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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Sobre o Plano Estadual de Educação do RJ

O Plano Estadual de Educação, foi lançado com pompa e ciscunstância recentemente, destacava o caráter meritocrático do mesmo, e acenava com ganhos extras (bonificações) que poderiam atingir até 3 salários a mais no contracheque dos professores.
Como em quase tudo, para se dar o crédito à esperança, há mais fumaça que realidade, e consequentemente, mais cosmética que consistência no mesmo Plano.
Entre aquilo que não foi explicitado à época do lançamento, uma cartilha começa a ser distribuída definindo algumas das ações que se não forem alcançadas impedirão o acesso aos tais bônus anuais anunciados:
a)se houver ocorrência de gravidez entre as alunas a penalização é dos professores - ainda bem que a paternidade não é responsabilidade [ainda] de nós professores;
b)se houver evasão escolar - então, se um aluno deixar de frequentar a escola por conveniências dele ou de seus responsáveis, o culpado é o professorado;
c)se as instalações das unidades escolares não estiverem em condições ideais, de quem é a culpa?
Isso sem falar que a política de bonificações não é extensiva aos aposentados, o que até tem a sua lógica pois se os ganhos estão atrelados à produtividade, os aposentados estão sem nenhuma.  Mas para eles, o reajuste dos valores não repassados para os salários dos funcionários da ativa e que deveriam ser extendidos aos que já estão aposentados, geram uma defasagem de cerca de 26% segundo o SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação).  Isso sem falar que nos últimos anos NÃO HOUVE REJAUSTES SALÁRIAIS e sim a incorporação de parcelas de outra política meritocrática: o Nova Escola.
Sua incorporação é um avanço, mas não é reajuste.  Se minora o descompromisso real com a educação, absolutamente não resolve!
Ora, veja-se que por trás do jargão empolado do mérito, da qualificação, dos índices, etc, esconde-se mais uma vez uma política que culpabiliza o professor por situações que independem de sua formação, de seu caráter ou de seu compromisso com a carreira que escolheu.
Escolas não são fábricas de parafusos cuja eficiência é medida por quantificações.  Nelas encontram-se as mazelas de nossa sociedade como a violência, a falta de perspectivas claras e consistentes de ascensão social pela educação, a hostilidade entre pais e educadores, e um estéril jogo de culpabilizações recíprocas.
Como dizia o ex-presidente Itamar Franco: os números não mentem, mas mentirosos fabricam números.  Só os índices, ainda que melhorem, não significam a real melhoria da educação e o aterramento do fosso social que separa os que tem dos que não tem (oportunidades, renda, educação séria, etc).
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