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sábado, 3 de outubro de 2015

Jogos de influência em uma Ásia central desunida - Le Monde Diplomatique Brasil



Considerado estratégico, o controle das ex-repúblicas soviéticas da Ásia sustentou a rivalidade entre grandes potências. No entanto, o avanço norte-americano foi passageiro, ao passo que a expansão econômica chinesa não atrapalha mais os interesses russos
por Régis Genté
Ao percorrer a Ásia central, dos picos do Pamir às imensas estepes cazaques, podemos sentir as vibrações tectônicas sendo produzidas no coração da Eurásia. Em junho passado, os aviões de fuselagem larga da US Air Force abandonaram o campo de jogo, desaparecendo do aeroporto de Manas, situado próximo a Bichkek, a capital do Quirguistão. Os Estados Unidos se retiram do Afeganistão, parcialmente pelo menos, e fecham sua única base francamente adquirida em uma Ásia central que parece não ser mais tão importante para eles.
Na estrada que leva ao centro de Bichkek, o imenso bazar de Dordoi constitui há cerca de vinte anos o grande mercado para os produtos chineses em toda a ex-URSS. Uma rápida olhada no meio das pilhas de contêineres basta para constatar que existem muito menos bancas atualmente. A união alfandegária, criada em 2010 por iniciativa do presidente russo, Vladimir Putin, e à qual o Quirguistão deve se unir em breve, tem um grande peso para as mercadorias fabricadas na China, que se tornam de repente menos competitivas para os russos e cazaques que fornecem mercadorias para Dordoi.
No entanto, os vizinhos vindos da China continuam presentes, a julgar pelo número de lojas e restaurantes chineses que florescem em Bichkek. O rádio do táxi lembra, na hora dos flashes de informações, que Pequim vai começar em 2016 a construir um gasoduto no país. Esse bloco vai completar a rede instalada no Turcomenistão para explorar seus fabulosos recursos, que já fornecem 51% das importações chinesas de gás natural (ver mapa).
Uma nova era se abre para os 60 milhões de almas da Ásia central, palco do “grande jogo” no século XIX entre os impérios russo e britânico, depois de um “novo grande jogo”, quando os Estados Unidos se manifestaram após a independência em 1991 das cinco antigas repúblicas soviéticas (Tadjiquistão, Uzbequistão, Quirguistão, Cazaquistão e Turcomenistão). Essa nova era poderia se revelar incerta e perigosa: “Menos por causa da fronteira afegã, já que os talibãs devem ter coisas mais importantes para fazer do que conquistar a Ásia central, e mais pela instabilidade própria da região, com as difíceis sucessões que se anunciam nesses regimes ditatoriais”, explica Alexander Cooley, especialista em Ásia central no Barnard College da Universidade Columbia (Nova York). “As grandes potências correm o risco de já não estarem mais em posição de assumir ali responsabilidades em matéria de segurança.” De fato, diversos confrontos opuseram os guardas de fronteira do Tadjiquistão e do Quirguistão. Pretextos ínfimos, como o desvio de um curso de água para a irrigação, podem dar lugar a enfrentamentos assassinos em razão da ausência de demarcação da fronteira entre os dois países e de uma concentração de problemas de segurança no Vale de Ferghana. Região mais fértil da Ásia central e atravessada pelo lendário Rio Sir Dária, esse vale concentra mais de um quinto da população de toda a região e se situa no meio de três países separados por fronteiras extremamente complexas, que até pouco tempo atrás eram simples delimitações administrativas entre repúblicas de um único Estado, a URSS.

Washington se vira cada vez mais a leste
O “novo grande jogo” centro-asiático evoluiu ao longo dos enfrentamentos entre grandes potências. Depois de 2001 e da intervenção ocidental no Afeganistão, Washington tentou ter um papel de influência na Ásia central. Os Estados Unidos tinham no início o consentimento de Putin, o primeiro chefe de Estado a oferecer suas condolências ao povo norte-americano e a George W. Bush pelo 11 de Setembro. A relação foi se deteriorando progressivamente, sobretudo após 2003 e a invasão norte-americana no Iraque, depois com o retorno de uma Rússia determinada a preservar uma esfera de influência em seu “estrangeiro próximo”.1 “Moscou, com ou sem razão, pensou que os norte-americanos queriam tirar proveito de sua presença no Afeganistão para se tornarem verdadeiros agentes na Ásia central”, constata Cooley. Isso nunca se confirmou, já que o desejo norte-americano de se instalar no coração da Eurásia oscilou ao longo do tempo.

