Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Rússia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rússia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Rússia produzirá nova versão do T 160 - Dinâmica Global

A Rússia pretende produzir anualmente 30-50 portadores de mísseis estratégicos Tu-160M2 atualizados.
MOSCOW (Reuters) – A Federação Russa de Aeronaves (UAC) planeja a fabricação em série de bombardeiros estratégicos Tu-160M2 atualizados em 2022 de até 50 unidades por ano, disse o presidente da UAC, Yuri Slyusar, na terça-feira.

A mais nova encarnação do supersônico Tu-160 da Rússia, uma das mais formidáveis armas de Moscow, deverá ter o dobro da funcionalidade de sua versão atual.
Em novembro de 2015, os bombardeiros mais rápidos do mundo invocaram o inferno contra os terroristas do Daesh na Síria com mísseis de cruzeiro Kh-555 e Kh-101.
Um ano depois, o vice-ministro da Defesa, Yuri Borisov, anunciou que as Forças Aeroespaciais russas adquirirão cerca de 50 aviões Tu-160M2 atualizados. A designação M2 indica que esta é a versão mais recente do maior, mais pesado e mais rápido bombardeiro da Rússia, que a empresa Tupolev apelidou de ‘Cisne Branco’ e a OTAN conhece como ‘Blackjack’.
O novo combatente de guerra servirá como precursor para o PAK DA – o quinto bombardeiro estratégico da Rússia.
O departamento de design da KRET foi encarregado de desenvolver novos equipamentos para o Tu-160M2, que incorporará sistemas integrados de aviônica e computação sem o uso de elementos importados do exterior. O hardware eletrônico complexo deverá estar pronto em 2020 – três anos antes da produção do novo avião começar.
“Fizemos passos significativos em nosso trabalho para o que é realmente um avião novo”, disse o vice-presidente da KRET, Vladimir Mikheev, à Zvezda TV.
A guerra eletrônica merece uma menção especial, pois é um elemento indispensável da aviação militar de hoje. O Tu-160M2 vai brandir o mesmo sistema de guerra eletrônica novo que é usado nos jatos de quinta geração T-50 PAK FA.
KRET afirma que o sistema está entre os mais avançados do mundo e pode proteger o Tu-160M2 de todos os tipos de mísseis terra-ar. Além disso, a aeronave irá transportar um sistema de navegação inercial sem plataforma que determinará as coordenadas, rota e velocidade usando giroscópios a laser e acelerômetros de quartzo.
É digno de nota que este dispositivo pode funcionar eficazmente, mesmo em condições em que um inimigo aplica o seu sistema de guerra eletrônica.
Se as necessidades ditarem, a equipe do Cisne Branco será capaz de determinar sua posição à maneira antiga, tomando leituras de estrelas através de um sistema de correção de astro.
Engenheiros acreditam que a eficácia do Tu-160M2 será mais do dobro do que o seu antecessor.
“Estamos terminando o trabalho do projeto experimental em 2021, começando em 2022 a produção em série dessas máquinas”, disse Slyusar à emissora Rossiya-24.
Ele estimou que a UAC iria construir de 30 a 50 dos bombardeiros anualmente, observando que as negociações estão em andamento com os compradores sobre o número específico.
O Tu-160 é um pesado avião supersônico estratégico de asa variável portador de bombas/mísseis projetado para atingir alvos em todo o mundo com armas nucleares e convencionais.
https://dinamicaglobal.wordpress.com/2017/04/22/cisnes-brancos-a-russia-vai-produzir-30-50-bombardeiros-estrategicos-tu-160m2-anualmente/ 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

BBC Brasil - Qual objetivo da Otan com a maior mobilização militar dos EUA na Europa desde o fim da Guerra Fria?


Os moradores do local saíram às ruas para assistir o "espetáculo": um grande comboio militar americano passando, cruzando a fronteira alemã até a Polônia.
O comboio chegou nesta semana e é a primeira parte de uma operação da Otan que inclui mais de 3 mil soldados americanos, centenas de tanques e veículos blindados, além de armamento pesado, para fortalecer os países aliados na Europa Oriental.
A viagem do comboio começou em Fort Carson, no Estado americano do Colorado, e acabou em uma base de Zagan, na Polônia, onde os soldados foram recebidos pelos moradores da cidade neste sábado.
Os poloneses querem a presença dos americanos no país pois, de acordo com eles, vai enviar uma mensagem ao governo da Rússia.
"(A presença dos americanos) Indica que estamos prontos para qualquer coisa. É uma operação militar normal para defender nosso país, nossas famílias e para defender o mundo", disse à BBC Jaroslaw Mica, general de brigada do Exército polonês.
O contingente é parte da resposta do presidente americano, Barack Obama, aos aliados do país que fazem parte da Otan e estão preocupados com as recentes medidas tomadas pela Rússia.
A Rússia, por sua vez, não aprova a mobilização.
O porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitry Peskov, disse à BBC que a medida "ameaça nossos interesses e nossa segurança".
"É um terceiro país que está reforçando sua presença militar em nossas fronteiras na Europa. Nem sequer é um país europeu", afirmou.
O vice-chanceler russo, Alexei Mechkov, afirmou que esta mobilização é "um fator para desestabilizar a segurança europeia".

'Necessário'




Direito de imagem AFP
Image caption O comboio chegou à Polônia na manhã de quinta-feira
Mas para a Polônia a chegada da Otan ao país era algo necessário, como afirmou o subsecretário de Estado para a Defesa Tomasz Szatkowski.
Para Szatkowski esta mobilização era necessária devido aos "enormes exercícios militares" da Rússia perto da fronteira polonesa e suas "ações agressivas em nossa vizinhança, ou seja, Ucrânia, e a anexação ilegal da Crimeia".
O plano é que as forças da Otan mudem de país a cada nove meses. Os outros países envolvidos nesta operação são Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Bulgária e Hungria.
Em abril um segundo contingente americano deve chegar e ficará no leste da Polônia.
O comboio que chegou à Polônia na quinta-feira deve ficar na base de Zagan até o fim de 2017 e o contingente que chegará depois será enviado para toda a região.
Estas tropas americanas devem realizar exercícios militares nos países Bálticos.

Dúvidas

Apesar de o Exército americano estar sendo recebido de braços abertos na Polônia, muitos duvidam que a missão realmente vai durar.



Direito de imagem AP
Image caption A operação inclui mais de 3 mil sodados americanos
O presidente Obama está prestes a passar a presidência para Donald Trump, que deu sinais de que deseja melhorar sua relação com Moscou.
E, por isso, há dúvidas de que a postura militar dos Estados Unidos continuará sendo a mesma ou se os soldados que estão chegando agora à Polônia vão voltar logo para casa.
"Não esperamos isso. Estamos concentrados nesta missão aqui e agora, e estamos muito orgulhosos de estar aqui", disse à BBC o coronel do Exército americano Christopher Norrie.
"Os soldados estão muito orgulhosos de estar aqui, a formação é extraordinária, muito forte. (A operação) Está avançando muito bem e vamos seguir comprometidos com isto, porque é importante", explicou o militar.
E os americanos não são os únicos a reforçar a Otan no leste da Europa. A Grã-Bretanha já enviou aviões de combate para o Mar Negro e um batalhão de soldados, tanques e armamentos leves será enviado para a Estônia nos próximos meses, que contará com o apoio de soldados franceses e dinamarqueses.
A Alemanha também está planejando enviar tropas e tanques para a Lituânia.

Ações 'perigosas'




Direito de imagem AP
Image caption O envio do comboio à Polônia é uma resposta ás 'ações perigosas' da Rússia
A Otan não acredita que possa ocorrer uma guerra com a Rússia, mas a organização está tomando estas medidas de reforço depois de uma série de ações consideradas "perigosas" na região.
A Rússia também está reforçando sua presença militar no leste europeu.
Na Polônia e outros países da região a cautela aumentou depois que o governo russo mobilizou há alguns meses seus mísseis Iskander de curto alcance em seu enclave em Kaliningrado, na fronteira entre a Polônia e a Lituânia.
Esta medida, segundo o Departamento de Estado americano, está "desestabilizando a segurança europeia".
É provavel que nos próximos meses apareçam mais detalhes sobre a estratégia futura do governo dos Estados Unidos para a Otan.
Por enquanto, assim como disse o chanceler polonês, Witold Waszczykowski, se Donald Trump decidir chegar a algum acordo com Vladimir Putin, eles esperam que esta reconciliação "não aconteça às custas da Polônia".
 

sexta-feira, 25 de março de 2016

As armas e habilidades que a Rússia mostra ao mundo na Síria.




