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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Relativizando a "importância" de MG

Na historiografia sobre o nosso período colonial, e particularmente nos livros voltados para o Ensino Médio, existe sempre um capítulo - e daí o destaque - para a análise sobre a economia e a sociedade de Minas Gerais.
Por que MG?
Segundo Luciano Raposo, isso decorreu de uma construção do modernismo destacando a liberdade, a mobilidade social, a miscigenação, etc, particularizando a experiência de Minas Gerais.
Mas a América portuguesa apresentou ≠s experiências sociais, econômicas igualmente ricas.
Minas foi uma de várias escolhas possíveis!
Como, no Brasil há mais memória que história, vale destacar que a colonização não se destinava a produzir um país, sendo este resultado final um elemento incidental; haviam diferentes “frentes de colonização”, mais ou menos dispersas ou interligadas correspondendo, na prática, a várias colônias ligadas ao reino.
Em 1694 apareceram as primeiras notícias das descobertas de metais preciosos no Centro-sul; e em 1709 surgem as 1ªs vilas.
Posteriormente espalha-se o o mito de Sabarabuçu {atualização do mito do El Dorado} onde se relatava a existência de uma serra de ouro ou prata, dependendo da versão, que cegava ao sol para quem a olhá-se, e que serviu como importante polo de atração de colonos.

Mas em SP, havia uma economia pujante, embora não-exportadora. E outro mito: o do bandeirante em busca de ouro e que era uma mentira, pois estes solicitavam às Câmaras autorização de exploração de “metais”, que não sendo encontrados, eram substituídos pela captura de nativos – cativar índios “hostis” era o resultado destes infelizes encontros!
Índios + trigo + arroz + marmelada, etc eram artigos caracterizadores de uma economia voltada para o mercado interno, embora no século XVI houve-se a descoberta de ouro em SP.
O esgotamento do modelo bandeirista (apresador ou sertanista) é que força a busca de alternativas, como a exploração de metais. Ocorrem as primeiras notificações de descobertas.

O conflito ocorrido entre emboabas e paulistas pode ser visto sob outro prisma. Para os emboabas havia um ressentimento pela perda de possibilidades de ascensão social via cargos, merces, privilégios, etc.
Já para os “paulistas” a descoberta dos metais era uma forma de devolver ao rei um “presente” e obter por reciprocidade mercês e privilégios. Já sua perda para outros – os Emboabas neste caso– significaria um “roubo” cometido contra os interesses destes paulistas.

O Professor e Doutor Luciano Raposo sugere duas leituras sobre este período: Russel-wood com O Governo Local na América Portuguesa, revista da USP ± em 1978. E Ambrósio Fernandes com Diálogo Sobre as Grandezas do Brasil, ± por volta de 1627.
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