Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador armas nucleares. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador armas nucleares. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de junho de 2012

Submarinos alemães ampliaram o alcance e segurança do arsenal nuclear israelense

Com a ajuda da tecnologia alemã, israelenses dotam-se de uma plataforma nuclear que pode ser de grande utilidade no caso de um confronto com o Irã
O oficial da Marinha encarregado de receber os visitantes surge no deque inferior, dá meia volta e diz: “Bem-vindos a bordo do Tekumah. Bem-vindos ao meu brinquedo”. O Tokumah é um dos submarinos recebidos recentemente da Alemanha por Israel.
Nos deques 2 e 3, os submarinos contêm um segredo conhecido por poucos mesmo em Israel: ogivas nucleares, pequenas o bastante para serem armadas num míssil de cruzeiro, mas potentes o bastante para produzir uma explosão devastadora. Esse segredo é considerado um dos mais bem guardados da história militar moderna. Qualquer um que fale abertamente no assunto em Israel corre o risco de ser sentenciado a longo período de prisão.
Pesquisas realizadas pela Spiegel na Alemanha, em Israel e nos EUA mostram que, com a ajuda da tecnologia marítima alemã, Israel criou para si um arsenal nuclear flutuante composto por submarinos de capacidade nuclear. Trata-se de uma plataforma capaz de ampliar o alcance e a precisão de mísseis israelenses – de grande utilidade no caso de um confronto com o Irã, por exemplo.
Jornalistas estrangeiros nunca subiram a bordo de uma dessas embarcações de combate antes. Numa incomum demonstração de transparência, políticos do alto escalão do governo e oficiais militares do Estado judaico mostraram-se agora dispostos a comentar a importância da cooperação militar alemã-israelense e do papel desempenhado pela Alemanha, ainda que sob a condição de anonimato. “No fim, é tudo muito simples”, diz o Ministro da Defesa, Ehud Barak. “A Alemanha está ajudando a defender Israel. Os alemães podem se orgulhar do fato de terem garantido a existência do Estado de Israel pelos próximos anos.”
Estado de São Paulo

domingo, 3 de junho de 2012

Der Spiegel - Alemanha Vende Submarinos com Ogivas Nucleares


BERLIM - Os submarinos de fabricação alemã fornecidos nos últimos anos a Israel são equipados com ogivas nucleares, afirma em seu último número a revista Der Spiegel, que atribui assim à Alemanha colaboração no programa atômico do Estado judaico.
Baz Ratner/Reuters

Os três submarinos entregues até agora possuem um sistema hidráulico que aciona ogivas nucleares
De acordo com a revista, os três submarinos entregues até agora a Israel - aos que até 2017 se somarão outros três - dispõem de um novo sistema hidráulico que permite acionar essas ogivas nucleares.
Berlim sempre defendeu essas entregas como parte da colaboração bilateral, acima das repetidas denúncias de ONGs internacionais afirmando que tais submarinos são suscetíveis a ser equipados com armamento nuclear. O porta-voz do governo de Angela Merkel, Steffen Seibert, manteve o argumento e reiterou a postura do governo neste domingo.
"A entrega dos submarinos ocorre sem armamentos. O governo não entra em especulações sobre seu posterior equipamento de armas", acrescentou o porta-voz, em declarações emitidas pela edição online da Der Spiegel.
O porta-voz de Relações Exteriores da oposição social-democrata mobilizada no Parlamento, Rolf Mützerich, pediu investigações da situação e disse que até agora se tinha justificado essas provisões na convicção de que levavam armas convencionais.
Fontes consultadas por Der Spiegel, como o ex-secretário de Defesa Lothar Rühl, sustentam por outro lado que Berlim é consciente há muito tempo desse uso.
A revista afirma, além disso, que pelo menos desde 1961 o Ministério de Exteriores alemão está informado dos planos atômicos israelenses.
Já em 1977, o então chanceler alemão, o social-democrata Helmut Schmidt, abordou a questão do programa nuclear com o então ministro das Relações Exteriores israelense, Moshe Dayan. Os submarinos são construídos em Kiel (norte da Alemanha) e financiados em boa parte pela Alemanha como parte de sua cooperação bilateral com o Estado israelense.
Berlim cuida com atenção especial de suas relações com Israel, como parte de sua responsabilidade histórica em relação ao país, e também observa uma extrema cautela frente a qualquer crítica a sua política. Der Spiegel cita em sua edição o ministro da Defesa, Ehud Barak, segundo o qual os alemães "estão orgulhosos" de poder colaborar "em garantir a existência do Estado israelense".
Junto aos submarinos já entregues e ao pedido em curso de outros três, até 2017, Israel quer encomendar à Alemanha três unidades mais. O contrato para a segunda entrega de três submarinos se materializou recentemente pela própria chanceler Angela Merkel.
A Alemanha condiciona uma terceira parte de seu financiamento - 135 milhões de euros -, em uma operação politicamente vinculada, a que Israel interrompa a construção de novas colônias na Cisjordânia e que permita a construção de uma depuradora de água - também com participação alemã - na Faixa de Gaza. Até agora, o Governo de Benjamin Netanyahu não cumpriu essas condições, indica Der Spiegel.
 Obs:  Segundo a AFP, porém, afirma-se que a revista informou que Israel está equipando os submarinos com ogivas, e não que elas venham já nas embarcações.
Fontes:
Imagem - http://www.naval.com.br/blog/wp-content/uploads/2008/12/dolphin-5.jpg
Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,alemanha-participa-de-programa-nuclear-israelense-diz-revista,881827,0.htm
Terra Brasil/AFP http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5811315-EI294,00-Israel+equipa+submarinos+comprados+da+Alemanha+com+ojivas+nucleares.html