Vitrine na Síria: armas, habilidades e outras mensagens que a Rússia envia para o mundo desde o Oriente Médio.
A Rússia organizou na Síria uma verdadeira exposição real das suas novas armas, e não apenas as armas, mas as habilidades de seu exército modernizado. E os sistemas antiaéreos S-400 que protegem o céu sobre a base aérea Jmeimim não são o único impedimento.
A guerra na Síria tornou-se uma vitrine para a estréia de diversas armas avançadas russas: mísseis de cruzeiro, navios de guerra, submarinos furtivos silenciosos, caças e bombardeiros. Mas não é apenas sobre armas.
RT tem conduzido a sua própria “classificação” dos fatores de sucesso do exército russo na Síria que levou a um cessar-fogo entre as partes em conflito no massacre sírio.
Em primeiro lugar, os dramáticos acontecimentos na Síria mostraram ao mundo o novo Exército russo. Portanto, vamos começar pela organização.
A organização

Organizar uma operação com suficiente rapidez em um teatro de guera tão remoto, uma logística tão complicada e um ambiente tão pouco “agradável”, exceto Irã e Iraque, requer habilidades, experiência, conhecimentos e procedimentos muito praticados.
O fato de que um grupo tão forte foi implantado em Latakia, quase ‘relâmpago’ e sem problemas, destaca o alto nível organizacional atingido pelo exército russo nos últimos anos.
gestão de inteligência
Cinquenta aviões de ataque e bombardeiros de épocas e tipos muito diferentes: cada um deles encontra o seu alvo. Umas 100 missões de combate diárias e quase cada missão é cumprida sem ter que procurar alvos e perder tempo no ar.
Trata-se de um mais do que evidente nível de coordenação com as tropas terrestres e obtenção ininterrupta de coleta de dados de inteligência, tanto aéreos e como terrestres.
Armas
Navios equipados com mísseis de cruzeiro Kalibr-NK
Em outubro de 2015, quatro relativamente pequenas corvetas da Frotilha russa do Cáspio, com uma precisão implacável, lançaram 26 mísseis contra 11 alvos do Estado Islâmico de uma distância de cerca de 1.500 quilômetros.
Apesar do seu pequeno deslocamento, cerca de 1.000 toneladas, navios do Projeto 21631 Buyan-M tem um enorme potencial de ataque, levando oito lançadores de mísseis de cruzeiro, além de artilharia e mísseis de classe terra-ar.
Anteriores, analistas militares dos EUA indicaram que os 3M-14T- os mísseis de cruzeiro que dispara o sistema Kalibr, com um alcance de cerca de 2.600 km e capacidade de transportar ogivas nucleares – colocam estes navios no mesmo nível que as grandes fragatas quanto ao potencial ataque.
Os analistas de todo o mundo concordam que um tal ataque foi uma demonstração para a OTAN de que a Rússia tem “mãos muito longas”, e apenas secundariamente foi realizado para fins táticos.
Conclusão: os Kalibr-NK são um bom elemento dissuasor.
O efeito da sua utilização tem sido tão notável que num curto espaço de tempo, esta classe de barcos se juntou ao grupo da Marinha russa a operar perto da costa síria.
O Tu-160 ‘Cisne Branco’ e os X-101
Os mais recentes ataques dos bombardeiros estratégicos russos Tu-160 se tornaram uma demonstração da capacidade da aviação de longo alcance russa. Em 18 de novembro de 2015 a Rússia pela primeira vez em sua história colocou em ação seus mísseis de cruzeiro ar-terra mais avançados, o X-101, adotados pela Força Aérea do país em 2013.
O míssil subsônico X-101 tem uma fantástico alcance de 5.500 quilômetros, o que excede em muito a capacidade dos seus rivais europeus e americanos.
O X-101 voa a uma altura de 30 metros a 10 km; é invisível ao radar e muito preciso com um desvio máximo da meta de não mais de 5 metros (contra um alvo fixo) e 10 metros contra um alvo em movimento em uma variedade de lançamento de 5.500 quilômetros [o antecessor do X-101, o míssil X-555 projetado para transportar carga nuclear, tinha uma margem de erro de cerca de 25-30 metros]. Este foguete combina um sistema de orientação com base inercial e via satélite baseado no sistema de navegação russo Glonass.
Há também relatos de que o X-101 tem orientação infravermelha que é ativada no fim do trajeto. A ogiva convencional desse míssil é de cerca de 400 kg de TNT. O equivalente americano desta arma russa é o míssil de cruzeiro estratégico AGM-129, que foi detectável por radares e tinha um alcance de até 3.700 km.
Mas a Rússia também tem uma versão do X-101 com ogiva nuclear, do qual há pouca informação. Trata-se do X-102, que tem um alcance de 5.000 km e também seria invisível para radares. Como o X-101, a versão nuclear voaria a baixa altitude e a uma velocidade de Mach 0,77, enquanto que a ogiva nuclear teria uma potência de 250 quilotons.
Ao contrário do X-555, o novo míssil foi projetado para ataques de precisão a longa distância, fora do alcance dos inimigos antiaéreos.

Submarinos diesel-elétricos de ataque do projeto 636,3 com mísseis Kalibr-NK
Em 17 de novembro, o submarino diesel-elétrico russo Rostov-on-Don, do projeto 636,3, atribuído à Frota do Mar Negro, lançou um ataque com mísseis de cruzeiro contra posições dos terroristas perto da cidade síria de Raqa, a “capital” do Estado islâmico no país na Síria.
Foi o primeiro caso do lançamento de um míssil de cruzeiro a partir de um submarino contra um objetivo real na história das Forças Armadas da Rússia, mas ainda não foi confirmado ou negado pelo comando naval russo.
A agencia Reuters, referindo-se a informação de funcionários dos EUA disseram que a Rússia tinha avisado os EUA sobre o lançamento simultâneo de mísseis desde o mar e de desde os bombardeiros estratégicos. De acordo com vários especialistas militares, informações sobre este lançamento de um submarino não foram reveladas pela Rússia devido a preocupações de sigilo que sempre envolve os movimentos de submarinos.
Os submarinos do projeto 636,3 pertencem à terceira geração de submarinos e são considerados um dos mais silenciosos do mundo. Eles são projetados para transportar como principal arma os mísseis do sistema Kalibr.
O Sukhoi Su-35 e Su-34
Su-34
A maioria das modernas aeronaves russas envolvidas na operação nos céus da Síria são os caça-bombardeiros Su-34 e os caças de superioridade aérea Su-35 .
O Su-34 pertencem à quarta geração de caças capazes de lidar com alvos aéreos e terrestres. Também é classificado como um bombardeiro tático capaz de lançar ataques não na linha de frente, mas também na profundidade operacional do território inimigo.
Entre as vantagens deste avião incluem a sua alta manobrabilidade e a capacidade de agir em uma altitude muito baixa. A cabine de titânio protege ambos os membros da tripulação. Também tem um equipamento avançado de navegação, mísseis de longo alcance ar-ar e radar AESA que fornece a capacidade para lutar no ar contra caças de quarta geração.
O Su-34 tem uma velocidade máxima de 1.900 km/h e um alcance máximo de ações de 4.500 quilômetros sem reabastecimento em vôo. O teto operacional atinge mais de 14.000 metros acima do nível do mar. Seus 12 pontos de ancoragem permitem ao Su-34 transportar até 8 toneladas de munição. De acordo com relatórios oficiais do Ministério da Defesa, os Su-34 usam na Síria bombas guiadas KAB-500 e mísseis X-29L guiados por laser.
Su-35
Ao contrário do Su-34, este novo jogador não ataca alvos terrestres, mas isso não diminui a importância da sua presença em um possível teatro de operações, onde apareceu apenas no momento em que o perigo de agressão militar turca surgiu.
Não carece detalhar todas as características desta aeronave impressionante, estrela indiscutível dos últimos salões aeroespaciais pertencente à geração 4 ++. Só resta mencionar que os Su-35 estão na Síria também como um elemento de dissuasão por sua evidente superioridade contra os combatentes de outros países envolvidos no conflito sírio.

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com
Fonte: RT.com
 https://dinamicaglobal.wordpress.com/2016/03/12/as-armas-e-habilidades-que-a-russia-mostra-ao-mundo-na-siria/

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O Globo on line - Conselho de Segurança promete retaliar lançamento norte-coreano

por
Kim observa lançamento do foguete - Kyodo / Reuters
Publicidade
PYONGYANG/NOVA YORK — Desafiando as recomendações internacionais e estremecendo ainda mais sua relação com o mundo, a Coreia do Norte anunciou neste domingo ter realizado com sucesso o lançamento de um foguete de longo alcance que colocou em órbita um satélite espacial. A ação, considerada pela comunidade internacional como um teste secreto de mísseis balísticos intercontinentais, foi condenada por Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão, Rússia e Reino Unido, que convocaram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU sobre o tema e prometeram "respostas duríssimas". Aliados de Pyongyang também se distanciaram do país pela atitude.
O foguete foi lançado a partir da base de Dongchang-ri, no Noroeste do país. A colocação do satélite em órbita não foi confirmada, mas uma fonte americana de Defesa informou que o artefato parece ter chegado ao espaço.
“Foi colocado com sucesso em órbita nosso satélite de observação da Terra Kwangmyong 4”, informou a emissora.
O ditador Kim Jong-un insiste que a ação faz parte de um programa espacial exclusivamente científico e pacífico. No entanto, muitos países consideram ser um teste camuflado para esconder o desenvolvimento pelo regime da tecnologia de mísseis intercontinentais, capazes de transportar bombas atômicas para qualquer lugar do planeta.
O secretário de Estado americano, John Kerry, classificou a medida como uma violação às resoluções das Nações Unidas que limitam o uso de tecnologia por Pyongyang, e a presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, definiu a operação como uma provocação. Além disso, poucas horas depois do anúncio, os dois países anunciaram o início de negociações para implantar no território sul-coreano um sistema antimísseis THAAD, um dos mais modernos do mundo.
— Decidiu-se abrir oficialmente negociações sobre a possibilidade de preparar o sistema Terminal High Altitude Area Defense (THAAD), dentro dos esforços para reforçar a defesa antimísseis da aliança Coreia do Sul/EUA — declarou o representante do Ministério sul-coreano da Defesa Yoo Jeh-Seung.
A instalação do sistema é discutida há anos, com os americanos insistindo que se trata de um elemento de despersuasão necessário frente ao programa de mísseis balísticos da Coreia do Norte. Mas China e Rússia afirmam que a medida afetará a estabilidade da região e desencadeará uma corrida por armamentos em uma área de equilíbrio frágil. Enquanto isso, a Coreia do Norte afirma que se trataria de uma tática de Guerra Fria com o objetivo de conter os governos chinês e russo.


