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domingo, 12 de agosto de 2012

Irã entra na batalha diplomática pela Síria


Irã, Síria, apoio, diplomacia, encontro, ONU
Na quinta-feira em Teerã, por iniciativa de Teerã realizou-se um encontro consultivo de representantes de mais de 30 países, inclusive da Rússia, China, Índia, Brasil, Paquistão dedicado à crise síria. "As três principais ideias que foram debatidas hoje no encontro em Teerã foram a cessação do derramamento de sangue, o inicio do diálogo nacional e a busca de soluções aceitáveis para a solução da situação na República Arabe Síria”, – declarou o ministro do exterior do Irã, Ali Akbar Salekhi na conferência de imprensa sobre os resultados. Pelos resultados do encontro o Irã propôs criar um grupo de contato, em que entrariam países neutros para encontrar um meio de atrair as partes em luta na Síria para o diálogo e interação. “Agora nós esperamos as decisões dos países que estão dispostos a entrar nesse grupo”, – declarou Salekhi.
A proposta do Irã foi feita tendo por fundo os comunicados de que as tropas governamentais sírias venceram na batalha por Aleppo, do controle da qual em muito dependia o resultado da contraposição do regime de Bashar Assad e da oposição. Na opinião do The Guardian londrino, o restabelecimento do controle total de Aleppo pelo exército regular “é um acontecimento considerável no desenvolvimento da situação interna” na Siria. Em outras palavras, o Exército Sírio Livre novamente não conseguiu vencer e criar no território da Síria o seu enclave, situado a 50 quilômetros da fronteira com a Turquia. Entretanto está claro que os rebeldes, contando com o apoio do Ocidente, continuarão a luta armada. Concordância com isto chegou dos EUA. “O presidente Obama deu ordem direta à CIA para apoiar a oposição síria. E isto é ingerência grosseira nos assuntos internos de um estado soberano, que não ameaça de modo algum os Estados Unidos nem ninguém mais. A Arábia Saudita e o Qatar financiam os rebeldes. A Turquia dá-lhes apoio ativo”, – assinalou neste sentido o acadêmico Evgueni Primakov em entrevista a Rossiiskaia Gazeta.

Nestas condições fracassam os esforços de solução diplomática do conflito. Demitiu-se o representante especial da ONU para a Síria Kofi Annan, não está claro se os observadores da ONU continuarão sua missão na Síria. E eles são a única fonte independente de informação sobre a situação no país. Não passa também a variante de força de derrubada de Bashar Assad, na base de resolução do Conselho de Segurança da ONU segundo o esquema líbio. A Rússia e a República Popular da China bloquearam três vezes estas iniciativas dos países ocidentais.

Tendo isto por fundo o Irã começou manobras diplomáticas ativas na direção síria. Representantes de Teerã visitaram a Turquia e Damasco. Na próxima semana o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad visitará a cimeira representativa da Organização da unidade islâmica na Arábia Saudita, onde o tema sírio, pelo visto, estará entre os principais. Finalmente a ideia, apresentada ontem por Teerã, de criação de novo grupo diplomático para solucionar a situação na Síria.

O Irã está ativamente envolvido no conflito sírio. Além do apoio moral e material à Síria, Teerã, segundo tudo indica, ajuda também com voluntários. Caso contrário é difícil explicar como entre os 80 peregrinos iranianos aprisionados pelo exército livre sírio estavam reservistas do Corpo de Guardas iraniano. Damasco é o principal aliado do Irã na região, e também no mundo. A queda do regime de Assad reduz consideravelmente a influência de Teerã no Oriente Médio. E nisto estão as causas reais da crise síria. Isto é indicado também pelo ex-secretário de estado dos EUA, Henry Kissinger: “No caso da Síria nós fomos encurralados porque estamos estrategicamente interessados no rompimento da aliança entre o clã de Assad e o Irã, apesar de não desejarmos reconhecer este interesse – escreve ele nas páginas do Washington Post”.

Disto decorre também a reação extremamente brusca de Washington às iniciativas diplomáticas de Teerã. “É difícil imaginar que país pode envidar tantos esforços para manter Bashar Assad no poder, ajudá-lo a continuar a realizar repressões contra o povo da Síria. É difícil descrever o quão destrutivas podem ser as ações do Irã para solucionar o conflito”, – disse o representante do departamento de estado Patrick Wentrell.

É pouco provável que a iniciativa iraniana seja reconhecida, além dos oponentes evidentes, há um mecanismo de encontro ministeriais sobre a Síria, e também a área reconhecida da ONU. Entretanto é evidente que o Irã, começando a ofensiva diplomática na direção síria, tenta sair do isolamento internacional, que surgiu em virtude do problema do dossier nuclear iraniano. Por outro lado as tentativas de mediação no conflito sírio lembram cada vez mais a necessidade de consolidação da população do Irã no período das atuais dificuldades econômicas e crescentes ameaças de resolver os problemas do átomo iraniano por meio da força.
http://portuguese.ruvr.ru/2012_08_11/Ira-entra-na-batalha-diplomatica-pela-Siria/ 
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