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domingo, 2 de setembro de 2012

A Colômbia, de novo, fala em paz


     
     Ninguém sabe ao certo quando tudo começou – e quem sabe não conta –, mas não deve ter sido há muitos meses. Após décadas de violência desmesurada e incontrolável, o governo da Colômbia e as FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, a mais antiga guerrilha em atividade na América Latina – estão, uma vez mais, mantendo conversações de paz. Acaba de ser anunciado que no dia 5 de outubro, uma sexta-feira, esse processo que vem sendo levado a fogo lento será formalmente oficializado em Oslo, a capital da Noruega.
     Houve, em ocasiões anteriores, disposição para levar o assunto adiante, apesar de todas as muitas dificuldades. Em 1984, por exemplo, o presidente Belisario Betancur chegou a assinar um cessar-fogo com Pedro Antonio Marin, o lendário fundador das FARC, que também usava o codinome de Manuel Marulanda e o apelido de ‘Tirofijo’. Acabou dando em nada. Anos mais tarde, outro presidente, Andrés Pastrana, negociou com as FARC. De novo, deu em nada. E se acabaram as tentativas.
     Com Álvaro Uribe, aconteceu o contrário. Nada de diálogo: uma repressão sem precedentes foi desatada país afora, dizimando parte considerável das FARC e levando junto um número até hoje não determinado de vítimas civis, causando traumas profundos. Vale recordar que à frente do banho de sangue desatado por Uribe estava o seu ministro da Defesa, o mesmo Juan Manuel Santos que agora preside a Colômbia. Durante esse período as FARC sofreram suas baixas mais dramáticas. O número dois da organização, Raúl Reyes, foi morto enquanto dormia, num acampamento clandestino no Equador. Três meses depois, morreu, de causas naturais, Tirofijo, ícone da cruenta luta armada na Colômbia desde 1964.
     Juan Manuel Santos se elegeu pela mão de Uribe. Entre suas promessas de campanha estava a busca a paz – coisa que todo candidato colombiano vem fazendo há décadas. Por que dessa vez seria diferente? Por uma série de razões.
     Do lado das FARC, o deterioro é inegável. Nos últimos oito anos, a organização perdeu a metade dos seus 18 mil homens. Nem todos foram mortos: o número de desertores e arrependidos, alguns de grosso calibre, aumentou rapidamente após a morte de Tirofijo. Em 2010, dois golpes tremendos abalaram ainda mais os já carcomidos alicerces das FARC. Primeiro, foi morto seu chefe militar, Mono Jojoy. E três meses depois, caiu outra lenda, Alfonso Cano, sucessor de Tirofijo.
     Além disso, desde o começo dos anos 90 as FARC foram perdendo apoio externo. Com dificuldade crescente para financiar sua enorme estrutura (o grupo chegou a estar presente em todo o país, e controlava áreas imensas), desatou uma gigantesca maré de seqüestros, inclusive de pequenos comerciantes e sitiantes. Isso corroeu sua imagem, e significou perda de simpatia na população, principalmente do interior. Para culminar, os vínculos entre guerrilha e cartéis de drogas, cujos primeiros indícios surgiram no começo dos anos 80, se tornaram mais e mais visíveis. Assim corroeu-se também o parco apoio que as FARC ainda recebiam do exterior.
     Nada disso, porém, estancou o poder da organização. Se já não dominava áreas do interior, sua capacidade de ação se manteve elevada. Agora mesmo, em maio passado, uma série de atentados em Bogotá e em várias regiões do país serviu para mostrar que as FARC ainda podem causar grandes estragos.
     Para arrematar, nem mesmo as dramáticas distâncias e abismos sociais da Colômbia foram suficientes para justificar, aos olhos da opinião pública, a luta anacrônica de uma guerrilha que perdeu sua aura revolucionária.
     Claro que os últimos governos colombianos fizeram de tudo para realçar além dos limites essa imagem negativa, como forma, inclusive, de diluir seu próprio braço podre – o dos paramilitares igualmente seqüestradores, igualmente associados ao narcotráfico. Muitos dos assassinatos cometidos por eles foram atribuídos, acobertados pelo silêncio cúmplice dos presidentes e da imprensa, às FARC.
     Já do lado do governo, o deterioro também é inegável. Não há como prosseguir com o banho de sangue praticado com o argumento de combate à guerrilha. Juan Manuel Santos entendeu isso, e resolveu mudar o cenário.
     Não que se trate de um humanista preocupado com a pacificação do país e a reconciliação entre os colombianos. Trata-se de um tecnocrata frio e pragmático, que ainda acredita piamente nas crenças neoliberais, tanto assim que está esquartejando a Colômbia e privatizando tudo a preço de ocasião. Mas que sabe que nada disso terá futuro nesse turbilhão de sangue e fogo.
     Assumiu a presidência e abriu diálogo com Rafael Correa, presidente do Equador, com Hugo Chávez, na Venezuela, e com Raúl Castro em Cuba. Enquanto Uribe, seu mentor, espumava de ódio, Santos continuou avançando. Implantou leis que poderão afetar a concentração de terras em mãos dos grandes latifúndios, e outras, que poderão esclarecer crimes cometidos pelos paramilitares.
     O país continua, é verdade, absurdamente desigual. A economia cresce muito acima da média latino-americana (5,9% no ano passado, por exemplo), mas a miséria não diminui. Faltam obras de infra-estrutura, falta um mundo de coisas por fazer. Como preencher essas lacunas entre nuvens de horror e violência?
     Os termos da negociação parecem bem esboçados. A cada passo, a Colômbia consultou discretamente os governos de Cuba, da Venezuela e do Equador. Mas ainda falta muita coisa.
     Por exemplo: chegar a um acordo aceitável para os dois lados, de maneira que as FARC se desmobilizem e seus remanescentes se integrem à vida civil.
     Há um antecedente importante: o Exército M-19, que nos anos 70 e 80 chegou a rivalizar, em poder de ação, com as FARC, se desmobilizou depois de delicadas negociações de paz.
     Hoje, o prefeito de Bogotá é um ex-integrante do M-19, que faz uma administração dinâmica e de profundo cunho social.
    Não deixa de ser uma esperança.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

