram - em todos os níveis - é fundamental! E destaque-se o papel do STF, que resistiu institucionalmente praticamente só aos desmandos e arroubos autoritários do bolsonarismo. Não por acaso, dos três prédios sede dos poderes republicanos, foi o do STF que foi mais danificado, destruído, vandalizado pela turba criminosa.
E quem pensou que o fio da navalha tinha sido a eleição, fomos confrontados com uma realidade mais crua: a tentativa de golpe do domingo, dia 08 de janeiro.
Escapamos de ambas, mas estejamos alertas para que não haja uma terceira, nem que não seja para abusar da sorte.
Começa o desmonte dos acampamentos golpistas por determinação judicial. Idiotas aqui insuflados por arruaceiros que estimulam guerra civil , mentiras e contestação ao Estado de Direito que estão em outros países, especialmente Estados Unidos!
Em menos de dois dias teremos a oportunidade de reconstruir um país fraterno e com menos ódio. Contra as ameaças à democracia, contra o autoritarismo, contra o neofascismo, pelos 680 mil mortos, pela vida e contra a morte!
"O trabalho escravo foi um traço marcante no Brasil Colonial, em que houve grande e maciça participação dos negros.
Desde o começo da efetiva colonização dos portugueses até o fim da escravidão, os negros eram a principal e essencial mão-de-obra, e tornavam possíveis as atividades econômicas.
O intenso e lucrativo comércio fazia com que os maiores e mais ricos comerciantes fossem, justamente, os mercadores de escravos, haja vista que o lucro por cada escravo chegava até 300% do valor pago.
A partir dos anos 1960, a escravidão passou a ter mais espaço entre os temas estudados pelos pesquisadores.
Porém, apenas uma ótica era realmente valorizada, pois era considerado o principal setor da escravidão no Brasil, a escravidão nos latifúndios em que se desenvolvia a agricultura tendo em vista a exportação.
A tristemente verdadeira frase do ex-ministro Ricardo Salles sobre "passar a boiada" se revela cada vez mais como um reducionismo. Não há UMA, mas VÁRIAS boiadaspassando!
Governo destrutivo que deixará um passivo de terra arrasada.
Encerrada em 1985 com a transição para um regime democrático, processo que levou alguns anos e balizou temporalidades distintas de conclusão, a ditadura militar e as questões das casernas pareciam cada vez mais restritas aos seus temas internos.
Sua duração e tempos de encerramento foram objeto de reflexão de diferentes historiadores que apontavam distinções sobre se o regime instituído em 1964 e formalmente terminado naquele 1985 tinha sido uma ditadura em todo esse período ou não, se este regime tinha terminado em 1985 com a eleição indireta da chapa Tancredo-Sarney, se com a posse de José Sarney, com a Constituição de 1988 ou ainda com a eleição e posse de Fernando Collor de Melo (primeiro civil eleito desde 1961 e Jânio da Silva Quadros).
Mas eis que desde a eleição e posse de Jair Bolsonaro a narrativa celebrativa daquela época, depois de anos de progressivo obscurecimento, voltaram a povoar o centro das atenções.
E hoje, 31 de março de 2021, quase 6 décadas depois daquele momento de ruptura institucional estamos desde segunda-feira discutindo se haverá ou não golpe militar, se o presidente protagonizará um autogolpe, o que acham as casernas sobre isso, a politização das Forças Armadas e o risco disso, o teor das ordens do dia das diferentes forças sobre a data, a crise militar orquestrada pelo próprio Palácio do Planalto, a saída dos ministros militares em apoio ao ministro da defesa - defenestrado de surpresa na segunda-feira - e a nota hoje do novo velho ministro Braga Neto cheia de mentiras históricas mas bem ao os o do presidente.
No pano de fundo, vamos registrar aqui o vídeo de Gabriela Priolli que esmiuça mais uma manobra diversionisa deste que desgoverna governando ou governa desgovernado!
Os dados são aferidos com as secretarias estaduais de Saúde pelo consórcio dos veículos de imprensa formado por Folha, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia.
O número macabro foi atingido às 18h03 desta quarta-feira, pouco mais de 24 horas antes de se completar um ano do registro oficial do primeiro caso no país. Até o início da noite de quarta, o Brasil havia contabilizado 1.420 mortes por Covid e 64.038 casos em um dia, o 35º dia com média móvel de mortes acima de 1.000.
