Pesquisar este blog

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Rio 2010 - Chapa Quente a 40º

Na "batalha" de ontem as forças do Estado impuseram pela sua maior capacidade operacional e de recursos, um visível recuo das quadrilhas que ainda dominam alguns espaços, mas que estão vendo seu domínio territorial encolher-se cada vez mais.  E neste caso, a atual ofensiva dos bandidos produziu além de um "cimento" social de apoio às operações policiais, um sufocamento das atividades criminosas tanto no varejo como no atacado - com consequências nas finanças das quadrilhas - e a reocupação do poder público em áreas que vinham sendo paulatinamente cercadas, mas que ainda eram dos criminosos: Vila Cruzeiro e o Complexo do Alemão.
É senso comum que os criminosos não gostam de tumultos pois isso atrai a atenção policial e a intensificação da repressão, ampliando o risco da atividade criminosa e prejudicando os negócios ilícitos.  Surpreende então que a atual onda de ataques de vandalismo prossiga, pois não cessa de crescer o reforço das forças estatais envolvidas na contenção destes atos e na repressão em geral.  Os efeitos foram visíveis, com a ocupação da Vila Cruzeiro e a fuga de dezenas de bandidos armados, porém em fuga desordenada.  Além de perderem pessoal (mortos, feridos e dispersos), eles estão sendo encurralados em espaços cada vez mais restritos, o que pode vir a facilitar a eliminação definitiva pelo menos destes criminosos.
Até a aparente fusão das três principais quadrilhas sinaliza o temor que estes marginais têm do constante crescimento do domínio estatal sobre o espaço urbano carioca.  Longe de sinalizar um reforço criminoso, esta união, se existe de fato, é manifestação do desmantelamento das organizações criminosas.
A implantação das UPPs têm levado à migração de bandos para espaços ainda controlados por seus comparsas e quebrando um dos aspectos mais danosos da ação destes bandos que era a apropriação de espaço territorial.  A territorialização das quadrilhas com a ostensividade, desenvoltura e exibicionismo caracterísiticos, está sendo eliminada, embora agora com mais rapidez.  Talvez cheguemos a agradecer aos marginais, pois com sua ação eles aceleraram a ação governamental contra eles.
A Marinha forneceu blindados (VBTT) e disponibilizou efetivos como reserva.  O Exército anuncia, hoje, que entre 500 e 800 soldados ficarão disponíveis também, e o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, vêm ao Rio para oferecer equipamentos de visão noturna para a polícia carioca, além de disponibilizar helicópteros de transporte e ataque.  Os criminosos podem contrapor algo equivalente?  Fora os equipamentos, as forças policiais do Rio têm ao seu dispor uma elasticidade humana que lhe permite incorporar em horas efetivos totais muitas vezes maiores que sua capacidade original.  Ou seja, somar mais centenas ou milhares de homens aos seus números originais é possível, enquanto, pelo lado dos criminosos, quantos eles poderiam incorporar efetivamente?
Numa luta irregular, estes "combatentes" precisam, mais que vencer, não ser derrotados.  Neste momento, eles estão sendo derrotados, expulsos e contidos.  Ou seja, estão sendo derrotados e estão muito longe de vencer. 
Postar um comentário