segunda-feira, 5 de março de 2012

Paquistão testa míssil de curto alcance com capacidade nuclear


O Paquistão testou nesta segunda-feira com sucesso um míssil de curto alcance com capacidade para levar ogivas nucleares como "parte do processo de validação do sistema balístico terrestre" do país, informou o Exército em comunicado.
O Hatf-II, um projétil de terra-terra com alcance de 180 quilômetros, foi testado perante o olhar atento da cúpula militar paquistanês.
Durante os últimos anos, o Paquistão também testou o Hatf-VII, um míssil de cruzeiro com alcance de 600 quilômetros, e o Hatf-V, um projétil terra-terra de média distância.
Tanto Paquistão como sua potência nuclear vizinha, a Índia, entabularam uma corrida armamentista e realizam frequentes testes de mísseis com capacidade para carregar armas atômicas.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Irã: quando será a nova guerra?

 
 

As condições geopolíticas da região – incluindo aí todo o Oriente Médio e áreas adjacentes – mudam a cada dia ( em parte em função das revoltas populares em curso ), com conseqüências que só podemos com dificuldade avaliar. Contudo, o risco de uma crise que escale em proporções militares generalizadas é real. De certo ponto de vista a guerra já começou, num estilo novo, de guerra “encoberta e psicológica". 

Francisco Carlos Teixeira da Silva (*)

     A situação política e militar na região do Golfo Pérsico, em especial junto ao Estreito de Hormuz, chegou nestes últimos dias a um ponto de altíssima tensão. Um conjunto de medidas políticas, militares e econômicas tomadas pelos Estados Unidos, União Européia, Japão, Coréia do Sul e Austrália colocam o Irã na mais delicada situação desde o ataque americano ao Iraque em 2003. As condições geopolíticas da região – incluindo aí todo o Oriente Médio e áreas adjacentes – mudam a cada dia ( em parte em função das revoltas populares em curso ), com conseqüências que só podemos com dificuldade avaliar. Contudo, o risco de uma crise que escale em proporções militares generalizadas é real. De certo ponto de vista a guerra já começou, num estilo novo, de guerra “encoberta e psicológica".

Da guerra “encoberta” a guerra psicológica
     Nos últimos meses quatro importantes cientistas nucleares iranianos – acadêmicos, de formação universitária e civil – foram mortos por atentados terroristas no próprio Irã. Da mesma forma, várias unidades nucleares iranianas (e outras instituições de pesquisa e financeiras) foram atingidas por ataques cibernéticos de origem desconhecida, com graves prejuízos para os trabalhos em curso. Os analistas internacionais, mesmo os americanos e israelenses mais próximos de seus governos, não negam a provável origem americana e/ou israelense de tais procedimentos. Chegou-se mesmo a avocar uma categoria especial de conflito não-declarado: a guerra encoberta. Ambos os países, EUA e Israel, possuem meios e interesses que se coadunam claramente com o desenho dos ataques contra a inteligência nuclear iraniana.
     A estes ataques somar-se-iam uma série de medidas de restrição e boicote econômico e financeiro decidido ora no âmbito do Conselho de Segurança da ONU (com abstenção da China Popular e da Federação Russa), ora no âmbito de alianças especificas, como a NATO ou OTAN. Até esta semana a União Européia, em grave crise financeira e com altíssimos índices de desemprego, estava recusando, ou adiando, uma clara adesão ao boicote econômico proposto pelos EUA contra o Irã. No entanto, esta semana (20/01/2012), a União Européia declarou adesão ampla ao bloqueio, decidindo encerrar suas compras de petróleo iraniano até o dia 1 de julho de 2012. Os três principais compradores – Grécia, Itália e Espanha, justamente países mais fortemente atingidos pela crise financeira – devem encerrar seus contratos com Irã, sob garantia de que a Arábia Saudita – um oponente sunita do Irã - fornecerá petróleo pelo mesmo preço e sem alterações, mesmo que a crise leve o preço do barril a novos patamares.
     Japão e Coréia do Sul, ambos grandes compradores, já haviam declarado sua adesão na semana anterior e no final do dia (22/01/2012) a Austrália aderiu ao boicote.
     Além disso, a Secretaria do Tesouro dos EUA declarou embargo contra o banco central do Irã, três dos seus maiores bancos privados e várias empresas de petróleo e petroquímicas. Isso impede que façam negócios com empresas americanas ou com empresas não-americanas, mas que também negociem com os EUA. Assim, quinhentas instituições e pessoas no Irã foram “bloqueadas” pelos EUA.
     A inusitada unanimidade entre os aliados ocidentais foi desenhada através de um giro mundial do secretário (ministro) do Tesouro dos EUA, Thimoty Geither, por vários países. Desenha-se assim uma atuação consistente e sistêmica de Washington visando à asfixia econômica do país.
     Ao mesmo tempo o Chefe da Junta de Chefes do Estado-Maior norte-americano, general Martin Dempsey, deslocou-se para Israel e teve longos e fraternos encontros com a cúpula militar israelense – o assunto central era o “risco Irã”. Enquanto isso o porta-aviões “USS Abraham Lincoln” (navio aeródromo de propulsão nuclear, com cerca de 90 aviões e helicópteros de combate e cinco mil homens) foi deslocado para a ultra-sensível Estreito de Hormuz, com uma escolta de navios de guerra da Inglaterra e França. No Golfo Pérsico já se encontra a Va. Frota dos EUA.
     Cria-se um possível ambiente de guerra na região.