'Tática de Cristina Leva País a Beco sem Saída' diz cientista político



Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires
BUENOS AIRES - "A estratégia do governo da presidente Cristina Kirchner para reaver as Ilhas Malvinas aprofunda o ressentimento dos ilhéus com a Argentina. Sua posição é cada vez mais rígida e desprovida de alternativas. É um beco sem saída". A frase é de Vicente Palermo, sociólogo e cientista político, pesquisador do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet), membro da Associação Brasileira de Ciência Política e autor de "Sal nas Feridas", obra que analisa o simbolismo das Malvinas na sociedade argentina. A seguir, entrevista concedida ao Estado por Palermo, que integra um recém-criado grupo de 17 intelectuais de prestígio que pedem uma revisão da política da presidente Cristina sobre o disputado arquipélago.
Estado: Nas escolas, desde a primária, semanalmente as crianças aprendem que 'as Malvinas são argentinas'. Qual é o peso simbólico das ilhas hoje no imaginário coletivo argentino?
     Vicente Palermo: Antes de 1982, a coisa era muito mais "light", pois não havia ocorrido a guerra. Mas a derrota no conflito do Atlântico Sul deixou uma marca dura no ego. E isso provocou a ideia de uma perda, que talvez seja definitiva. Acho que o argentino médio atual não destina muita atenção ao tema, felizmente, apesar das convicções nacionalistas do governo. Mas muitos argentinos consideram que os direitos de nosso país sobre as Ilhas Malvinas são inquestionáveis e a presença britânica no arquipélago é colonialismo.

Estado: Diversos historiadores afirmam que a junta militar, em caso de sucesso nas Malvinas, tinha planos para uma guerra com o Chile....
     Vicente Palermo: Sim, com certeza, o próximo alvo teria sido o Chile. Vários setores muito importantes pensavam que nossa capacidade militar era elevada...

Estado: Quais as chances de a Argentina recuperar as ilhas?
     Vicente Palermo: Considero que fica cada vez mais complicada uma eventual recuperação das ilhas. A estratégia atual de pressão não favorece. Se o governo pretende recuperar as ilhas desse jeito, está perdido. Os kelpers se aferrarão mais ainda aos britânicos. E estes, por seu lado, também afirmam-se mais em sua posição de não entregar as ilhas e seus habitantes. Mas se o governo não puder conseguir as Malvinas, a segunda opção é a de definir os britânicos como os inimigos permanentes.
  
Estado: O respaldo dos países latino-americanos nos esforços do governo argentino para reaver as ilhas possui um efeito prático?
     Vicente Palermo: Não terá efeito prático na negociação com a Grã-Bretanha. Acontece que a faixa de negociação de Buenos Aires com Londres é muito estreita. Ou melhor: a Argentina simplesmente não coloca nada na mesa de negociações e somente diz que quer a soberania plena das Ilhas Malvinas. E, por isso, Londres não vai ceder. Além disso, essas pressões sobre a Grã-Bretanha complicam as relações dos outros países sul-americanos com o governo de Londres. E a ideia de uma “soberania compartilhada” parece inverossímil.

Estado: O governo Kirchner argumenta que os ilhéus não contam nestas negociações porque são uma comunidade "transplantada".
      Vicente Palermo: Existem dois artifícios entre os preferidos da ortodoxia argentina quando o assunto são os ilhéus. O primeiro é um jogo de números que pergunta qual a relevância de 3 mil pessoas diante de 40 milhões (população da Argentina). Mas acho que mais importante do que isso é que os ilhéus possuem identidade.

