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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O Sistema Internacional entre as Duas Grandes Guerras (1919-1939)

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I – O Contexto

Entre as duas Grandes Guerras foi erguida uma certa Ordem Internacional conhecida como Sistema de Versalhes e que foi caracterizado pela hegemonia da França na Europa, pela Inglaterra em termos coloniais, pela ascensão norte-americana no cenário das grandes potências e do Japão na Ásia, além do enfraquecimento e isolamento da Rússia após a Revolução Bolchevique.

II – As Potências Satisfeitas

Com o encerramento da 1ª Guerra Mundial (1914-18), procedeu-se um reordenamento dos mercados, fontes produtoras de matérias-primas, áreas de inversão de capitais, e a correspondente perda de influência e territórios por parte dos derrotados e da Rússia revolucionária.
Os EUA dispunham então de 50% da produção global de mercadorias, seguiam firmes para assumir de vez uma supremacia comercial e militar, detinham o controle do Canal do Panamá, acesso a dois oceanos desde meados do século anterior, o Caribe era “lago norte-americano” e no Pacífico só o Japão surgia como um poder concorrente às suas ambições.
A Grã-Bretanha possuía um império colonial assentado em todos os continentes, com mais de cinquenta colônias e domínios, como o Canadá, Austrália e África do Sul, reunidas sob a Commomwelth. Com mais de 30 milhões de km² e 25% da população do mundo, dominando o Canal de Suez e a rota marítima mais curta para o Oriente, a Inglaterra continuava projetando-se em termos mundiais.
A França, possuindo um império colonial com mais de 100 milhões de pessoas e dispondo agora de um conjunto de pequenos Estados novos para isolar a Alemanha e a URSS (nesta o chamado “Cordão Sanitário”), era a principal potência europeia.

III – As Potências Insatisfeitas

Japão, Itália e Alemanha faziam parte deste grupo.
O Império Japonês vivia uma explosão demográfica e sua expansão econômica demandava acesso a volumosos recursos naturais como ferro, carvão, petróleo, alumínio, alimentos, etc. Sua geografia comprimia uma população de mais de 70 milhões de pessoas e assim, existia uma enorme pressão por terras para colocar o excedente populacional.
Na busca por tais coisas, e com um governo militarista e expansionista, o Japão viria a chocar-se com os interesses dos EUA e das demais potências colonialistas na Ásia.
Já a Itália ficou insatisfeita com sua parte do espólio da vitória. Além disso, seu império colonial era pequeno, com parcos recursos e incapaz de lhe dar o status que ambicionava. Com a crise econômica do pós-guerra, suas estruturas políticas entraram em colapso e em 1922 o Partido Fascista, liderado por Benito Mussolini, assumiu o poder.
A Alemanha, submetida ao Tratado de Versalhes, foi desprovida de seu império colonial, assumiu um enorme pagamento de indenizações, viu-se reduzida a um exército de 100 mil soldados (Reichswer), teve que entregar toda sua artilharia pesada, submarinos, todos os navios de guerra pesados, foi proibida de possuir aviação militar, desmilitarizar suas fronteiras e entregar partes de seu território aos vencedores. Somente por sua população, então com mais de 60 milhões de habitantes, e seu potencial econômico e industrial permitiram conservar-se entre as potências.
IV – De Rússia a URSS

Em 1917, com a chegada dos bolcheviques ao poder, a Rússia iniciou negociações para uma paz em separado com a Áustria e a Alemanha, e que foi concluída com o Tratado de brest-Litovski, pelo qual o front oriental dos aliados desmoronou. A catástrofe só não foi fatal pela inclusão dos EUA no bloco dos aliados, o que acabou sendo decisivo para a derrota dos Impérios Centrais (Turquia, Bulgária, Áustria e Alemanha).
Perdeu grandes territórios pelo surgimento de novos Estados limítrofes ao antigo Império Russo dos czares, como a Polônia, Finlândia e Países Bálticos, a URSS (assim chamada após 1922), foi submetida ao isolamento internacional mediante o “Cordão Sanitário”.
Após os anos de instabilidade política (Guerra Civil entre Vermelhos e Brancos, morte de Lênin, luta pelo poder entre Stálin e Trótski) e econômica (Comunismo de Guerra, Nova Política Econômica [NEP], etc), a União Soviética contava ainda com mais de 150 milhões de habitantes e imensos recursos naturais.
A ascensão de Stálin e a adoção dos Planos Quinquenais, a coletivização da terra, a ênfase na industrialização pesada e a instituição da hegemonia uni partidária do PCUS recolocariam a União Soviética no rol das grandes potências mundiais durante os anos 1930-40.
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