A posição do Irã
     O Irã negocia, ou negociou, com o Ocidente em três frentes diversas: no próprio Conselho de Segurança da ONU, em conversações com a União Européia em Istambul, na Turquia, e na mesma cidade, com o Brasil e a própria Turquia, como mediadores para uma solução negociada do controverso programa nuclear do país.
     Desde 2011 o Irã opera com 40% da sua capacidade (de 1000 megawatts) uma usina nuclear na região de Bushsher (com assistência inicial das firmas alemãs Siemens e Telefunken, e mais tarde da empresa russa Atomstroyexport e RosTom, com algumas centenas de técnicos russos).
     Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica/AIEA, órgão assessor da ONU com sede em Viena, a usina de Bushsher possui “possible military dimension” e o Irã estaria “desenvolvendo atividades relevantes para dotar-se de uma capacidade nuclear”. Ao mesmo tempo a AIEA acusa o país de manter parte de seu programa, perto da cidade de Qom, secreto e sem acesso aos inspetores da AIEA. Da mesma forma declara ter “detectado” esforços na direção de testar dispositivos de gatilho que podem ser usados em armas nucleares. De posse de tais evidências solicita, de forma enérgica, que o Irã assine o “Protocolo Adicional” do Tratado de Não-Proliferação Nuclear/TNP, que permite inspeções internacionais das plantas de um país, com aviso prévio de apenas 24 horas e sem limites de acesso.
     O Irã insiste que seu programa é pacífico, visa à produção de energia eletrifica – mais limpa e mais barata do que o petróleo, que seria reservado para as exportações gerando divisas para o desenvolvimento do país. Além disso, precisa da energia nuclear para fins médicos, como qualquer país. Cabe ainda destacar que a região geopolítica do Irã é altamente “nuclearizada”: os vizinhos orientais do país – Paquistão e Índia, são potências nucleares; o vizinho norte, no Cáspio, é a Rússia e a ocidente Israel é dotado de pelo menos 200 ogivas nucleares. Além disso, a Va. Frota dos EUA, estacionada no Golfo Pérsico, é dotada de capacidade nuclear. Assim, a proposta do então presidente Lula de uma “zona desnuclearizada” (como a América Latina o é) não parece realista.
     As conversações com a U.E. em Istambul não resultaram em qualquer avanço, posto que o Irã não mostrasse interesse em acessar o conjunto de suas instalações nucleares aos inspetores internacionais e a U.E., por sua vez, assumiu uma posição fundamentalista, exigindo a assinatura do Protocolo Adicional e livre acesso ao conjunto das instalações locais. Cabe lembrar, que o primeiro inspetor chefe da AIEA, e embaixador da Austrália na ONU (o senhor Richard Buttler), ao examinar as instalações iraquianas – em busca das míticas “armas de destruição em massa” – passava informações estratégicas diretamente aos governos dos EUA e de Israel, antes mesmo de enviar seu relatório a AIEA ou a ONU. Da mesma forma Hans Blix e Mohammad El-Baradei (este atual carta política dos EUA na “Primavera Egípcia”) jamais conseguiram dizer, com clareza, se o Iraque possuía ou não armas de destruição em massa. Ou seja, o passado das inspeções da AIEA é, no mínimo, duvidoso.
     O acordo assinado com o Brasil e a Turquia – sob incentivo direto do Presidente Obama – foi desconsiderado por Washington, que o declarou insuficiente. Na verdade, Obama viu-se em choque direto com a Secretaria de Estado e de Defesa, e, isolado, para manter a face recusou o acordo que ele mesmo pediu ao Brasil para negociar.
     O que mais complica o quadro acima é que a maioria da população iraniana – cerca de 68 milhões de pessoas, num país do tamanho do estado do Amazonas - concorda, neste ponto, com o governo Ahmandinejad: Teerã tem direitos iguais a de qualquer país, digamos como o Brasil, de se dotar de tecnologia nuclear sem ser tutelado pelas potências ocidentais. Mesmo a oposição interna defende o desenvolvimento da tecnologia nuclear e afirma que o Ocidente fortalece Ahmandinejad ao ameaçar o país com boicotes e sanções.