30 Anos Depois

A propósito da recente escalada retórica entre os dois países acerca do conflito e sobre a soberania destas ilhas, vale pensar que hoje, tanto como naquela época, os governos estavam em meio a uma perda de prestígio interno e o conflito serviu para produzir uma solidariedade das respectivas populações com seus governos.
Acho que o Brasil acerta em reconhecer o direito argentino, mas condenar a invasão de 1982 mas me preocupa - apesar de entender - a dependência de nossa diplomacia em relação aos interesses de Buenos Aires.  
O fundamental é ouvir os ilhéus e esses são claramente britânicos, possuindo pouco ou nenhum vínculo com os argentinos.  Pelo direito de autodeterminação, as ilhas são Falklands e não Malvinas.
E ao tentar impor uma soberania sobre o território, são os argentinos que assumem uma postura autoritária e colonialista.
O argumento de que Londres explora em seu proveito território é improcedente, pois o custo de manutenção de serviços e das instalações militares (maior base britânica no hemisfério sul), consome mais de US$ 300 milhões de dólares/ano e toda a renda gerada pela exploração econômica do arquipélago fica com os habitantes.
Minha Opinião



     Uma série de cerimônias e discursos na Grã-Bretanha e na Argentina marcarão nesta segunda-feira o 30º aniversário do começo da Guerra das Malvinas (ou Falklands, para os britânicos).
     No total, 255 soldados britânicos e 650 argentinos morreram no conflito que começou com uma invasão argentina das Malvinas no dia 2 de abril de 1982.
     O aniversário acontece em um momento de novas tensões entre argentinos e britânicos. Recentemente a Argentina voltou a manifestar seu direito às ilhas, mas a Grã-Bretanha segue comprometida a manter a soberania na região no Atlântico Sul.
     A Grã-Bretanha controla as Malvinas desde 1833, mas a Argentina afirma que o território pertencia à Espanha, e que foi herdado pelo país sul-americano com a sua independência.
'Chama eterna'
     Veteranos britânicos de guerra e parentes dos mortos farão uma cerimônia especial no Memorial Nacional Arboretum, em Staffordshire, na região oeste da Inglaterra. Uma única vela será acesa como um gesto de memória aos mortos.
     O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, disse que a segunda-feira é um dia de lembrar argentinos e britânicos mortos no conflito
     "Há 30 anos, o povo das Ilhas Falklands sofreram um ato de agressão que quis roubá-los das suas liberdades e do seu modo de vida", disse Cameron. "Hoje é um dia de comemoração e reflexão: um dia para lembrar todos aqueles que perderam suas vidas no conflito - os integrantes das nossas Forças Armadas, assim como os argentinos que morreram."
     Ele prestou homenagem ao que chamou de "heroísmo" dos soldados britânicos que libertaram as Malvinas da Argentina, e disse que a Grã-Bretanha está orgulhosa de "corrigir um erro profundo".
     A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, visitará o porto de Ushuaia nesta segunda-feira, para uma cerimônia de homenagem aos soldados argentinos mortos no conflito. Ela vai acender uma "chama eterna" no local. Na madrugada passada, veteranos de guerra fizeram uma vigília.
Diplomacia
     A Argentina solicitou a abertura de negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas, mas o governo britânico diz que não há nada para se discutir, se não houver consentimento dos moradores.
    A Grã-Bretanha acusa a Argentina de tentar impor um bloqueio à população local, depois de proibir embarcações com a bandeira de Falklands em seus portos. A medida também foi adotada pelos demais países do Mercosul.
     Já os argentinos acusam os britânicos de militarizar o Atlântico Sul, depois que foi divulgado que um dos navios de guerra da Marinha britânica será enviado à região.
     A derrota das forças argentinas no conflito contribuiu para o fim do regime militar liderado pelo general Leopoldo Galtieri, que foi preso acusado de "incompetência" na guerra. A premiê britânica na época, Margaret Thatcher, não participará de nenhum dos eventos desta segunda-feira, devido aos seus problemas de saúde.