Depois da chegada dos primeiros aviões norte-americanos à base aérea de Manas, em 2001, Washington soube se adaptar ao contexto local, confiando contratos bem generosos para o abastecimento da base aos filhos dos presidentes sucessivos do Quirguistão, Askar Akayev (1990-2005) e Kurmanbek Bakiyev (2005-2010), até sua deposição.2 A partir de 2010, porém, Moscou aumentou a pressão sobre Bichkek para que mandasse os norte-americanos embora, conseguindo em um primeiro momento apenas que a base se tornasse um simples centro logístico, com contrato de locação renovável de ano em ano.
A Casa Branca não recuou numa boa, mas, no contexto do recomeço (reset) das relações com Moscou colocado em ação depois de sua eleição, o presidente Barack Obama se recusou a começar uma queda de braço. E, tendo tomado a decisão de deixar o Afeganistão, Washington parece já estar olhando para outro lado... em direção à extremidade oriental da Eurásia e à costa do Pacífico, onde se concentram seus interesses estratégicos e comerciais. É preciso ver nesse reequilíbrio estratégico norte-americano uma forma de continuidade na mudança:3 a persistência em querer ter um papel-chave no continente eurasiático, mas agora um pouco mais a leste.
A estratégia dos Estados Unidos na Ásia central nunca se mostrou muito imaginativa. Ela repousa em grande parte sobre sua visão de uma “nova rota da seda”, uma iniciativa que visa, desde 1999, “criar uma região economicamente viva e interconectada através do Afeganistão e dos países da Ásia central e do sul”4 a fim de garantir sua estabilidade. A ideia é encorajar as trocas comerciais auxiliando principalmente a construção de infraestruturas. O projeto, porém, carece tanto de coerência quanto de realismo. Assim, a linha elétrica Casa-1000, que liga o Quirguistão, o Tadjiquistão, o Afeganistão e o Paquistão, sofre com o estado da rede dos dois primeiros e com a ausência de “estratégia para garantir a segurança da infraestrutura”.5 Entre as cinco antigas repúblicas soviéticas, as relações políticas permanecem difíceis desde as independências e as trocas econômicas ainda são muito limitadas. Mais ao sul, o Paquistão se afasta dos Estados Unidos, que não mantêm relações econômicas com o Irã, sendo esses dois países indispensáveis para criar uma verdadeira parceria regional.
Ainda que Cabul e Washington tenham assinado em setembro, depois de um longo período de incertezas, um acordo a respeito da manutenção das tropas norte-americanas, o futuro do Afeganistão permanece um dos mais indecisos (ler o artigo da pág. 26). E outros fatores ainda devem ser levados em conta para avaliar a implicação futura dos Estados Unidos: o recomeço da “guerra contra o terrorismo”, a situação no Paquistão e a evolução da relação com Moscou, consideravelmente afetada pela crise ucraniana.
Três meses antes da cerimônia de partida das tropas norte-americanas do Quirguistão, em 9 de junho de 2014, o gigante petroleiro russo Rosneft assinou com Bichkek um protocolo de acordo para a aquisição de 51% das partes do aeroporto internacional de Manas. Emblemático! Por que uma empresa petroleira tomaria o controle do aeroporto de um país que não dispõe de nenhum poço de combustíveis? A Rosneft, dirigida por Igor Stechine, um dos mais próximos colaboradores de Putin, prometeu US$ 1 bilhão em investimentos a fim de fazer do Quirguistão uma plataforma logística...
O protocolo de acordo vem se juntar a contratos assinados por outros mastodontes públicos russos, como Gazprom, Inter RAO e RusHydro, nas áreas da hidreletricidade e da distribuição de gás. As motivações são mais geopolíticas que comerciais: “Quem poderia ter vontade de comprar a Kyrgygaz, mesmo que fosse por US$ 1 simbólico, como fez a Gazprom, quando sabemos quanto essa empresa é um poço sem fundo, já que nossos compatriotas não pagam sua conta de gás?”, pergunta-se um alto funcionário do Quirguistão, que prefere permanecer no anonimato.
A história recente do Quirguistão ensinou aos dirigentes que mais vale não se opor ao que Moscou considera como seus interesses fundamentais. A queda do presidente Bakiyev em abril de 2010 está amplamente relacionada ao fato de ele ter ignorado esse princípio. O imprudente chefe de Estado pagou caro pela proposta feita aos norte-americanos de abrir um centro de treinamento militar em Batken, no sul, enquanto permanecia surdo às demandas do Kremlin a respeito da permissão para uma segunda base russa.
A crise ucraniana também mudou as coisas na Ásia central.6 “Os poderes da região se lembraram de quanto Moscou podia ameaçá-los. Além disso, o Kremlin mudou seu alvo e de repente pediu, exigiu, mais ou menos oficialmente, que o Quirguistão e o Tadjiquistão se unissem à sua União Econômica Eurasiática,7 para não ser totalmente ridicularizado depois de ter perdido a Ucrânia”, explica o cientista político Parviz Mullodjanov, em Duchambe. Esse projeto de integração, econômica e eventualmente política, se realiza sem entusiasmo. “Não somos contra a ideia de integração, pelo contrário, mas esta se faz somente segundo os diktats dos russos”, lamenta o conselheiro de um alto responsável político do Cazaquistão. Depois da deserção da Ucrânia e do temor que a reação de Moscou inspirou na Ásia central, o futuro da União Eurasiática parece muito vago.
No entanto, o Cazaquistão se mostrava o maior entusiasta da ideia de uma integração regional, sob a direção de seu autoritário presidente, Nursultan Nazarbayev. Esse grande promotor da ideia eurasiática desde 1994 também teve de levar em conta a importância da minoria russa ou de língua russa em seu país (cerca de um quarto da população atual). Todavia, quatro anos depois da criação da união alfandegária, os cazaques reclamam de diversos obstáculos que os impedem de entrar no mercado russo, que, no entanto, deveria ter se unido ao seu. “É também porque as economias têm tamanhos muito diferentes: a russa pesa dez vezes mais que a do Cazaquistão, e suas empresas não são competitivas o bastante, pois elas prosperam há quase vinte anos como oligopólios”, explica o especialista financeiro Jean-Christophe Lermusiaux, que por muito tempo trabalhou na imensa república centro-asiática.

Ano a ano, Moscou perde terreno
A Rússia privilegia frequentemente a punição em vez do estímulo e tem dificuldades em esconder seu desprezo em relação a seus vizinhos. No fim de agosto, Putin brigou com seu principal aliado, considerando que seu presidente tinha “criado um Estado em um território onde nunca houve Estado”. Nazarbayev não gostou nada disso, vendo nesse discurso uma ameaça escondida e retorquindo que seu país não participaria “de organizações que constituem uma ameaça à nossa independência”. O Cazaquistão inclusive se absteve durante a votação da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre a validade do referendo organizado na Crimeia.
Moscou consegue ainda menos manter em sua esfera de influência o Uzbequistão e o Turcomenistão, que não têm fronteiras em comum com a Rússia e cujas riquezas, em combustíveis principalmente, os autorizam a se deixar cortejar por outros. Mesmo a experiência e o conhecimento do terreno não permitem à Rússia oferecer as garantias de segurança de que os regimes tanto precisam. Durante as violências entre o Uzbequistão e o Quirguistão de junho de 2010 no sul do Quirguistão, que tiveram quase quinhentos mortos em três dias, nem a Rússia nem a Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC),8 que ela controla amplamente, intervieram para acalmar a febre assassina. No entanto, era toda a segurança do turbulento Vale de Ferghana que estava em jogo.9
Mesmo que a Rússia disponha de meios e contatos na região, de certo capital político e de confiança junto às populações e aos círculos de dirigentes, de uma proximidade cultural pela divisão da língua, ela perde terreno a cada ano. Ainda mais porque os cinco países da Ásia central são hábeis para contrabalancear a potência russa pela dos Estados Unidos, da Europa, da Coreia do Sul, do Japão... e principalmente da China.
Esta última só apareceu tardiamente nos radares centro-asiáticos. “No início dos anos 1990, pensávamos que o Irã ou a Turquia seriam os novos grandes agentes na região. Ambos fracassaram, e foi a China, totalmente ausente até os anos 1980, que neste início de século XXI se tornou a grande potência da Ásia central”, nota Thierry Kellner, autor de uma tese sobre a China e a Ásia central.10 Para três dos cinco países da zona, ela se tornou o principal parceiro comercial, na frente da Rússia, enquanto chega em segundo lugar no Uzbequistão e no Cazaquistão.