Por que uns podem e o Irã não pode?
     Este tem sido um argumento muito usado pelo governo de Teerã para caracterizar a injustiça das medidas da AIEA, da ONU e das potências ocidentais sobre o seu programa nuclear. Há aqui casos e casos. O mais notável é de países como Israel – com suas duas centrais nucleares em Dimona, no Deserto do Neguev e um possível arsenal de 200 ogivas atômicas. Ou ainda a Índia, com um não-calculado arsenal nuclear (ao menos 40 ogivas) e poderosos vetores de ataque (a performática aviação militar indu e os mísseis de longo alcance “Agni”). Com este último país a Administração Obama assinou acordos de ampla cooperação, inclusive no campo nuclear e com Israel, é claro, trata-se de um aliado, destino da maior ajuda militar e econômica dos EUA.
     A resposta para os diferentes tratamentos é clara e direta: ambos os países são democracias consolidadas, que respeitam os acordos internacionais e os direitos humanos. Enquanto isso o Irã é uma ditadura religiosa, falsificou os resultados das últimas eleições presidenciais (em junho de 2009, quando Ahmandinejad foi reeleito), massacrou e torturou a oposição democrática no interior do país e adotou medidas brutais contra seus próprios cidadãos – como o apedrejamento de mulheres ou o enforcamento de homossexuais. Além disso, o Irã apóia, financia e arma redes “terroristas internacionais”, como o Hezbollah no Líbano e a Milícia do Mahdi (xiita radical) no Iraque. Com tais diferenças notáveis o Irã não seria um país confiável na comunidade internacional para poder dotar-se de armas nucleares.
     Bem, sempre podemos discutir se Israel respeita os tratados e acordos internacionais (Israel é o segundo país do mundo, depois do Marrocos, a descumprir decisões da ONU) e já usou, e usa, meios como assassinatos seletivos em territórios estrangeiros, como no Kuwait, Turquia, Jordânia e no prórpio Irã. Mas, sem dúvida, Israel é um país institucionalmente estabelecido e não apedreja pessoas, não estupra presos políticos ou enforca diferentes em praça pública...
     Cabe destacar que mais de cinqüenta países possuem, hoje, capacidade de desenvolver tecnologia nuclear e os limites entre pesquisa nuclear para “fins pacíficos” e o desenvolvimento de armas é bastante tênue. Entre os países que se recusam assinar o Protocolo Adicional do TNP estão aliados dos Estados Unidos, tais como Índia e Paquistão. E é claro, Alemanha, Japão, Canadá, Coréia do Sul, Egito ou Turquia podem desenvolver armas nucleares assim o que queiram. O caso mais significativo é do Brasil: o país possui hoje capacidade nuclear plena, tecnologia própria de enriquecimento de combustível (em Rezende, RJ) e se nega a assinar o Protocolo Adicional, considerado um mecanismo de espionagem industrial das grandes potências. Bem, tratam-se de países “sérios”, democracias que cumprem seus contratos internacionais.
     Mas, existe um outro caso: Paquistão e Coréia do Norte. No primeiro caso trata-se de um país de grave instabilidade interna, onde o ISIS, o serviço de espionagem das FFAA é praticamente um Estado dentro do Estado. A situação dos direitos humanos no país é lamentável, com militantes humanistas ou religiosos cristãos ou xiitas mortos dentro de seus templos. Lá estava ocultado, sem incômodos, Bin Laden e de lá partem organizações terroristas para atacar hotéis e mercados na Índia ou mesmo tropas dos Estados Unidos no Afeganistão. Contudo, os Estados Unidos, a AIEA ou o Conselho de Segurança da ONU não boicotam o Paquistão. Pior ainda é o caso da Coréia do Norte: uma ditadura ridícula, com brutal repressão da população, com gastos miliatres que geram ondas de fome que matam milhares de pessoas por ano. O país é dotado de mísseis que podem arrasar Seul ou cerca de dez cidades do Japão com mais de três milhões de habitantes e fez testes nucleares (de difícil operação tática). Contudo, no caso da Coréia do Norte os Estados Unidos preferem negociar.
     Em suma, o Irã é um caso especial, escolhido como exemplo. Dois fatores podem explicar a decisão de dobrar o Irã: sua produção de petróleo, essencial (como no caso da Líbia) para a sobrevivência econômica do Ocidente e, por outro lado, sua insistente política anti-Israel.
Como seria a guerra?
     É pouco provável que os Estados Unidos pretendam invadir o Irã. Este não é um cenário provável. Depois dos envolvimentos americanos no Afeganistão, em 2001 (com 2876 baixas ocidentais, das quais 1886 norte-americanas até janeiro de 2012), e no Iraque, em 2003 (com 4484 mortes norte-americanas) – sem falar nos milhares de civis locais mortos – não parece ser a invasão (tipo “boots on the ground”) uma opção para a Administração Obama. Na verdade Obama se esforçou, até o momento, para “cumprir as tarefas” auto-impostas na campanha eleitoral: matou Bin Laden numa operação de vídeo-game; e fez a retirada das tropas do Iraque e se prepara para fazer o mesmo no Afeganistão. Assim, não é o caso de mandar mais “american boys” morreram em algum lugar estranho do mundo...
     A solução estaria em combinar a “guerra encoberta” – assassinatos e sabotagens – com a guerra “econômica e psicológica” para levar o Irã a capitular. Caso tais medidas não resultem nos objetivos propostos, teríamos o “Plano B”. Alguns conselheiros de Obama, como o “superfalcão” Matthew Kroenig advogam uma guerra de tipo “surgical strikes”. Trata-se do uso da superioridade aérea dos Estados Unidos (e de Israel), com aviação, mísseis e dromes diretamente contra as instalações nucleares iranianas em Natanz, Esfahan, Bushsher, Arak, Fordo e nos subúrbios de Teerã. Mesmo que as instalações estejam em bunkers subterrâneos – muitos há quinze metros de profundidade e com casamatas de concreto reforçado – os EUA usariam armas do tipo “Massive Ordnance Penetrator”, capazes de perfurar tais instalações.
     Como se justificaria o ataque? Neste caso existem algumas possibilidades previstas, a saber: 1. Conflito direto EUA-Irã, sem a presença de Israel (em respeito aos aliados árabes): qualquer incidente no Estreito de Hormuz ou no Golfo Pérsico, onde os EUA concentraram grande parte de seus navios da Va. Frota pode seria o estopim. Caberiam mesmo simulações, como o “inventado” incidente do Golfo de Tonquim, que serviu de justificativa para os bombardeios de Hanói e Haiphong em 1964; 2. Uma ação descontrolada de uma das instâncias de poder em Teerã, como a Guarda da Revolução Islâmica contra interesses ocidentais – como o fluxo de petróleo no Estreito de Hormuz - e que acabaria sendo respondida por uma ação bélica generalizada; 3. Uma ação de Israel, contra instalações ou cientistas nucleares iranianos, que seria respondida pelos iranianos. Neste caso os EUA iriam em defesa do aliado israelense... e com apoio da opinião pública americana.
     Nos três casos a guerra seria longa e penosa, como na Líbia, mas com maior capacidade de resposta por parte dos iranianos. Não bastaria o ataque aos centros nucleares – com risco de converter-se numa “bomba suja”. Seria necessário atacar toda a defesa iraniana, espalhada por um país imenso, montanhoso e com longo litoral.
     A dificuldade de tais “pré-cenários” reside em saber a possibilidade de resposta do Irã. O país é dotado de mísseis de médio e longo alcance, capazes de atingir todo o território de Israel, incluindo aí as centrais nucleares de Dimona. Além disso, as tropas americanas no Iraque, Bahrein, Kuwait e Arábia Saudita poderiam ser duramente atingidas. O fluxo do petróleo poderia ser paralisado, mesmo que por algumas semanas, o que chutaria o preço do barril para a casa dos 200 dólares, causando grande dano ao conjunto da economia mundial (já fragilizada). Além disso, os aliados do Irã, como o Hezbollah e o Hamas poderiam lançar graves ataques contra Israel e os aliados dos EUA.
     Em suma, as possibilidades de uma nova guerra são reais, mas de conseqüências imprevisíveis, o que faz a decisão ser muito difícil para a Administração Obama. No entanto, estamos num ano eleitoral. Os falcões ultraconservadores do Partido Republicano mordem os calcanhares de Obama... Na tradição americana, presidentes em guerra não perdem eleições!