Essa média móvel, um recurso que pondera os dados de sete dias para corrigir distorções estatísticas causadas por soluços no registro de dados, alcançou nesta mesma data seu maior patamar em toda a pandemia: 1.127. O recorde anterior fora registrado havia apenas 10 dias, 1.105 óbitos.
Hoje o mundo acumula quase 40 mil mortos e mais de 700 mil infectados devido a COVID-19. No Brasil o presidente insiste em menosprezar a gravidade do problema e sistematicamente toma atitudes ou implementa um discurso contra o isolamento social, recomendado pela OMS. Os panelaços contra ele tem ocorrido com mais frequência e continuidade....semana passada foram contabilizados 9 dias seguidos de panelaços. Mas há loucura ou há método, perguntaria Shakespeare em Hamlet?
No podcast O Assunto, no link abaixo, vemos que há método
Programa bilionário da Marinha pretende garantir projeção brasileira sobre 4,5 milhões de quilômetros quadrados no mar
Roberto Godoy
O Estado de S.Paulo
O submarino S-40 Riachuelo desceu ao mar
suas 2.200 toneladas na manhã desta sexta-feira, (14DEZ2018), e por lá
deve permanecer pelos próximos 30 anos, passando por processos
periódicos de modernização e – na companhia de seus três similares do
mesmo porte e perfil ainda em fabricação –, cumprindo a missão de
garantir a projeção estratégica do Brasil sobre os 4,5 milhões de km²
que compõem o território de relevância do País no sul do oceano
Atlântico.
A Amazônia Azul, na definição da Marinha. Por essa imensa área, bem
próxima do tamanho da Europa Ocidental, circulam 95% do comércio
exterior brasileiro. Nessa área gigante são extraídos 91% do petróleo e
mais 73% do gás natural nacionais. Os principais cabos submarinos de
comunicações estão assentados alí.
“Em síntese, é a parcela dos oceanos sobre a qual temos
responsabilidades, direitos e deveres”, diz o próximo comandante da
Marinha, almirante Ilques Barbosa Junior. De fato, para obter os
resultados do potencial econômico das águas jurisdicionais, o Brasil tem
o compromisso de preservar a segurança para a navegação das rotas
marítimas.
Essa é a razão dos investimentos feitos pelo Ministério da Defesa em
programas estratégicos – um deles, o Prosub, que pretende dar à força
naval capacitação tecnológica para construir esse tipo de navios; os de
propulsão nuclear inclusos. Custa caro. Até 2029 serão investidos R$ 37
bilhões. O projeto envolve a implantação de um estaleiro, de uma nova
base e de instalações de apoio em Itaguaí, no litoral sul do Rio de
Janeiro. Os submarinos não atômicos, de propulsão diesel-elétrica
escolhidos são os franceses Scorpéne, de alta tecnologia.
A transferência do conhecimento avançado é assegurada no contrato. No
fim do ano o investimento acumulado desde 2008 chegará a R$ 17 bilhões.
Estão sendo produzidos no complexo e estarão todos prontos até 2022. O
modelo nuclear, de 6 mil toneladas, será entregue em 2029. O consórcio é
formado pelo Naval Group, da França, pela Odebrecht Defesa e Tecnologia
e pela Marinha. Os navios sofreram pequenas alterações, ficaram mais
longos (75 metros) e pesados (2.200 toneladas) para oferecer certo
conforto à tripulação regular de 31 pessoas.
A decisão de fazer da flotilha de submarinos o elemento de dissuasão
naval do Brasil começa por volta de 2007, quando o governo federal
decidiu reequipar e modernizar as forças armadas. As características de
furtividade, imprevisibilidade e poder de fogo – o Riachuelo lança
torpedos pesados, dispara mísseis de longo alcance e faz a deposição de
minas – são fundamentais nas ações de vigilância, patrulha e eventual
ataque de interdição. Mesmo contra inimigos de maior porte, a
efetividade é garantida pela habilidade. Há registros de vários
“afundamentos” eletrônicos, durante exercícios, de porta-aviões
nucleares americanos de 100 mil toneladas, “atacados” por pequenos
submarinos diesel-elétricos.