Um oleoduto desejado por Pequim
O engajamento da segunda maior potência econômica do mundo é impressionante. Em setembro de 2013, o presidente Xi Jinping fez uma viagem de dez dias na região, assinando durante sua passagem a bagatela de cerca de US$ 50 bilhões em contratos e empréstimos. Ele elevou para 65 bilhões de metros cúbicos por ano o nível de seus futuros abastecimentos de gás do Turcomenistão, que estaria em quarto lugar nas reservas de gás do planeta. Durante essa mesma viagem, ele adquiriu 8,33% das partes do campo de petróleo gigante de Kashagan, na parte cazaque do Mar Cáspio. Ele também anunciou a construção de uma refinaria e de novas ramificações do oleoduto passando pelos territórios do Quirguistão e do Tadjiquistão, oferecendo-lhes a chance de depender menos de gás uzbeque, do qual são regularmente privados por Tashkent. Xi testou durante essa viagem a ideia de um “cinturão econômico da rota da seda”, conceito ainda a definir, mas dispondo potencialmente de um grande futuro.
Nesse contexto, Pequim investiu também nas infraestruturas, principalmente nas de transporte. Sua estratégia visa criar um “terreno vizinho pacífico, condição necessária para a continuação da modernização da China e seu crescimento em poderio. Desde o início, a segurança foi então colocada no coração de sua política na Ásia central. Ainda mais porque Pequim teme o separatismo uigur, em sua província muçulmana e de língua turca do Xinjiang, que é vizinha dessa zona. Em seguida acrescentou-se a preocupação pela segurança energética”, explica Kellner.
Mantendo-se à distância das questões de política interna e preocupada em não mostrar nenhuma veleidade colonizadora e cheia de capacidades financeiras consideráveis, a China se tornou incontornável. “A Rússia já não está mais em posição de lhe dizer ‘não’ na região”, observa Konstantin Siroyejkine, do Instituto para os Estudos Estratégicos do Cazaquistão (Kisi, na sigla em inglês). “No entanto, os temas de desacordo na Ásia central são cada vez mais numerosos”, acrescenta o especialista em China. “As compras de gás centro-asiático de Pequim lhe deram, por exemplo, meios para negociar em posição de força com Moscou e de fazer abaixar bastante o valor dos contratos.”
Por enquanto, o Kremlin precisa demais da China, em sua queda de braço geopolítica com o Ocidente, para tratá-la mal na Ásia central. A assinatura, em 21 de maio de 2014, de um gigantesco contrato de US$ 400 bilhões, para a entrega durante trinta anos de 38 bilhões de metros cúbicos de gás por ano, tem importância capital para Moscou. Trata-se de mostrar para o Ocidente que a Rússia pode se virar sem ele, transferindo sua produção para a China e de maneira geral para a Ásia.
Desde 2013, o presidente chinês faz a promoção de sua própria “nova rota da seda”. Uma estrada de ferro regular já conecta em 22 dias Chongqing a Duisburgo, na Alemanha, via Cazaquistão e Rússia.11 Ainda que o volume transportado permaneça insignificante se comparado com o frete marítimo, essa via continental já é empregada por grandes empresas ocidentais, como a Hewlett-Packard e a BMW.
Ninguém se ilude em Moscou sobre o futuro de uma aliança sino-russa. A Rússia não representa mais do que 3,5% da produção mundial de riqueza e deve realizar tantas parcerias quantas forem possíveis com Pequim para dar continuidade a suas ambições estratégicas. Daí suas concessões e a boa vontade estampada na Ásia central para com os interesses chineses. Moscou dá também muita importância para a Organização para Cooperação de Xangai (OCS, na sigla em francês),12 que se apresenta como uma muralha potencialmente poderosa, com ares de clube antiocidental. Reunindo alguns dos maiores produtores de energia do mundo, ela forma a zona mais povoada do planeta.
Estados Unidos se desinteressando pela região, Rússia não tendo os meios de suas ambições, China parecendo triunfar, mas criando obstáculos para investir ali para além da área econômica: o ambiente geopolítico da Ásia central não está mais propício para estabilizar Estados onde se encontram apenas regimes autoritários, até ditatoriais, e fundados sobre frágeis equilíbrios de clãs. Diversos conflitos são latentes, e as próximas sucessões se anunciam difíceis, principalmente no Uzbequistão. A corrupção e a pobreza que perduram criam um terreno cada vez mais fértil para o desenvolvimento do islamismo radical.
Nenhuma grande potência parece dispor de autoridade suficiente, ou da vontade de exercê-la, para ser ouvida em caso de crise de segurança grave. Como encontrar um consenso na hipótese de crise importante iniciada por novos enfrentamentos étnicos ou por uma sucessão presidencial instável? “Cada um deve ser flexível com relação a seus parceiros regionais” e evitar se fechar em princípios que excluam a colaboração com esta ou aquela grande potência influente na região, estima Cooley.13 Evidentemente, a degradação das relações russo-norte-americanas não incita o otimismo. Quanto ao entendimento Pequim-Moscou, não há garantias de que ele permaneça eternamente bem.
Para diversos especialistas, a mudança geopolítica em curso se explica pelos enfrentamentos entre as grandes potências. “O jogo entre Washington e Moscou, do qual observamos um dos avatares hoje na Ucrânia, faz que a Rússia recue para as profundezas da Eurásia. Já no século XIX, a derrota da Crimeia levou a Rússia a conquistar a Ásia central. Hoje, quando parece perder a Ucrânia, a Rússia poderia novamente querer consolidar suas posições no mais profundo do continente eurasiático, na Ásia central. Não excluo que, no fundo, Washington seja a favor disso”, estima Chokan Laumulin, especialista cazaque do Cambrigde Central Asia Forum, em Londres.
Nesse contexto, o papel das repúblicas da Ásia central poderia se revelar decisivo para a estabilidade regional. Mais do que nunca, os tomadores de decisão políticos e seus conselheiros buscam contrabalançar as ambições de uma grande potência pelas de outra. Em Duchambe, Sayfullo Safarov, do Centro de Pesquisa Estratégica, explicava no início deste ano, enquanto o Tadjiquistão se preparava sem entusiasmo para entrar na União Econômica Eurasiática sonhada por Moscou, que o país, aconteça o que acontecer, “não deve abandonar sua política de equilíbrio do jogo das grandes potências em torno dele. Estudar o que significa para nós a integração à União Eurasiática é o mesmo que considerar a maneira como essa integração é compatível com nossos interesses estrategicamente fundamentais”. Desde sua independência, esses países aprenderam a administrar esse jogo de equilíbrios.

Uma região em via de desintegração

Os cinco países da Ásia central tiveram evoluções econômicas e políticas fortemente divergentes desde a independência em 1991. Esses povos de línguas turcas (com a exceção dos tadjiques persas) têm, contudo, um longo passado comum, particularmente após sua integração progressiva ao Império Russo, no século XIX.
País mais populoso da região, com 30 milhões de habitantes (de um total de 66 milhões), o Uzbequistão permanece agrícola, enquanto importantes rendas provenientes do gás e do petróleo favorecem o Turcomenistão e o Cazaquistão, sendo este último responsável por dois terços do PIB da região. As transferências remetidas por expatriados constituem o essencial da renda do Quirguistão (35% do PIB) e do Tadjiquistão (50%).
Herdeiros de fronteiras complexas traçadas arbitrariamente em 1936 pela URSS, esses países brigam frequentemente e comercializam muito pouco entre si. Do ponto de vista político, as rivalidades entre dirigentes acentuam a divisão entre o Turcomenistão, neutro desde 1995, o Uzbequistão, bastante independente, e os outros três países, próximos de Moscou.

