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sábado, 24 de novembro de 2018

A ANATOMIA DO FASCISMO - Robert Paxton

Breves apontamentos sobre:
  1. A partir dos anos 1970 e 1980 uma reflexão sobre o NEOFASCISMO;
  2. Outro contexto em relação ao fascismo clássico: os choques do petróleo que simultaneamente produziram escassez e encarecimento da energia; o crescimento asiático com sua mão de obra barata; a sobrecarga de encargos sociais; o desemprego estrutural; e o crescimento da imigração - indivíduos não assimiláveis por suas aparência, vestuário, religião ou preservação cultural, elementos estes que revertem em aspectos enfraquecedores da identidade nacional;
  3. Medo, fracasso dos socialismos, impostos, globalização, questões ambientais, multiculturalismo e ineficiência seriam resolvidos com um "pulso forte" capaz de lidar com os "novos inimigos";
  4. Diferenças entre o ontem e o hoje: ausência de um ataque direto ao estado de direito e neste aspecto não se defende o estabelecimento de ditaduras militaristas, mas o reforço dos Executivos;
  5. Comparação - UM FASCISMO NÃO-EUROPEU?
  6. Na América Latina foram mais ditadores nacionalistas desenvolvimentistas e populistas: "um fascismo pleno e autêntico jamais existiu na América Latina".  Similaridades, não cópias;
  7. Japão: uma ditadura expansionista com alto grau de mobilização popular;
  8. África: ditaduras com apoio externo, sem mobilização popular - potencialmente hostil - ou capacidades expansionistas;
  9. O caso mais próximo são aquelas sociedades onde a religião fornece a base de identificação mais que o nacionalismo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Carta Maior - O que é ser fascista? É criar um inimigo para odiar e destruir com mentiras e violência

14/10/2018 11:16
 
Fascismo pode ser uma palavra que não significa nada para muitos.

Mas, fascismo é uma realidade concreta quando cria um “inimigo” público, a ser culpado de todos os nossos males.

Fascismo é concreto quando os trabalhadores têm medo de não encontrar emprego, do filho desistir da escola e entrar no crime; medo de ser assaltado em casa ou no caminho, medo de não ser atendido quando precisar de médico. Fascismo é concreto quando os ricos e as classes médias têm medo de perder seus privilégios.

Fascismo é concreto quando, junto com o medo, perdemos a esperança na liberdade, na democracia para resolver nossos problemas. E quando acreditamos que a violência é a saída para resolver os conflitos, as diferenças de ideias, de crenças, de valores.

É diante do medo, da descrença, do apelo à violência que o fascismo cresce.

O fascismo cresce, ao criar um “demônio”, um bode expiatório, a ser culpado de todos os nossos males. E, ao mesmo tempo, cria um “salvador”, um mito que supostamente vá proteger e salvar a todos daquele “inimigo” criado por mentiras repetidas milhares de vezes.

O processo eleitoral que assistimos agora no Brasil está sendo fabricado deste jeito:  Bolsonaro está sendo habilmente construído como o salvador do Brasil. E o PT supostamente como o culpado de tudo que é ruim. Esta estória, na verdade, não é nova. Outros fascistas foram assim construídos. O inimigo número 1 de Hitler era o povo judeu que ele quase exterminou nos campos de concentração. No Brasil, Collor foi também fabricado como “salvador da pátria”. E deu no que deu...

A criação deste “salvador” no Brasil de hoje tem fabricantes muito bem pagos: os “especialistas” para fazer funcionar máquinas e robôs que divulgam diariamente, através dos WhatApps, milhares de mentiras a milhões de pessoas que nelas acreditam porque precisam de esperança.

Também a “fabricação” do PT como o “culpado” tem fabricantes bem pagos:  os tribunais que seletivamente “punem” suas lideranças mais importantes  e protegem os dirigentes dos demais partidos, tornando, assim, o jogo eleitoral  injusto, pois com armas desiguais de propaganda; e, de outro, os meios de comunicação (TV, rádios, blogs falsos) e a campanha do opositor que, tentam extrair dividendos eleitorais  destes processos judiciais seletivos,  e se referem aos membros do PT como se fossem “os ladrões” do país e ao prisioneiro político Lula como se fosse um culpado de crime comum.

A tentativa de fazer do PT o culpado aparece ainda na artimanha de fazer recair em seus ombros o peso do desemprego de milhões de trabalhadores e a crise econômica. Como todos sabem, o desemprego chegou a este ponto foi pelas políticas do governo Temer com o apoio de Bolsonaro na Câmara dos Deputados. Bolsonaro também votou para tirar os direitos dos trabalhadores.   Demonizar o PT permite ainda que ele esconda na campanha sua associação com Temer, pois Bolsonaro é Temer.