Em setembro de 2010, início do ciclo de estruturação do programa, o
então ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse em Lisboa, no Instituto de
Defesa Nacional, que “o Atlântico Sul responde a questões de segurança
muito diferentes das do Atlântico Norte”, referindo-se à declarada
intenção da Otan, o pacto militar do norte, de estender sua área de
atuação.
“A OTAN não pode substituir a ONU”, acrescentou, revelando apreensão
com a possibilidade – sob influência dos Estados Unidos –, de a
organização realizar ações multilaterais na região sem respaldo do
Conselho de Segurança nas Nações Unidas. Jobim, na ocasião, afirmou que
“o Atlântico Sul é a zona de interesse do Brasil”.
Novo submarino
Riachuelo tem 75 metros e é alto como um prédio de quatro andares
Fascismo pode ser uma palavra que não significa nada para muitos.
Mas, fascismo é uma realidade concreta quando cria um “inimigo” público, a ser culpado de todos os nossos males.
Fascismo
é concreto quando os trabalhadores têm medo de não encontrar emprego,
do filho desistir da escola e entrar no crime; medo de ser assaltado em
casa ou no caminho, medo de não ser atendido quando precisar de médico.
Fascismo é concreto quando os ricos e as classes médias têm medo de
perder seus privilégios.
Fascismo é concreto quando, junto com o
medo, perdemos a esperança na liberdade, na democracia para resolver
nossos problemas. E quando acreditamos que a violência é a saída para
resolver os conflitos, as diferenças de ideias, de crenças, de valores.
É diante do medo, da descrença, do apelo à violência que o fascismo cresce.
O
fascismo cresce, ao criar um “demônio”, um bode expiatório, a ser
culpado de todos os nossos males. E, ao mesmo tempo, cria um “salvador”,
um mito que supostamente vá proteger e salvar a todos daquele “inimigo”
criado por mentiras repetidas milhares de vezes.
O processo
eleitoral que assistimos agora no Brasil está sendo fabricado deste
jeito: Bolsonaro está sendo habilmente construído como o salvador do
Brasil. E o PT supostamente como o culpado de tudo que é ruim. Esta
estória, na verdade, não é nova. Outros fascistas foram assim
construídos. O inimigo número 1 de Hitler era o povo judeu que ele quase
exterminou nos campos de concentração. No Brasil, Collor foi também
fabricado como “salvador da pátria”. E deu no que deu...
A
criação deste “salvador” no Brasil de hoje tem fabricantes muito bem
pagos: os “especialistas” para fazer funcionar máquinas e robôs que
divulgam diariamente, através dos WhatApps, milhares de mentiras a
milhões de pessoas que nelas acreditam porque precisam de esperança.
Também
a “fabricação” do PT como o “culpado” tem fabricantes bem pagos: os
tribunais que seletivamente “punem” suas lideranças mais importantes e
protegem os dirigentes dos demais partidos, tornando, assim, o jogo
eleitoral injusto, pois com armas desiguais de propaganda; e, de outro,
os meios de comunicação (TV, rádios, blogs falsos) e a campanha do
opositor que, tentam extrair dividendos eleitorais destes processos
judiciais seletivos, e se referem aos membros do PT como se fossem “os
ladrões” do país e ao prisioneiro político Lula como se fosse um culpado
de crime comum.
A tentativa de fazer do PT o culpado aparece
ainda na artimanha de fazer recair em seus ombros o peso do desemprego
de milhões de trabalhadores e a crise econômica. Como todos sabem, o
desemprego chegou a este ponto foi pelas políticas do governo Temer com o
apoio de Bolsonaro na Câmara dos Deputados. Bolsonaro também votou para
tirar os direitos dos trabalhadores. Demonizar o PT permite ainda que
ele esconda na campanha sua associação com Temer, pois Bolsonaro é
Temer.
Associar Bolsonaro com Temer e com suas políticas contra
os trabalhadores é importante para que todos reconhecem a verdade que
ele quer esconder: ele está contra as famílias dos trabalhadores. Ele é
um falso salvador da pátria, um falso mito.
Em 23 anos, a PMERJ teve 3.234 mortos e 14.452 feridos,, totalizando 17.686 baixas. (Foto: J.Eloy)
Este artigo é de autoria do Coronel PM Fábio R. B. “Cajueiro”, presidente da Comissão de Análise da Vitimização Policial.