Foto divulgada pela TV estatal norte-coreana mostra foguete de longa alcance sendo lançado - YONHAP / AFP
CRÍTICAS GERAIS
Para discutir o cenário, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu neste domingo em caráter de urgência. O lançamento do foguete, da considerado uma violação das obrigações internacionais da Coreia do Norte, pode levar ao reforço das sanções já aplicadas ao país, além da imposição de novas restrições.
— Os membros do Conselho condenam fortemente o lançamento. Trata-se de uma violação séria das resoluções do órgão — disse a repórteres o atual presidente do Conselho, o embaixador Rafael Ramírez.
A retórica da entidade foi seguida de críticas de duas das maiores potências globais.
— Garantiremos que sejam impostas duras consequência. As transgressões requerem uma resposta ainda mais firme — advertiu Samantha Power, a representante americana na ONU.
O secretário de Relações Exteriores britânico, Philip Hammond, convocou o embaixador norte-coreano e discutiu com o homólogo japonês Fumio Kishida.
— O que faremos é tentar persuadir os chineses de que aplicar estas restrições atende aos interesses da comunidade internacional após estas ações extremamente desestabilizantes.
SEM AMIGOS
A escalada bélica da Coreia do Norte a tem deixado cada vez mais isolada de Rússia e China, seus maiores parceiros. No início de janeiro, Kim Jong-un anunciou um suposto teste com bomba de hidrogênio numa área remota de seu país, o que gerou reações alarmadas de toda a comunidade internacional. À época, foi registrado um terremoto de magnitude semelhante ao de outros provocados por três exercícios nucleares realizados nos anos anteriores, o que levou analistas a descrerem que se tratava de um teste de bomba H. Moscou e Pequim já haviam considerado extremamente negativa a decisão de Kim.
Homem faz exercícios em frente ao rio Yalu, que separa a China da Coreia do Norte - JOHANNES EISELE / AFP
A porta-voz da Chancelaria chinesa, Hua Chunying, se limitou a dizer que o país “lamenta a insistência” dos norte-coreanos em seus esforços bélicos. O embaixador de Pyongyang foi chamado para dar explicações.

— Kim cometeu muitos erros. Este é um dos maiores. É difícil saber qual abordagem a China tomará após este caso — disse ao “New York Times” Cheng Xiaohe, da Universidade de Renmin, que ainda considera improvável um distanciamento radical entre os países, uma vez que Pequim teme agravar o isolamento do vizinho comunista.
Imediatamente unida aos coros de protesto pelo lançamento, a Rússia também optou por tornar público o endurecimento de sua retórica contra a Coreia. O Ministério das Relações Exteriores disse que o lançamento se trata de “um novo desdém audacioso às normas da lei internacional”.
“É óbvio que estas ações levam a um sério agravamento da situação na Península Coreana e no entorno como um todo, além de fazer um dano sério à segurança regional, inclusive à da própria Coreia do Norte”, disse a Chancelaria em nota. “Exortamos urgentemente a liderança do país a pensar se a política de se opor à comunidade internacional é de interesse nacional.”

sábado, 23 de janeiro de 2016

Centro de Comando Militar liga Moscou ao mundo - Gazeta Russa

Armamentos novos não são suficientes nas guerras do século 21 – é preciso também tecnologias de controle e comando modernas. Na ativa desde 2014, complexo no centro da capital emite ordens para operações mundo afora, inclusive na Síria.
Com diversas instalações subterrâneas, centro foi construído para resistir a ogiva nuclear Foto:Aleksandr Vilf/RIA Nôvosti
Não é novidade que as Forças Aéreas russas realizam tarefas militares a milhares de quilômetros das fronteiras do país. Desde 2014, porém, todas as ordens passaram a ser recebidas a partir do Centro de Controle de Defesa Nacional (CCDN), em Moscou, que responde pela coordenação das forças, planejamento de operações e alocação dos recursos necessários.
Localizado em um bairro central tradicionalmente ocupado por prédios da era soviética, o CCDN foi criado na base das antigas instalações do Comando Central do Estado-Maior da URSS, que que monitora as ameaças, lançamentos de mísseis balísticos e implantação de armas nucleares.
“É um dos maiores projetos militares russos dos últimos anos”, diz o diretor do centro e tenente-general Mikhail Mizintsev. “O análogo mais próximo é a sede do comandante durante a Segunda Guerra, que centralizava o controle da máquina militar e da economia soviética no conflito.”
Russian Defense Ministry Spokesperson Major General Igor Konashenkov (center) gives a press briefing at the National Defense Management Center in Moscow. Foto: Alexander Vilf/RIA NovostiCCDN recebe imprensa para coletiva sobre operação no Oriente Médio Foto: Aleksandr Vilf/RIA Nôvosti
O complexo de edifícios à margem do rio Moscou dá, entretanto, pouca ideia do verdadeiro tamanho da estrutura, já que a maioria das instalações estão localizadas no subsolo e protegidas por uma camada espessa de concreto para resistir a uma ogiva nuclear.
Com heliportos e 1.500 km de túneis, corredores e outras linhas de comunicação que garantem a operação do centro sob quaisquer condições, o CCDN também é usado para supervisionar a produção de equipamentos militares e petróleo e monitorar as condições climáticas.
100% Made in Russia
O complexo tem vários centros de dados cuja capacidade, segundo Mizintsev, é maior do que a do Pentágono dos Estados Unidos. Por meio deles, os controlam treinamentos, as forças de dissuasão nuclear e a vida diária no Exército. 
Além disso, os computadores do CCDN, que utilizam apenas tecnologias russas, são capazes de simular situações de emergência, e os moderno sistema de comunicação permite transferir as ordens para o campo com agilidade.
The crew of a Russian Su-30 fighter prepare to take off at Hmeimim aerodrome in Syria. Foto: Dmitriy Vinogradov/RIA NovostiTripulantes de caça Su-30 se preparam para decolar de base russa em Hmeimim, na Síria Foto: Dmítri Vinogradov/RIA Nôvosti

http://gazetarussa.com.br/entre_ideias_e_armas/2016/01/21/centro-de-comando-militar-liga-moscou-ao-mundo_561219 

Otan cutuca urso com vara curta - Gazeta Russa


 
Ilustração: Serguêi Yolkin
No último dia de 2015 a Rússia adotou uma nova estratégia de segurança que acrescenta de forma explícita a expansão da Otan à lista das principais ameaças à segurança do país.
Segundo o presidente russo Vladímir Pútin, o fato de Moscou conduzir uma política externa e interna independente “provoca a oposição dos EUA e seus aliados, que buscam preservar seu domínio nos assuntos globais”.
Como de costume, os meios de comunicação ocidentais responderam em uma só voz condenando a “paranoia russa”.
Os oficiais da aliança também reagiram rapidamente, repetindo a velha justificativa de que o avanço da Otan não é dirigido contra ninguém. A aliança ocidental, dizem eles, apenas contribui para a estabilidade e a prosperidade na Europa desde a queda do Muro de Berlim.
Infelizmente, há sinais de que essas declarações são, na melhor das hipóteses, um exemplo de boa vontade e, na pior delas, uma desastrosa tentativa de esconder a verdade. Para a Rússia, no entanto, os EUA utilizam a Otan como um instrumento para manter influência sobre a Europa e além.
Isso se nota pela própria expansão da Otan, que cresceu dos 12 membros iniciais para 16 em meados dos anos 1980 e hoje conta com 28 integrantes.
Em contrapartida, a única aliança militar da qual a Rússia participa no momento, a Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), perdeu três membros ao longo dos anos e atualmente conta com cinco novos Estados das ex-repúblicas soviéticas.
Mas por que é que a Otan precisa continuar avançando apesar da retirada das tropas russas da Alemanha Oriental e de outros países do Leste Europeu, do fim do Pacto de Varsóvia, da vitória do regime pró-ocidental de Iéltsin em Moscou e da redução em mais dez vezes das despesas militares russas na véspera da expansão da aliança em 1999?
Ao que tudo indica, a Rússia pós-soviética fez tudo que podia para se relacionar bem com o Ocidente (pelo menos até o conflito de 2008 contra a Geórgia, então apoiada pelos EUA) e, ainda assim, há uma aliança militar hostil próxima a suas fronteiras. Por quê?
Em um relatório recente, a Stratfor, empresa de pesquisa associada à CIA, ofereceu uma resposta sincera a essa pergunta: “O imperativo geopolítico que apoia a política de contenção dos EUA (retardando o surgimento de hegemonias regionais no território da Eurásia que pudessem desafiar a estrutura da aliança ocidental) nunca deixou de existir. Por esta razão, a Otan e a União Europeia têm continuado a se expandir”.
Aparentemente, o principal objetivo da existência do bloco militar ocidental é assegurar a prosperidade prometida a seus membros à custa de países estrangeiros, minando o desenvolvimento de líderes não ocidentais para “retardar seu crescimento”, segundo o relatório da Stratfor.
Nesse contexto, parece que a nova versão da Estratégia de Segurança Nacional da Rússia chega com 16 anos de atraso. Também fica claro por que Moscou reagiu de forma tão dramática à mudança radical no governo da Ucrânia em 2014, visto que a troca no poder foi impulsionada e apoiada pelo Ocidente com uma abordagem, por vezes, abertamente antirrussa.
A ideia de que os EUA têm que controlar a ascensão de potências regionais na Eurásia para estender sua hegemonia global por meios militares, se for necessário, afeta suas relações tanto com a China, como com a Rússia. Em ambos os casos, a lógica usada é semelhante. No entanto, as ações norte-americanas criam um desafio crescente (vide China), em vez de um líder regional enfraquecido lutando para proteger a sua esfera de influência.

