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domingo, 22 de janeiro de 2023

Sobre a troca no comando do Exército - instituição republicana mas com pretendentes à uma Guarda Pretoriana!

Revista Piauí
Tem uma parcela das FFAA que continuam se comportando como se fossem recrutas do "exército" privado de Bolsonaro,  e não como servidores militares da República. 
A lista de "insubordinações" vem desde muito tempo.  Elas incluem insinuações  - como sempre - de chefes militares sobre mudanças,  o estado de saúde Lula, tolerância com os acampamentos antidemocráticos, a entrega antecipada dos cargos dos comandantes para não serem exonerados pelo presidente eleito, a mais absoluta inação diante do golpe frustrado do dia 8 de janeiro, a movimentação militar diante do acampamento golpista com a colocação de blindados e tropa para impedir que envolvidos na destruição das sedes dos três poderes fossem capturados - finalmente pela ação da PM (por que esse aparato não foi visto antes e nem naquele dia?), a recusa do comandante do Exército em permitir mesmo com a intervenção do ministro da Justiça Flávio Dino que fossem presos [segundo relatos o general disse "Ali ninguém será preso"], a omissão do GSI/BGP* em relação a tudo que transformou no dia 8 e finalmente culminando coma nomeação de um conhecido oficial da confiança de Bolsonaro para comandar uma tropa importante perto da capital.   Essa foi a gota d'água pois Lula fez saber pelo ministro da defesa que o militar devia ser exonerado e o comandante do Exército se recusou.

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Pensando sobre os acontecimentos de domingo, dia 08 de janeiro de 2023.

Primeiro que esses criminosos não são "patriotas". Nunca foram senão foras da lei pois o que propunham era contrário à Constituição.   Não é  questão ideológica e lamento até pessoas queridas que entendem de outra forma mas que não levam seu raciocínio "libertário" a temas como pedofilia, feminicídio ou consumo de entorpecentes.
Segundo, o silêncio dos militares.  Acho que quando não se manifestam já é um avanço pois nas últimas décadas deixamos de nos preocupar com o que diziam as ordens do dia.  Os últimos anos não serão varridos da noite para o dia, mas também não serão varridos se forem para baixo dos tapetes: que se averigue e cobre uma ação - ainda que corporativa de autocrítica - ou se exponham a uma ação externa.  A anarquia em seu sentido mais pejorativo,  devia, a priori, causar urticária nos militares e chama a atenção a recusa do comandante da Marinha em a passar o comando para o sucessor.
Terceiro os danos patrimoniais e culturais são inestimáveis e em alguns casos irrecuperáveis.  Mas talvez sejam o sacrifício para salvar a democracia que sofreu seu ataque mais violento.  E isso não foi pouco dentro de uma quadra onde os ataques contra ela foram de uma escalada crescente.  Porém podemos entender e esperar que uma direita democrática pode ser a herdeira dessa extrema direita fascistóide e em grande parte amorfa, simploria, rasteira e meramente cimentada por uma pauta vaga o suficiente para juntar qualquer um vagamente insatisfeito e acrítico.
Quarto aspecto é  que o processo contra os detidos - irrelevantes suas desculpas sobre uma certa "irresponsabilidade" por falsas crenças,  manipulação digital, desemprego etc - pois esse raciocínio não exime ninguém.  Desconhecer a lei não isenta o homicida, o motorista infrator ou o sonegador.  Logo .... Portanto deverão arcar com sua participação ainda que inerte na destruição perpetrada.  Fazer parte de organização criminosa não cria interstícios entre quem comanda e quem serve o café! Pode afetar o peso do castigo, mas não fabrica "per si" inocentes.
Quinto é a questão dos financiadores.  Residentes por aqui ou não é  vital, é talvez mais eficaz no curto prazo, seguir o rastro do dinheiro.  Na justiça os processos hão de levar tempo até que se chegue a termo, o que não impede que pelo constrangimento e nos empecilhos cotidianos aos envolvidos junto aos órgãos do Estado, a penalização já possa ocorrer.  Mas os financiadores dessa trama criminosa podem sentir muito mais rapidamente o peso da mão do Estado democrático.  Identificar os orquestradores do caos deve ser seguida pelo levantamento de seus débitos (caso existam) junto ao mesmo, execução destas dívidas e impedimento de acesso ao crédito via instituições bancárias e financeiras.  Mais uma vez, não são inocentes, são criminosos contra as instituições.
E finalmente,  assim como estes, é necessário apurar as responsabilidades daqueles que se omitiram, seja por incompetência,  covardia, preguiça ou simpatia política.  Apurar e punir aqueles que prevaricaram - em todos os níveis - é fundamental!  E destaque-se o papel do STF, que resistiu institucionalmente praticamente só aos desmandos e arroubos autoritários do bolsonarismo.  Não por acaso, dos três prédios sede dos poderes republicanos, foi o do STF que foi mais danificado, destruído,  vandalizado pela turba criminosa.
E quem pensou que o fio da navalha tinha sido a eleição,  fomos confrontados com uma realidade mais crua: a tentativa de golpe do domingo, dia 08 de janeiro.
Escapamos de ambas, mas estejamos alertas para que não haja uma terceira, nem que não seja para abusar da sorte.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Tentativa de golpe II