1  Ler “Russie, le retour” [Rússia, o retorno], Manière de Voir, n.138, dez. 2014/jan. 2015.
2  Cf. “Mystery at Manas” [Mistério em Manas], relatório do Subcomitê para a Segurança Nacional e as Relações Exteriores do Congresso norte-americano, Washington, dez. 2010.
3  Cf. Yves Boyer, “La stratégie de rééquilibrage des États-Unis vers l’Asie-Pacifique et la Chine” [A estratégia de reequilíbrio dos Estados Unidos em relação à Ásia-Pacífico e à China], nota 13/13, jun. 2013, Fondation pour la Recherche Stratégique, Paris.
4  Stephen Kaufman, “‘New silk road’ vision offers Afghanistan a brighter future” [Visão de “nova rota da seda” oferece ao Afeganistão um futuro mais brilhante], IIP Digital, Departamento de Estado dos Estados Unidos, 28 out. 2013. Disponível em: http://iipdigital.usembassy.gov.
5  Eugene Imas, “The new silk road to nowhere” [A nova rota da seda para o nada], The Diplomat, 18 dez. 2013. Disponível em: http://thediplomat.com.
6  Cf. “Russia-Ukraine crisis alarms Central Asian strongmen” [Crise Rússia-Ucrânia alerta homem forte da Ásia central], Eurasianet, 4 mar. 2014. Disponível em: www.eurasianet.org.
7  Criada em 2010 por Rússia, Cazaquistão e Bielorrússia, a união alfandegária transformou-se em espaço econômico comum em 2012. Em 1o de janeiro de 2015, ela se tornará União Econômica Eurasiática, cujo tratado fundador foi assinado em Astana no dia 29 de maio de 2014.
8  Agrupando Rússia, Bielorrússia, Armênia, Cazaquistão, Quirguistão e Tadjiquistão.
9  Cf. Alexei Malashenko, “Russia and the crisis in Osh” [Rússia e a crise em Osh], Carnegie Moscow Center, 15 jun. 2010.
10            Thierry Kellner, L’Occident de la Chine. Pékin et la nouvelle Asie centrale (1991-2001) [O Ocidente da China. Pequim e a nova Ásia central], Presses Universitaires de France, Paris, 2008.
11            Cf. Shawn Donnan, “Geopolitics cast shadow over new silk road” [Geopolítica lança sombra sobre a nova rota da seda], Financial Times, Londres, 17 out. 2014.
12            A OCS agrupa Rússia, China, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão. Afeganistão, Índia, Irã, Mongólia e Paquistão têm status de observadores. Bielorrússia, Turquia e Sri Lanka são parceiros de diálogo.
13       Cf. Alexander Cooley, Great games, local rules: the new great power contest in Central Asia [Grandes jogos, regras locais: a nova grande disputa de poder na Ásia central], Oxford University Press, 2012.

1 Ler “Russie, le retour” [Rússia, o retorno], Manière de Voir, n.138, dez. 2014/jan. 2015.
2  Cf. “Mystery at Manas” [Mistério em Manas], relatório do Subcomitê para a Segurança Nacional e as Relações Exteriores do Congresso norte-americano, Washington, dez. 2010.
3  Cf. Yves Boyer, “La stratégie de rééquilibrage des États-Unis vers l’Asie-Pacifique et la Chine” [A estratégia de reequilíbrio dos Estados Unidos em relação à Ásia-Pacífico e à China], nota 13/13, jun. 2013, Fondation pour la Recherche Stratégique, Paris.
4  Stephen Kaufman, “‘New silk road’ vision offers Afghanistan a brighter future” [Visão de “nova rota da seda” oferece ao Afeganistão um futuro mais brilhante], IIP Digital, Departamento de Estado dos Estados Unidos, 28 out. 2013. Disponível em: .
5  Eugene Imas, “The new silk road to nowhere” [A nova rota da seda para o nada], The Diplomat, 18 dez. 2013. Disponível em: .
6  Cf. “Russia-Ukraine crisis alarms Central Asian strongmen” [Crise Rússia-Ucrânia alerta homem forte da Ásia central], Eurasianet, 4 mar. 2014. Disponível em: .
7  Criada em 2010 por Rússia, Cazaquistão e Bielorrússia, a união alfandegária transformou-se em espaço econômico comum em 2012. Em 1o de janeiro de 2015, ela se tornará União Econômica Eurasiática, cujo tratado fundador foi assinado em Astana no dia 29 de maio de 2014.
8  Agrupando Rússia, Bielorrússia, Armênia, Cazaquistão, Quirguistão e Tadjiquistão.
9  Cf. Alexei Malashenko, “Russia and the crisis in Osh” [Rússia e a crise em Osh], Carnegie Moscow Center, 15 jun. 2010.
10            Thierry Kellner, L’Occident de la Chine. Pékin et la nouvelle Asie centrale (1991-2001) [O Ocidente da China. Pequim e a nova Ásia central], Presses Universitaires de France, Paris, 2008.
11            Cf. Shawn Donnan, “Geopolitics cast shadow over new silk road” [Geopolítica lança sombra sobre a nova rota da seda], Financial Times, Londres, 17 out. 2014.
12            A OCS agrupa Rússia, China, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão. Afeganistão, Índia, Irã, Mongólia e Paquistão têm status de observadores. Bielorrússia, Turquia e Sri Lanka são parceiros de diálogo.
13    Cf. Alexander Cooley, Great games, local rules: the new great power contest in Central Asia [Grandes jogos, regras locais: a nova grande disputa de poder na Ásia central], Oxford University Press, 2012
http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1778 

sexta-feira, 31 de julho de 2015

O Alinhamento Russo-Sino-Paquistanês e a Aliança Militar Euroasiática (OCX) - via Dinâmica Global

Resultado de imagem para Organização de Shangai

Da amizade Rússia-Paquistão pode surgir um Mega Bloco Militar de Potências Nucleares na Ásia.