“Mundo moderno perdeu controle sobre a segurança global”
Devido a isso, a conclusão que ambos os países poderiam tirar da expansão da Otan rumo ao Oriente (e as tentativas dos EUA de cercar estrategicamente a China) poderia ser similar: é necessário resistir à expansão das estruturas da aliança ocidental criando a sua própria aliança.
De acordo com os princípios da Realpolitik (política ou diplomacia baseada em considerações práticas, em detrimento de noções ideológicas), toda ação tem uma reação recíproca, seja com base em paranoia ou não. As tentativas ocidentais de isolar e relegar a Rússia aos rincões do continente eurasiático só pode terminar com a integração dos “rincões” chineses e russos em uma nova estrutura de segurança continental na qual os líderes ocidentais não tenham nenhum papel a desempenhar.
Publicado originalmente pelo Russia Direct
Russia Direct é um veículo de análise focado em política internacional. Seus serviços premium, como informes mensais ou os trimestrais “White Papers”, são gratuitos, mas estão disponíveis apenas para assinantes. Para obter mais informações, visite russia-direct.org/subscribe.

Defesa implantará três novas divisões na direção ocidental - Gazeta Russa


14 de janeiro de 2016 Nikolai Litôvkin, Gazeta Russa
Decisão se deve a crescentes atividades da Otan perto das fronteiras russas. Plano Estratégico de Defesa nacional considera potencial bélico do bloco ocidental como ‘ameaça direta à segurança do país’.
Novos tanques, helicópteros e canhões darão reforço à resposta russa Foto:Artiom Korotaiev/TASS
O Ministério da Defesa russo anunciou a criação de três novas divisões na direção ocidental em 2016, incluindo polígonos complementares, locais de armazenamento de equipamentos e alocação de pessoal, anunciou o chefe da pasta, Serguêi Choigu, durante teleconferência na terça-feira (12).
A decisão é, segundo observadores, consequência da implantação de equipamentos pesados de combate pela Otan nos territórios da Letônia, Lituânia e Estônia. Nos dois últimos anos, regiões mais próximas à Rússia receberam tanques, instalações de artilharia autopropulsada e blindados de transporte de pessoal.
“A aliança está aproximando suas unidades militares das fronteiras da Rússia e alocando blindados pesados na Lituânia e na Letônia. Os líderes da Polônia exigem até a implantação de tropas adicionais e bases militares da aliança para proteção contra uma suposta ameaça russa”, disse à Gazeta Russa o coronel reformado e observador militar da agência de notícias Tass, Viktor Litóvkin.
Além disso, a Romênia ganhou um complexo de defesa antimíssil norte-americano e as forças armadas do bloco ocidental vêm realizando regularmente treinamentos militares perto das fronteiras russas.
Durante os maiores exercícios já promovidos pela aliança, em junho de 2015, a Polônia e os Estados Bálticos receberam 11 mil integrantes das tropas da Otan, 40 aeronaves (incluindo bombardeiros B-52) e mais de 500 unidades de veículos militares, como tanques Leopard 2A5 e M1 Abrams.
Mudança de estratégia
O mais recente Plano Estratégico de Defesa da Rússia, que abrange o período de 2016 a 2020 e foi aprovado pelo presidente Vladímir Pútin em novembro passado, considera o crescimento do potencial bélico da Otan perto das fronteiras russas como uma ameaça direta à segurança do país.
“A Rússia precisa ampliar suas Forças Armadas. A opção mais simples é começar a expandir as brigadas transformando-as em divisões”, diz o vice-diretor do Instituto de Análise Política e Militar, Aleksandr Khramtchíkhin, acrescentando que a Otan continuará adotando os mesmos métodos dos dois últimos anos.

Pútin promete tecnologia para contrapor escudo dos EUA
A necessidade de reforço militar por Moscou também é apontada por Litóvkin, observador militar da Tass, que sugere a modernização das brigadas existentes no Distrito Militar Ocidental.
“Além disso, as divisões de tanques ganharão os mais recentes veículos da classe T-72B3 e T-90, e a Infantaria Mecanizada contará com helicópteros, veículos blindados de transporte de tropas BMP-3 e BMP-4 e canhões autopropulsados do tipo Koalítsia”, prevê o especialista.
http://gazetarussa.com.br/politica/2016/01/14/otan_559279

sábado, 9 de janeiro de 2016

EUA relatam: Marinha russa mais poderosa hoje que a Soviética. - via Dinâmica Global


De acordo com um novo relatório norte-americano, a Marinha russa está atualmente passando por uma atualização que pode torná-la mais poderosa e ameaçadora do que na época da União Soviética, disse que o site National Interest.
Além das últimas criações, a Rússia pretende modernizar navios da era soviética, disse o relatório.
“Em geral, a Rússia tem feito grandes progressos na criação de uma frota compatível com o século XXI e é capaz de garantir a defesa nacional em vários níveis, com possibilidades espetaculares, mas limitado no transporte de tropas e equipamento militar, bem como equipes profissionais. Por seu lado, a Marinha russa representaria uma maeaça ainda mais grave do que nos dias da União Soviética”, acrescentou o relatório.
O relatório também menciona o novo líder destruidor nuclear. Este navio combina as características de um destróier e um cruzador. Ele pode combater os ataques aéreos e terrestres e tem uma capacidade anti-míssil.
Os autores do relatório também incluem a criação de uma nova classe de submarino de propulsão nuclear. De acordo com o representante do Ministério da Defesa russo, a Rússia começou a fabricar submarinos multiuso modernos, projetados para realizar missões de apoio ao submarino de combate do tipo Yuri Dolgoruky.

De agora até 15 ou 20 anos, a Marinha russa estará baseada nos submarinos de quarta geração dos projetos Lada, Borei e Yassen. Após 2030, ela terá submarinos de quinta geração. Em 2050 a transição irá ocorrer para a construção de plataformas modulares polivalentes para submarinos e navios de superfície

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Mísseis russos na Síria mostram inutilidade do sistema antimíssil dos EUA


Segundo um analista, a operação militar lançada pela Rússia contra os terroristas do Estado Islâmico na Síria prejudicou os projetos de Washington para criar um escudo antimísseis no leste da Europa.
O míssil de cruzeiro Kalibr é disparado a partir da corveta ‘Grad Sviyashsk’ da frota russa do Mar Cáspio.
Os ataques dos mísseis russos SSN-30A Kalibr, de longo alcance, na Síria demostraram que os bilhões de dólares gastos pelos EUA para criar um sistema de defesa antimísseis na Europa não servem para nada, manifestou Pepe Escobar, especialista de Asia Times. Neste sentido, o Pentágono desconnecia que tais mísseis pudessem ser lançados de barcos pequenos. Os mísseis Tomahawk dos americanos, ao contrário exigem barcos muito maiores. Os mísseis Kalibr poderiam também penetrar qualquer sistema de defesa norteamericano, aponta o analista.
Esses mísseis russos sobrevoaram o Irã e o Iraque uns 1.500 km até chegar a Síria. Eles voaram a somente cem metros de altitude e a uma velocidade superior à dos drones dos EUA. especialistas nos EUA acreditavam que os citados mísseis tinham um alcance de somente 300 km.
Os elementos do escudo antimísseis norte-americano instalado no Leste da Europa se revelaram assim inúteis, aponta Escobar, que acrescenta, citando especialistas norte-americanos, que os mísseis Kalibr “mudaram as regras do jogo”.
Ele cita as declarações do comandante em chefe das forças norte-americanas na Europa, general Philip Breedlove, que afirmou também que o potencial russo de defesa aérea e antimíssil instalado na Síria, que inclui uma versão avançada do S-300, no está dirigido contra os terroristas, mas contra “outro objetivo”. A OTAN está preocupada pela incapacidade de seus programas informáticos sofisticados C4i de fazer frente às tecnologias russas na Síria e no sul da Turquia.
Os navios da frota russa do Cáspio lançaram 26 mísseis de cruzeiro Kalibr contra objetivos terroristas na Síria no passado 7 de outubro durante a operação que a Rússia desempenha desde 30 de setembro na Síria a mando das autoridades desse país. Os mísseis foram dirigidos contra centros de comando e comunicação e depósitos de armas, munições e combustível desses grupos.
A implantação do sistema antimíssil dos EUA na Europa foi justificada por Washington como um intento de proteger os seus aliados europeus de possíveis ataques com mísseis iranianos. no entanto, é um segredo descoberto que seu objetivo real são os mísseis nucleares russos. É por isso que este tema tem prejudicado as relações russo-norteamericanas.