(*) Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Rejeitada Proposta Russa de Sistema Conjunto ABM

Os Estados Unidos rejeitam a proposta russa para uma defesa antimísseis conjunta entre a Otan e a Rússia na Europa, afirmou o embaixador americano diante da Aliança Atlântica, Ivo Daalder, em entrevista publicada nesta quarta-feira pelo jornal russo “Kommersant”.
                                          Radar flutuante do sistema ABM rumo a Turquia Daadler reiterou assim a postura dos EUA à proposta feita pelo presidente russo, Dmitri Medvedev, que sugeriu a criação de um sistema conjunto Rússia-Otan, no qual cada uma das partes seria encarregada da segurança de um setor do continente.

“A Otan não pode aceitar essa ideia. Unicamente porque estamos convencidos que só a Aliança, e não uma potência estrangeira, pode garantir a segurança de seus membros e seus territórios. Mesmo Moscou não quer que sua segurança fique nas mãos da Otan”, justificou o diplomata americano.

A Aliança insiste em uma cooperação na qual as partes respondam unicamente pela defesa de seu território.

“Podemos aceitar uma versão adaptada da proposta russa (de defesa) setorial. A Otan se encarregará de defender seu território, e Rússia o seu. Juntos podemos determinar como podem cooperar nossos sistemas independentes de antimísseis para reforçar a segurança da Europa e protegê-la da ameaça iraniana”, indicou.

No fim de novembro, o presidente russo anunciou a instalação de um radar e ordenou reforçar a segurança das instalações das forças estratégicas da Rússia em resposta à recusa dos EUA de dar garantias por escrito de que seu sistema de defesa antimísseis na Europa não ameaça o poderio nuclear russo.

“Não há nada novo entre as medidas anunciadas pelo presidente Medvedev. O mais importante que temos ouvido é que a porta para o diálogo continua aberta. Temos intenção de cooperar com a Rússia, mas ao mesmo tempo nossa intenção é ter nossa própria defesa antimísseis”, indicou Daadler.

O embaixador americano diante da Otan reconheceu que atualmente as negociações entre a Aliança, Estados Unidos e Rússia sobre o escudo antimísseis estão em ponto morto.

“Estamos em um atoleiro, mas há saída. Todos nós sabemos conversar. Vemos com clareza nossas diferenças e estamos prontos para superá-las”, ressaltou.

Otan diz que Rússia não deve temer o escudo antimíssil

Ministros das Relações Exteriores dos países membros da Otan estão reunidos em Bruxelas com o chefe da diplomacia russa. O objetivo do encontro é tranquilizar o representante de Moscou sobre o projeto de escudo antimíssil contestado pela Rússia.