Texto originalmente publicado em http://www.pmerj.rj.gov.br/analise-da-vitimizacao-do-policial/.
Imagine-se uma força na qual 19,65% do seu efetivo foi morto ou
ferido por causa não natural em um período de tempo. Estamos falando de
qual força e guerra? Forças armadas dos EUA, Brasil? I Guerra Mundial?
II Guerra Mundial? Coréia? Vietnã? Iraque? Afeganistão? Kuwait? Nenhuma
dessas, falamos da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro,
e a “guerra” não foi declarada, mas está fazendo baixas em proporções
superiores às citadas, desde 1994. A PMERJ foi empurrada para esta
Guerra, nunca quis ou procurou por ela.
A situação das mortes e ferimentos de policiais militares no Rio de
Janeiro é muito mais grave do que parece. Geralmente, quando divulgam os
números, são contabilizados apenas aqueles em efetivo serviço, ou seja,
fardados e armados tirando serviço no momento, e apenas do ano em
questão, comparados com o efetivo do ano avaliado. Mas ora, o fenômeno
das baixas, soma de mortos mais feridos, é muito maior, pois existem os
que estão de folga, mas morrem e são feridos devido a sua condição de
policial militar, podendo ser identificado por um criminoso que prendeu e
voltou às ruas, ou pelo cabelo curto e barba feita que deve usar,
carteira de identidade que tem que portar, arma que carrega, e pelo
instinto de reconhecimento mútuo entre Policial e Bandido, entre o Bem e
o Mal.
O policial de verdade, o que internalizou o “Servir e Proteger”,
porta sua arma e identidade 24 X 7, e é um fator de dissuasão do crime
em qualquer lugar onde esteja. Estamos sendo dizimados diariamente, em
combate fardados, em combate sem farda, em acidentes causados por uma
sobrecarga de adrenalina permanente no nosso sangue, em doenças
psiquiátricas, neurológicas e cardíacas causadas pelos mesmos números
absurdos de problemas. Para nós, todo dia pode ser o juízo final, saímos
das nossas humildes casas e olhamos sempre nossos entes queridos como
se fosse a última vez, pois temos a mais alta probabilidade do mundo de
não voltar.
Quando tabulamos os dados das baixas por causas não naturais,
adotamos a mesma metodologia norte-americana, que inclui qualquer tipo
de morte e ferido por causa não natural, chegamos aos impressionantes
números da Tabela 1. Note-se que estamos contando o Estado do Rio de
Janeiro todo, o que merece uma explicação à parte. Existem áreas do RJ
que tem níveis baixos de violência, e consequentemente número de baixas
reduzido ou praticamente nulo, representadas pelo interior do Estado,
que somam 50% do efetivo. Mas estamos contando esse efetivo também para
efeito de cálculos, o que num refinamento óbvio, permite, infelizmente,
pelo menos dobrar nossas taxas, pois o denominador vai à metade e o
numerador quase não é reduzido. Se refinarmos mais ainda, e reduzirmos o
Universo para unidades como 3º, 9º, 16º, 20º, 22º BPM e algumas UPP,
teremos taxas de baixas proporcionais mais perversas ainda.
Em vermelho temos os mortos, em amarelo os feridos e em laranja as
baixas, somatório de mortos mais feridos. Cabe ressaltar que se os
números chocam, a dimensão da tragédia humana é ainda muitas vezes
maior, pois estamos falando de milhares de policiais, pais, chefes de
família, filhos, esposas, que deixam de voltar para seus lares como
saíram, pois ou são mortos, ou retornam feridos, mutilados,
incapacitados para uma vida normal, quer pessoal, quer profissional.
A maioria dos mortos e feridos acontece no período de folga, pois o
policial está geralmente sozinho, ou melhor, sem apoio de outros
policiais, com sua própria arma curta com restrição de calibre, sem
rádio, sem colete a prova de balas, sem arma de emprego coletivo, sem
carro blindado, ou seja, em inferioridade total para um confronto.
Em 23 anos, entre 1994 e 2016, a PMERJ teve 3.234 mortos e 14.452
feridos, por causas não naturais, totalizando 17.686 baixas,
considerando um efetivo de 90.000 homens que serviram na Corporação,
conforme a tabela 2.