Em julho de 1949, Liaquat Ali Khan como presidente do Paquistão enfrentou um imbróglio complexo. Índia e Paquistão estavam em seu início. Em um mundo composto por dois blocos políticos opostos, os dois países tiveram de escolher um dos lados rapidamente. Eles tinham a opção de aderir a América com sua suntuosa uma linha democrática de “uma galinha na panela e dois carros na garagem”, ou voltar para a URSS. O Presidente dos EUA, Harry S. Truman, desconfiado de um efeito dominó comunista subindo, fez uma abertura para Nehru da Índia em 1948 para visitar a América, o mundo dos sonhos. Este movimento estimulou a Rússia a enviar um convite contador para o Paquistão e seu premier Liaquat Ali Khan. Este convite, por sua vez, levou a um convite dos EUA para o primeiro-ministro paquistanês. Liaquat Ali Khan tinha algumas opções bastante flexíveis em sua mesa. Foi então que ele decidiu que seria a América que ele iria visitar, e seria América que iria ajudar o Paquistão fora das questões com as quais ele se deparou no seu início. Isso é algo que surpreendentemente nunca aconteceu.
Nesse ínterim, Paquistão e Rússia desfrutavam de uma relação às avessas. Por volta de 1960, Ayub Khan tinha percebido que foi a Rússia e não a América que tinha a intenção de servir como uma cura para todos os problemas do Paquistão. A confiança na ajuda da América tinha se deteriorado ainda mais em ambos as guerras de 1965 e 1971. A Índia tinha sido devidamente apoiada pela Rússia – tanto na guerra como nas mesas de negociação em Tashkent. Os EUA, no entanto, tinham mostrado ao Paquistão um ombro frio. Isso foi algo que irritou Ayub Khan e que o motivou a escrever seu livro “Amigos, não senhores.” O Fracasso Dhaka e a guerra de Bangladesh em 1971 tinham mostrado que a Rússia tinha sido de fato uma aliada da Índia. Os EUA foram também aliados, mas com muitas restrições.
O Paquistão tinha vindo a entender por inúmeras razões que a Rússia manteve a sua palavra. A construção com ajuda da Rússia do Pipri Steel Mill foi um exemplo instrutivo. Mas o interesse da Rússia no Paquistão sofreu um duro golpe quando o Paquistão desempenhou um papel fundamental em forçar a Rússia a partir do Afeganistão. O desastre afegão também desempenhou um papel importante na queda da União Soviética. A queda significou que a Rússia não estava em posição de contestar, mesmo que de longe, a vantagem que os EUA tinham ganhado na região.
O avanço rápido para 2015. Após quase 20 anos de progresso sob Vladimir Putin e Dmitry Medvedev, a Rússia está novamente na vanguarda das nações. Há mais de duas décadas, o Paquistão também se tornou uma nação com capacidade nuclear – uma conquista que já havia escapado dele. A Rússia também se tornou tão agressiva quanto sempre foi. Sob Putin, ela encontrou um messias que garantisse que a enorme nação não se desintegrasse como a União Soviética. Sendo assim, o Paquistão tem a certeza de que a Rússia é de fato uma força a contar.
Em termos bilaterais, a evolução em ambas as nações há mais de duas décadas atualmente sinaliza que a Rússia precisa do Paquistão e o Paquistão precisa da Rússia. Em sua busca para encontrar um messias nos Estados Unidos, o Paquistão teve o acaso de descobrir a Rússia. A Ásia no século 21 é muito diferente do que era no passado. As diferenças ideológicas e uma mudança no locus do poder deixou a região aberta à exploração e cansaço. A Ásia precisa desesperadamente de um bloco de superpotências que garantam que os seus assuntos corram sem problemas.
Este é o lugar onde a idéia de bloco geopolítico entre o Paquistão, a China e a Rússia ganha tração. Paquistão e Índia têm sido sempre arqui-inimigos. Os dois países consideram-se inimigos um do outro. É por isso que o Paquistão precisa da Rússia. O Paquistão, por causa de sua inimizade distinta e eterna com a Índia, não pode se dar ao luxo de ser parte de um bloco regional que tem a Índia sentada no topo da hierarquia.
O Paquistão, a partir deste ponto de vista, é melhor aderir a um bloco composto por China e Rússia – as nações que têm o poder para compensar a Índia. Se o Paquistão quer a voz para ser ouvido, se o Paquistão considera que pode ter um impacto sobre os eventos futuros na Ásia, em seguida, emendar os laços com a Rússia é talvez o melhor caminho a percorrer. Uma análise cuidadosa dos acontecimentos recentes leva à conclusão de que as velhas inimizades agitadas por Mao Zedong e Joseph Stalin uma geração atrás, todas têm desaparecido e que as trocas diplomáticas entre os dois países estão se compondo.
Esta situação criou um caminho sem obstáculos para o Paquistão, um caminho que pode levar a um bloco bem sucedido. Além do mais, somente a Ásia se orgulha de ter 5 países que são membros do clube nuclear: Rússia, China, Israel, Paquistão, Índia e Coréia do Norte, com o Irã aspirando a se juntar à lista. O Paquistão está em uma posição forte em um mundo onde os países são divididos naqueles que têm armas nucleares e os que não têm.
Israel é um aliado americano, daí a intervenção contra esse bloco de seu lado não estar prevista. Uma coalizão entre a China, Rússia e Paquistão ameaçam muito o seu papel e poder na Ásia. Com três dos poderes das armas nucleares em um bloco, seria impossível para Índia ou Israel uma postura de ameaça. Nesta situação complexa, a Índia tem desempenhado as suas cartas em uma forma reacionária também. O interesse da China em ganhos econômicos do porto de Gwadar do Paquistão deixou a Índia em estado de choque e desespero. Eles reagiram iniciando financiamento para desenvolver o porto de Chabahar no Irã, perto do porto de Gwadar. A Índia se sente tão ameaçada pelos laços China-Paquistão que constrói uma aliança com Israel e Irã. Para contrariar esta aliança, Paquistão e Rússia precisam reviver suas relações e virarem uma nova página da diplomacia, uma página que colocaria ambos em um caminho para a supremacia regional.
Além da supremacia regional, existem outros ganhos a serem feitos pelo Paquistão e Rússia. Uma recente visita à Rússia pelo Chefe de Pessoal do Exército do Paquistão, Raheel Shareef, sugere que ambos os países estão ansiosos para construir relações militares de cooperação onde ambos podem vir ao auxílio do outro. Há também especulações de que um acordo foi alcançado entre as duas nações sobre a troca e compra de armas de alta tecnologia da Rússia. Isso criaria uma oportunidade bem-vinda para o Paquistão, que tem sofrido com as escolhas de Washington de manter as armas americanas avançadas fora das mãos do Paquistão.
A decisão de Putin de não visitar o Paquistão durante a presidência de Zardari tinha mais a ver com a política externa duvidosa do Paquistão, no momento de intenções russas. A Rússia tinha buscado boas relações com o Paquistão. Mas a relutância de Zardari em apoiar fortemente a Rússia resultou no cancelamento da visita. As relações entre Paquistão e Rússia são um pasticho de tipos, uma viagem que tem todos os tipos de sabores. É uma relação que viu a inimizade e agora está experimentando amizade. A opinião popular no Paquistão agora favorece a perseguição desta emocionante amizade com a Rússia. Não há muita chance de falha como Henry Kissinger disse uma vez sugestivamente: “Nenhuma política externa – não importa o quão engenhosa – tem alguma chance de sucesso se nasce nas mentes de poucos e realizada nos corações de ninguém.”

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: http://defence.pk/threads/pakistan-and-russia-—-a-comely-dalliance-opinion.382341/
e
http://atimes.com/2015/06/pakistan-and-russia-a-comely-dalliance-opinion/


https://dinamicaglobal.wordpress.com/2015/07/29/da-amizade-russia-paquistao-pode-surgir-um-mega-bloco-militar-de-potencias-nucleares-na-asia/ 
imagem:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZGUvu0sCEkA8AqS6OoVPivOfKDvmwqsTwuqBc2GM7QJAn8Ti6t4Alb4BPDMYtIz98WIXYQFmfO2-XYZeD8TVPWfyDhrcNTFCtbYkF9dS88NYim3HwLXZzicHnKao7tnnhO0mpe86jwpEx/s1600/mapa+OCX.jpg

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Opinião estrangeira: O paradoxo da estratégia naval da China


