quinta-feira, 31 de maio de 2012

Ouro, Ciclo Minerador e Relações Colônia-metrópole


Via Revista de História

Às toneladas

A descoberta do ouro alterou as relações econômicas na Colônia e enriqueceu a metrópole.

Angelo Alves Carrara
Mais do que um recurso natural. Mais do que um artigo de exportação. O que se descobriu em Minas, depois de dois séculos de colonização, foi fortuna em estado puro.

Ao contrário do que ocorria com a produção de cana-de-açúcar no Nordeste, o metal extraído dos leitos dos rios mineiros não dependia da demanda internacional e suas oscilações de cotação: já vinha em forma de dinheiro, pronto para ser posto em circulação ali mesmo. O ouro em pó transformou-se imediatamente na principal moeda das Minas Gerais naquele final do século XVII. E era tão abundante que, embora quase sempre tivesse Portugal como destino, causou enorme impacto econômico e social também deste lado do Atlântico.

Uma verdadeira corrida pelo ouro tomou de assalto a capitania até então pouco habitada. Levas de gente chegavam de toda parte atrás do sonho da riqueza imediata, disputando as margens dos rios para montar seus arraiais, muitas vezes com violência. A ganância movia todos, e era preciso aproveitar antes que o Estado decidisse impor regras e restrições de acesso àquela fortuna natural.

Quase todo o ouro se encontrava em terrenos de aluvião – nas margens ou na foz dos rios, onde a erosão deposita cascalho, areia e argila. O sistema de extração era simples: ficava-se dentro dos ribeiros, com água até a cintura. Com uma bateia, lavavam-se as areias auríferas, até que os materiais mais leves ficassem na parte superior, de onde eram retirados. No fundo ficava o ouro, misturado a outros minerais. A época mais adequada para a atividade era o inverno, quando o nível da água dos rios estava mais baixo, o que permitia trabalhar melhor os leitos. O ouro assim extraído já vinha em pó ou em pepitas – não requeria, para se dissolver das rochas, o uso de mercúrio para formar amálgamas. Recém-retirado das bateias, podia ser usado como moeda.

Dois grupos de trabalhadores se dedicavam à mineração: os escravos dos grandes proprietários e os trabalhadores livres, chamados de garimpeiros ou “faiscadores”. E se nos primeiros tempos da corrida do ouro a riqueza ficava com quem chegasse primeiro e defendesse melhor o seu quinhão, com o tempo a exploração gerou forte concentração de renda: o grosso ficava com os grandes proprietários, que se contavam nos dedos, enquanto os muitos “faiscadores” dividiam o resto.

Em 1710, por exemplo, apenas cinco pessoas foram responsáveis por 47,65% de todo o ouro produzido na Intendência do Rio das Mortes. Um século depois, quando o volume extraído já minguava, a desigualdade ainda era regra: os cinco maiores produtores conseguiram quase 82 quilos de ouro – uma média de 16 quilos para cada um –, enquanto os 568 menores ficaram com menos de 184 quilos – média de 347 gramas para cada um. O minucioso censo feito em 1814 mostra ainda que havia 5.747 garimpeiros atuando na região. Juntos, eles produziram cerca de 413 quilos, o que rendeu a cada um, em média, 71 gramas.

Embora importante para a economia colonial, era pequena a quantidade de pessoas envolvidas na mineração. A maior parte da população da capitania morava nos campos e vivia dos trabalhos agrícolas e pastoris. Enquanto isso, a extração de ouro, setor que gerava os mais valiosos rendimentos fiscais para a Coroa, mobilizava, no máximo, 5% dos moradores de Minas Gerais. E nem todos de modo exclusivo: muitos se dedicavam também à agricultura.

Mesmo assim, a disponibilidade de uma enorme quantidade de moeda, distribuída por um número de pessoas bem maior do que até então se vira, explica o impacto que a mineração tinha sobre a economia local. Sem exagero, pode-se afirmar que o ouro estimulou a produção de gêneros de muitos setores da economia brasileira daquele século, especialmente a agricultura e a pecuária voltadas para o abastecimento interno.

Em Minas, na contabilidade das lojas e vendas, ao lado dos réis (plural de real), aparecia a unidade monetária fundamental: a “oitava” de ouro – o equivalente a 3,586 gramas. A oitava, por sua vez, dividia-se em 32 frações: eram os “vinténs” de ouro. Cinco vinténs davam um “tostão”, e 20 vinténs completavam um “cruzado de ouro”. Quem acumulasse um quilo de ouro podia ter acesso a bens consideráveis. Este valor era suficiente para comprar 75 cabeças de gado ou 2.250 sacos de milho com cerca de 30 quilos cada um. Ou, ainda, para adquirir uma mercadoria muito valorizada na economia da época: um saudável escravo africano.