Como não há comparação possível com polícias no planeta, recorremos
ao Exército Brasileiro na II Guerra Mundial e as Forças Armadas dos EUA
em várias guerras no século XX, que apresentam dados confiáveis, e
chegamos às comparações trágicas da Tabela 3.
Em números absolutos, obviamente, os números da PMERJ são menores que
o dos EUA, mas quando comparamos as taxas de mortos, feridos e baixas, a
análise permite dizer que foi mais arriscado estar na PMERJ nos
últimos 23 anos do que servindo na FEB ou nas forças armadas
norte-americanas em qualquer guerra do século XX, incluindo as I e II
Guerras Mundiais.
Como exemplos extremos, a chance de ser ferido aqui foi mais de
setecentos e sessenta e cinco vezes (765,07) superior a de estando na
Guerra do Golfo Pérsico (Kuwait), e a de ser morto foi mais de três
vezes (3,77) a de estando na Guerra da Coréia, e três vezes (3,67) a de
ter servido na Guerra do Vietnã.
Os gráficos a seguir esclarecem mais ainda o citado acima.
Numa guerra na qual a superioridade de informações, a fusão de dados,
a superioridade tecnológica e a bélica, e os meios de proteção, são
totais, como a do Golfo Pérsico, pela libertação do Kuwait, vemos as
taxas de qualquer tipo de baixa cair drasticamente, pois tropas muito
superiores enfrentam um inimigo tão inferior que em tal confronto quase
não há danos para o lado vencedor. Se o confronto deveria ser raro com a
Polícia, mais raras ainda deveriam ser as baixas, pois só poderiam
atuar em condições de superioridade total, tais quais as da Guerra do
Golfo(Kuwait).
Há algo de muito errado quando observamos estes números frios, mas
que já impactam somente como grandezas e percentuais, demonstrando
claramente que a PMERJ vive há 23 anos uma rotina de uma guerra,
enfrentando armamento de guerra e sendo exposta a ferimentos e mortes
equivalentes e superiores a guerras declaradas com forças militares
enfrentando forças militares, mas contando com meios inferiores.
Cabe aqui uma comparação mais detalhada com a Guerra do Vietnã. O
cenário e condições deste conflito, com enfrentamento de guerrilhas
misturadas a população, com a presença de civis inocentes nos teatros de
operações, e o período, são mais próximos aos do Rio de Janeiro. As
Forças Armadas dos EUA, a despeito da sua total superioridade, quando
submetidas à realidade de uma guerra assimétrica, perde essa vantagem e
nivela o combate ao nível de armas leves, emboscadas, guerrilha e
contraguerrilha, armadilhas, e somado a hesitação e dificuldades
inerentes a operar em terreno pouco conhecido e com a população local
misturada aos vietcongues, a aproximação com a realidade das nossas
áreas de narcotráfico é maior. As condições de extrema miséria e
dificuldades de infraestrutura em geral, como ausência ou precariedade
de luz, água encanada, esgoto, coleta de lixo, ordenamento urbano,
calçadas, ruas largas, residências identificadas, correio, também eram
similares as das favelas do Rio de Janeiro, conduzindo o
policial/combatente a uma exposição a um ambiente degradado, carente de
tudo. As selvas e arrozais vietnamitas são aqui substituídos por
barracos, lajes e vielas, nos quais muitas vezes não passam duas pessoas
lado a lado. As causas do estabelecimento de uma narcoguerra no Rio de
Janeiro não são discutidas neste texto, mas é fato que desde a abertura
política na década de 80, os morros e favelas cariocas acrescentaram
fuzis de assalto, submetralhadoras e pistolas semiautomáticas aos
arsenais do narcotráfico, e de lá para cá, com ou sem UPP, as baixas da
força que efetivamente confronta estes criminosos no terreno, a PMERJ,
se mantém em pelo menos 2(dois) mortos e/ou feridos por dia,
inexoravelmente, há 23 anos. Estas baixas diárias são muitas vezes
oriundas de um mistura de:
– Leis fracas, brandas e inadequadas,
– Meios de defesa e proteção(coletes a prova de balas, capacetes,
veículos blindados, UPP em containers sem proteção balística, quartéis e
cabinas frágeis) dos policiais militares precários, insuficientes ou
indisponíveis,
– Meios de enfrentamento(armas letais, não letais e munições) velhos,
obsoletos, mal manutenidos e inferiores em termos de qualidade,
quantidade e poder de fogo,
– Treinamento deficiente, e
– Baixos salários, que obrigam o PM a trabalhar em seguranças (bicos)
para complementar o rendimento e não permitem que possa adquirir os
meios acima citados e o expõem a mais riscos.