A Otan tenta tranquilizar a Rússia sobre a finalidade do escudo antimíssil durante a reunião dos ministros das Relações Exteriores dos 28 países membros da Aliança e o chefe da diplomacia de Moscou, Sergueï Lavrov, que acontece nesse momento em Bruxelas. “Seria um desperdício financeiro importante para a Rússia investir em medidas para impedir um inimigo artificial que não existe”, declarou o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen antes do início da reunião.

O escudo antimíssil, decidido durante uma cúpula da Aliança em 2010, é um ambicioso sistema de defesa, de tecnologia norte-americana, que a Otan pretende implementar para proteger a Europa. Mas o projeto não é visto com bons olhos pela Rússia, que considera o programa como uma ameaça para sua segurança.

Desde que a iniciativa foi lançada, os Estados Unidos e a Otan afirmam que o escudo não visa o arsenal de dissuasão nuclear da Rússia, e sim “uma ameaça vinda do Oriente Médio”. Alguns militares apontam diretamente o regime iraniano e seu programa bélico como principal fonte de preocupação da Aliança.

Mas Moscou exige garantias de que poderá manter seu programa de defesa sem interferência externa.

“Nossos amigos da Otan recusam categoricamente nos apresentar por escrito o que eles afirmam oralmente, principalmente o fato de que esse projeto de escudo antimíssil na Europa não apresenta nenhum risco para a Rússia”, disse o chefe Sergueï Lavrov. O chefe da diplomacia russa confirmou que seu país não está disposto a um acordo sem garantias concretas da Otan.

O escudo antimíssil deve estar operacional entre 2018 e 2020, e cobrirí vários países próximos da Rússia, como a Polônia, a Romênia e a Turquia.

Fonte: Folha / RFI

segunda-feira, 3 de maio de 2010

CPGS - ABM - START - QSP ...

Parece uma sopa de letras, mas não é tão inofensiva.


Estas siglas se interligam para prover os EUA de uma plataforma multimodal de nova geração onde armas convencionais com poder de penetração geográfica de alto desempenho, e com uma precisão muito maior, permitirão suprir com armamentos convencionais aquilo que hoje é obtido com artefatos nucleares. Nesta concepção, vetores capazes de penetrar em profundidade global e altíssimas atitudes em territórios hostis ou potencialmente hostis, fariam com o uso de explosivos convencionais o serviço que dependeria atualmente de explosivos nucleares, com todos os seus problemas: a condenação moral ao uso destes armamentos e a contaminação dos alvos.

Veículos tripulados, como caças ou bombardeiros, ou não, como os “Predator” ou mísseis de cruzeiro do tipo Tomahawk, poderiam cruzar o espaço aéreo de países inimigos sem serem abatidos, ou se fosse o espaço de uma aliado, sem que ele soubesse ou fosse necessariamente envolvido.

O primeiro, CPGS, se refere ao denominado Conventional Prompt Global Strike, citado pelo Departamento de Estado em 9 de abril deste ano. O Programa de Ataque Global Imediato Convencional permitiria contornar as restrições recém estabelecidas no START, pois ele pertence a uma outra categoria de armas. Neste programa, armas convencionais avançadas e de longo alcance como as portadoras de tecnologia hipersônica, proporcionariam velocidade e alcance de um míssil balístico internacional a uma ogiva convencional.


Já o QSP é o Programa Quiet Supersonic Platform. Este programa pretende desenvolver um bombardeiro de alta velocidade e performance de longo alcance com grande carga e eficiência. A aeronave deverá cruzar em capacidade hipersônica (sem estrondo sônico perceptível no solo) evitando problemas com países amigos ou neutros sobrevoados durante seu voo. Neste projeto, outra vantagem adicionada é o tempo de reação que ele permitiria. Segundo o site Sistemas de Armas, “Para cruzar 13 mil km será (sic) necessário quatro horas contra quinze voando subsônico. A capacidade de sobrevivência é aumentada pela combinação de velocidade, altitude e furtividade para operar de dia contra as piores defesas como o caça F-22. Isto elimina a ameaça de mísseis SAM e caças em busca visual. Também diminui o alcance dos mísseis SAM e ar-ar. Um ataque por trás é praticamente impossível. É possível até deixar de ser furtivo para diminuir custos. A velocidade também aumenta a energia das armas que podem ser lançadas de logo alcance e aumentar a capacidade de sobrevivência. “ É o que se pode ver hoje Afeganistão e o uso dos já antigos B-52: operando em altíssimas altitudes, transportam suas cargas e bombardeiam sem oposição.

A busca por um bombardeiro de novo tipo está associada com a necessidade de se adequar a força de bombardeiros a novas realidades. Os B-52 devem voar ate 2044, e os B-2 podem vir a ter sua carreira interrompida em virtude de quedas ou se reduzirem a uma frota pequena. Enquanto isso, os B1 Lancer, intermediários entre a capacidade de transporte dos B-52 e a furtividade e alcance do B-2, deve ser retirado de serviço até 2020.

Assim, o recente encontro bilateral em Washington, nos dias 12 e 13 de março, quando Estados Unidos e Rússia reuniram-se para assinar o novo START ou Tratado de Redução de Armas Nucleares, embutia não só novos limites de redução dos arsenais atômicos, mas também uma nova doutrina militar norte-americana acerca do assunto.