Começa o desmonte dos acampamentos golpistas por determinação judicial.  Idiotas aqui insuflados por arruaceiros que estimulam guerra civil , mentiras e contestação ao Estado de Direito que estão em outros países,  especialmente Estados Unidos!

domingo, 18 de dezembro de 2022

O É da Coisa - rádio Band News FM do dia 16/12/2022

O jornalista Reinaldo Azevedo esmiúça a questão do orçamento mentiroso de 2023, a leniência com os golpistas bolsonaristas e as posturas da PGR e do Exército  https://www.youtube.com/live/yxaePEOFl08?feature=share

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Lula presidente. O Brasil entre a civilização e a barbárie

Em menos de dois dias teremos a oportunidade de reconstruir um país fraterno e com menos ódio.  Contra as ameaças à democracia, contra o autoritarismo, contra o neofascismo,  pelos 680 mil mortos, pela vida e contra a morte!

segunda-feira, 16 de maio de 2022

A importância do papel do escravo de ganho para uma nova abordagem da escravidão.

http://fabiopestanaramos.blogspot.com/2010/12/importancia-do-papel-do-escravo-de.html 


"O trabalho escravo foi um traço marcante no Brasil Colonial, em que houve grande e maciça participação dos negros.

Desde o começo da efetiva colonização dos portugueses até o fim da escravidão, os negros eram a principal e essencial mão-de-obra, e tornavam possíveis as atividades econômicas.
O intenso e lucrativo comércio fazia com que os maiores e mais ricos comerciantes fossem, justamente, os mercadores de escravos, haja vista que o lucro por cada escravo chegava até 300% do valor pago.
A partir dos anos 1960, a escravidão passou a ter mais espaço entre os temas estudados pelos pesquisadores.
Porém, apenas uma ótica era realmente valorizada, pois era considerado o principal setor da escravidão no Brasil, a escravidão nos latifúndios em que se desenvolvia a agricultura tendo em vista a exportação.

Uma nova perspectiva."

sábado, 22 de janeiro de 2022

The Intercept - O desmonte ambiental no Brasil

A tristemente verdadeira frase do ex-ministro Ricardo Salles sobre "passar a boiada" se revela cada vez mais como um reducionismo.  Não há UMA,  mas VÁRIAS boiadas passando!
Governo destrutivo que deixará um passivo de terra arrasada.

P.S  - As mortes com a pandemia já passaram de 620.000!

quarta-feira, 31 de março de 2021

viagem no tempo ou mais uma cortina de fumaça?

 Encerrada em 1985 com a transição para um regime democrático,  processo que levou alguns anos e balizou temporalidades distintas de conclusão, a ditadura militar e as questões das casernas pareciam cada vez mais restritas aos seus temas internos.
Sua duração e tempos de encerramento foram objeto de reflexão de diferentes historiadores que apontavam distinções sobre se o regime instituído em 1964 e formalmente terminado naquele 1985 tinha sido uma ditadura em todo esse período ou não, se este regime tinha terminado em 1985 com a eleição indireta da chapa Tancredo-Sarney, se com a posse de José Sarney, com a Constituição de 1988 ou ainda com a eleição e posse de Fernando Collor de Melo (primeiro civil eleito desde 1961 e Jânio da Silva Quadros).
Mas eis que desde a eleição e posse de Jair Bolsonaro a narrativa celebrativa daquela época,  depois de anos de progressivo obscurecimento,  voltaram a povoar o centro das atenções. 
E hoje, 31 de março de 2021, quase 6 décadas depois daquele momento de ruptura institucional estamos desde segunda-feira discutindo se haverá ou não golpe militar, se o presidente protagonizará um autogolpe, o que acham as casernas sobre isso, a politização das Forças Armadas e o risco disso,  o teor das ordens do dia das diferentes forças sobre a data,  a crise militar orquestrada pelo próprio Palácio do Planalto,  a saída dos ministros militares em apoio ao ministro da defesa - defenestrado de surpresa na segunda-feira - e a nota hoje do novo velho ministro Braga Neto cheia de mentiras históricas mas bem ao os o do presidente. 
No pano de fundo, vamos registrar aqui o vídeo de Gabriela Priolli que esmiuça mais uma manobra diversionisa deste que desgoverna governando ou governa desgovernado!
Bons eram os tempos en que não precisávamos saber o que os militares pensavam sobre a tomada do poder e ruptura institucional democrática pela força. 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Brasil chega a 250 mil mortes por Covid em pior momento da pandemia

 


Números dão a dimensão de uma tragédia. O desta dia 24 é: o Brasil atingiu a marca de 250 mil mortos por Covid-19, em uma contabilidade crescente e assustadora.
 
Os dados são aferidos com as secretarias estaduais de Saúde pelo consórcio dos veículos de imprensa formado por Folha, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia.

O número macabro foi atingido às 18h03 desta quarta-feira, pouco mais de 24 horas antes de se completar um ano do registro oficial do primeiro caso no país. Até o início da noite de quarta, o Brasil havia contabilizado 1.420 mortes por Covid e 64.038 casos em um dia, o 35º dia com média móvel de mortes acima de 1.000.