domingo, 26 de junho de 2011

Afeganistão – O Anúncio da Retirada

 
O anúncio feito pelo presidente Barack Obama sobre a retirada de 10 mil soldados americanos do Afeganistão em 2011 e outros 23 mil até o fim de setembro de 2012 marca o início da retirada dos militares da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) do país.
Só para os EUA, o custo semanal para a manutenção das tropas é de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 3,17 bilhões). Depois do anúncio americano, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, também anunciou uma retirada gradual dos quatro mil soldados do país servindo no Afeganistão.
Saiba o que significa para o Afeganistão a saída das tropas estrangeiras do país:
I - Qual é o futuro da Otan no Afeganistão?Segundo Obama, 68 mil soldados americanos ficarão no Afeganistão a partir de 2012. Eles devem permanecer, no entanto, até 2013, quando forças afegãs devem assumir a segurança. Os 10 mil militares do Reino Unido, o segundo maior contingente, devem sair do país em 2015, se as condições forem favoráveis. A França já anunciou que irá retirar todos os seus 4.000 soldados.
A Alemanha também já planeja a saída de seus 5.000 militares. Os EUA e a Otan admitem, no entanto, que será necessária a presença por tempo indefinido de um certo número de militares para treinar e dar apoio às tropas afegãs.
II - A missão da Otan teve sucesso?Segundo o analista da BBC Bilal Sarwary, o nível de violência no sul do Afeganistão baixou após a decisão de Obama de aumentar o número de tropas americanas no país, em 2010 (quando o contingente da Otan subiu para 140 mil). Embora a situação tenha melhorado nas províncias como Helmand e Candahar, regiões com menor presença da Otan, como o centro e o norte, veem aumentar a influência do movimento Taleban, que se alia a outros grupos fundamentalistas da Ásia Central. O aumento do narcotráfico no norte do Afeganistão é outro complicador.
III - O que faz a Otan?Oficialmente, a missão da Otan, cujo nome é Força Internacional de Assistência e Segurança (Isaf, na sigla em inglês), diz que seu papel é reduzir a capacidade do Taleban, dar apoio às Forças Armadas do Afeganistão e melhorar a governança e desenvolvimento sócio-econômico do país. A prioridade, no entanto, é treinar o Exército e a polícia do Afeganistão, preparando-os para assumir a segurança após a retirada dos aliados.
IV - Quem comanda as tropas estrangeiras?A missão da Otan foi autorizada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em dezembro de 2001, logo após a invasão do Afeganistão pelos EUA. Atualmente, é comandada pelo general americano David Petraeus. Inicialmente baseadas na capital, Cabul, as forças da Otan estão presentes em todas as províncias afegãs desde 2006. Cerca de 10 mil tropas americanas também estão estacionadas na fronteira com o Paquistão.
V - A violência no Afeganistão piorou ou melhorou nos últimos anos?No contexto geral do país, o nível de violência não diminuiu desde a queda do Taleban, em 2001. O número de baixas entre os militares da Otan passou a aumentar a partir de 2005. O ano de 2010 foi o mais sangrento, e maio de 2011 foi o mês com maior número de baixas. Os rebeldes agora usam bombas com detonadores remotos e atiradores de elite para atingir os aliados ocidentais. O número de civis afegãos mortos no conflito também aumenta. Enquanto isso, cai nos EUA, no Reino Unido e nos países europeus o apoio à permanência das tropas no país.
VI - Apenas estrangeiros combatem o Taleban?Não. Um dos objetivos da Otan é treinar os militares afegãos, que já atuam ao lado dos aliados.
A expectativa é que em outubro de 2011, o Exército do Afeganistão tenha 171 mil homens, e a polícia tenha 134 mil efetivos.
VII - As tropas da Otan atuam apenas no campo de batalha?Embora a prioridade seja combater os rebeldes do Taleban, muitos militares da Otan estão envolvidos em operações de paz. Em algumas regiões, militares trabalham na reconstrução de escolas, da rede de abastecimento de água e ajudando os governos locais.
VIII - Qual é a força do Taleban?Após serem derrubados do poder em 2001, o Taleban e seus aliados têm executado ataques de vingança, desafiando o atual governo afegão. Acredita-se que o grupo seja formado por apenas 20 mil rebeldes. Embora sejam relativamente poucos diante das tropas da Otan e do Afeganistão, eles têm aumentado sua influência e espalham insegurança pelo país.
IX - A Otan tem apoio da população afegã?A maioria dos afegãos se mostra otimista com a situação do país, segundo pesquisas encomendadas pela BBC, pela rede americana ABC e pela alemã ARD. A morte de civis em operações da Otan, no entanto, é o principal motivo de insatisfação dos afegãos com as tropas aliadas. Denúncias de corrupção no governo do presidente Hamid Karzai, apoiado pelo Ocidente, também pesam no apoio dos afegãos à Otan.
X - Qual a origem das tropas da Otan?A esmagadora maioria é dos EUA, com os britânicos em segundo lugar. Ao todo, há tropas de mais de 50 países, como Canadá, Austrália, Polônia e Turquia. A menor participação é da Islândia, com quatro militares. Eles estão espalhados por todo o país, mais concentrados no sul e no oeste.
Fonte: BBC Brasil
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sábado, 12 de dezembro de 2009