O maior desafio do governo era a cobrança do “quinto” – 20% devido à Coroa, calculado em cima de qualquer quantidade de metal ou pedra preciosa extraída na Colônia. Após várias tentativas de se encontrar o sistema mais eficaz de cobrança, chegou-se finalmente ao método adotado a partir de 1751: foram instaladas quatro casas de fundição, nas sedes das quatro comarcas de Minas: Vila Rica, Rio das Mortes, Serro Frio e Sabará. Ficou, então, proibida a circulação do ouro em pó: nas casas de fundição, o metal ganhava a forma de barras e o carimbo real, com o devido desconto do quinto. A nova ordem também tabelou o preço do ouro. Ao entrar, em pó, nas casas de fundição, ele valia 1.200 réis a oitava (até então, costumava ser negociado por 1.500 réis). Ao sair, já “quintado”, seu valor era de 1.500 réis a oitava.

Essa diferença gerava uma situação curiosa, detectada pelo barão Wilhelm Ludwig von Eschwege (1777-1855): a revolta contra o pagamento do quinto era atenuada. Eschwege veio ao Brasil em 1810, a convite do príncipe regente D. João VI, para compreender as causas do declínio da produção de ouro. Sabia-se que a cobrança do quinto gerava insatisfação entre os mineradores, que o qualificavam de “exorbitante”. Para surpresa do barão, no entanto, os produtores tinham a impressão de que seu prejuízo não era tão grande, justamente por causa da cotação mais alta da oitava quintada. A lógica era a seguinte: cinco oitavas de ouro em pó valiam 6 mil réis (1.200 x 5). Depois de fundidas, o proprietário recebia uma barra com apenas quatro oitavas, já que a quinta parte era deixada como pagamento do direito régio. Mas ele possuía os mesmos 6 mil réis, pois cada oitava em barra valia 1.500 réis (1.500 x 4 = 6 mil). Claro que melhor seria não pagar imposto algum, mas ao quinto “não podia resistir nenhum homem honesto”, argumentavam, segundo Eschwege.

A queda da produção devia mesmo preocupar a Coroa. Afinal, no século do ouro, pela primeira vez a metrópole vira a Colônia operar em crescente superávit fiscal. Os ventos de bonança eram facilmente constatados nos portos, sobretudo no do Rio de Janeiro, de onde embarcava a maior parte do ouro enviado a Portugal e onde desembarcavam as mercadorias importadas do Reino. Entre 1700 e 1710, a arrecadação do imposto de importação (a “dízima da Alfândega”) no Rio saltou de 1,5 conto de réis (o equivalente a 1,5 milhão de réis) para quase 50 contos de réis. E não parou mais de crescer, acompanhando o aumento da produção de ouro. Como conseqüência deste fluxo de metal precioso, em 25 anos a cidade e capitania do Rio de Janeiro, até então deficitária do ponto de vista fiscal, passou a disputar com Salvador a segunda maior receita do Brasil, atrás apenas de Minas.

Mas, afinal, será possível estimar a quantidade de ouro enviada para Portugal desde o descobrimento do metal até o encerramento das extrações? Graças aos estudos das últimas décadas, é possível, sim. Com base em relatórios de cônsules franceses em Lisboa, nos anos 1970 o historiador Virgílio Noya Pinto calculou a quantidade de ouro desembarcado em Lisboa somente de navios vindos do Brasil: foram mais de 529 toneladas entre 1697 e 1760. Já o pesquisador francês Michel Morineau, a partir de informações de gazetas holandesas, chegou a um total não muito diferente: cerca de 566 toneladas.

Recentemente, as estatísticas sobre a produção de ouro no Brasil ganharam uma nova fonte: os “manifestos do 1% do ouro” na Casa da Moeda de Lisboa, cujos dados foram arduamente levantados pela historiadora portuguesa Rita de Sousa Martins, da Universidade Técnica de Lisboa (veja artigo na página 22). Os manifestos registram, para o período entre 1753 e 1801, um total de 279.838,29 quilos de ouro na Casa da Moeda de Lisboa. Aproximadamente 94% dessas quase 280 toneladas vinham de Minas Gerais (o restante, de Goiás, Mato Grosso e Bahia). No século XIX, a produção já minguava: entre 1801 e 1807, não passou de 14,5 toneladas, e dali em diante só fez decair.

Arrendondando essas diferentes contas, pode-se afirmar que em todo o século XVIII o Brasil mandou para Portugal cerca de 800 toneladas de ouro. Imagine uma manada de cem elefantes de ouro maciço. Foi isso. Sem contar o que circulou de forma ilegal e o que ficou na Colônia, ornando suntuosas igrejas.

O amarelo da bandeira faz jus à nossa História.