Essa média móvel, um recurso que pondera os dados de sete dias para corrigir distorções estatísticas causadas por soluços no registro de dados, alcançou nesta mesma data seu maior patamar em toda a pandemia: 1.127. O recorde anterior fora registrado havia apenas 10 dias, 1.105 óbitos.

Em menos de 2 meses, Araraquara já tem mais mortes por Covid-19 que 2020 inteiro

segunda-feira, 30 de março de 2020

Para Onde Vamos em Pindorama? - O Brasil de Bolsonaro diante da COVID-19.

Hoje o mundo acumula quase 40 mil mortos e mais de 700 mil infectados devido a COVID-19.  No Brasil o presidente insiste em menosprezar a gravidade do problema e sistematicamente toma atitudes ou implementa um discurso contra o isolamento social, recomendado pela OMS.  Os panelaços contra ele tem ocorrido com mais frequência e continuidade....semana passada foram contabilizados 9 dias seguidos de panelaços.
Mas há loucura ou há método, perguntaria Shakespeare em Hamlet?
No podcast O Assunto, no link abaixo, vemos que há método



Aqui no Brasil chegamos, em números oficiais, a 4316 infectados e 139 mortos!

 Bolsonaro ignora recomendação | Uma visão popular do Brasil e do mundo 

Charge do Amarildo: Bolsonaro e o superávit de US$ 46,7 bilhões ... 

O que fazer com Bolsonaro? | O Cafezinho 

domingo, 16 de dezembro de 2018

Roberto Godoy - Por que precisamos do submarino Riachuelo?

http://www.defesanet.com.br/prosub_s40/noticia/31512/Roberto-Godoy---Por-que-precisamos-do-submarino-Riachuelo-/

Programa bilionário da Marinha pretende garantir projeção brasileira sobre 4,5 milhões de quilômetros quadrados no mar

Programa bilionário da Marinha pretende garantir projeção brasileira sobre 4,5 milhões de quilômetros quadrados no mar

Roberto Godoy
O Estado de S.Paulo


O submarino S-40 Riachuelo desceu ao mar suas 2.200 toneladas na manhã desta sexta-feira, (14DEZ2018), e por lá deve permanecer pelos próximos 30 anos, passando por processos periódicos de modernização e – na companhia de seus três similares do mesmo porte e perfil ainda em fabricação –, cumprindo a missão de garantir a projeção estratégica do Brasil sobre os 4,5 milhões de km² que compõem o território de relevância do País no sul do oceano Atlântico.

A Amazônia Azul, na definição da Marinha. Por essa imensa área, bem próxima do tamanho da Europa Ocidental, circulam 95% do comércio exterior brasileiro. Nessa área gigante são extraídos 91% do petróleo e mais 73% do gás natural nacionais. Os principais cabos submarinos de comunicações estão assentados alí.

“Em síntese, é a parcela dos oceanos sobre a qual temos responsabilidades, direitos e deveres”, diz o próximo comandante da Marinha, almirante Ilques Barbosa Junior. De fato, para obter os resultados do potencial econômico das águas jurisdicionais, o Brasil tem o compromisso de preservar a segurança para a navegação das rotas marítimas.

Essa é a razão dos investimentos feitos pelo Ministério da Defesa em programas estratégicos – um deles, o Prosub, que pretende dar à força naval capacitação tecnológica para construir esse tipo de navios; os de propulsão nuclear inclusos.  Custa caro. Até 2029 serão investidos R$ 37 bilhões. O projeto envolve a implantação de um estaleiro, de uma nova base e de instalações de apoio em Itaguaí, no litoral sul do Rio de Janeiro. Os submarinos não atômicos, de propulsão diesel-elétrica escolhidos são os franceses Scorpéne, de alta tecnologia.

A transferência do conhecimento avançado é assegurada no contrato. No fim do ano o investimento acumulado desde 2008 chegará a R$ 17 bilhões. Estão sendo produzidos no complexo e estarão todos prontos até 2022. O modelo nuclear, de 6 mil toneladas, será entregue em 2029. O consórcio é formado pelo Naval Group, da França, pela Odebrecht Defesa e Tecnologia e pela Marinha. Os navios sofreram pequenas alterações, ficaram mais longos (75 metros) e pesados (2.200 toneladas) para oferecer certo conforto à tripulação regular de 31 pessoas.

A decisão de fazer da flotilha de submarinos o elemento de dissuasão naval do Brasil começa por volta de 2007, quando o governo federal decidiu reequipar e modernizar as forças armadas. As características de furtividade, imprevisibilidade e poder de fogo – o Riachuelo lança torpedos pesados, dispara mísseis de longo alcance e faz a deposição de minas – são fundamentais nas ações de vigilância, patrulha e eventual ataque de interdição. Mesmo contra inimigos de maior porte, a efetividade é garantida pela habilidade. Há registros de vários “afundamentos” eletrônicos, durante exercícios, de porta-aviões nucleares americanos de 100 mil toneladas, “atacados” por pequenos submarinos diesel-elétricos.

Em setembro de 2010, início do ciclo de estruturação do programa, o então ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse em Lisboa, no Instituto de Defesa Nacional, que “o Atlântico Sul responde a questões de segurança muito diferentes das do Atlântico Norte”, referindo-se à declarada intenção da Otan, o pacto militar do norte, de estender sua área de atuação.