A Estratégia Militar Chinesa

Colégio HMS – Texto para discussão
Prof. Cláudio Almeida
http://claudiouff.blogspot.com http://profclaudio.wordpress.com
Coluna Semanal - 03.09.2007
A ESTRATÉGIA MILITAR DA CHINA por J. Nyquist r.
Em Outubro de 1991, líder fundamental da China, Deng Xiaoping, foi assistir ao teste o voo do caça Jian-9 em Sichuan. Depois de assistir a decolagem da caça, Deng disse que as mudanças recentes no Leste eram devido a problemas econômicos. "A chave foi que a economia [Soviética] tinha sido por muito tempo bad shape…." Por seu lado, referiu-se Deng, a China tinha resolvido seu problema econômico. A República Popular foi crescendo e assim o foi também sua capacidade para a construção de armas avançadas. Em breve a China seria capaz de construir uma poderosa força aérea.
Os dirigentes chineses durante os anos 80 revelaram muitas vezes a estratégia por trás de sua abertura de econômica do país para o Ocidente. Na declaração após a instrução, os comunistas chineses afirmaram que eles estavam tendo uma lição extra do guia estratégico de Lenine. No início da década de 1920 Lenine havia iniciado na União Soviética uma Nova Economia Política (NEP), abrindo a Rússia ao investimento capitalista. Como seria de esperar, a economia soviética prosperou durante a NEP e a Rússia foi capaz de estabelecer as bases da suas indústrias militares. Devido à sua comprovada capacidade de controlar o país, algo semelhante a NEP de Lenine foi adotada pela China. Os dirigentes chineses asseguraram a elite do Partido Comunista (PCCh) que esta política foi ideologicamente "correta." Atrair o capitalismo e o capital estrangeiro para a China ,seria a base para superioridade militar futura da China.
As ideias de Deng levaram tempo para ganhar aceitação na China, em parte devido ao tempo em que foi rebaixado na sua posição de liderança. Durante muitos anos, o presidente Mao Zedong, fundador da República Popular, tentou construir a indústria chinesa com slogans e incentivos. Em 28 de Junho 1958 disse a seus generais, "Vocês devem construir navios grandes e estar preparados para ocupar terrenos no Japão, nas Filipinas e São Francisco." Esperava que sua nova China Socialista seria capaz de produzir uma frota enorme. "O Pacífico não é Pacífico,"disse ele. "Só pode ser pacífica quando podemos assumi-la." Mao pediu até mesmo aos russos ajuda. O dirigente soviético Nikita Khrushchev tentou dissuadi-lo. "Construa submarinos e navios leves armados com mísseis,"disse Khrushchev. "Um grande navio de guerra é um caixão de aço". Os russos tentaram explicar aos técnicos chineses e os custos e dificuldades de construção de navios de guerras. Mao estava irritado pela sua tediosa explicação e humilhado pelas sugestões de Moscou, de que a China mal poderia permitir-se grandes navios de guerra. "Não preciso uma frota, disse em seguida," ele sourly interjected durante uma reunião com Khrushchev. "Sei guerrilha. A China sempre pode recuar a partir da Costa e lutar uma guerra de guerrilha".
Mao detinha por um grande sonho. Ele disse "Nós devê-mos controlar a terra” disse a seus associados. Mas a China era economicamente débil. O Exército de Libertação Popular foi equipado com armas obsoletas. E quatro anos de Grande Mao e sua revolução cultural produziram um caos econômico. Não foi possível acompanhar a América, por meio de slogans ideológicos e entusiasmo político. E, assim, Mao percebeu que Deng Xiaoping estava, afinal, correto. Como as pessoas do Daily posteriormente explicou, "se um país Socialista deve fazer uso do capitalismo ou não é uma questão que muito tem sido discutida tanto na teoria como na prática. É de importância ainda maior para um país Socialista economicamente atrasado resolver a questão corretamente."
Mao foi com pressa e chegou a parte alguma. Deng Xiaoping foi paciente. Ele foi o Tartaruga, e a lebre Mao. Em algumas situações é um atalho tentador ir mais rápido. Os dirigentes chineses viram a sabedoria da estratégia de Deng. "Para um tempo relativamente longo," disse Gen. Mi Zhenyu, "será absolutamente necessário que nós silenciosamente ocultemos nosso sentido de vingança…. Devemos esconder nossas capacidades e esperar nosso tempo." E é o que fizeram os comunistas chineses. O sonho de Mao de controlar o Pacífico e o desembarque em São Francisco não está tão fdistante como era em 1958. A China preparou uma grande frota mercante. Foi dirigente soviético Nikita Khrushchev quem primeiro avisou Mao sobre este assunto. "Acreditamos um deve criar uma frota mercante com vista a usá-la para fins militares".
E por que a China deve construir tal uma frota?
"Para resolver o problema da América devemos ser capazes de transcender as convenções e restrições,"disse Gen. chinês Chi Haotian em um segredo de discurso sigiloso a quadros do partido. "Na história, quando um país derrota outro país ou ocupada outro país, ele não poderia matar todos os cidadãos conquistados na terra, porque depois, em seguida, você não poderia matar pessoas eficazmente com sabres ou flechas longas, ou mesmo com espingardas ou metralhadoras." De acordo com o General Chi, "somente usando armas não-destrutivas que podem matar muitas pessoas é que poderemos reservar América para nós próprios. Houve um rápido desenvolvimento da moderna tecnologia biológica e novas bio-armas foram imaginadas uma após outra. Naturalmente, não ficamos ociosos; nos últimos anos aproveitamos a oportunidade de construir armas deste tipo. Somos capazes de atingir nosso objetivo na América de uma 'limpeza' repentina. "