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com
https://dinamicaglobal.wordpress.com/2015/11/01/misseis-russos-na-siria-mostram-inutilidade-do-sistema-antimissil-dos-eua/

Rússia cria na Síria uma zona impenetrável para a OTAN


Segundo Washington Post, o comandante militar da OTAN, general Philip Breedlove, reconheceu publicamente, durante uma conferência na Fundação Marshall, que a Síria e a Rússia criaram uma zona de exclusão que resulta impenetrável para todos os meios da OTAN. Zona de exclusão aérea russa na Síria. Autonomia e alcance dos ataques (em amarelo) dos helicópteros Mi-24 ‘Hind’, 240Km, (em vermelho) dos aviões de ataque ao solo Su-25 ‘Frogfoot’, 400km, (em azul) dos lançadores de mísseis S-300 a partir do cruzador Moskva no Mediterrâneo, 150km e (em cinza) dos caças Su-30s ‘Flanker’ 3000km.
Esta zona de exclusão dispõe de armas de última geração, inclusive mísseis antiaéreos S-300 PM2, instalados em barcos no Mediterrâneo, e outras terrestres como os Pantsir-S1. A zona comprende 30% da Síria e está situada ao redor da província de Latakia, onde se encontra a base aérea russa de Hamaimim e o porto naval de Tartus, utilizado por barcos de guerra russos.
Moskva, cruzador de mísseis da Rússia, apelidado de “portador-assassino” pela OTAN, passou pelo Estreito de Gibraltar e está no Mediterrâneo Oriental à disposição do comando da força naval russa na Síria.
Armamento do cruzador ‘Moskva’
-16x SS-N-12 mísseis Sandbox anti-navio
-8×8 (64) S-300PMU Favorit (SA-N-6 Grumble) mísseis de longo alcance surpefície-ar
-2×20 (40) OSA-MA (SA-N-4 Gecko) SR SAM
-1x twin AK-130 130mm/L70 armas de duplo-propósito
-6xAK-630 sistemas de armas de proximidade
-2x RBU-6000 morteiros anti-submarino
-10x (2 quin) 533mm tubos de torpedo
Couraça: blindagem Splinter
Transporta 1 helicóptero Ka-25 ou Ka-27 [fonte: RT]

Tendo pleno conhecimento de que os EUA se opunha com todas suas forças à implantação de uma presença militar russa na Síria, o Estado Maior do Exército russo decidiou instalar na Síria aviões militares russos Sukhoi em secretamente e instalar o potente sistema automatizado C-41 (comando, controle, comunicações, informática, informação e interoperabilidade), que tem permitido impor sua supremacia na guerra radio-eletrônica (Electronic Warfare – EW) contra os sistemas de reconhecimento terrestres, aéreos e por satélite dos EUA, impondo assim uma zona de exclusão para a OTAN na Síria (A2/AD Bubble).
O elemento chave no dispositivo posto em prática pelos russos está constituído pelos sistemas Krasukha-4, que realizam uma continua interferência nos radares de vigilância, nos satélites militares norteamericanos da familia de Lacrosse/Onyx, que estão baseados nos países vizinhos da Síria, nos aviões AWACS e E-8C e nos drones RQ-4 Global Hawk, MQ-1 Predator e MQ-9 Reaper.
Rússia levou para a Síria ainda outros tipos de materiais modernos que criam contramedidas, inclusive no espaço visível, infravermelho ou laser, contra os meios opto-eletrônicos de vigilância aérea e por satélite (IMINT) dos norte-americanos.

C4ISRLeia também: Revelado: Como a China e a Rússia podem destruir o F-35 dos Estados Unidos em combate.
Esta zona é obscura a todos os meios de observação terrestres, navais, aéreos e espaciais da OTAN. Não estando em condições de determinar as caraterísticas dos novos sistemas eletrônicos e de controle de fogo instalados pelos russos, a OTAN não pode neutralizá-los por meio das interferências.
Em consequência, todo trânsito ou transporte que utilize este espaço de exclusão aérea deverá contar com o acordo da Rússia. Dados os inegáveis progressos realizados pela Rússia nesses anos no domínio dos radares, os planificadores norte-americanos suspeitam que seus aviões F-22 de 5ª generação já não são “invisíveis” para os russos.
Segundo o general Breedlove, não é somente na Síria onde os russos criaram zonas de exclusão para a OTAN. Estas zonas já existem no enclave russo de Kaliningrado, no Mar Báltico, e na costa russa do Mar Negro, que inclui a Criméia.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A superioridade militar russa se confirma na Síria - Dinâmica Global



A intervenção militar de Moscow na Síria não revirou simplesmente a sorte das armas e semeou o pânico entre os jiadistas. Ela tem mostrado ao resto do mundo, em situação de guerra real, as atuais capacidades do exército russo. Para surpresa geral, este dispõe de um sistema de empastelamento capaz de tornar a Aliança Atlântica surda e cega. Apesar de um orçamento muito maior, os Estados Unidos acabam de perder a sua preponderância militar. A intervenção militar russa na Síria, que devia ser uma aposta arriscada para Moscou contra os jihadistas, transformou-se numa manifestação de poderio que altera o equilíbrio estratégico mundial. Concebida inicialmente para isolar os grupos armados dos Estados que os apoiam, em violação das resoluções decisivas do Conselho de Segurança, depois destruí-los, a operação é conduzida para cegar o conjunto dos atores ocidentais e seus aliados. Estupefato, o Pentágono está dividido entre os que tentam minimizar os fatos, e encontrar uma falha no dispositivo russo, e aqueles que, pelo contrário, consideram que os Estados Unidos perderam a sua superioridade em matéria de guerra convencional e que lhes será necessário longos anos para a recuperar
Lembre-se que em 2008, quando da guerra da Ossétia do Sul, as Forças russas foram capazes de repelir o ataque georgiano, é certo, mas haviam mostrado ao mundo, sobretudo, o estado deplorável do seu equipamento. Ainda há dez dias atrás, o antigo secretário da Defesa, Robert Gates, e a antiga conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, falavam do exército russo como uma força de “segundo nível”. Desde o início da colocação militar (na Síria- ndT), a Rússia instalou um centro de empastelamento em Hmeymim, a norte de Lataquia. De repente,o incidente do USS Donald Cook repetiu-se , mas, desta vez, num perímetro de 300 km; incluindo a base da Otan em Incirlik (Turquia). E, ainda persiste. Tendo o evento ocorrido durante uma tempestade de areia de densidade histórica, o Pentágono acreditou, inicialmente, que os seus instrumentos de medição estavam desregulados, antes de constatar que eles estavam “embaralhados”. Todos alvo de empastelamento eletrônico.
Ora, a moderna guerra convencional repousa no “C4i”; uma sigla correspondendo aos termos em Inglês de “command” (comando), “control” (controle), “communications” (comunicações), “computers” (computadores) e “intelligence” (inteligência). Os satélites, os aviões e os drones (aviões teleguiados), os navios e submarinos, os blindados, e agora até mesmo os combatentes, estão ligados uns aos outros por comunicações permanentes, que permitem aos estados-maiores comandar as batalhas. É todo este conjunto, o sistema nervoso da Otan, que está atualmente empastelado na Síria e numa parte da Turquia.
Segundo o perito romeno Valentin Vasilescu a Rússia teria instalado vários Krasukha-4, teria equipado os seus aviões de aparelhos de guerra eletrônica SAP / SPS-171 (como o avião que sobrevoou o USS Donald Cook), e os seus helicópteros Richag -AV. Além disso, usaria o navio-espião Priazovye (da classe Projeto 864, Vishnya na nomenclatura da Otan), no Mediterrâneo.
Parece que a Rússia assumiu o compromisso de não perturbar as comunicações de Israel -local protegido pelos EUA-, de modo a deixar de implantar o seu sistema de bloqueio no Sul da Síria.
As aeronaves russas deram-se ao luxo de violar um monte de vezes o espaço aéreo turco. Não para medir o tempo de reação da sua Força Aérea, mas para verificar a eficácia do bloqueio eletrônico na zona requerida, e para vigiar as instalações colocadas à disposição dos jihadistas na Turquia.
Mísseis de cruzeiro de alto desempenho.
Finalmente, a Rússia utilizou várias novas armas, como os 26 mísseis de cruzeiro furtivos 3M-14T Kaliber-NK, equivalentes aos RGM/UGM-109E Tomahawk. Disparados a partir da Frota do Mar Cáspio – sem qualquer fundamento militar -, eles atingiram e destruíram 11 alvos situados a 1.500 km de distância, na zona não-interditada – afim de que a Otan pudesse apreciar o desempenho. Estes mísseis sobrevoaram o Irã e o Iraque, a uma altitude variável de 50 a 100 metros, segundo o terreno, passando a quatro quilômetros de um drone norte-americano. Nenhum se perdeu, ao contrário dos americanos cujos erros se situam entre os 5 e os 10%, segundo os modelos. De passagem, estes disparos mostram a inutilidade das despesas faraônicas do “escudo” antimísseis construido pelo Pentágono em volta da Rússia -mesmo se era oficialmente justificado como estando dirigido “contra os lançadores iranianos”.
Sabendo que estes mísseis podem ser disparados a partir de submarinos, localizados em qualquer ponto dos oceanos, e que eles podem transportar ogivas nucleares, os Russos recuperaram o seu atraso em termos de lançadores.
Em última análise, a Federação da Rússia seria destruída pelos Estados Unidos- e vice-versa- -em caso de confrontação nuclear, mas sairia vencedora em caso de guerra convencional.
Apenas os Russos e os Sírios estão à altura de avaliar a situação no terreno. Todos os comentários militares vindos de outras fontes, aqui incluídos os jihadistas, são infundados, porque só a Rússia e a Síria tem uma visão do terreno. Ora, Moscou e Damasco entendem tirar o máximo partido da sua vantagem e, mantêm pois, o sigilo sobre as suas operações.
Dos poucos comunicados públicos, e confidências de oficiais, pode concluir-se que pelo menos 5.000 jihadistas foram mortos, entre os quais numerosos chefes da Ahrar al-Sham, da Al-Qaeda e do Emirado Islâmico. Pelo menos 10.000 mercenários fugiram para a Turquia, Iraque e Jordânia. O Exército Árabe Sírio e o Hezbollah reconquistaram o terreno sem esperar pelos anunciados reforços iranianos.
A campanha de bombardeamentos deverá terminar no Natal ortodoxo. A questão que se colocará então será saber se a Rússia está autorizada, ou não, a terminar o seu trabalho, perseguindo para tal os jihadistas que se refugiam na Turquia, no Iraque e na Jordânia. Caso contrário, a Síria seria salva, mas, o problema também não seria resolvido por completo. Os Irmãos Muçulmanos não deixariam de procurar uma revanche e os Estados Unidos de os utilizar, de novo, contra outros alvos.
Conclusão:
A operação russa na Síria foi concebida para privar os grupos jihadistas do apoio estatal de que dispõem, sob a cobertura de ajuda aos “opositores democráticos”.
Ela exigiu a utilização de armas novas e transformou-se numa demonstração de força russa.
Rússia dispõe agora de uma capacidade de interdição-eletrônica de todas as comunicações da Otan. Ela tornou-se a primeira potência em matéria de guerra convencional.
Este desempenho ateou a discórdia em Washington. É muito cedo para dizer se ela será favorável ao presidente Obama ou se isto será utilizado pelos “falcões liberais” para justificar um crescimento do orçamento militar.