ANGELO CARRARA é professor de História da Universidade Federal de Juiz de Fora e autor de Minas e currais: produção rural e mercado interno de Minas Gerais, 1674-1807. (Editora da UFJF, 2007).

Saiba Mais:

ESCHWEGE, Wilhelm von. Pluto brasiliensis. Belo Horizonte: Itatiaia, 1979.

PINTO, Virgílio Noya. O ouro brasileiro e o comércio anglo-português. São Paulo: Nacional, 1979.

VASCONCELOS, Diogo Pereira R de. Breve descrição geográfica, física e política da capitania de Minas Gerais. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1994.
Fonte:  http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/as-toneladas

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Novo caça da Mitsubishi: o Espírito Divino que defende o Japão

Angelo D. Nicolaci 30/05/12 

Após os EUA, a Rússia e a China, o Japão pode se tornar o quarto país a ter seu próprio caça de quinta geração. O novo caça, relativamente pequeno em tamanho e peso, será o primeiro avião de combate desenvolvido independentemente no Japão nas últimas sete décadas.

A alternativa japonesa
     No início de maio, o Japão encomendou os primeiros quatro caças F-35 norte-americanos. Nesta década, o Japão pretende comprar 42 máquinas deste tipo, continuando após 2020, mas esses planos podem mudar em caso de êxito no desenvolvimento de seu próprio caça japonês, que promete superar o F-35 no conjunto de características.
    O novo avião japonês, desenvolvido no âmbito do programa ATD-X (Advanced Technology Demonstrator-X), é relativamente pouco conhecido, e até recentemente sua realização na prática era posta em questão.
      O projeto de desenvolvimento foi iniciado em 2004, e ao mesmo tempo foi atribuído ao programa o código ATD-X: o novo avião era considerado um demonstrador de tecnologia, e não se falava da sua utilização prática.
     Os voos do novo caça russo T-50 em janeiro de 2010 e do chinês J-20 um ano depois, deram um novo impulso ao trabalho dos japoneses. A incapacidade de adquirir caças F-22 junto com as perspectivas indefinidas (até agora) do F-35 e as capacidades limitadas dessa máquina, levaram as autoridades japonesas a aumentar o financiamento do projeto ATD-X.
     Em março de 2012, a fábrica da Mitsubishi em Tobishima, perto da cidade de Nagoya, começou a montagem do primeiro protótipo do ATD-X para testes estáticos. No ano seguinte deve começar a construção de três protótipos voadores, e o primeiro voo do novo caça Mitsubishi, apelidado de Shinshin (a tradução mais próxima do sentido dos hieróglifos 心神 que compõem seu nome é “espírito divino”), é esperado em 2014.
Como ultrapassar as limitações?
     O caça F-35A que o Japão pode (e planeja) comprar nos EUA tem algumas limitações significativas. Em particular, ele não tem alta capacidade de manobra, tem uma velocidade de cruzeiro subsônica, não tem radar lateral. Em conjunto, isso leva muitos especialistas a avaliar o potencial do F-35 como menor mesmo em comparação com as atuais máquinas de série da geração 4++, como o Su-30MKI e o Su-35S, e como significativamente menor que o F-22 e, potencialmente, o T-50.
     Entretanto, os adversários mais prováveis do Japão – a China e a Rússia – estão atualmente rearmado sua aviação com máquinas avançadas de quarta geração, e deverão receber aviões de quinta geração já nos próximos 10 anos. O potencial do projeto chinês J-20, por enquanto, é questionável, mas a probabilidade da força aérea chinesa de obter caças de quinta geração é uma ameaça bastante grande.
     Assim, o projeto ATD-X deve dar à força aérea japonesa um novo avião que não terá as limitações do F-35 causadas pelo desejo de construir uma plataforma versátil que atenda aos requisitos de todos os tipos de aviação. Restrições financeiras e tecnológicas não têm muita importância – o Japão é um país bastante rico para poder se permitir até mesmo um caça muito caro, e seu nível tecnológico torna possível desenvolver em um período razoável de tempo todo o equipamento necessário para as novas máquinas, incluindo o motor.

Futuro provável
     Tendo em conta o tempo que todos os estados com aviação geralmente levam para desenvolver equipamento militar, o novo caça japonês, se o primeiro voo for realizado em 2014, entrará em série limitada não antes de 2017-18, e em produção em massa – mais próximo de 2020-21. Por esta altura, o Japão irá receber caças F-35 de combate, que entrarão em serviço da força aérea em 2016. Se as características do “Espírito divino” forem bastante altas, no futuro, o Japão poderá deixar de comprar F-35 em larga escala, fazendo uma aposta em sua própria indústria aeronáutica.
     Além disso, se o Japão conseguir desenvolver seu próprio motor e tornar o projeto totalmente independente do fornecimento de peças críticas, será possível também sua exportação – pelo menos para diminuir o preço de uma unidade com o aumento dos volumes de produção.