“A OTAN não pode substituir a ONU”, acrescentou, revelando apreensão com a possibilidade – sob influência dos Estados Unidos –, de a organização realizar ações multilaterais na região sem respaldo do Conselho de Segurança nas Nações Unidas. Jobim, na ocasião, afirmou que “o Atlântico Sul é a zona de interesse do Brasil”.

 

Novo submarino

Riachuelo tem 75 metros e é alto como um prédio de quatro andares
 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Carta Maior - O que é ser fascista? É criar um inimigo para odiar e destruir com mentiras e violência

14/10/2018 11:16
 
Fascismo pode ser uma palavra que não significa nada para muitos.

Mas, fascismo é uma realidade concreta quando cria um “inimigo” público, a ser culpado de todos os nossos males.

Fascismo é concreto quando os trabalhadores têm medo de não encontrar emprego, do filho desistir da escola e entrar no crime; medo de ser assaltado em casa ou no caminho, medo de não ser atendido quando precisar de médico. Fascismo é concreto quando os ricos e as classes médias têm medo de perder seus privilégios.

Fascismo é concreto quando, junto com o medo, perdemos a esperança na liberdade, na democracia para resolver nossos problemas. E quando acreditamos que a violência é a saída para resolver os conflitos, as diferenças de ideias, de crenças, de valores.

É diante do medo, da descrença, do apelo à violência que o fascismo cresce.

O fascismo cresce, ao criar um “demônio”, um bode expiatório, a ser culpado de todos os nossos males. E, ao mesmo tempo, cria um “salvador”, um mito que supostamente vá proteger e salvar a todos daquele “inimigo” criado por mentiras repetidas milhares de vezes.

O processo eleitoral que assistimos agora no Brasil está sendo fabricado deste jeito:  Bolsonaro está sendo habilmente construído como o salvador do Brasil. E o PT supostamente como o culpado de tudo que é ruim. Esta estória, na verdade, não é nova. Outros fascistas foram assim construídos. O inimigo número 1 de Hitler era o povo judeu que ele quase exterminou nos campos de concentração. No Brasil, Collor foi também fabricado como “salvador da pátria”. E deu no que deu...

A criação deste “salvador” no Brasil de hoje tem fabricantes muito bem pagos: os “especialistas” para fazer funcionar máquinas e robôs que divulgam diariamente, através dos WhatApps, milhares de mentiras a milhões de pessoas que nelas acreditam porque precisam de esperança.

Também a “fabricação” do PT como o “culpado” tem fabricantes bem pagos:  os tribunais que seletivamente “punem” suas lideranças mais importantes  e protegem os dirigentes dos demais partidos, tornando, assim, o jogo eleitoral  injusto, pois com armas desiguais de propaganda; e, de outro, os meios de comunicação (TV, rádios, blogs falsos) e a campanha do opositor que, tentam extrair dividendos eleitorais  destes processos judiciais seletivos,  e se referem aos membros do PT como se fossem “os ladrões” do país e ao prisioneiro político Lula como se fosse um culpado de crime comum.

A tentativa de fazer do PT o culpado aparece ainda na artimanha de fazer recair em seus ombros o peso do desemprego de milhões de trabalhadores e a crise econômica. Como todos sabem, o desemprego chegou a este ponto foi pelas políticas do governo Temer com o apoio de Bolsonaro na Câmara dos Deputados. Bolsonaro também votou para tirar os direitos dos trabalhadores.   Demonizar o PT permite ainda que ele esconda na campanha sua associação com Temer, pois Bolsonaro é Temer.

Associar Bolsonaro com Temer e com suas políticas contra os trabalhadores é importante para que todos reconhecem a verdade que ele quer esconder: ele está contra as famílias dos trabalhadores. Ele é um falso salvador da pátria, um falso mito.

*Maria Rita Loureiro é Professora da FGV/SP

https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Antifascismo/O-que-e-ser-fascista-e-criar-um-inimigo-para-odiar-e-destruir-com-mentiras-e-violencia/47/42022 

segunda-feira, 23 de julho de 2018

A Guerra Urbana não declarada no Rio e seus efeitos na PMERJ. - Tecnologia e Defesa


Em 23 anos, a PMERJ teve 3.234 mortos e 14.452 feridos,, totalizando 17.686 baixas. (Foto: J.Eloy)
Este artigo é de autoria do Coronel PM Fábio R. B. “Cajueiro”,  presidente da Comissão de Análise da Vitimização Policial.
Texto originalmente publicado em http://www.pmerj.rj.gov.br/analise-da-vitimizacao-do-policial/.
Imagine-se uma força na qual 19,65% do seu efetivo foi morto ou ferido por causa não natural em um período de tempo. Estamos falando de qual força e guerra? Forças armadas dos EUA, Brasil? I Guerra Mundial? II Guerra Mundial? Coréia? Vietnã? Iraque? Afeganistão? Kuwait? Nenhuma dessas, falamos da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, e a “guerra” não foi declarada, mas está fazendo baixas em proporções superiores às citadas, desde 1994. A PMERJ foi empurrada para esta Guerra, nunca quis ou procurou por ela.
A situação das mortes e ferimentos de policiais militares no Rio de Janeiro é muito mais grave do que parece. Geralmente, quando divulgam os números, são contabilizados apenas aqueles em efetivo serviço, ou seja, fardados e armados tirando serviço no momento, e apenas do ano em questão, comparados com o efetivo do ano avaliado. Mas ora, o fenômeno das baixas, soma de mortos mais feridos, é muito maior, pois existem os que estão de folga, mas morrem e são feridos devido a sua condição de policial militar, podendo ser identificado por um criminoso que prendeu e voltou às ruas, ou pelo cabelo curto e barba feita que deve usar, carteira de identidade que tem que portar, arma que carrega, e pelo instinto de reconhecimento mútuo entre Policial e Bandido, entre o Bem e o Mal.

