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segunda-feira, 19 de julho de 2010

ULTIMOS MOVIMENTOS

Nas últimas duas semanas foram aparecendo algumas notícias preocupantes sobre o Irã e o seu contencioso com a comunidade internacional.

A pouco mais de 15 dias fontes turcas informaram que um esquadrão naval norte-americano, secundado por um submarino israelense erroneamente apontado como portador de armas nucleares – quando na realidade é uma embarcação com alguma capacidade de disparo nuclear (o que é muito diferente) – estaria a caminho do Golfo Pérsico para implementar as sanções da ONU relativas à fiscalização de barcos navegando para ou do Irã.

Pouco depois saiu um informe de que os moradores na ilha de Diego Garcia estariam sendo retirados dali e que simultaneamente os norte-americanos começaram a estocar bombas destinadas a penetrar no solo e destruir instalações subterrâneas. Este até pode ser visto como um bom sinal, pois se eles efetivamente vão se preparar para um ataque convencional, é menos pior do que um nuclear.

Esta semana o ministro das Relações exteriores da Rússia, fazendo coro a uma declaração do dia anterior do presidente Medvedev (que afirmou peremptoriamente que Teerã está próximo de uma conquista nuclear e deve se preparar para a retaliação internacional), mas dando seguimento a estratégia do “morde e assopra”, disse que o governo iraniano deve continuar negociando com o Sexteto (Conselho de Segurança + Alemanha). Mais além, afirmou que a participação do Brasil e da Turquia estava descartada e era um ponto sem discussões.

Afora o fato de que o reforço da ameaça militar iraniana foi seguida por nova proposta de negociação, ficou o recado de que os “grandes” continuam mantendo a porteira do clube fechada. E toda aquela propalada revisão ou redesenho da diplomacia internacional assentada na intermediação turco-brasileira com Teerã segue, pela ótica dos poderosos, sendo irrelevante na prática – no discurso até serve...

Os EUA propuseram a Israel um reforço da parceria atômica – com fins “pacíficos” obviamente, de forma a não tocar na questão do arsenal nuclear de Tel Aviv. Além disso Obama declarou reafirmar a aliança norte-americana (ocidente)/israelense e estas duas coisas, vistas em conjunto têm destino certo: para Teerã existe uma situação de que se atacar primeiro, será retaliada pelos EUA, e se prosseguir na busca de uma arma nuclear, os israelenses poderão agir com a cobertura ou apoio direto dos EUA.

REDESENHANDO ALIANÇAS?

Stephen Kinzer, num livro chamado Reset propõe que o caminho para a estabilização do Oriente Médio é a substituição do eixo Washington-Tel Aviv -Riad por uma nova parceria. Nesta estariam inclusos no lugar de Israel e Arábia Saudita, a Turquia e o Irã, e mesmo sendo difícil e distante de acontecer, seria este, segundo o autor, o caminho para uma estabilização mais consistente da região.

A convergência entre elementos político/militares (os regimes democráticos/OTAN) que aproximam a Turquia e os EUA, também podem ser trabalhados em relação ao Irã: a oposição dos xiitas aos talibãs e a Al-Quaeda (sunitas) e o desenvolvimento de uma infraestrutura energética (petróleo) mais moderna, em tese, poderiam aplainar a aproximação com os Estados Unidos.

Mas ele reconhece que a questão nuclear e o governo teocrático em Teerã são obstáculos sérios.

Vejo outros problemas, como a histórica rivalidade turco-persa (remontando as guerras otomanas/safávidas) e as naturais ambições de Ancara e Teerã acerca de um protagonismo no Oriente Médio. Quem toparia ser o coadjuvante?

E enquanto o governo iraniano vêm sendo cada vez mais frequentemente desafiado pela oposição interna tanto política quanto religiosa, o regime se cristaliza em busca de uma coesão interna cada vez mais mais difícil obter. E se antes a contestação decorria da insatisfação com o resultado eleitoral que manteve Ahmadinejad no poder, agora tem ocorrido episódios de oposição armada dos sunitas. Esta semana, o grupo Jundalah fez 21 mortos em dois atentados, vitimando inclusive membros da Guarda Revolucionária.

Na lógica de que quem têm oposição precisa demonstrar união, os ataques da oposição política ou armada reforçam, e não enfraquecem, o governo teocrático xiita.

O CENÁRIO DO ATAQUE AO IRÃ

“Os judeus e os árabes estão brigando há cem anos. Mas os árabes e persas brigam há mil anos” afirma o especialista em OM, Jeffrey Goldberg.

Com este pensamento ele aponta para a constituição de um eixo secreto dos árabes contra o Irã, e secundado pelos norte-americanos e israelenses. A lógica seria que um Irã nuclearizado seria intolerável: “Um ataque militar sem dúvida provocaria uma retaliação...Nós não podemos conviver com um Irã nuclear. Eu estou disposto a absorver tudo o que ocorrer em nome da segurança dos Estados Árabes Unidos” disse o embaixador deste país. Por sinal o único que juntamente com a Jordânia têm tropas no Afeganistão.

Também saiu comentado no Times que num exercício ocorrido na Arábia Saudita, os sistemas de defesa aérea do país foram desativados, o que permitiria que um ataque vindo de Israel, pudesse cruzar o espaço aéreo saudita sem que as autoridades daquele país fossem acusadas de conivência.

Considerados tais aspectos, como o aprovisionamento de Diego Garcia, a manifestação das autoridades russas, a reafirmação da aliança EUA/Israel, o aval de países árabes, a possível concentração de forças navais, etc, parece apontar para o fato que o Irã pode estar com seu tempo se esgotando.

Possível ataque nuclear? Pouco provável, já que os efeitos de uma precipitação nuclear se estenderia para além da área mais imediata do OM.

Como reagiriam China, Índia ou Paquistão caso uma nuvem radiativa se desloque sobre seus territórios?

E o que acontecerá com a economia internacional em caso de uma disparada dos preços de petróleo por causa da instabilidade ocasionada por uma operação militar ou campanha? E se ocorrer uma contaminação dos depósitos?

E a reação? Passado o choque inicial, haveria uma onda de radicalização jihadista. Quais meios seriam então acessíveis? E vejam que neste caso não seria tanto pelo destino dos iranianos, e sim pela oportunidade de exacerbar o ódio aos norte-americanos.

Já um ataque convencional....
E enquanto não vêm, o caminho mais proveitoso diante do impasse diplomático, é a continuidade dos negócios com os iranianos.  Que o digam a China, os estados do golfo, a Turquia, e por aí vai.
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