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sexta-feira, 8 de maio de 2009

A Surpresa do Professor!

Era uma aula de Filosofia, imprensada entre o final das provas do 1º bimestre e o horário da saída da turma do 3º ano do Ensino Médio, do Colégio HMS em Maricá - RJ.
Sem maiores pretensões reconhecendo que o estado de espírito devia oscilar entre o cansaço e o alívio, mais a ansiedade para ir embora.
Mas não foi que ali, justamente naquele momento, o professor vê acender-se a luz da indagação, do questionamento enfim!
A sala de aula é de fato um espaço muito dinâmico, e como tal surpreendentemente emocionante - mesmo quando se tem tanto tempo de trabalho docente. O aluno que sem a necessidade da bajulação pela nota ou pela atenção do professor, sinceramente apresenta uma dúvida e questiona ou reflete, construindo sua opinião, é o que faz deste ofício algo tão mágico.
As vezes você prepara uma aula, didáticamente boa ou ótima, mas que simplesmente "não acontece"; noutro, uma aula quase improvisada é uma revelação. E digo improvisada no sentido de que após 20 anos de magistério, o digamos improviso tem sempre um certo "que" de treino anterior!

O tema era sobre a Filosofia Moderna e discutiríamos sobre a transição feudal-capitalista e seu efeito nos temas e autores de então.

Introduzi a questão chamando a uma lembrança de tema anterior onde discutimos a Patrística e a Escolástica e as influências de Platão e Aristóteles, o papel de Santo Tomás de Aquino e Agostinho. Isso era o pano de fundo do debate entre Fé e Razão durante a Idade Média.
Já no desenvolvimento trabalhei o conjunto de eventos históricos ligados ao advento da Idade Moderna (XV-XVIII), tais como a Expansão Marítima, A Reforma, os Estados Nacionais e o Renascimento, e suas respectivas contribuições no humanismo de então.
Abordei a noção do "bom selvagem", Lutero e Maquiavel, a ampliação dos horizontes geográficos e mentais, mas ao mesmo tempo, a reação da Igreja aos novos questionamentos.
Vimos a atuação do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição e o Índex diante de alguns episódios emblemáticos, tais como o heliocentrismo copernicano em oposição ao geocentrismo ptolomáico então predominante. Ou quando Galileu é obrigado a refutar o que disse. Mais ainda, o caso de Giordano Bruno que foi além da proposição copernicana do sol como centro do universo: sendo infinito o Universo, como seria possível definir-se um centro? e que terminou queimado vivo.
A concepção de um mundo matematizado e mecanicista convergindo com as noções de RAZÃO e LIBERDADE.
E concluimos abordando algumas características do pensamento de Espinosa, Descartes, etc.

Mais que tudo isso, o importante não foi nem o que foi retido...mas sim o lampejo de interesse ao compartilhar - ainda que de forma muito pálida - a vida e obra de personagens tão importantes em nossa trajetória!
É bom ser professor!
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