O policial de verdade, o que internalizou o “Servir e Proteger”, porta sua arma e identidade 24 X 7, e é um fator de dissuasão do crime em qualquer lugar onde esteja. Estamos sendo dizimados diariamente, em combate fardados, em combate sem farda, em acidentes causados por uma sobrecarga de adrenalina permanente no nosso sangue, em doenças psiquiátricas, neurológicas e cardíacas causadas pelos mesmos números absurdos de problemas. Para nós, todo dia pode ser o juízo final, saímos das nossas humildes casas e olhamos sempre nossos entes queridos como se fosse a última vez, pois temos a mais alta probabilidade do mundo de não voltar.
Quando tabulamos os dados das baixas por causas não naturais, adotamos a mesma metodologia norte-americana, que inclui qualquer tipo de morte e ferido por causa não natural, chegamos aos impressionantes números da Tabela 1. Note-se que estamos contando o Estado do Rio de Janeiro todo, o que merece uma explicação à parte. Existem áreas do RJ que tem níveis baixos de violência, e consequentemente número de baixas reduzido ou praticamente nulo, representadas pelo interior do Estado, que somam 50% do efetivo. Mas estamos contando esse efetivo também para efeito de cálculos, o que num refinamento óbvio, permite, infelizmente, pelo menos dobrar nossas taxas, pois o denominador vai à metade e o numerador quase não é reduzido. Se refinarmos mais ainda, e reduzirmos o Universo para unidades como 3º, 9º, 16º, 20º, 22º BPM e algumas UPP, teremos taxas de baixas proporcionais mais perversas ainda.

Em vermelho temos os mortos, em amarelo os feridos e em laranja as baixas,  somatório de mortos mais feridos. Cabe ressaltar que se os números chocam, a  dimensão da tragédia humana é ainda muitas vezes maior, pois estamos falando de  milhares de policiais, pais, chefes de família, filhos, esposas, que deixam de voltar para  seus lares como saíram, pois ou são mortos, ou retornam feridos, mutilados,  incapacitados para uma vida normal, quer pessoal, quer profissional.
A maioria dos mortos e feridos acontece no período de folga, pois o policial  está geralmente sozinho, ou melhor, sem apoio de outros policiais, com sua própria  arma curta com restrição de calibre, sem rádio, sem colete a prova de balas, sem arma  de emprego coletivo, sem carro blindado, ou seja, em inferioridade total para um  confronto.
Em 23 anos, entre 1994 e 2016, a PMERJ teve 3.234 mortos e 14.452 feridos,  por causas não naturais, totalizando 17.686 baixas, considerando um efetivo de 90.000  homens que serviram na Corporação, conforme a tabela 2.

Como não há comparação possível com polícias no planeta, recorremos ao Exército Brasileiro na II Guerra Mundial e as Forças Armadas dos EUA em várias guerras no século XX, que apresentam dados confiáveis, e chegamos às comparações trágicas da Tabela 3.

Em números absolutos, obviamente, os números da PMERJ são menores que o dos EUA, mas quando comparamos as taxas de mortos, feridos e baixas, a análise  permite dizer que foi mais arriscado estar na PMERJ nos últimos 23 anos do que  servindo na FEB ou nas forças armadas norte-americanas em qualquer guerra do século XX, incluindo as I e II Guerras Mundiais.
Como exemplos extremos, a chance de ser ferido aqui foi mais de setecentos e sessenta e cinco vezes (765,07) superior a de estando na Guerra do Golfo Pérsico (Kuwait), e a de ser morto foi mais de três vezes (3,77) a de estando na Guerra da Coréia, e três vezes (3,67) a de ter servido na Guerra do Vietnã.
Os gráficos a seguir esclarecem mais ainda o citado acima.


