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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Depois da China, Rússia rejeita sanções contra o Irã

A Rússia anunciou nesta quarta-feira que rejeitará a imposição de novas sanções contra o Irã por considerar que essas medidas seriam interpretadas na comunidade internacional como um instrumento de mudança de regime em Teerã.

"Essa postura é inaceitável e a Rússia não tem intenção de estudar essa proposta", afirmou Gennady Gatilov, vice-ministro das Relações Exteriores, ao ser consultado pelas agências russas.
Gatilov também advertiu os países ocidentais contra a tentação de adotar sanções de maneira unilateral.
"Consideramos que o único caminho possível para uma solução é o diálogo. É preciso fazer com que os iranianos falem dos verdadeiros problemas. O que nos preocupa é o recurso unilateral dos ocidentais a mais sanções contra o Irã, o que impede o estabelecimento do diálogo", acrescentou.
Reuters
Mahmoud Ahmadinejad discursa durante visita à província iraniana de Chahar Mahaal e Bakhtiari nesta quarta
Já o presidente russo, Dmitri Medvedev, alertou Israel sobre um possível ataque militar contra o Irã, alegando que um conflito nessa região poderia causar uma "catástrofe no Oriente Médio".
Mais cedo, a China pediu diálogo e cooperação para resolver o impasse. "A China sempre acredita que o problema nuclear iraniano pode ser solucionado mediante o diálogo e a cooperação", afirmou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Hong Lei.

SANÇÕES
Os Estados Unidos anunciaram na terça-feira que estudarão a imposição de novas sanções contra o Irã caso as dúvidas presentes no novo relatório da AIEA (Agência Internacional para a Energia Atômica) sobre as atividades nucleares no país não sejam esclarecidas.
A AIEA advertiu na terça-feira sobre o fato de o Irã estar aparentemente trabalhando no desenvolvimento de armas nucleares.
Se a oposição da Rússia e da China no Conselho de Segurança da ONU impedir a aprovação de tais medidas, os Estados Unidos poderão impor sanções bilaterais ou aplicá-las ao lado de outros países aliados.
Também a França, o Reino Unido e a Alemanha informaram pediram sanções ao governo iraniano nesta quarta.
A França informou que poderá pressionar por sanções sem precedentes, além de pedir a convocação do Conselho de Segurança.
"Se o Irã se recusar à atender às demandas da comunidade internacional e recusar qualquer cooperação séria, nós estaremos firmes para adotar sanções em uma escala sem precedentes, com outros países que também estão dispostos a isso", disse o ministro de Relações Exteriores da França, Alain Juppé.
O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, afirmou que o relatório da AIEA "desacredita" a posição do Irã sobre os fins pacíficos de seu programa nuclear. Ele acrescentou que há "novas medidas" em estudo para aumentar a pressão sobre Teerã.
"O relatório expõe clara e objetivamente as provas que a agência descobriu sobre o desenvolvimento de tecnologia de armas nucleares por parte do Irã", acrescentou, afirmando que o país persa alcançou níveis de enriquecimento de urânio "para os quais não tem uso plausível".
O ministro alemão de Assuntos Exteriores, Guido Westerwelle, instou a um endurecimento das sanções contra o Irã, mas recusou recorrer a uma "opção militar".
Westerwelle disse ainda que a extensão das sanções seria "inevitável", após o "alarme" sobre seu governo e toda a comunidade internacional com relação ao programa nuclear iraniano.

RESPOSTA DO IRÃ
Em resposta às críticas de países ocidentais com relação ao conteúdo do relatório da AIEA, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que seu país "não desistirá" de seu polêmico programa nuclear.
O Irã "não retrocederá nem um pingo" em seu programa nuclear, acrescentou Ahmadinejad, que qualificou como "absurdas" as acusações contidas no relatório da AIEA.
O chefe de Estado-Maior adjunto das Forças Armadas iranianas, o general Masud Jazayeri, ameaçou destruir Israel se o Estado hebreu atacar as instalações nucleares do Irã.
O presidente israelense Shimon Peres havia advertido no domingo que a possibilidade de um ataque militar contra o Irã é maior que a de uma ação diplomática.
Ahmadinejad acusou a AIEA de "perder seu prestígio" ao aceitar as pressões dos Estados Unidos e outros países ocidentais na redação do relatório sobre seu programa nuclear, segundo informou o site da rede de televisão oficial iraniana.
O presidente voltou a negar que o Irã esteja tentando construir armas nucleares e disse, em referência aos Estados Unidos: "Nós somos inteligentes e não vamos construir duas bombas para enfrentar as 20 mil que os senhores têm".
Ahmadinejad confirmou que o país continuará com seu programa nuclear, que as autoridades de Teerã insistem que tem exclusivamente fins pacíficos civis, e acrescentou que seu governo pretende construir um Irã "mais próspero e mais avançado para entregá-lo à próxima geração".
O embaixador iraniano ante a agência da ONU também declarou nesta quarta-feira que o Irã jamais abandonará seu programa nuclear, mas continuará cooperando com a agência nuclear da ONU.
"O Irã jamais abandonará seus direitos legítimos em termos nucleares, mas, como país responsável, continuará respeitando suas obrigações dentro do Tratado de Não Proliferação Nuclear", que prevê a supervisão de suas atividades pela AIEA, declarou Ali Asghar Soltaniyeh, citado pela agência oficial iraniana Irna.




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