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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Sobre Indenização e deturpação

A Pretexto do jornal Quilombo Raça e Classe


Recebi um exemplar de um informativo acima citado e após uma leitura e certo espírito crítico resolvi ponderar algumas coisas!

Antes de qualquer coisa afirmo que as críticas que aqui faço são sobre ideias e nada mais!!!!

Ao procurar entrar em contato com eles, descobri que o jornal é um órgão vinculado ao PSTU, o que já explica parte do conteúdo tendencioso. Pior foi ver que uma professora de História, que foi quem me repassou o informativo, não teve "vergonha" em repassar um discurso travestido de informação.

  1. Começa falando da destruição do quilombo de Palmares (Alagoas) como obra do Estado brasileiro para esmagar a resistência dos negros escravizados. Salvo engano de gerações de historiadores, o Brasil só se constituiu como Estado após 1822, logo é um anacronismo atribuir-lhe culpa que não têm pois não existia;
  2. Entende a luta dos palmarinos como "luta direta contra os governos repressores e racistas", escamoteando que sendo os quilombos uma representação cultural de matriz africana, era possivelmente um espaço de escravização. Se não é comprovável em Palmares, o é em outros casos. Sabe-se que os palmarinos faziam comércio com os tais opressores e racistas, além de efetuarem operações de ataque ontra propriedades para obterem escravos;
  3. Também fala na opressão de "todos os descendentes de africanos", desconsiderando que pela coartação faziam-se acordos entre senhores e escravos. Não sendo apenas um conflito, e sim um sistema que permitia muita negociação, é pouco crível uma generalização desta afirmativa;
  4. E vai mais longe; ao afirmar o direito dos negros a uma indenização pela escravidão, não considera dois eventos fundamentais: que a escravidão africana preexistia à chegada dos europeus, e que eram os próprios africanos que traficavam por intermédio da guerra, comércio ou expedições de captura, as populações isoladas no interior e inacessíveis aos europeus por barreiras biológicas reais. Se o Estado brasileiro deve indenizar, deve fazê-lo entre 1822 e 1830/31 quando tornou ilegal o tráfico negreiro. Antes disso a responsabilidade cabe aos próprios africanos, organizados em nível estatal ou tribal, muçulmanos ou não, e às potências europeias que se envolveram no tráfico como é o caso de Portugal, Holanda, Espanha, França, Inglaterra, etc. Os potentados que governavam o Benin, a atual Nigéria, o Congo, Angola, Moçambique, etc, são tão responsáveis pelo tráfico e a tragédia da escravidão como europeus e americanos em geral.

Vou voltar a este tema depois, mas antes de vitimizar os negros pela opressão branca, é bom lembrar que o Brasil teve um conselheiro imperial negro, o Duque de Caxias tinha uma guarda pessoal de negros, e dois dos maiores engenheiros cariocas do século XIX foram os irmãos Rebouças, que antes do Photoshop, nos mostram pessoas evidentemente mulatas!!!

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