Existem linhas de pensamento, pesquisa e ação a serem
executadas e aprofundadas, sobre este texto e outros do gênero, para
resolver estes graves problemas citados, que são:
– Criar e aprovar Lei de crime hediondo para quem atentar contra a
vida de agente da lei, mandando o criminoso para outro Estado, em RDD;
– Definir quantos PM estão afastados por doenças psiquiátricas;
– Esclarecer que fatores nos conduziram e este empurrão para uma
guerra entre a PM e o narcotráfico travada em alta intensidade apenas
nas favelas do RJ;
– Criar um monumento aos mortos da PMERJ;
– Dotar de blindagem as células de cmt + motorista das viaturas;
– Providenciar blindagem de instalações;
– Estabelecer Plano ou Protocolo de Operações de reação a atentados contra vida de PMs;
– Recriar o GETAM(ROTA) ou equivalente, para patrulhamento pesado do RJ;
– Adquirir e acautelar com PMs coletes nível III ou IV inclusive em folga;
– Facilitar aquisição de armas, munições e blindagem de veículos, de qualquer calibre e nível;
– Realizar operações contra armas e drogas nas estradas, rodoviárias, portos e aeroportos;
– Implementar mais operações contra motos, e carros roubados e furtados;
– Estabelecer acordos com o MP, TJ, e poder legislativo para mandados coletivos de busca e apreensão/prisão nas operações da PM;
– Fim da Progressão de regime para acusados de atentado contra vida de policiais;
– Refinamento desse trabalho, análise e comparações;
– Criação de uma Fundação de Apoio àvida do Policial Militar para
aprofundar estes vieses de estudo, buscar melhorias das condições de
vida dos PMs, e para realizar o pagamento de recompensas a quem ajudar
efetivamente na captura de assassinos de policiais militares; e
– Sensibilização dos órgãos de Comunicação (formadores de opinião) a
respeito da vulnerabilidade do policial no Rio de Janeiro, com
apresentação constante na mídia da realidade da PM para que a população
se solidarize com a causa da Segurança Pública.
A exposição de policiais militares a ambientes hostis, em
inferioridade: – De informações(ausência de dados e informações em
quantidade e qualidade sobre criminosos, armas, munições, rádios, locais
e horários de deslocamento e homizio), – Bélica(armas e munições velhas
e insuficientes, miras mecânicas ultrapassadas, ausência de armamento
orgânico nos veículos blindados), – Tecnológica(rádios deficientes e
precários, ausência e/ou insuficiência de celulares, redes e acessos a
internet precários e insuficientes, veículos aéreos e terrestres
remotamente pilotados ausentes,sistemas computacionais precários e
obsoletos) e – De proteção(blindagem de instalações, veículos, e
pessoal), cria, gera, contribui e mantém esse genocídio particular na
PMERJ.
O atual Comandante Geral da PM e o Secretário de Segurança, estão
tratando o grave tema com a importância que tem, tendo sido inclusive
criada uma Comissão de Análise de Vitimização de Policiais Militares,
para estudar o problemas e propor soluções e meios de controle e redução
destes números.
Ou a Sociedade, o Ministério Público, o Legislativo, o Judiciário, o
Executivo e as Forças Armadas, nos ajudam a vencer este confronto, ou se
corre o risco deste narcotráfico espalhar-se pelo Rio de Janeiro e
Brasil, e aí podemos não ter mais como derrotar esses inimigos da
sociedade, que até o momento tem massacrado só a PM, que luta
diuturnamente quase que sozinha.
Resenha Crítica sobre o Livro A Construção da Ordem - a elite política imperial / Teatro das Sombras - a política imperial. José Murilo de Carvalho, Civilização Brasileira, RJ. 2003, 4ª edição..