Numa guerra na qual a superioridade de informações, a fusão de dados, a superioridade tecnológica e a bélica, e os meios de proteção, são totais, como a do Golfo Pérsico, pela libertação do Kuwait, vemos as taxas de qualquer tipo de baixa cair drasticamente, pois tropas muito superiores enfrentam um inimigo tão inferior que em tal confronto quase não há danos para o lado vencedor. Se o confronto deveria ser raro com a Polícia, mais raras ainda deveriam ser as baixas, pois só poderiam atuar em condições de superioridade total, tais quais as da Guerra do Golfo(Kuwait).
Há algo de muito errado quando observamos estes números frios, mas que já impactam somente como grandezas e percentuais, demonstrando claramente que a PMERJ vive há 23 anos uma rotina de uma guerra, enfrentando armamento de guerra e sendo exposta a ferimentos e mortes equivalentes e superiores a guerras declaradas com forças militares enfrentando forças militares, mas contando com meios inferiores.
Cabe aqui uma comparação mais detalhada com a Guerra do Vietnã. O cenário e condições deste conflito, com enfrentamento de guerrilhas misturadas a população, com a presença de civis inocentes nos teatros de operações, e o período, são mais próximos aos do Rio de Janeiro. As Forças Armadas dos EUA, a despeito da sua total superioridade, quando submetidas à realidade de uma guerra assimétrica, perde essa vantagem e nivela o combate ao nível de armas leves, emboscadas, guerrilha e contraguerrilha, armadilhas, e somado a hesitação e dificuldades inerentes a operar em terreno pouco conhecido e com a população local misturada aos vietcongues, a aproximação com a realidade das nossas áreas de narcotráfico é maior. As condições de extrema miséria e dificuldades de infraestrutura em geral, como ausência ou precariedade de luz, água encanada, esgoto, coleta de lixo, ordenamento urbano, calçadas, ruas largas, residências identificadas, correio, também eram similares as das favelas do Rio de Janeiro, conduzindo o policial/combatente a uma exposição a um ambiente degradado, carente de tudo. As selvas e arrozais vietnamitas são aqui substituídos por barracos, lajes e vielas, nos quais muitas vezes não passam duas pessoas lado a lado.

As causas do estabelecimento de uma narcoguerra no Rio de Janeiro não são discutidas neste texto, mas é fato que desde a abertura política na década de 80, os morros e favelas cariocas acrescentaram fuzis de assalto, submetralhadoras e pistolas semiautomáticas aos arsenais do narcotráfico, e de lá para cá, com ou sem UPP, as baixas da força que efetivamente confronta estes criminosos no terreno, a PMERJ, se mantém em pelo menos 2(dois) mortos e/ou feridos por dia, inexoravelmente, há 23 anos. Estas baixas diárias são muitas vezes oriundas de um mistura de:
– Leis fracas, brandas e inadequadas,
– Meios de defesa e proteção(coletes a prova de balas, capacetes, veículos blindados, UPP em containers sem proteção balística, quartéis e cabinas frágeis) dos policiais militares precários, insuficientes ou indisponíveis,
– Meios de enfrentamento(armas letais, não letais e munições) velhos, obsoletos, mal manutenidos e inferiores em termos de qualidade, quantidade e poder de fogo,
– Treinamento deficiente, e
– Baixos salários, que obrigam o PM a trabalhar em seguranças (bicos) para complementar o rendimento e não permitem que possa adquirir os meios acima citados e o expõem a mais riscos.

Existem linhas de pensamento, pesquisa e ação a serem executadas e aprofundadas, sobre este texto e outros do gênero, para resolver estes graves problemas citados, que são:
– Criar e aprovar Lei de crime hediondo para quem atentar contra a vida de agente da lei, mandando o criminoso para outro Estado, em RDD;
– Definir quantos PM estão afastados por doenças psiquiátricas;
– Esclarecer que fatores nos conduziram e este empurrão para uma guerra entre a PM e o narcotráfico travada em alta intensidade apenas nas favelas do RJ;
– Criar um monumento aos mortos da PMERJ;
– Dotar de blindagem as células de cmt + motorista das viaturas;
– Providenciar blindagem de instalações;
– Estabelecer Plano ou Protocolo de Operações de reação a atentados contra vida de PMs;
– Recriar o GETAM(ROTA) ou equivalente, para patrulhamento pesado do RJ;
– Adquirir e acautelar com PMs coletes nível III ou IV inclusive em folga;
– Facilitar aquisição de armas, munições e blindagem de veículos, de qualquer calibre e nível;
– Realizar operações contra armas e drogas nas estradas, rodoviárias, portos e aeroportos;
– Implementar mais operações contra motos, e carros roubados e furtados;
– Estabelecer acordos com o MP, TJ, e poder legislativo para mandados coletivos de busca e apreensão/prisão nas operações da PM;
– Fim da Progressão de regime para acusados de atentado contra vida de policiais;
– Refinamento desse trabalho, análise e comparações;
– Criação de uma Fundação de Apoio àvida do Policial Militar para aprofundar estes vieses de estudo, buscar melhorias das condições de vida dos PMs, e para realizar o pagamento de recompensas a quem ajudar efetivamente na captura de assassinos de policiais militares; e
– Sensibilização dos órgãos de Comunicação (formadores de opinião) a respeito da vulnerabilidade do policial no Rio de Janeiro, com apresentação constante na mídia da realidade da PM para que a população se solidarize com a causa da Segurança Pública.