Por Rodger Baker and Zhixing Zhang
     Ao longo da última década, o mar Meridional da China se tornou uma das regiões mais voláteis do leste da Ásia. China, Vietnã, as Filipinas, Malásia, Brunei e Taiwan reivindicam soberania sobre uma parte ou mesmo toda a região, e essas pretensões sobrepostas levaram a confrontos diplomáticos e até militares nos últimos anos.
     O valor estratégico do mar é óbvio, nele se localizam numerosos arquipélagos, riquezas minerais e energéticas, além de um terço da navegação mundial passar por lá. No entanto, para a China, o Mar Meridional representa mais do que questões práticas, e vai no centro do dilema da política externa de Pequim: como afirmar pretensões marítimas históricas e ao mesmo tempo manter a política externa avessa a confrontos conforme estabelecido pelo antigo líder chinês Deng Xiaping em 1980.
     Os chineses mostraram interesse no controle do mar nos momentos finais da guerra civil. Uma vez que a maioria das nações reivindicantes estavam ocupadas com seus próprios movimentos de independência, o país pouco precisou fazer para sustentar suas pretensões. Porém, esses mesmos países fortaleceram suas forças navais, buscaram novas relações e tomaram uma postura mais ativa de explorar e patrulhar as águas. Soma-se a isso a hostilidade dos chineses a qualquer concessão real ou imaginária de territórios. Nesse cenário a atitude comedida proposta por Deng não é mais uma opção.
A evolução da lógica marítima chinesa
     A China é um vasto poder continental, mas também controla uma longa faixa costeira, que se estende do Mar do Japão a nordeste até o Golfo de Tonkin ao sul. Apesar desse grande litoral, o foco do país quase sempre foi voltado para dentro, com esforços esporádicos de navegação, e mesmo assim apenas em tempos de relativa segurança em terra.
     Tradicionalmente, as maiores ameaças à China nunca foram marítimas, exceto pela pirataria ocasional. Os focos de tensão costumavam ser as competições internas e tribos nômades no norte e oeste do país. A geografia hostil do território levou à formação de uma economia agrícola insular baseada no trabalho familiar, com uma estrutura hierárquica rígida, criada em parte para mitigar os levantes frequentes de líderes militares regionais. Muito do comércio chinês com o resto do mundo ocorria por vias terrestres ou por intermédio dos árabes e outros mercadores estrangeiros em regiões específicas do litoral. No geral, os chineses escolheram concentrar esforços na estabilidade da população e das fronteiras, em vez das oportunidades potenciais do comércio e da exploração marítima, particularmente porque o contato com estrangeiros poderia trazer tantos problemas quanto benefícios.
     Dois fatores contribuíram para os experimentos da China no campo do desenvolvimento naval – um deslocamento dos focos de guerra do nordeste para o sul do território, e os períodos de relativa estabilidade nacional. Durante a dinastia Song (960-1279), ao passo que a nordeste havia os exércitos de cavaleiros, dispunha-se de uma grande força naval interna na região sul pantanosa e cortada por rios. A mudança para as marinhas fluviais também se espalhou para o litoral, e os governantes Song fomentaram a navegação de cabotagem e o comércio, substituindo os mercadores estrangeiros ao longo da costa. Ainda que predominasse o foco na estabilidade interna, durante a dinastia Yuan (1271-1368) sob domínio dos mongóis aconteceram ao menos duas grandes expedições navais na segunda metade do século XIII – contra o Japão e a ilha de Java – ambas malsucedidas. O fracasso contribuiu para a decisão chinesa de novamente se afastar das águas. A aventura marítima final ocorreu no início da dinastia Ming (1368-1664), quando o explorador chinês muçulmano Zheng He fez suas famosas sete viagens, chegando longe, até a África, mas falhando em estabelecer qualquer forma de poder chinês no exterior. A frota de Zheng He foi desmantelada quando os governantes Ming viram tensões surgindo em casa, incluindo pirataria em alto-mar, e novamente a China se voltou para dentro do território.
     Mais ou menos na época em que Fernão Magalhães começou suas expedições globais no início dos anos 1500, os chineses reataram sua política isolacionista, limitando o comércio e a comunicação com o exterior e encerrando quase todas as possibilidades de aventuras marítimas. O foco naval da China passou para a defesa do litoral em vez da projeção de poder. A chegada de navios armados da Europa no século XIX abalou profundamente a lógica marítima convencional das autoridades chinesas, e só com muito atraso deu-se início a um programa naval baseado em tecnologia ocidental.
     Mas mesmo essa mudança não foi completamente integrada ao pensamento estratégico chinês mais amplo. A falta de percepção marítima contribuiu para a decisão do governo Qing de conceder seus acessos cruciais na boca do rio Tumen para a  Rússia em 1858, fechando permanentemente o acesso ao Mar do Japão pelo nordeste. Menos de 40 anos depois, apesar de ter construído uma das maiores frotas regionais, a Marinha chinesa foi esmagada pela emergente Marinha japonesa. Durante quase todo o século seguinte, os chineses novamente se concentraram no território, e as forças navais ocuparam um papel puramente de defesa do litoral. Desde os anos 1990, essa política vem se modificando aos poucos à medida em que a interconexão econômica da China com o resto do mundo aumentou. Para que a China assegurasse sua força econômica e a transformasse em maior influência global, o desenvolvimento de uma estratégia naval mais pró-ativa se tornou urgente.
Interpretando a “Linha de Nove Traços”
     Para entender a lógica marítima chinesa nos dias de hoje, e suas disputas territoriais com os países vizinhos, primeiro é preciso entender a chamada “linha de nove traços”, que mais ou menos demarca as reivindicações chinesas no Mar Meridional da China.
     A linha de nove traços foi baseada em uma antiga reivindicação territorial conhecida como linha de onze traços, criada em 1947 pelo governo do Kuomintang, e sem grandes considerações estratégicas, uma vez que o regime estava ocupado lidando com os saldos da ocupação japonesa na China e a guerra civil em andamento com os comunistas. Após o fim da ocupação nipônica, o governo Kuomintang mandou oficiais da Marinha e equipes de reconhecimento ao longo do Mar Meridional para mapear várias ilhas e arquipélagos. O Ministério do Interior publicou um mapa com uma linha de onze traços que fechava quase todo o Mar Meridional da China para além da costa do país. Esse mapa, apesar da falta de coordenadas precisas, se tornou a base das reivindicações atuais dos chineses, e após a fundação, em 1949, da República Popular da China, o documento foi adotado pelo novo governo. Em 1953, talvez como forma de mitigar os conflitos com o vizinho Vietnã, a atual linha de nove traços foi criada quando o governo chinês eliminou dois dos pontos de restrição.