Como todos os assassinos em massa potenciais, os comunistas chineses se veem como humanitários. E, portanto, é natural para eles não ter reservas. Chi Haotian descreve a luta como inevitável entre América e a China e é uma necessidade trágica. Falou do horror e crueldade do trabalho pela frente."As armas biológicas são sem precedentes em suas perspectivas," ele reconheceu, "mas se os americanos não morrerem, então os chineses morrem e esse número seria de mais de 800 milhões de pessoas!" O território chinês não oferece suporte ao 1.3 bilhão de habitantes indefinidamente. O ecossistema da China já é restrito. Portanto, a China não tem outra opção. "De um perspectiva humanitária,"disse Chi," nós devemos emitir um aviso para o governo americano, às pessoas e persuadi-los a deixar América … para os chineses." Naturalmente, um aviso de tal conteúdo dificilmente seria eficaz. Por conseguinte a China tem apenas uma escolha. "Isto é," disse Chi, "usar os meios decisivos para “limpar” a América e reserva-la para nossa utilização.... Nossa experiência histórica tem mostrado que, enquanto que podemos fazer isso acontecer, ninguém no mundo pode fazer qualquer coisa contra nós. Além disso, se os Estados Unidos como líder for perdido, em seguida, outros inimigos se entregarão a nós".
De naturalmente, este plano de batalha é muito perigoso. As estratégias chineses são por conseguinte, preparadas para dois cenários: (1) um ataque surpresa bem sucedido a América, com pouca perda para a China; (2) uma retaliação nuclear que iria matar 650 milhões de chineses. Diante desta situação, explicou Gen Chi, a liderança comunista tem de ser corajosa. "Na História chinesa, na substituição das Dinastias, os implacáveis têm sempre sucesso e os benevolentes sempre falharam." Não devemos ser dissuadidos pelo custo humano. A guerra moderna é a guerra de destruição em massa. Ela envolve o assassínio em massa de seres humanos. "Talvez possamos pôr desta forma" explicou Gen. Chi: "a morte é o mecanismo que avança a história. Durante o período dos Três Reinos, quantas pessoas morreram? Quando Gênghis Khan conquistou a Eurásia, quantas pessoas morreram? Quando os Manchus invadiram o interior da China, quantas pessoas morreram?" Chi, em seguida, admite " é uma realidade brutal matar um ou duzentos milhões de americanos. Mas esse é o único caminho que irá garantir um século chinês, um século em que o Partido Comunista Chinês (CCP) será líder mundial. Nós, como revolucionário humanitários, não queremos mortes. Mas se a história confronta-nos com uma escolha entre as mortes de chineses e as dos americanos, teremos que escolher o nosso lado…. Isso porque, afinal, somos chineses e membros do CCP…."
O contorno de estratégia militar da China é claro. Os chineses estão construindo uma marinha grande com muitos navios mercantes porque querem controlar o Pacífico e o transporte milhões de colonos para um Norte desocupado em terras americanas. As armas biológicas para "Limpar" a América já existem , já foram construídas. A destruição do sistema de alerta antecipado da América e a decapitação do Governo dos EUA pode ser alcançada através de um aparente ato de "terroristas" (ou seja, por forças especiais de comandos). Há também uma dimensão econômica no plano de ataque. Em primeiro lugar, fazer tudo para apressar o colapso financeiro da América. Para esse efeito, os americanos tem dado sua própria contribuição especial. Segundo, a falência do governo dos EUA produzirá, naturalmente, um efeito sobre o desarmamento estratégico espontâneo dos militares americanos; terceiro, usar a ameaça terrorista árabe como um desvio para que os americanos reajam contra os países errados quando forem atacado com armas biológicas; e o quarto, terminar com os americanos quando eles estiverem na defensiva e desorientados.
Por sua vez China tem vacinado seus próprios soldados podendo começar o ataque biológico. O plano tem muitos riscos, e o americano médio prontamente iria negar este plano como uma loucura. Mas todos nós devemos lembrarmos da loucura de Hitler, que tentou exterminar os judeus na Europa. É difícil crer que alguém iria exterminar pessoas que estavam bastante indefesas. No entanto, é exatamente o que aconteceu. Os Nazis construíram seu mito da malevolência judia, e isto serviu como sua justificação. O Nazis meramente projetaram sua própria malevolência em suas vítimas .Hoje os agentes do comunismo tem construído a sua justificação para o extermínio da América. Os russos e chineses, juntamente com seus aliados do terceiro mundo, cuidadosamente têm previsto seu ocaso. Temos todos ouvido a propaganda anti-americana. Ela está em toda parte. De acordo com esta propaganda os americanos são agressores imperialistas. Os americanos assassinam milhões de pessoas. Os americanos estão roubando os recursos mundiais. Os americanos são a causa do aquecimento global. O planeta estará condenado a menos que os americanos são erradicados.
Aqui encontramos uma variação no tema de Hitler. Em vez de culpar os judeus, eles culpam os americanos (e seu aliado sionista). Em vez de câmaras de gás e o uso de fornos usarão armas nucleares e biológicas. Em vez de uma comunidade minoritária no meio da Europa, um continente inteiro irá ser saqueado. O plano de guerra visa pilhar o continente sob a forma de edifícios vazios, infra-estruturas, máquinas e imobiliário. Com esse saque vem dominação global.
Ao finalizar esta coluna com um último pensamento fornecido por Wall Street Journal em 7 de Março. Em uma coluna intitulada "O Mito Militar da China" lemos que a China está "aumentando rapidamente o orçamento de defesa." A administração Bush quer uma explicação. Por que razão a China está construindo tantos navios, canhões e aviões? Todos assumem que a China está preparando ataques a Taiwan. "Mas os avanços militares da China não são mais apenas sobre um "ataque a Taiwan”, diz o Jornal. Tendo elaborado uma intrigante álgebra geopolítica, o Journal aponta outras trilhas, como na direção de armamentos anti-satélite da China. A atenção americana tem ainda que ocupar-se com o conceito de um assalto com ADM (armas de destruição em massa) e genocídio. Estamos assistindo como os chineses preparam-se para nos abater. Estamos piscando e desviando o nosso olhar.