Por meio de um acordo entre os norte-americanos e seus aliados, os países dotados de tecnologia nuclear mas que não são confiáveis, como o Irã ou a Coreia do Norte, seriam objeto de cerceamentos. Entre eles está uma revisão do TNP – o Tratado de Não-proliferação Nuclear – que faculta a investigadores da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), da ONU, inspeções aleatórias e não agendadas nos países membros do tratado. Sua intenção seria monitorar os programas nucleares nacionais de forma garantir que os países que usam a energia nuclear para fins pacíficos, não desviem material radioativo para algum tipo de programa militar secreto. Neste caso, os EUA acenam com uma garantia de não reagir com armas de destruição em massa, mesmo se atacado, se o país agressor for signatário do TNP.

Assim, se o Irã ou a Coreia do Norte aderissem ao protocolo adicional do TNP, a comunidade internacional poderia monitorar seus programas nucleares e, ao mesmo tempo, os Estados Unidos se comprometeriam a não retaliar com armas nucleares em caso de guerra.

Para a Coreia do Norte isso permitiria manter seu arsenal atual embora sem ampliá-lo, e ao Irã, continuar seu programa nuclear que reiteradamente Teerã alega ser com objetivos pacíficos de geração de energia.

Mas segundo um artigo do jornalista Antonio Luiz M. Coelho da Costa, na revista Carta Capital em 16/04/2010, e chamado de “Economia de Bombas” o acordo americano-russo envolve uma tentativa de manter a hegemonia norte-americana sem o uso de armas nucleares. Assim, a garantia de retaliar com armas atômicas não seria apenas um gesto de “grandeza humana”, mas sim a constatação de que em breve isso simplesmente não será mais necessário com o CPGS.

Pelo novo START as ogivas serão desativadas, MAS NÃO DESTRUÍDAS, o que permitiria sua reativação posterior de forma mais ou menos rápida. Por sinal o presidente Lula menosprezou o acordo e por isso foi alvo, por sua vez, de críticas do ex-presidente Fernando Henrique que viu no tratado uma avanço significativo...

Pelo START anterior, a doutrina nuclear norte-americana reservava uma retaliação nuclear apenas (sic) para as grandes potências nucleares; mas esta nova doutrina generaliza a retaliação.

E o jornalista prossegue: “ A tese iraniana de “energia nuclear para todos, armas nucleares para ninguém”, é defensável. Em troca de promessas que podem ser abandonadas em horas, espera-se que outros países joguem fora muitos anos de pesquisa e investimento necessários para desenvolver a capacidade de produzir combustível nuclear por conta própria – a única violação de que o Irã pôde, até agora, ser acusado com provas. “

O desenvolvimento do CPGS e o desenvolvimento de armas convencionais com penetração em profundidade e alta furtividade compensariam a aparente renúncia pelo uso de armamentos atômicos. Com menos risco de contaminação com resíduos nucleares, os EUA ampliariam sua capacidade convencional de ataque. E para acomodar as eventuais ressalvas russas ou chinesas, as autoridades de Washington acenam com garantias de monitoramento por parte deles sobre tais armamentos. Mesmo porque a administração Obama parece reconhecer o status quo russo sobre a Europa oriental, e se houve concessões lá, devem ocorrer contrapartidas em outros locais.

“A Rússia tem interesse aparente em congelar as relações de força, pois seu prestígio internacional depende em grande parte do arsenal herdado da União Soviética. Sob outros aspectos, é hoje uma média potência tentando recuperar algo do peso que perdeu em termos econômicos e ainda mais em capacidade de inovação independente desde o colapso do socialismo. O Reino Unido é militarmente um apêndice do Pentágono desde os anos 50, a França abriu mão da sua relativa autonomia estratégica com o fim do gaullismo e a União Europeia como um todo, enfraquecida por divisões internas, não tem perspectiva de se tornar um poder militar global em futuro previsível.
Restam Índia e Paquistão que, embora donas de arsenais de alcance limitado, se impuseram como potências nucleares contra a vontade das forças ocidentais. E a China, que não é pouca coisa. Terceira potência nuclear, tem mísseis de alcance mundial, um vasto exército convencional, capacidade tecnológica ascendente (produz hoje quatro vezes mais artigos científicos que a Rússia) e uma economia em crescimento explosivo cujas necessidades de insumos e de mercados obrigam o governo de Pequim, queira ou não, a ampliar sua dimensão geopolítica, inclusive do ponto de vista militar.”

A integração de sistemas de disparo terrestres, aéreos, navais e -agora – espaciais, permitiriam os EUA uma vantagem militar assimétrica, desde que sua capacidade de tornar ativo o CPGS se efetive. E esta assimetria se daria pela operacionalização de outro programa: o escudo antimísseis ou ABM. Pelo primeiro eles deterão uma enorme capacidade ofensiva, e pelo segundo poderiam impedir um ataque ou uma retaliação.

Se um míssil de qualquer tipo for lançado contra os EUA, sua detecção poderia ocasionar uma interceptação ainda sobre o território do país lançador ou de um outro país “vítima”, de tal forma que eventuais resíduos da destruição cairiam sobre o territórios de outros!
Mísseis balísticos intercontinentais, mísseis lançados por aeronaves, mísseis de cruzeiro e bombardeiros de alta penetração e velocidade (hipersônicos) seriam apoiados por uma rede de alianças cobrindo desde o Oriente Médio até a Ásia para conter ameaças regionais latentes, capazes de eventualmente reescrever a conjuntura geopolítica internacional.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Os Poderes Nucleares Atuais.