Fonte: A Voz da Rússia

O EuroDAM em 3 fases



A primeira fase de instalação da EuroDAM terá provavelmente um caráter preparatório. Nesta fase, o primeiro objetivo será a preparação do sistema de aviso e de deteção de alvos e o afinamento das relações entre as instâncias de comando. A terceira e a quarta fases da instalação do sistema de defesa anti-mísseis na Europa serão as mais perigosas.

Um reforço gradual

Na segunda etapa de instalação do sistema EuroDAM não se esparam mudanças radicais. O centro de gravidade continuará a ser o flanco Sul com o aumento no Mediterrâneo do grupo de navios do sistema Aegis, adaptados para intercetar mísseis balísticos. Além disso, até 2015, está planejada a instalação da primeira bateria móvel terrestre com mísseis SM-3 Block I e um radar SPY-1. Esta ficará estacionada na base de Devesolu na Roménia.

Nesta fase, também está planejada a instalação da versão mais evoluida do míssil SM-3, o Block Ib, que será equipado com uma cabeça de busca por infra-vermelhos modernizada. Nesta versão, o sistema DAM, utilizando um radar na Turquia, será capaz de intercetar lançamentos singulares de mísseis de médio alcance a partir do território do Irã contra alvos na Europa Central e de Leste. No caso de um potencial conflito, os alvos poderão ser as bases militares da OTAN.

Um salto qualitativo

Espera-se um grande incremento das capacidades do sistema DAM após 2015. Durante a terceira fase, planeja-se a instalação de mísseis SM-3 Block IIA navais e terrestres, assim como o complexo terrestre de mísseis SM-3 com um radar SPY-1 na Polónia junto à costa do mar Báltico.

A potencial instalação de complexos de mísseis e radares do sistema Aegis no Norte da Europa, e especialmente de navios equipados com esse sistema nos mares setentrionais, Báltico, da Noruega e de Barents, poderá constituir já uma ameaça às forças estratégicas nucleares russas.

Os navios e complexos terrestres do sistema Aegis deslocados para o Norte poderão, em determinadas condições, intercetar mísseis lançados a partir de bases das tropas de mísseis estratégicos, localizadas na parte europeia da Rússia, e de submarinos da Frota do Norte contra o território dos EUA. Essas capacidades irão aumentar ainda mais depois da instalação, durante a quarta fase, dos mísseis SM-3 Block IIB e do aumento para 20 do número de navios do grupo do sistema Aegis no Atlântico. Esses navios terão bases em Espanha e na Grã-Bretanha e, neste último caso, poderão ser rapidamente transferidos para os mares de Barents e da Noruega.

O perigo das ilusões

Há que ter em conta, no entanto, que mesmo na sua versão completa, com a base na Polônia e navios nos mares setentrionais, o sistema EuroDAM terá uma capacidade extremamente limitada para intercetar mísseis russos. Também é preciso considerar que os navios localizados nos mares nórdicos por princípio não poderão funcionar como escudo contra o Irã. Mesmo que o Irã conceba um míssil balístico intercontinental para atingir alvos no território dos EUA, a sua trajetória sobre a Escandinávia e águas adjacentes será a uma altitude superior a mil quilómetros, o que exclui a sua interceção por mísseis SM-3. Já os mísseis russos lançados, por exemplo, de bases nos distritos de Kaluga e de Tver, e ainda mais os de submarinos da Frota do Norte, não terão tempo de atingir uma altitude elevada.

A reação possível

Por enquanto, grande parte do sistema EuroDAM continua no papel e mesmo o destino da base na Polônia ainda não foi decidido. Em caso de vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais dos EUA, não é de excluir que essa decisão, assim como a localização de navios do sistema Aegis nos mares do Norte da Europa, seja cancelada e o centro de gravidade do sistema EuroDAM continue no Sul. Nesse caso os novos lançadores e radares poderão aparecer, por exemplo, na Bulgária. Essa decisão iria garantir a proteção contra o Irã e não iria ameaçar o potencial das forças nucleares estratégicas da Federação Russa.

Mas se os acontecimentos tomarem outro rumo e a transferência da atividade para o Norte se tornar realidade, será perfeitamente normal a respetiva resposta da Rússia. A instalação dos complexos Iskander é apenas uma das medidas possiveis. Se não se chegar a acordo com os EUA, a nova realidade será a completa revisão do atual sistema de segurança na Europa, incluindo, talvez, a saída definitiva da Rússia do acordo sobre forças convencionais na Europa (Tratado FCE), cujo cumprimento neste momento está sujeito a moratória. Como medida extraordinária é possível a saída da Rússia do tratado de desmantelamento de mísseis de médio e curto alcance e do tratado de redução das armas estratégicas (START-3).

Fonte: Voz da Rússia