sábado, 3 de outubro de 2015

Jogos de influência em uma Ásia central desunida - Le Monde Diplomatique Brasil



Considerado estratégico, o controle das ex-repúblicas soviéticas da Ásia sustentou a rivalidade entre grandes potências. No entanto, o avanço norte-americano foi passageiro, ao passo que a expansão econômica chinesa não atrapalha mais os interesses russos
por Régis Genté
Ao percorrer a Ásia central, dos picos do Pamir às imensas estepes cazaques, podemos sentir as vibrações tectônicas sendo produzidas no coração da Eurásia. Em junho passado, os aviões de fuselagem larga da US Air Force abandonaram o campo de jogo, desaparecendo do aeroporto de Manas, situado próximo a Bichkek, a capital do Quirguistão. Os Estados Unidos se retiram do Afeganistão, parcialmente pelo menos, e fecham sua única base francamente adquirida em uma Ásia central que parece não ser mais tão importante para eles.
Na estrada que leva ao centro de Bichkek, o imenso bazar de Dordoi constitui há cerca de vinte anos o grande mercado para os produtos chineses em toda a ex-URSS. Uma rápida olhada no meio das pilhas de contêineres basta para constatar que existem muito menos bancas atualmente. A união alfandegária, criada em 2010 por iniciativa do presidente russo, Vladimir Putin, e à qual o Quirguistão deve se unir em breve, tem um grande peso para as mercadorias fabricadas na China, que se tornam de repente menos competitivas para os russos e cazaques que fornecem mercadorias para Dordoi.
No entanto, os vizinhos vindos da China continuam presentes, a julgar pelo número de lojas e restaurantes chineses que florescem em Bichkek. O rádio do táxi lembra, na hora dos flashes de informações, que Pequim vai começar em 2016 a construir um gasoduto no país. Esse bloco vai completar a rede instalada no Turcomenistão para explorar seus fabulosos recursos, que já fornecem 51% das importações chinesas de gás natural (ver mapa).
Uma nova era se abre para os 60 milhões de almas da Ásia central, palco do “grande jogo” no século XIX entre os impérios russo e britânico, depois de um “novo grande jogo”, quando os Estados Unidos se manifestaram após a independência em 1991 das cinco antigas repúblicas soviéticas (Tadjiquistão, Uzbequistão, Quirguistão, Cazaquistão e Turcomenistão). Essa nova era poderia se revelar incerta e perigosa: “Menos por causa da fronteira afegã, já que os talibãs devem ter coisas mais importantes para fazer do que conquistar a Ásia central, e mais pela instabilidade própria da região, com as difíceis sucessões que se anunciam nesses regimes ditatoriais”, explica Alexander Cooley, especialista em Ásia central no Barnard College da Universidade Columbia (Nova York). “As grandes potências correm o risco de já não estarem mais em posição de assumir ali responsabilidades em matéria de segurança.” De fato, diversos confrontos opuseram os guardas de fronteira do Tadjiquistão e do Quirguistão. Pretextos ínfimos, como o desvio de um curso de água para a irrigação, podem dar lugar a enfrentamentos assassinos em razão da ausência de demarcação da fronteira entre os dois países e de uma concentração de problemas de segurança no Vale de Ferghana. Região mais fértil da Ásia central e atravessada pelo lendário Rio Sir Dária, esse vale concentra mais de um quinto da população de toda a região e se situa no meio de três países separados por fronteiras extremamente complexas, que até pouco tempo atrás eram simples delimitações administrativas entre repúblicas de um único Estado, a URSS.

Washington se vira cada vez mais a leste
O “novo grande jogo” centro-asiático evoluiu ao longo dos enfrentamentos entre grandes potências. Depois de 2001 e da intervenção ocidental no Afeganistão, Washington tentou ter um papel de influência na Ásia central. Os Estados Unidos tinham no início o consentimento de Putin, o primeiro chefe de Estado a oferecer suas condolências ao povo norte-americano e a George W. Bush pelo 11 de Setembro. A relação foi se deteriorando progressivamente, sobretudo após 2003 e a invasão norte-americana no Iraque, depois com o retorno de uma Rússia determinada a preservar uma esfera de influência em seu “estrangeiro próximo”.1 “Moscou, com ou sem razão, pensou que os norte-americanos queriam tirar proveito de sua presença no Afeganistão para se tornarem verdadeiros agentes na Ásia central”, constata Cooley. Isso nunca se confirmou, já que o desejo norte-americano de se instalar no coração da Eurásia oscilou ao longo do tempo.