Associar Bolsonaro com Temer e com suas políticas contra os trabalhadores é importante para que todos reconhecem a verdade que ele quer esconder: ele está contra as famílias dos trabalhadores. Ele é um falso salvador da pátria, um falso mito.

*Maria Rita Loureiro é Professora da FGV/SP

https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Antifascismo/O-que-e-ser-fascista-e-criar-um-inimigo-para-odiar-e-destruir-com-mentiras-e-violencia/47/42022 

domingo, 8 de julho de 2012

Uma rápida discussão sobre o Fascismo


Estes dias fui estimulado por uma discussão em sala onde o tema era o Fascismo e, em especial, como se podia fazer uma comparação entre aquilo que ocorreu nos anos 1920/40 com a época atual?  E se era possível tal comparação?

A comparação é certamente possível mas de forma cuidadosa.
Para começar seria mais correto ou preciso falarmos antes de Fascismos do que de um Fascismo puro ou singular.
Por que?
Porque o segundo descontextualiza o primeiro termo.
O Fascismo surgiu como um fenômeno de massas (aspecto conceitual) associado a uma conjuntura específica que foi o final da Primeira Guerra Mundial.
Assim sendo, o fascismo italiano ou o nazismo alemão remontam a aspectos autônomos entre si - até certo ponto quando se descem às minúcias, como o fato da Itália estar entre os vencedores e a Alemanha não -, expressando no entanto elementos nacionalistas significativos das suas diferenças.
Já no plural, além de podermos identificar a convergência do fenômeno com essas sociedades de massas emergentes do século XX, podemos perceber as nuances que fazem um Camisa Negra tão distinto de um SS ou um Integralista brasileiro de um Falangista espanhol.
Outrossim, também podemos transpor àqueles fascismos da 1ª metade do século em relação aos que emergiram nos anos 1970/90.
Se falarmos então de um neofascismo, recorrendo aqui a Robert Payton, a diferenciação emerge já na conjuntura daquele para este.
A saber:
  1. Os Choques do Petróleo e a subsequente crise gerada pela escassez de energia e seu encarecimento;
  2. O crescimento asiático e suas plataformas produtivas e comerciais ricas em mão de obra barata;
  3. A sobrecarga imposta aos Estados pelas demandas sociais;
  4. O desemprego como componente estrutural;
  5. E o crescimento da imigração onde contingentes cada vez maiores de indivíduos inassimiláveis (pelo vestuário, aparência, cultura, religião, etc) emergem como uma espécie de ameaça à identidade nacional.  
Nesse contexto o medo, o fracasso do socialismo, o aumento de impostos e outros, somavam-se a nova realidade propiciada pela globalização, pelo multiculturalismo, pelas questões ambientais e uma sensação de crescente ineficiência e incerteza a exigir um pulso forte capaz de lidar com tantas e tão variadas ameaças.
Outrora o Fascismo moveu um ataque aberto contra o individualismo ou ao livre-mercado e defendeu o corporativismo e a estatização.
Hoje o discurso é mais enviesado: reforçar os executivos não significa lançar ou defender projetos ditatoriais ou de cunho militarista/expansionista.
E quanto a um Fascismo não-europeu?  É possível falar-se disso?
O próprio Payton elenca três casos em que a comparação aponta para similaridades e não cópias:
  1. Na América latina as ditaduras foram muito mais nacionalistas e desenvolvimentistas, sendo mais afinadas com o Populismo;
  2. Na África as ditaduras recebem apoio externo significativo mas carecem fortemente de apoio social (potencialmente hostil aos governantes) e com pouca capacidade expansionista;
  3. E em relação ao Japão, o governo Tojo era muito mais uma ditadura militarista que embora dispusesse de grande apoio popular não tinha como um grande partido político organizado a apoiar as lideranças.
Atualmente, o que mais se aproximaria do neofascismo fora da Europa representa-se naquelas sociedades onde a religião - mais que o nacionalismo - fornece a base social da identificação coletiva.

Fonte Imagem :https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgTWMd_U04NgoJnuBijIwOI7Y9LblvXuuNGRKUWUlexEfvzmiPqRprm7Js0F8L3xLLrvCL9gISaenDc3ryCk0QmEM4_Y6izLn5yqRonMZHh-BSOpwh5qgZwaCHWSATNiMSObuP4j6Vh3Bg/s1600/neofascisti.jpg