Diante de hoje, dia chuvoso e frio, aproveitei para dar uma pesquisada sobre a situação das forças nucleares disponíveis e esbarrei num texto de uma rádio portuguesa (Rádio Renascença) que apresenta uns dados interessantes e que agora, devidamente creditados, vou aqui incluir como outra fonte de consulta sobre o tema.
**Mantive a redação original.


Quem são os poderes nucleares no mundo?
Inserido em 06-07-2009 17:03




Numa altura em que Barack Obama e Dmitry Medvedev tentam chegar a acordo sobre armas nucleares, impõe-se conhecer os poderes nucleares que existem actualmente no mundo.

Potências nucleares oficiais

Estados Unidos – de acordo com a contabilidade feita através do Tratado START I, em Janeiro deste ano os EUAS teriam cerca de 5.200 ogivas nucleares armazenadas e 2.700 completamente operacionais (2.200 estratégicas e 500 não-estratégicas). A distinção entre armas estratégicas e não-estratégicas (também conhecidas como tácticas) reflecte as definições militares, por um lado, de uma missão estratégica e, por outro, do uso mais imediato e táctico de armas nucleares. De acordo com o Tratado de Moscovo, de Maio de 2002, EUA e Rússia comprometem-se a reduzir as suas forças estratégicas nucleares para entre 1.700 e 2.200 ogivas até 2012.

Rússia – estima-se que tenha cerca de 14 mil armas nucleares, mas o arsenal não é conhecido na sua totalidade, uma vez que não há uma contagem precisa das armas nucleares tácticas. Sob a alçada do START I, o arsenal russo foi reduzido para cerca de 4.140 ogivas estratégicas em Julho de 2008.

França – faz parte do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares desde 1992. Em 2008, o Presidente Nicolas Sarkozy anunciou que o país iria manter o arsenal nuclear submarino. Por outro lado, comprometeu-se a reduzir em um terço os mísseis aerotransportadas para cerca de 290 ogivas. Em Setembro de 2008, a França tinha reduzido o seu arsenal total para cerca de 300 ogivas.

Reino Unido – tem menos de 200 ogivas estratégicas e sub-estratégicas instaladas em quatro submarinos nucleares da classe Vanguard.

China – o programa nuclear chinês arrancou em 1955 e culminou num teste bem sucedido em 1964. Desde então que a China realizou 45 testes nucleares, incluindo bombas termonucleares e bombas de neutrões. O país deverá ter cerca de 400 armas estratégicas e tácticas e material atómico suficiente para produzir um arsenal muito maior. Entrou para o Tratado de Não-Proliferação em 1992 e comprometeu-se a não usar força atómica contra países não-nucleares.

Outras nações “declaradas” nucleares

Coreia do Norte – testou o seu primeiro engenho atómico em Outubro de 2006 e o segundo em Maio de 2009. Tem levado a cabo inúmeros testes com mísseis, nomeadamente após o ensaio de Maio deste ano. Pyongyang abandonou o Tratado de Não Proliferação em Janeiro de 2003.
Negociações entre seis países (Coreia do Norte, Coreia do Sul, Japão, China, Rússia e Estados Unidos) começaram em 2003para tentar controlar as ambições nucleares de Pyongyang, mas fracassaram em 2005. As negociações foram retomadas em 2007 e, em Junho do ano seguinte, a Coreia do Norte apresentou o seu programa de armamento nuclear. No entanto, a Coreia do Norte veio dizer, em Abril, que iria recomeçar a construção da central onde pretende fazer enriquecimento de urânio.

Índia – auto-declarou-se um estado nuclear e deverá ter cerca de 50 a 60 ogivas, segundo um relatório de 2007 do Painel Internacional para os Materiais de Fissão. Quer a Índia, quer o Paquistão, não assinaram o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares.

Paquistão – julga-se que terá entre 580 e 800 quilos de urânio enriquecido, suficiente para fabricar entre 30 e 50 bombas de fissão. De acordo com os EUA, a China terá ajudado o Paquistão no fornecimento de material nuclear, conhecimento científico e assistência técnica. O Boletim dos Cientistas Atómicos estimava que, em 2007, o Paquistão teria um arsenal de cerca de 60 ogivas.

Outras nações “não declaradas”

Israel – é do conhecimento público que tem um arsenal nuclear de alguma dimensão, embora a postura de Telavive continue a ser de grande ambiguidade.
Tendo por base a capacidade de produção de plutónio no reactor de Dimona, Israel deverá ter entre 100 e 200 bombas nucleares. Oficialmente, Israel garante que não será o primeiro país a introduzir armas atómicas no Médio Oriente, mas Telavive não assinou o Tratado de Não-Proliferação.

Irão – tem sido um Estado não-nuclear signatário do Tratado de Não-Proliferação desde 1970. Tem actualmente em curso um programa de enriquecimento de urânio que garante estar destinado à produção de energia eléctrica. O Ocidente suspeita das intenções do regime de Teerão, sobretudo devido às restrições que tem imposto aos inspectores da AIEA. O Irão continua sob o efeito de sanções por recusar suspender as actividades de enriquecimento de urânio.


Pedro Caeiro com Reuters


2009 Rádio Renascença. Todos os direitos reservados.
Rádio Renascença
RFM MEGA FM Rádio SIM Intervoz Genius y Meios Página 1 Clube Renascença