Depois da chegada dos primeiros aviões norte-americanos à base aérea de Manas, em 2001, Washington soube se adaptar ao contexto local, confiando contratos bem generosos para o abastecimento da base aos filhos dos presidentes sucessivos do Quirguistão, Askar Akayev (1990-2005) e Kurmanbek Bakiyev (2005-2010), até sua deposição.2 A partir de 2010, porém, Moscou aumentou a pressão sobre Bichkek para que mandasse os norte-americanos embora, conseguindo em um primeiro momento apenas que a base se tornasse um simples centro logístico, com contrato de locação renovável de ano em ano.
A Casa Branca não recuou numa boa, mas, no contexto do recomeço (reset) das relações com Moscou colocado em ação depois de sua eleição, o presidente Barack Obama se recusou a começar uma queda de braço. E, tendo tomado a decisão de deixar o Afeganistão, Washington parece já estar olhando para outro lado... em direção à extremidade oriental da Eurásia e à costa do Pacífico, onde se concentram seus interesses estratégicos e comerciais. É preciso ver nesse reequilíbrio estratégico norte-americano uma forma de continuidade na mudança:3 a persistência em querer ter um papel-chave no continente eurasiático, mas agora um pouco mais a leste.
A estratégia dos Estados Unidos na Ásia central nunca se mostrou muito imaginativa. Ela repousa em grande parte sobre sua visão de uma “nova rota da seda”, uma iniciativa que visa, desde 1999, “criar uma região economicamente viva e interconectada através do Afeganistão e dos países da Ásia central e do sul”4 a fim de garantir sua estabilidade. A ideia é encorajar as trocas comerciais auxiliando principalmente a construção de infraestruturas. O projeto, porém, carece tanto de coerência quanto de realismo. Assim, a linha elétrica Casa-1000, que liga o Quirguistão, o Tadjiquistão, o Afeganistão e o Paquistão, sofre com o estado da rede dos dois primeiros e com a ausência de “estratégia para garantir a segurança da infraestrutura”.5 Entre as cinco antigas repúblicas soviéticas, as relações políticas permanecem difíceis desde as independências e as trocas econômicas ainda são muito limitadas. Mais ao sul, o Paquistão se afasta dos Estados Unidos, que não mantêm relações econômicas com o Irã, sendo esses dois países indispensáveis para criar uma verdadeira parceria regional.
Ainda que Cabul e Washington tenham assinado em setembro, depois de um longo período de incertezas, um acordo a respeito da manutenção das tropas norte-americanas, o futuro do Afeganistão permanece um dos mais indecisos (ler o artigo da pág. 26). E outros fatores ainda devem ser levados em conta para avaliar a implicação futura dos Estados Unidos: o recomeço da “guerra contra o terrorismo”, a situação no Paquistão e a evolução da relação com Moscou, consideravelmente afetada pela crise ucraniana.
Três meses antes da cerimônia de partida das tropas norte-americanas do Quirguistão, em 9 de junho de 2014, o gigante petroleiro russo Rosneft assinou com Bichkek um protocolo de acordo para a aquisição de 51% das partes do aeroporto internacional de Manas. Emblemático! Por que uma empresa petroleira tomaria o controle do aeroporto de um país que não dispõe de nenhum poço de combustíveis? A Rosneft, dirigida por Igor Stechine, um dos mais próximos colaboradores de Putin, prometeu US$ 1 bilhão em investimentos a fim de fazer do Quirguistão uma plataforma logística...
O protocolo de acordo vem se juntar a contratos assinados por outros mastodontes públicos russos, como Gazprom, Inter RAO e RusHydro, nas áreas da hidreletricidade e da distribuição de gás. As motivações são mais geopolíticas que comerciais: “Quem poderia ter vontade de comprar a Kyrgygaz, mesmo que fosse por US$ 1 simbólico, como fez a Gazprom, quando sabemos quanto essa empresa é um poço sem fundo, já que nossos compatriotas não pagam sua conta de gás?”, pergunta-se um alto funcionário do Quirguistão, que prefere permanecer no anonimato.
A história recente do Quirguistão ensinou aos dirigentes que mais vale não se opor ao que Moscou considera como seus interesses fundamentais. A queda do presidente Bakiyev em abril de 2010 está amplamente relacionada ao fato de ele ter ignorado esse princípio. O imprudente chefe de Estado pagou caro pela proposta feita aos norte-americanos de abrir um centro de treinamento militar em Batken, no sul, enquanto permanecia surdo às demandas do Kremlin a respeito da permissão para uma segunda base russa.
A crise ucraniana também mudou as coisas na Ásia central.6 “Os poderes da região se lembraram de quanto Moscou podia ameaçá-los. Além disso, o Kremlin mudou seu alvo e de repente pediu, exigiu, mais ou menos oficialmente, que o Quirguistão e o Tadjiquistão se unissem à sua União Econômica Eurasiática,7 para não ser totalmente ridicularizado depois de ter perdido a Ucrânia”, explica o cientista político Parviz Mullodjanov, em Duchambe. Esse projeto de integração, econômica e eventualmente política, se realiza sem entusiasmo. “Não somos contra a ideia de integração, pelo contrário, mas esta se faz somente segundo os diktats dos russos”, lamenta o conselheiro de um alto responsável político do Cazaquistão. Depois da deserção da Ucrânia e do temor que a reação de Moscou inspirou na Ásia central, o futuro da União Eurasiática parece muito vago.
No entanto, o Cazaquistão se mostrava o maior entusiasta da ideia de uma integração regional, sob a direção de seu autoritário presidente, Nursultan Nazarbayev. Esse grande promotor da ideia eurasiática desde 1994 também teve de levar em conta a importância da minoria russa ou de língua russa em seu país (cerca de um quarto da população atual). Todavia, quatro anos depois da criação da união alfandegária, os cazaques reclamam de diversos obstáculos que os impedem de entrar no mercado russo, que, no entanto, deveria ter se unido ao seu. “É também porque as economias têm tamanhos muito diferentes: a russa pesa dez vezes mais que a do Cazaquistão, e suas empresas não são competitivas o bastante, pois elas prosperam há quase vinte anos como oligopólios”, explica o especialista financeiro Jean-Christophe Lermusiaux, que por muito tempo trabalhou na imensa república centro-asiática.

Ano a ano, Moscou perde terreno
A Rússia privilegia frequentemente a punição em vez do estímulo e tem dificuldades em esconder seu desprezo em relação a seus vizinhos. No fim de agosto, Putin brigou com seu principal aliado, considerando que seu presidente tinha “criado um Estado em um território onde nunca houve Estado”. Nazarbayev não gostou nada disso, vendo nesse discurso uma ameaça escondida e retorquindo que seu país não participaria “de organizações que constituem uma ameaça à nossa independência”. O Cazaquistão inclusive se absteve durante a votação da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre a validade do referendo organizado na Crimeia.
Moscou consegue ainda menos manter em sua esfera de influência o Uzbequistão e o Turcomenistão, que não têm fronteiras em comum com a Rússia e cujas riquezas, em combustíveis principalmente, os autorizam a se deixar cortejar por outros. Mesmo a experiência e o conhecimento do terreno não permitem à Rússia oferecer as garantias de segurança de que os regimes tanto precisam. Durante as violências entre o Uzbequistão e o Quirguistão de junho de 2010 no sul do Quirguistão, que tiveram quase quinhentos mortos em três dias, nem a Rússia nem a Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC),8 que ela controla amplamente, intervieram para acalmar a febre assassina. No entanto, era toda a segurança do turbulento Vale de Ferghana que estava em jogo.9
Mesmo que a Rússia disponha de meios e contatos na região, de certo capital político e de confiança junto às populações e aos círculos de dirigentes, de uma proximidade cultural pela divisão da língua, ela perde terreno a cada ano. Ainda mais porque os cinco países da Ásia central são hábeis para contrabalancear a potência russa pela dos Estados Unidos, da Europa, da Coreia do Sul, do Japão... e principalmente da China.
Esta última só apareceu tardiamente nos radares centro-asiáticos. “No início dos anos 1990, pensávamos que o Irã ou a Turquia seriam os novos grandes agentes na região. Ambos fracassaram, e foi a China, totalmente ausente até os anos 1980, que neste início de século XXI se tornou a grande potência da Ásia central”, nota Thierry Kellner, autor de uma tese sobre a China e a Ásia central.10 Para três dos cinco países da zona, ela se tornou o principal parceiro comercial, na frente da Rússia, enquanto chega em segundo lugar no Uzbequistão e no Cazaquistão.

Um oleoduto desejado por Pequim
O engajamento da segunda maior potência econômica do mundo é impressionante. Em setembro de 2013, o presidente Xi Jinping fez uma viagem de dez dias na região, assinando durante sua passagem a bagatela de cerca de US$ 50 bilhões em contratos e empréstimos. Ele elevou para 65 bilhões de metros cúbicos por ano o nível de seus futuros abastecimentos de gás do Turcomenistão, que estaria em quarto lugar nas reservas de gás do planeta. Durante essa mesma viagem, ele adquiriu 8,33% das partes do campo de petróleo gigante de Kashagan, na parte cazaque do Mar Cáspio. Ele também anunciou a construção de uma refinaria e de novas ramificações do oleoduto passando pelos territórios do Quirguistão e do Tadjiquistão, oferecendo-lhes a chance de depender menos de gás uzbeque, do qual são regularmente privados por Tashkent. Xi testou durante essa viagem a ideia de um “cinturão econômico da rota da seda”, conceito ainda a definir, mas dispondo potencialmente de um grande futuro.
Nesse contexto, Pequim investiu também nas infraestruturas, principalmente nas de transporte. Sua estratégia visa criar um “terreno vizinho pacífico, condição necessária para a continuação da modernização da China e seu crescimento em poderio. Desde o início, a segurança foi então colocada no coração de sua política na Ásia central. Ainda mais porque Pequim teme o separatismo uigur, em sua província muçulmana e de língua turca do Xinjiang, que é vizinha dessa zona. Em seguida acrescentou-se a preocupação pela segurança energética”, explica Kellner.
Mantendo-se à distância das questões de política interna e preocupada em não mostrar nenhuma veleidade colonizadora e cheia de capacidades financeiras consideráveis, a China se tornou incontornável. “A Rússia já não está mais em posição de lhe dizer ‘não’ na região”, observa Konstantin Siroyejkine, do Instituto para os Estudos Estratégicos do Cazaquistão (Kisi, na sigla em inglês). “No entanto, os temas de desacordo na Ásia central são cada vez mais numerosos”, acrescenta o especialista em China. “As compras de gás centro-asiático de Pequim lhe deram, por exemplo, meios para negociar em posição de força com Moscou e de fazer abaixar bastante o valor dos contratos.”
Por enquanto, o Kremlin precisa demais da China, em sua queda de braço geopolítica com o Ocidente, para tratá-la mal na Ásia central. A assinatura, em 21 de maio de 2014, de um gigantesco contrato de US$ 400 bilhões, para a entrega durante trinta anos de 38 bilhões de metros cúbicos de gás por ano, tem importância capital para Moscou. Trata-se de mostrar para o Ocidente que a Rússia pode se virar sem ele, transferindo sua produção para a China e de maneira geral para a Ásia.
Desde 2013, o presidente chinês faz a promoção de sua própria “nova rota da seda”. Uma estrada de ferro regular já conecta em 22 dias Chongqing a Duisburgo, na Alemanha, via Cazaquistão e Rússia.11 Ainda que o volume transportado permaneça insignificante se comparado com o frete marítimo, essa via continental já é empregada por grandes empresas ocidentais, como a Hewlett-Packard e a BMW.
Ninguém se ilude em Moscou sobre o futuro de uma aliança sino-russa. A Rússia não representa mais do que 3,5% da produção mundial de riqueza e deve realizar tantas parcerias quantas forem possíveis com Pequim para dar continuidade a suas ambições estratégicas. Daí suas concessões e a boa vontade estampada na Ásia central para com os interesses chineses. Moscou dá também muita importância para a Organização para Cooperação de Xangai (OCS, na sigla em francês),12 que se apresenta como uma muralha potencialmente poderosa, com ares de clube antiocidental. Reunindo alguns dos maiores produtores de energia do mundo, ela forma a zona mais povoada do planeta.
Estados Unidos se desinteressando pela região, Rússia não tendo os meios de suas ambições, China parecendo triunfar, mas criando obstáculos para investir ali para além da área econômica: o ambiente geopolítico da Ásia central não está mais propício para estabilizar Estados onde se encontram apenas regimes autoritários, até ditatoriais, e fundados sobre frágeis equilíbrios de clãs. Diversos conflitos são latentes, e as próximas sucessões se anunciam difíceis, principalmente no Uzbequistão. A corrupção e a pobreza que perduram criam um terreno cada vez mais fértil para o desenvolvimento do islamismo radical.
Nenhuma grande potência parece dispor de autoridade suficiente, ou da vontade de exercê-la, para ser ouvida em caso de crise de segurança grave. Como encontrar um consenso na hipótese de crise importante iniciada por novos enfrentamentos étnicos ou por uma sucessão presidencial instável? “Cada um deve ser flexível com relação a seus parceiros regionais” e evitar se fechar em princípios que excluam a colaboração com esta ou aquela grande potência influente na região, estima Cooley.13 Evidentemente, a degradação das relações russo-norte-americanas não incita o otimismo. Quanto ao entendimento Pequim-Moscou, não há garantias de que ele permaneça eternamente bem.
Para diversos especialistas, a mudança geopolítica em curso se explica pelos enfrentamentos entre as grandes potências. “O jogo entre Washington e Moscou, do qual observamos um dos avatares hoje na Ucrânia, faz que a Rússia recue para as profundezas da Eurásia. Já no século XIX, a derrota da Crimeia levou a Rússia a conquistar a Ásia central. Hoje, quando parece perder a Ucrânia, a Rússia poderia novamente querer consolidar suas posições no mais profundo do continente eurasiático, na Ásia central. Não excluo que, no fundo, Washington seja a favor disso”, estima Chokan Laumulin, especialista cazaque do Cambrigde Central Asia Forum, em Londres.
Nesse contexto, o papel das repúblicas da Ásia central poderia se revelar decisivo para a estabilidade regional. Mais do que nunca, os tomadores de decisão políticos e seus conselheiros buscam contrabalançar as ambições de uma grande potência pelas de outra. Em Duchambe, Sayfullo Safarov, do Centro de Pesquisa Estratégica, explicava no início deste ano, enquanto o Tadjiquistão se preparava sem entusiasmo para entrar na União Econômica Eurasiática sonhada por Moscou, que o país, aconteça o que acontecer, “não deve abandonar sua política de equilíbrio do jogo das grandes potências em torno dele. Estudar o que significa para nós a integração à União Eurasiática é o mesmo que considerar a maneira como essa integração é compatível com nossos interesses estrategicamente fundamentais”. Desde sua independência, esses países aprenderam a administrar esse jogo de equilíbrios.