     O novo mapa chinês foi pouco contestado pelos países vizinhos, muitos dos quais estavam concentrados em seus próprios movimentos de independência. Pequim entendeu esse silêncio como aceitação por parte das nações próximas e da comunidade internacional, e então as autoridades chinesas permaneceram quietas para não atrair contestações. Pequim evitou reivindicar oficialmente a linha de nove traços como uma fronteira irrevogável, e ela não é reconhecida internacionalmente.
     Assim como outros países reivindicantes, como Vietnã e as Filipinas, o objetivo de longo prazo da China é utilizar seu poderio naval crescente para controlar as ilhas e arquipélagos dentro do Mar Meridional e, consequentemente, controlar as riquezas e as posições estratégicas que esses locais representam. Quando a China estava militarmente debilitada, sustentou-se a ideia de abrir mão dos interesses de soberania e conduzir projetos de desenvolvimento conjunto, a fim de evitar os conflitos causados pelas pretensões sobrepostas, e ao mesmo tempo ganhar tempo para seu próprio desenvolvimento naval. Enquanto isso, para evitar a resistência de um bloco de países reivindicantes, Pequim abordou cada país individualmente para negociar as pretensões territoriais, sem comprometer toda a sua própria reivindicação da linha de nove traços. Isso permitiu que o governo chinês permanecesse como o lado dominante em negociações bilaterais, algo que talvez não fosse possível no diálogo com um fórum multinacional.
     Apesar da falta de reconhecimento legal da linha de nove traços e dos atritos constantes que ela causa, Pequim agora tem poucas condições de se afastar dessa pretensão. Com o aumento da atenção internacional e da competição regional pelo Mar Meridional da China, o público chinês – que entende a região dentro da linha como águas territoriais – está pressionando as autoridades a serem mais assertivas. Isso deixou Pequim em uma posição impraticável: quando a China afirma os projetos de desenvolvimento conjunto como prova de que os países vizinhos aceitam suas reivindicações, esses mesmos países rejeitam o argumento. Quando o governo minimiza suas pretensões para tentar administrar as relações internacionais, a população protesta – e no caso dos pescadores chineses, muitas vezes agem por conta própria nas águas disputadas, levando o governo a apoiá-los na retórica e às vezes com ações.
Desenvolvendo uma política marítima
      As complicações geradas pela linha de nove traços, o estágio de desenvolvimento interno da China e os deslocamentos no sistema internacional são todos fatores que contribuíram para moldar a estratégia marítima chinesa, atualmente em evolução.
     Sob o governo de Mao Tsé-Tung, a China se voltava para si mesma e era limitada por uma Marinha fraca. As reivindicações marítimas do país eram vagas, Pequim não procurou afirmar seus direitos de forma mais agressiva, e os movimentos de independência nos países vizinhos muito pouparam o país de tomar uma postura mais ostensiva no mar. O desenvolvimento naval da China permaneceu defensivo, preocupado em proteger o litoral de invasões. Deng Xiaoping, seguindo com sua reforma econômica interna no final dos anos 1970 e início de 1980, procurou o desenvolvimento conjunto e mais pragmático dos mares leste e sul da China, deixando de lado as aspirações de soberania territorial. Os gastos militares continuaram a se direcionar para as forças terrestres e os mísseis, e a Marinha foi relegada a um papel defensivo, operando apenas nas águas costeiras.
     Em boa parte, as políticas de Deng continuaram ao longo das duas décadas seguintes. Houve rompantes esporádicos no Mar Meridional, mas no geral a estratégia de evitar confronto direto permaneceu um princípio central no mar. A Marinha chinesa não estava em posição de desafiar o domínio da Marinha americana ou tomar alguma atitude contra os vizinhos, especialmente porque Pequim procurava aumentar a influência regional por meios políticos e econômicos ao invés de força militar.
     Mas as propostas de desenvolvimento conjunto para o Mar Meridional falharam em grande parte. A expansão do poder econômico chinês, junto com o aumento nos gastos militares – e mais recentemente o foco no desenvolvimento naval – levantaram suspeitas e preocupações entre os países vizinhos, e muitos se manifestaram para que os Estados Unidos tomassem uma posição mais ativa na região para contrabalancear a ascensão chinesa. A questão da linha de nove traços também se tornou mais significativa porque as nações tiveram que submeter suas pretensões marítimas à Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos do Mar, trazendo essas disputas um passo mais perto do arbítrio internacional. A China, que assinou o tratado muito pelos possíveis benefícios no Mar Oriental, se viu forçada a submeter numerosas reivindicações para o Mar Meridional, o que alarmou os países próximos diante do que eles entenderam como uma imposição aberta de hegemonia regional.
     Não foram apenas as nações reivindicantes que acharam as movimentações chinesas perturbadoras – Japão e Coréia do Sul, seriamente dependentes do Mar Meridional como corredor energético, bem como os Estados Unidos, Austrália e Índia entre outros que dependem do mar para o trânsito comercial e militar – todas essas nações entenderam as ações da China como um prelúdio de ameaça ao acesso livre às águas. O governo chinês respondeu com uma retórica cada vez mais assertiva, e também um papel mais presente das Forças de Defesa do país nas decisões da política externa. A antiga postura de não-enfrentamento estava dando lugar a uma nova abordagem.
O debate da política externa
      Em 1980, Deng Xiaoping expressou os moldes da política externa chinesa – a China deveria observar o mundo, manter sua posição, lidar tranquilamente com assuntos internacionais, esconder sua capacidade e fazer tudo a seu tempo, mantendo a discrição e nunca tomando posturas de liderança. Esses princípios básicos permaneceram como cerne da política externa, fosse como diretrizes para a ação ou justificativas para a inatividade. Mas os ambientes regional e interno da China mudaram significativamente desde a época das reformas de Deng, e a expansão militar e econômica do país já superava os conselhos para esconder as capacidades e fazer as coisas a seu tempo.
      Pequim compreende que só por meio de uma política mais proativa a China poderá se expandir de um poderio baseado em terra para uma potência naval, e assim reformular a região para atender os interesses da segurança nacional. O fracasso nessa empreitada permitiria que outros países próximos e seus aliados, especificamente os Estados Unidos, limitassem ou mesmo ameaçassem a China.
     Ao menos quatro elementos da política de Deng estão atualmente em debate ou se transformando – a passagem da não-interferência para o envolvimento criativo, da diplomacia bilateral para a multilateral, da diplomacia reativa para a preventiva, e a troca do não-alinhamento pelas semi-alianças.