sábado, 26 de setembro de 2009

Irã X EUA - da crise nuclear a possíveis desdobramentos.

O anúncio ontem da existência de uma outra, a até então desconhecida instalação nuclear iraniana em Qum, feito em conjunto pelos governantes dos EUA, Inglaterra e França, acirrou novamente as tensões entre a comunidade internacional e a República Islâmica.
A divulgação veio à reboque da confirmação do governo iraniano que já desconfiava de que o segredo fora descoberto. Para os Estados Unidos a instalação é muito pequena para ser de uso pacífico, mas caberia num programa de obtenção de plutônio - com seu desdobramento lógico que seria uma bomba nuclear.
Quais são as opções?

  1. Negociação: os Estados Unidos e seus aliados na questão, além da comunidade internacional via ONU e especialmente seu Conselho de Segurança podem tentar aumentar a pressão sobre Teerã no sentido do abandono definitivo de seu programa nuclear - pouco provável -, ou que os iranianos franqueiem suas instalações de forma permanente e séria à AIEA. A Rússia pode vir a somar com sua inluência, já que não veria bem o retorno à questão do escudo europeu antimísseis que a quinze dias foi oficialmente abandonado pelo governo Obama e que se tornou um delicado ponto de atrito entre os dois países. Uma das justificativas do governo norte-americano era justamente a ameaça de mísseis balísticos iranianos.
  2. Guerra com invasão: pouco provável que ocorra uma invasão por terra pois os recursos norte-americanos já estão comprometidos com as frentes iraquiana e afegã, sendo temerário a abertura de outra frente militar no Oriente Médio. Quanto a Israel, também seria algo descartado um ataque terrestre já que se exporiam, de imediato, a retaliações em Gaza (Hamas) e na fronteira libanesa (Hezbolah).
  3. Guerra sem invasão: neste caso ataques aéreos ou com mísseis de precisão poderiam ser utilizados para demolir ou danificar as instalações nucleares iranianas, mas exporiam os envolvidos diretos (reais ou potenciais) a retaliações, além de insuflar o terrorismo jihadista para uma resposta assimétrica, possível em Tel Aviv, Washington, Londres, Paris, etc. De qualquer forma haveria inevitavelmente uma conflagração entre os aliados e os adversários do regime iraniano, com desdobramentos possíveis desde a América Latina (Venezuela) até o Extremo Oriente (Coreia do Norte). Com os EUA envolvidos com um conflito no Oriente Médio, Hugo Chavez e Kim Jong Il ficariam mais livres para desafiar os interesses da administração norte-americana.
  4. Israel: o governo de Nethaniahu poderia reafirmar sua aliança com os EUA, forçando a administração norte-americana a engolir um endurecimento com os palestinos e "fatos consumados" no Líbano, em Gaza e Cisjordânia. E em caso de uma real ameaça iraniana (25% da população se disse disposta a sair do país ante uma ameça nuclear de Teerã) ou ataque efetivo, dificilmente o governo israelense deixaria de reagir com suas próprias armas nucleares. Ainda que uma retaliação nuclear israelense fosse proporcional a um ataque iraniano, do tipo um por um, o mundo islâmico seria varrido por uma onda de histeria vingativa. O jihadismo ganharia força política e militar e senão todos, certamente a maioria dos governos moderados ruiriam. Numa situação já quase de descontrole, não seria inconcebível que o Paquistão fosse arrastado para a linha de frente da guerra contra os sionistas e seus aliados, ao mesmo tempo que a Índia se prepararia para um confronto nuclear com seu adversário de três guerras e sessenta anos de rivalidade
    Imaginemos, por exemplo que simultaneamente a Venezuela subisse a tensão com a Colômbia, o Irã estimulasse uma insurgência da comunidade xiita no Iraque (fazendo subir as baixas de soldados dos EUA) a ponto de comprometer não só a retirada das tropas como destruir a frágil estabilidade que lá existe, e a Coreia do Norte retomasse o atrito com a Coreia do Sul e o Japão. Neste quadro hipotético, como os EUA dariam conta de tantas crises simultaneamente e ainda tendo que prover proteção para si, seus aliados e seus interesses globais?
    Já para o governo iraniano, a retórica do confronto ajuda a neutralizar a oposição interna, muito fortalecida após os protestos e contestações recentes, fabricando uma falsa "unidade" interna. Numa situação de ameça externa como poderiam os opositores não serem tomados como traidores ou colaboracionistas?
    O presidente Ahmadinejad teria assim uma desculpa aceitável para suprimir toda a oposição e reforçar seu próprio poder. E a divisão do país seria eliminada pela mobilização religiosa (Islã contra o Ocidente), política (união nacional) e militar.
    Dispondo de forças armadas e os Guardiões da Revolução, o Irã é um osso duro em termos militares convencionais. Suas FA dispõem de 700 mil homens no Exército (a metade são reservas), 18 mil na Marinha, outros tantos na Força Aérea e cerca de 12 mil na Defesa Aérea. A estes efetivos soma-se o chamado Pasdaran ou guardas revolucionários, com mais 120 mil homens, e as forças paramilitares do Basij (90 mil mobilizados e 2 milhões de reservistas) prioritariamente volados para a repressão interna e as unidades Al Qods, que treinam voluntários estrangeiros. E este efetivo conta com 5 bases navais entre o Golfo, o Cáspio e o Índico e mais 14 aéreas. Novos sistemas de mísseis têm sido incorporados, os F-14 fornecidos pelos EUA antes da revolução de 1979 foram modernizados e novas unidades navais foram incorporadas ou mantidas operacionais, inclusive submarinos e lanchas artilhadas com foguetes, que poderiam estrangular a passagem de petroleiros pelo estreito de Ormuz.
    Por enquanto as negociações devem proseguir, mas até quando...?