UFF/CEG/ICHF/GHT
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
HISTÓRIA DO BRASIL
MÓDULO COLÔNIA - TRABALHO PARCIAL 1
SERTANISTAS, INFRATORES E VADIOS
INCLUSÃO, EXCLUSÃO E CLASSIFICAÇÃO SOCIAL EM MINAS GERAIS
por Cláudio de Almeida
Turma C
Niterói
2006
Resenha crítica sobre “Os Desclassificados do Ouro: a pobreza mineira no século XVIII” /
Laura de Mello e Souza - Rio de Janeiro: Edições Graal, 3ª edição, 1986.
Minas Gerais, século XVIII.
O cenário não é novo, palmilhado que foi por estudiosos da estatura
de Caio Prado Jr., Kenneth Maxwell, Nélson Werneck Sodré, C. R. Boxer,
entre outros. Por eles revelaram-se frestas do passado - melhor dizendo
de um passado - que tal como os diamantes revirados naquelas terras,
reviraram junto sonhos e esperanças de homens e mulheres.
Laura de Mello e Souza nos apresenta outra fresta deste passado. O
ponto original, em seu sentido estrito, foi o de buscar, dentro de um
sujeito coletivo amplo e variegado (o marginal), uma abordagem que
melhor permitisse separá-lo como um conjunto de indivíduos que mesmo
inseridos estavam à margem daquela sociedade. Assim ela buscou
identificar uma tipologia exclusiva, [i.é]: no contraponto de uma
definição por demais elástica então existente, propôs-se a delimitar o
“desqualificado social”. Destarte sua exterioridade, decorrente de sua
não-inserção, ela ganha relevância quando referenciada a uma sociedade
amparada no privilégio, no status, nas regras de precedência, etc.
Abordando o “processo de desqualificação” que engendra estes
desclassificados, a autora estabeleceu as balizas temporais - e uma
cronologia afim- limitadas entre 1693 e 1805. A primeira baliza foi
definida pela constituição da capitania do Rio de Janeiro, São Paulo e
Minas Gerais. Quanto a segunda - marco terminal de sua análise -
justifica-se pela clara percepção da decadência mineradora e suas
consequências.
Para montar sua análise e interpretações, ela vai elencando o uso de
correspondências oficiais, acervos dos Arquivo Público Mineiro e da
Arquidiocese Eclesiástica de Mariana. Outras fontes foram dados
estatísticos, memórias, relatos de viajantes, etc. Partindo de um dos
efeitos da Revolução Industrial, qual seja a formação de um exército
industrial de reserva, a autora, apresenta-nos, em virtude da mineração,
a constituição de uma reserva similar em Minas Gerais, atraída pela
rápida expansão da atividade extrativa e em busca de oportunidades.
Fosse mão-de-obra alternativa à escravidão, campesinato, ou força
auxiliar no controle dos índios ou negros aquilombados, à este segmento
social abriam-se oportunidades que de forma alguma promoviam uma
ascensão social. As oportunidades eram muito mais horizontais que
verticais.
No 1º capítulo [O Falso Fausto], ela conduz nosso olhar por sobre
duas festas marcantes: o Triunfo Eucarístico e o Áureo Trono Episcopal,
ocorridas respectivamente em 1733 e 1748. A partir de sua descrição
olhamos uma sociedade que estabiliza-se, deixando para trás os primeiros
tempos da mineração desenfreada, e assume um perfil urbano. Falsa
opulência que mascara, por detrás do “luxo irracional”, a reafirmação
das desigualdades e a divisão da pobreza.
A seguir temos A Utilidade dos Vadios. O vadio medieval europeu (o
pobre laborioso e cada vez mais pobre) e que acabou sendo “despejado” no
Novo Mundo, fosse a Nova Inglaterra, fosse o Brasil do Alvará dos
Degredados. Nem escravos nem Senhores - exceto da sua pobreza -
representavam uma massa crescente de despossuídos exercendo múltiplas
atividades (nem sempre lucrativas) e que por isso gera uma enorme
dificuldade de defini-los objetivamente.
No 3º capítulo apresenta-nos, em Nas Redes do Poder, de que forma a construção do
Estado correspondeu aos interesses de extração fiscal e controle
social, e para isso soma sua análise às anteriores de Caio Prado Jr. e
Raimundo Faoro.
Máquina ineficaz e vasta que busca organizar o fluxo migratório, a
urbanização, o aparato repressivo e tributário. Ordenar a desordem que
tanto podia originar-se na existência de quilombos e índios insubmissos,
como na mestiçagem generalizada: cores, condições e oportunidades que
se misturam, confundem, invertem...