A exposição de policiais militares a ambientes hostis, em inferioridade: – De informações(ausência de dados e informações em quantidade e qualidade sobre criminosos, armas, munições, rádios, locais e horários de deslocamento e homizio), – Bélica(armas e munições velhas e insuficientes, miras mecânicas ultrapassadas, ausência de armamento orgânico nos veículos blindados), – Tecnológica(rádios deficientes e precários, ausência e/ou insuficiência de celulares, redes e acessos a internet precários e insuficientes, veículos aéreos e terrestres remotamente pilotados ausentes,sistemas computacionais precários e obsoletos) e – De proteção(blindagem de instalações, veículos, e pessoal), cria, gera, contribui e mantém esse genocídio particular na PMERJ.
O atual Comandante Geral da PM e o Secretário de Segurança, estão tratando o grave tema com a importância que tem, tendo sido inclusive criada uma Comissão de Análise de Vitimização de Policiais Militares, para estudar o problemas e propor soluções e meios de controle e redução destes números.
Ou a Sociedade, o Ministério Público, o Legislativo, o Judiciário, o Executivo e as Forças Armadas, nos ajudam a vencer este confronto, ou se corre o risco deste narcotráfico espalhar-se pelo Rio de Janeiro e Brasil, e aí podemos não ter mais como derrotar esses inimigos da sociedade, que até o momento tem massacrado só a PM, que luta diuturnamente quase que sozinha.


http://tecnodefesa.com.br/a-guerra-urbana-nao-declarada-no-rio-e-seus-efeitos-na-pmerj/

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Uma República Entre Mitos, Expectativas e Realidades.

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
CENTRO DE ESTUDOS GERAIS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E FILOSOFIA
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU - HISTÓRIA DO BRASIL
TRABALHO PARCIAL 3 - MÓDULO REPÚBLICA - LIVRO 1
UMA REPÚBLICA ENTRE MITOS, EXPECTATIVAS E REALIDADES
por Cláudio de Almeida  Turma C    Niterói   2007
Resenha crítica sobre CARVALHO, José Murilo de
“A Formação das Almas - O Imaginário da República no Brasil”. Companhia das Letras, 15ª reimpressão, 2005, São Paulo. 1990. 

O Império no 9º Círculo - Trajetórias de uma Elite e um País.

Resenha Crítica sobre o Livro A Construção da Ordem - a elite política imperial / Teatro das Sombras - a política imperial.   José Murilo de Carvalho, Civilização Brasileira, RJ. 2003, 4ª edição..


https://www.4shared.com/office/6iFyIrsx/O_Imprio_no_Nono_crculo.html

SERTANISTAS, INFRATORES E VADIOS - INCLUSÃO, EXCLUSÃO E CLASSIFICAÇÃO SOCIAL EM MINAS GERAIS

UFF/CEG/ICHF/GHT
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
HISTÓRIA DO BRASIL
MÓDULO COLÔNIA - TRABALHO PARCIAL 1
SERTANISTAS, INFRATORES E VADIOS
INCLUSÃO, EXCLUSÃO E CLASSIFICAÇÃO SOCIAL EM MINAS GERAIS
por Cláudio de Almeida
Turma C
Niterói
2006