Uma região em via de desintegração

Os cinco países da Ásia central tiveram evoluções econômicas e políticas fortemente divergentes desde a independência em 1991. Esses povos de línguas turcas (com a exceção dos tadjiques persas) têm, contudo, um longo passado comum, particularmente após sua integração progressiva ao Império Russo, no século XIX.
País mais populoso da região, com 30 milhões de habitantes (de um total de 66 milhões), o Uzbequistão permanece agrícola, enquanto importantes rendas provenientes do gás e do petróleo favorecem o Turcomenistão e o Cazaquistão, sendo este último responsável por dois terços do PIB da região. As transferências remetidas por expatriados constituem o essencial da renda do Quirguistão (35% do PIB) e do Tadjiquistão (50%).
Herdeiros de fronteiras complexas traçadas arbitrariamente em 1936 pela URSS, esses países brigam frequentemente e comercializam muito pouco entre si. Do ponto de vista político, as rivalidades entre dirigentes acentuam a divisão entre o Turcomenistão, neutro desde 1995, o Uzbequistão, bastante independente, e os outros três países, próximos de Moscou.

1  Ler “Russie, le retour” [Rússia, o retorno], Manière de Voir, n.138, dez. 2014/jan. 2015.
2  Cf. “Mystery at Manas” [Mistério em Manas], relatório do Subcomitê para a Segurança Nacional e as Relações Exteriores do Congresso norte-americano, Washington, dez. 2010.
3  Cf. Yves Boyer, “La stratégie de rééquilibrage des États-Unis vers l’Asie-Pacifique et la Chine” [A estratégia de reequilíbrio dos Estados Unidos em relação à Ásia-Pacífico e à China], nota 13/13, jun. 2013, Fondation pour la Recherche Stratégique, Paris.
4  Stephen Kaufman, “‘New silk road’ vision offers Afghanistan a brighter future” [Visão de “nova rota da seda” oferece ao Afeganistão um futuro mais brilhante], IIP Digital, Departamento de Estado dos Estados Unidos, 28 out. 2013. Disponível em: http://iipdigital.usembassy.gov.
5  Eugene Imas, “The new silk road to nowhere” [A nova rota da seda para o nada], The Diplomat, 18 dez. 2013. Disponível em: http://thediplomat.com.
6  Cf. “Russia-Ukraine crisis alarms Central Asian strongmen” [Crise Rússia-Ucrânia alerta homem forte da Ásia central], Eurasianet, 4 mar. 2014. Disponível em: www.eurasianet.org.
7  Criada em 2010 por Rússia, Cazaquistão e Bielorrússia, a união alfandegária transformou-se em espaço econômico comum em 2012. Em 1o de janeiro de 2015, ela se tornará União Econômica Eurasiática, cujo tratado fundador foi assinado em Astana no dia 29 de maio de 2014.
8  Agrupando Rússia, Bielorrússia, Armênia, Cazaquistão, Quirguistão e Tadjiquistão.
9  Cf. Alexei Malashenko, “Russia and the crisis in Osh” [Rússia e a crise em Osh], Carnegie Moscow Center, 15 jun. 2010.
10            Thierry Kellner, L’Occident de la Chine. Pékin et la nouvelle Asie centrale (1991-2001) [O Ocidente da China. Pequim e a nova Ásia central], Presses Universitaires de France, Paris, 2008.
11            Cf. Shawn Donnan, “Geopolitics cast shadow over new silk road” [Geopolítica lança sombra sobre a nova rota da seda], Financial Times, Londres, 17 out. 2014.
12            A OCS agrupa Rússia, China, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão. Afeganistão, Índia, Irã, Mongólia e Paquistão têm status de observadores. Bielorrússia, Turquia e Sri Lanka são parceiros de diálogo.
13       Cf. Alexander Cooley, Great games, local rules: the new great power contest in Central Asia [Grandes jogos, regras locais: a nova grande disputa de poder na Ásia central], Oxford University Press, 2012.

1 Ler “Russie, le retour” [Rússia, o retorno], Manière de Voir, n.138, dez. 2014/jan. 2015.
2  Cf. “Mystery at Manas” [Mistério em Manas], relatório do Subcomitê para a Segurança Nacional e as Relações Exteriores do Congresso norte-americano, Washington, dez. 2010.
3  Cf. Yves Boyer, “La stratégie de rééquilibrage des États-Unis vers l’Asie-Pacifique et la Chine” [A estratégia de reequilíbrio dos Estados Unidos em relação à Ásia-Pacífico e à China], nota 13/13, jun. 2013, Fondation pour la Recherche Stratégique, Paris.
4  Stephen Kaufman, “‘New silk road’ vision offers Afghanistan a brighter future” [Visão de “nova rota da seda” oferece ao Afeganistão um futuro mais brilhante], IIP Digital, Departamento de Estado dos Estados Unidos, 28 out. 2013. Disponível em: .
5  Eugene Imas, “The new silk road to nowhere” [A nova rota da seda para o nada], The Diplomat, 18 dez. 2013. Disponível em: .
6  Cf. “Russia-Ukraine crisis alarms Central Asian strongmen” [Crise Rússia-Ucrânia alerta homem forte da Ásia central], Eurasianet, 4 mar. 2014. Disponível em: .
7  Criada em 2010 por Rússia, Cazaquistão e Bielorrússia, a união alfandegária transformou-se em espaço econômico comum em 2012. Em 1o de janeiro de 2015, ela se tornará União Econômica Eurasiática, cujo tratado fundador foi assinado em Astana no dia 29 de maio de 2014.
8  Agrupando Rússia, Bielorrússia, Armênia, Cazaquistão, Quirguistão e Tadjiquistão.
9  Cf. Alexei Malashenko, “Russia and the crisis in Osh” [Rússia e a crise em Osh], Carnegie Moscow Center, 15 jun. 2010.
10            Thierry Kellner, L’Occident de la Chine. Pékin et la nouvelle Asie centrale (1991-2001) [O Ocidente da China. Pequim e a nova Ásia central], Presses Universitaires de France, Paris, 2008.
11            Cf. Shawn Donnan, “Geopolitics cast shadow over new silk road” [Geopolítica lança sombra sobre a nova rota da seda], Financial Times, Londres, 17 out. 2014.
12            A OCS agrupa Rússia, China, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão. Afeganistão, Índia, Irã, Mongólia e Paquistão têm status de observadores. Bielorrússia, Turquia e Sri Lanka são parceiros de diálogo.
13    Cf. Alexander Cooley, Great games, local rules: the new great power contest in Central Asia [Grandes jogos, regras locais: a nova grande disputa de poder na Ásia central], Oxford University Press, 2012
http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1778