No 4º capítulo, Os Protagonistas da Miséria concentram nosso olhar.
Seus modos de viver, casar, vestir, enfim sua dinâmica cotidiana. A
fragilidade da liberdade para os forros (eventual reescravização) e a
atuação eclesiástica contra a dissolução moral (bígamos, incestuosos,
concubinagem, etc).
Num quadro de violência latente os comportamentos infracionais eram
individuais, grupais (ciganos, bandidos, garimpeiros) e variados indo da
feitiçaria à prostituição, da falsificação à capangagem.
Na conclusão ela retoma o destaque do por que Minas Gerais propiciou a
oportunidade de olhar este segmento: vadios, criminosos, infratores,
polícia privada, pequenos proprietários e artesãos falidos, o “elemento
vomitado”, as vezes aliado outras o inimigo, que ostentava a pecha da
desclassificação. Com clareza vemos o oscilante movimento de transformar
o ônus em utilidade, e vice-versa, num pendular movimento de urgências e
necessidades. A inclusão e exclusão desta mão-de-obra afeita tanto à
aventura como ao ilícito, no entanto, desprovia este grupo das condições
para desenvolver uma consciência de classe, segundo a autora. E a isto
somava-se que este grupo [homens livres e pobres, forros e escravos
fugidos] se por um lado homogeneizava-se na transgressão, inserido-se
numa ideologia da vadiagem, por outro terminava qualificado como
degenerado, incapaz, indolente, vadio, violento...
A ausência de raízes, a existência de um cotidiano precário, o
trabalho incerto, etc, reiterava a necessidade de possuir-se escravos.
Mesmo quando estes desclassificados eram requisitados - pelo Estado ou
pelos homens bons - era sempre a “pior” solução, com o ônus deste
recurso superando em muito sua utilidade (pelo menos no discurso). Isso é
fartamente demonstrado ao longo do texto, como por exemplo sua
mobilização diante de necessidades militares ou afins.
Participando da repressão a quilombos, funcionando como guardas
pessoais de poderosos de toda ordem, recrutados para servir como
destacamentos irregulares de tropas ou agindo como uma espécie de
“polícia privada”, tais desclassificados eram mobilizados como uma
extensão do braço armado do poder estatal, de seus prepostos ou
mandatários locais - transformando-se então em elementos da preservação
da própria ordem. A mesma que os estigmatizavam, reprimiam e olhavam com
desconfiança.
Vale apontar um reparo ao texto, que absolutamente coloca qualquer
óbice ao conjunto. Na página 130 da 3ª edição, no 2º §, é fornecida a
seguinte informação: “A tributação do ouro se verificou de início sob a
forma de cobrança por batéias” (grifo meu). No Entanto, pelo quadro
constante na página 43, apud Virgílio Noya Pinto (op. Cit., pp. 71-75),
ele assinala justamente que, entre os anos de 1700-1714, vigorava o
quinto sobre o metal extraído, seguindo-se após isso cotas variáveis de
25 a 52 arrobas, casas de fundição, impostos de capitação e censo, até
chegar-se a cota mínima de 100 arrobas após 1750. A extração pautada em
batéias só foi intentada em 1715, sendo rejeitada e substituída, três
anos após, por uma cota de 25 arrobas mais os direitos de passagens nos
Registros. Mais sério é o desdobramento deste conceito de coletividade
desideologizada - algo ingênua, quase “rebanho”.
Neste recorte a conclusão “envelheceu”. A renovação dos estudos e a
proposição de novos temas, fontes e marcos teóricos, que terminaram por
sepultar por exemplo a “coisificação do negro”, hoje também força uma
revisão deste discurso muito oficial A sociedade hierarquizada era
estática na aparência. No cotidiano, suas solidariedades e estratégias
de vivência e sobrevivência eram dinâmicas: ricos empobreciam e pobres
subiam na escala social, cativos alforriavam a si e aos seus,
constituíam famílias e parentelas.
Pauperizados, fossem brancos, negros ou índios, livres ou forros,
fugidos ou recapturados, estes elementos desclassificados vivenciavam a
pobreza - mas viviam seus sonhos e esperanças.