Resenha crítica sobre “Os Desclassificados do Ouro: a pobreza mineira no século XVIII” /
Laura de Mello e Souza - Rio de Janeiro: Edições Graal, 3ª edição, 1986.
Minas Gerais, século XVIII.
O cenário não é novo, palmilhado que foi por estudiosos da estatura de Caio Prado Jr., Kenneth Maxwell, Nélson Werneck Sodré, C. R. Boxer, entre outros. Por eles revelaram-se frestas do passado - melhor dizendo de um passado - que tal como os diamantes revirados naquelas terras, reviraram junto sonhos e esperanças de homens e mulheres.
Laura de Mello e Souza nos apresenta outra fresta deste passado. O ponto original, em seu sentido estrito, foi o de buscar, dentro de um sujeito coletivo amplo e variegado (o marginal), uma abordagem que melhor permitisse separá-lo como um conjunto de indivíduos que mesmo inseridos estavam à margem daquela sociedade. Assim ela buscou identificar uma tipologia exclusiva, [i.é]: no contraponto de uma definição por demais elástica então existente, propôs-se a delimitar o “desqualificado social”. Destarte sua exterioridade, decorrente de sua não-inserção, ela ganha relevância quando referenciada a uma sociedade amparada no privilégio, no status, nas regras de precedência, etc.
Abordando o “processo de desqualificação” que engendra estes desclassificados, a autora estabeleceu as balizas temporais - e uma cronologia afim- limitadas entre 1693 e 1805.  A primeira baliza foi definida pela constituição da capitania do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Quanto a segunda - marco terminal de sua análise - justifica-se pela clara percepção da decadência mineradora e suas consequências.
Para montar sua análise e interpretações, ela vai elencando o uso de correspondências oficiais, acervos dos Arquivo Público Mineiro e da Arquidiocese Eclesiástica de Mariana.  Outras fontes foram dados estatísticos, memórias, relatos de viajantes, etc.  Partindo de um dos efeitos da Revolução Industrial, qual seja a formação de um exército industrial de reserva, a autora, apresenta-nos, em virtude da mineração, a constituição de uma reserva similar em Minas Gerais, atraída pela rápida expansão da atividade extrativa e em busca de oportunidades. Fosse mão-de-obra alternativa à escravidão, campesinato, ou força auxiliar no controle dos índios ou negros aquilombados, à este segmento social abriam-se oportunidades que de forma alguma promoviam uma ascensão social. As oportunidades eram muito mais horizontais que verticais.
No 1º capítulo [O Falso Fausto], ela conduz nosso olhar por sobre duas festas marcantes: o Triunfo Eucarístico e o Áureo Trono Episcopal, ocorridas respectivamente em 1733 e 1748. A partir de sua descrição olhamos uma sociedade que estabiliza-se, deixando para trás os primeiros tempos da mineração desenfreada, e assume um perfil urbano. Falsa opulência que mascara, por detrás do “luxo irracional”, a reafirmação das desigualdades e a  divisão da pobreza.
A seguir temos A Utilidade dos Vadios. O vadio medieval europeu (o pobre laborioso e cada vez mais pobre) e que acabou sendo “despejado” no Novo Mundo, fosse a Nova Inglaterra, fosse o Brasil do Alvará dos Degredados. Nem escravos nem Senhores - exceto da sua pobreza - representavam uma massa crescente de despossuídos exercendo múltiplas atividades (nem sempre lucrativas) e que por isso gera uma enorme dificuldade de defini-los objetivamente.
No 3º capítulo apresenta-nos, em Nas Redes do Poder, de que forma a construção do
Estado correspondeu aos interesses de extração fiscal e controle social, e para isso soma sua análise às anteriores de Caio Prado Jr. e Raimundo Faoro.
Máquina ineficaz e vasta que busca organizar o fluxo migratório, a urbanização, o aparato repressivo e tributário. Ordenar a desordem que tanto podia originar-se na existência de quilombos e índios insubmissos, como na mestiçagem generalizada: cores, condições e oportunidades que se misturam, confundem, invertem...
No 4º capítulo, Os Protagonistas da Miséria concentram nosso olhar. Seus modos de viver, casar, vestir, enfim sua dinâmica cotidiana. A fragilidade da liberdade para os forros (eventual reescravização) e a atuação eclesiástica contra a dissolução moral (bígamos, incestuosos, concubinagem, etc).
Num quadro de violência latente os comportamentos infracionais eram individuais, grupais (ciganos, bandidos, garimpeiros) e variados indo da feitiçaria à prostituição, da falsificação à capangagem.
Na conclusão ela retoma o destaque do por que Minas Gerais propiciou a oportunidade de olhar este segmento: vadios, criminosos, infratores, polícia privada, pequenos proprietários e artesãos falidos, o “elemento vomitado”, as vezes aliado outras o inimigo, que ostentava a pecha da desclassificação. Com clareza vemos o oscilante movimento de transformar o ônus em utilidade, e vice-versa, num pendular movimento de urgências e necessidades. A inclusão e exclusão desta mão-de-obra afeita tanto à aventura como ao ilícito, no entanto, desprovia este grupo das condições para desenvolver uma consciência de classe, segundo a autora. E a isto somava-se que este grupo [homens livres e pobres, forros e escravos fugidos] se por um lado homogeneizava-se na transgressão, inserido-se numa ideologia da vadiagem, por outro terminava qualificado como degenerado, incapaz, indolente, vadio, violento...
A ausência de raízes, a existência de um cotidiano precário, o trabalho incerto, etc, reiterava a necessidade de possuir-se escravos. Mesmo quando estes desclassificados eram requisitados - pelo Estado ou pelos homens bons - era sempre a “pior” solução, com o ônus deste recurso superando em muito sua utilidade (pelo menos no discurso). Isso é fartamente demonstrado ao longo do texto, como por exemplo sua mobilização diante de necessidades militares ou afins.
Participando da repressão a quilombos, funcionando como guardas pessoais de poderosos de toda ordem, recrutados para servir como destacamentos  irregulares de tropas ou agindo como uma espécie de “polícia privada”, tais desclassificados eram mobilizados como uma extensão do braço armado do poder estatal, de seus prepostos ou mandatários locais - transformando-se então em elementos da preservação da própria ordem. A mesma que os estigmatizavam, reprimiam e olhavam com desconfiança.
Vale apontar um reparo ao texto, que absolutamente coloca qualquer óbice ao conjunto.  Na página 130 da 3ª edição, no 2º §, é fornecida a seguinte informação: “A tributação do ouro se verificou de início sob a forma de cobrança por batéias” (grifo meu). No Entanto, pelo quadro constante na página 43, apud Virgílio Noya Pinto (op. Cit., pp. 71-75), ele assinala justamente que, entre os anos de 1700-1714, vigorava o quinto sobre o metal extraído, seguindo-se após isso cotas variáveis de 25 a 52 arrobas, casas de fundição, impostos de capitação e censo, até chegar-se a cota mínima de 100 arrobas após 1750. A extração pautada em batéias só foi intentada em 1715, sendo rejeitada e substituída, três anos após, por uma cota de 25 arrobas mais os direitos de passagens nos Registros.  Mais sério é o desdobramento deste conceito de coletividade desideologizada - algo ingênua, quase “rebanho”.
Neste recorte a conclusão “envelheceu”. A renovação dos estudos e a proposição de novos temas, fontes e marcos teóricos, que terminaram por sepultar por exemplo a “coisificação do negro”, hoje também força uma revisão deste discurso muito oficial A sociedade hierarquizada era estática na aparência. No cotidiano, suas solidariedades e estratégias de vivência e sobrevivência eram dinâmicas: ricos empobreciam e pobres subiam na escala social, cativos alforriavam a si e aos seus, constituíam famílias e parentelas.
Pauperizados, fossem brancos, negros ou índios, livres ou forros, fugidos ou recapturados, estes elementos desclassificados vivenciavam a pobreza - mas viviam seus sonhos e esperanças.