domingo, 28 de dezembro de 2008

A Espiral Satânica

O ATAQUE
O fim da trégua entre Israel e o Hamas em novembro deste ano, restaurou o crescente clima de desgaste contra a fronteira oeste dos israelenses. Duzentos ataques de morteiros e foguetes depois, a máquina militar de Israel - sob pressão interna para agir - reagiu, provocando um banho-de-sangue absolutamente desproporcional, pois as duas centenas de ataques (segundo o Estadão) não haviam provocado a morte de nenhum judeu; mas a resposta israelense fulminou 271 mortos e um impreciso número de feridos que vão de 700 a 900. Entre os mortos estão mais de cem homens que estavam numa cerimônia de formatura, e que reforçariam militarmente os Hamas.
Uma sucessão de ataques aéreos atingiu instalações do Hamas como delegacias, depósitos diversos, veículos e até uma mesquita, mas mesmo assim os ataques contra o território de Israel não sofreram, aparentemente, nenhum dano já que logo depois da ofensiva aérea, os bombardeios recomeçaram com morteiros e mísseis caseiros Kassam, matando uma mulher e ferindo outros quatro cidadãos israelenses.
O Egito abriu sua fronteira com Gaza para permitir a saída de feridos e o socorro e abastecimento da população local e viu sepultada no curto prazo, a possibilidade de intermediar um novo cessar-fogo entre os oponentes.
O governo israelense afirma que o ataque foi levado à cabo por 60 aviões F-16 (fabricação norte-americana e que extende aos EUA a fúria dos fundamentalistas) e levou a Autoridade Nacional Palestina (ANP) a conclamar a população da Cisjordânia para doar sangue. O governo judeu também afirma ter destruído 95% dos alvos previstos, todos eles de natureza militar, e embora poupando alvos religiosos, foi lembrado ue uma sinagoga foi atingida por bombas palestinas.
Talvez a população local, em pânico em meio aos foguetes ar-terra disparados pela FAI tenham uma opinião diferente acerca dos acertos do ataques de Israel.

DESDOBRAMENTOS
O passo seguinte de Israel parece ser uma ofensiva terrestre para reassumir o controle sobre Gaza, abandonada em 2005 e que ao invés de melhorar as relações com os palestinos, permitiu a intensificação de ataques na fronteira ocidental. Uma ofensiva terrestre restauraria o domínio militar sobre a região e permitiria confrontar abertamente o Hamas.
Os países árabes estudam uma resposta conjunta ao massacre israelense, mas deve limitar-se à ações diplomáticas, exceto se no caso de um ataque terrestre, produzir-se alguma mudança neste quadro.
É plausível que o Irã estimule e dê cobertura ao Hezbolah (movimento xiita de resistência no Líbano) para abrir uma outra frente de luta contra Israel na fronteira oriental do Estado Judeu, tanto para demonstrar solidariedade e resistência, como para aliviar a pressão contra os palestinos de Gaza.
O próprio Irã ganha mais argumento para prosseguir com seu programa de desenvolvimento de mísseis e que, por si só, tem sido um ponto de atrito nas relações internacionais já que está associado com o desenvolvimento do programa nuclear do país, e, potencialmente, poderia dotar os iranianos de Armas de Destruição em Massa (ADM) de alcance intermediário, cobrindo o território de Israel.
A Síria volta a ganhar força também ao apoiar - ainda que sorrateiramente - os grupos resistentes à Israel e ela continua sendo uma importante peça do tabuleiro libanês.
Os EUA são atropelados pela iniciativa militar de Israel e, mais uma vez, conduzidos à situação de sendo espectadores, não são imunes à reação dos jihadistas, já que os vínculos norte-americanos/israelenses são amplos e antigos. Também vale lembrar que a administração Bush está em seu ocaso e como Barack Obama vai lidar concretamente com os conflitos regionais no médio oriente ainda é uma incógnita, apesar das declarações do "candidato" Obama reafirmarem a histórica aliança e confirmar o apoio da Casa Branca ao governo de Tel Aviv. Para a administração norte-americana, cabe ao Hamas agir, evitando as iniciativas militares de Israel pela repressão aos ataques fronteiriços. A única mudança visível no curto prazo parece ser a orientação de enfatizar uma solução via ONU, com mais parceria e menos unilateralidade.
Esta, por sua vez, convocou uma sessão de emergência do Conselho de Segurança mas nenhuma ação efetiva deve ocorrer, já que os Estados Unidos tem poder de veto e certamente o usarão, apesar do ônus político da decisão. Assim, a atuação do mesmo limitar-se-á "a um apelo".
Enquanto não se concretiza alguma ação política de pacificação que leve o Hamas a renunciar à destruição de Israel, aceitar a existência de fronteiras reconhecidas internacionalmente e que, da parte de Israel contemple a formação efetiva de um Estado palestino, não parece ser possível renunciar ao uso da força.

Manifestações, apelos, ameaças, mais ódio e redicalismos alimentam, na Terra Santa, a inconclusa descida ao Inferno.