     O envolvimento criativo é a forma da China ser mais ativa em preservar seus interesses no exterior se engajando na política interna de outras nações. No passado, o país já empregou dinheiro e outras ferramentas para moldar o desenvolvimento doméstico de outras nações, mas uma mudança oficial nessa política precisa de um envolvimento mais profundo nos assuntos locais. No entanto, há o risco dessa postura corroer o argumento da China de que se trataria apenas de um país em desenvolvimento ajudando outros frente ao imperialismo e a hegemonia ocidentais. Essa mudança de atitude poderia enfraquecer algumas das vantagens que a China tem em lidar com nações em desenvolvimento, uma vez que o país costumava vender promessas de não-interferência como alternativa às ofertas ocidentais de tecnologias melhores ou recursos para o desenvolvimento, que vinham sempre atrelados à exigência de mudanças políticas.
     Durante muito tempo a China confiou em relações bilaterais como o modo preferido de gerenciar seus interesses no cenário internacional. Quando o país operou em fóruns multinacionais, participou dos desdobramentos como um “estorvo” e não um líder. Por exemplo, a China pode vetar sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, mas raramente ofereceu alguma outra forma de ação para a comunidade internacional. Particularmente durante os anos 1990, Pequim temeu que sua posição relativamente fraca lhe angariaria poucos benefícios em fóruns multinacionais, em vez disso, a China ficaria à mercê de membros mais fortes, mas a ascensão econômica mudou essa equação.
     Atualmente, a busca chinesa por relações multilaterais é uma forma de assegurar seus interesses nos grupos maiores. As relações com a Associação das Nações do Sudeste Asiático e a participação na Organização de Cooperação de Xangai (OCX ou SCO) são exemplos de medidas para ajudar Pequim a moldar os direcionamentos políticos desses blocos. Ao se deslocar para a abordagem multilateral, a China pode fazer alguns países mais fracos se sentirem mais seguros e, assim, impedi-los de buscar apoio estadunidense.
      Tradicionalmente, a China teve uma política externa de reação, lidando com as crises quando elas surgiam, mas falhando em identificar ou agir para prevenir essas crises antes que elas se materializassem. Em lugares onde o governo chinês procurou acesso a recursos naturais, várias vezes foi pego de surpresa por mudanças na situação local, e não havia estratégia de resposta pronta – a divisão do Sudão e o Sudão do Sul foi um exemplo – Agora, a China está debatendo passar dessa política para outra, de procurar entender as forças e questões subjacentes que podem resultar em conflitos, e agir por conta própria ou com a comunidade internacional para amenizar situações voláteis. Na questão do Mar Meridional, isso significaria uma proposta mais clara que a linha de nove traços para demarcar suas reivindicações marítimas, e também mais empenho na ideia de um mecanismo de segurança asiático no qual a China ocuparia o papel de liderança ativa.
     A postura chinesa em alianças permanece a mesma que foi colocada por Deng Xiaoping nos anos 1980 – o país não participa de coalizões voltadas a atacar outras nações. Isso permitiu à China manter uma política externa independente, e evitar escaramuças internacionais por se envolver em alianças. O colapso do sistema da Guerra Fria e a ascensão da influência econômica e militar chinesa trouxeram a necessidade de rever essa postura. Pequim vem assistindo com cuidado enquanto a OTAN se expande para o Oriente e os Estados Unidos vêm fortalecendo alianças militares na região da Ásia e do Pacífico. A política de não-alinhamento deixa a China potencialmente sozinha para enfrentar esses grupos, e o país não está nem econômica nem militarmente preparado para isso.
     Para contrapor esse ponto fraco, foi concebida a estrutura de semi-alianças, que não deixaria a China refém de seus parceiros. O impulso em direção às parcerias estratégicas – mesmo com rivais abertos – e o aumento das atividades militares e humanitárias com outras nações são parte dessa política. Trata-se mais de desmantelar possíveis alianças contra a China do que formar alianças contra os Estados Unidos, através da aproximação com aliados estadunidenses tradicionais a fim de torná-los menos dispostos a tomar ações contra Pequim. Em termos de estratégia naval, os chineses estão cooperando com o Japão, a Índia e a Coréia do Sul em operações de combate à pirataria, e participando de mais exercícios e manobras em conjunto.
Olhando para frente
     O mundo e a China estão mudando. A ascensão do país como potência econômica forçou Pequim a repensar sua política externa. Perto de casa, a questão do Mar Meridional é um microcosmo do debate mais amplo da política externa chinesa. A ambiguidade das aspirações marítimas foi útil enquanto a região estava tranquila, mas não serve mais aos propósitos chineses. Pelo contrário, vem aumentando tensões junto com a expansão natural dos interesses e das atividades navais da China. A política de desenvolvimento conjunto herdada de Deng Xiaoping fracassou em fomentar qualquer cooperação significativa com os países vizinhos no mar, e a reivindicação da linha de nove traços perante a ONU ao mesmo tempo aumentou o nacionalismo chinês e fez surgir as contramedidas dos países próximos.
      Apesar da falta de clareza em sua política marítima, a China demonstrou sua intenção de consolidar suas reivindicações com base na linha de nove traços. Pequim reconhece que mudanças de postura são necessárias, mas qualquer mudança tem suas repercussões. O caminho para a transição é cheio de perigos – da decepção doméstica até as reações agressivas dos vizinhos, mas intencionalmente ou não, a mudança está acontecendo, e a condução dos debates da política externa terá consequências duradouras para a estratégia marítima da China e para suas posturas internacionais como um todo.

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*Os grifos são meus, assim como a inserção das siglas relativas a OCX.

sábado, 21 de julho de 2012

A Organização de Cooperação de Xangai (OCX) segue se estruturando

Organização de Xangai elabora linha tática de conduta militar

A Rússia, a China e os países da Ásia Central (Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão) acabam de elaborar uma linha tática de operações militares conjuntas contra os terroristas que se abrigam em regiões montanhosas.

 

     No Tadjiquistão foram concluídas as manobras Missão de Paz – 2012, que decorreram nos dias 8-14 de junho sob os auspícios da Organização de Cooperação de Xangai (OCX).
      Na fase ativa dos exercícios participou um contingente comum de dois mil soldados, apoiado por 500 unidades de material de guerra.
      A Rússia enviou para a zona de manobras vários destacamentos de infantaria e artilharia terrestre da base militar russa no Tadjiquistão, bem como um grupo de aviões de combate da base de Kant, no Quirguistão.
      Segundo o comando das tropas, as manobras vieram demonstrar a capacidade dos participantes de reagir e, se necessário, combater os desafios à segurança comum. Não é por acaso que, este ano, os organizadores escolheram o Tadjiquistão, país vizinho do Afeganistão, como palco de manobras antiterroristas.
      Este facto significativo foi assinalado por Denis Tiurin, vice-secretário executivo da OCX.
     "Em face da próxima retirada das forças de coligação da OTAN do Afeganistão, os observadores apontam que o principal papel no processo de manutenção da paz poderá vir a ser desempenhado pela OCX. Foi, aliás, este fator de peso a contribuir para o ingresso do Afeganistão na OCX na qualidade de observador. A situação que se cria na vertente afegã vem condicionando a escolha de missões treinadas no decurso das recentes manobras militares. O seu cenário também refletiu a probabilidade de penetração no Tadjiquistão de grupos extremistas procedentes do Afeganistão."
      Uma das tarefas preconizadas pela OCX consiste em organizar a defesa contra a ameaça do terrorismo, separatismo e extremismo. Nessa área foi possível intensificar as relações de parceria graças à adoção de um programa estratégico de combate a estes desafios, aprovado na recente cimeira de Pequim, realça Alexei Maslov, diretor do Centro de Pesquisas Estratégicas da China junto da Universidade da Amizade dos Povos.
      O tema do extremismo não deixa de preocupar praticamente todos os países vizinhos – a China, a Rússia, o Quirguistão, o Cazaquistão e o Uzbequistão. Parte do narcotráfico afegão através desta região, é ali que se refugiam vários grupos separatistas capazes de desestabilizar a situação.
      "De vez em quando são realizados exercícios militares da OTAN. Neste caso, a OCX que, ao contrário da Aliança Atlântica, não é uma instituição militar, tem de demonstrar a sua capacidade de atender aos desafios atuais. Trata-se de um elemento relevante para o posicionamento da OCX como um potente organismo regional." ressaltou Alexei Maslov, sobre a importância geopolítica das manobras.
      As manobras dos países da OCX contribuíram ainda para o reforço de cooperação militar. Os generais estão prontos para ações conjuntas de parceria a fim de garantir uma paz sólida e a estabilidade da Ásia Central, segundo opinou a emissora pública russa, Voz da Rússia.
      Do Portal Vermelho, com informações da Voz da Rússia
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=185995&id_secao=9