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sábado, 26 de maio de 2012

AIEA identifica traços de urânio com enriquecimento elevado no Irã

Inspetores da agência nuclear da ONU encontraram partículas de urânio refinado até um nível superior ao esperado num espaço subterrâneo onde o governo instalou mais de 50 por cento de centrífugas adicionais, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira pela Agência Internacional de Energia Atômica.

O Irã, segundo o relatório, atribuiu isso a "razões técnicas" alheias ao seu controle. "A Agência está avaliando a explicação do Irã e solicitou mais detalhes", disse o texto.

Os Estados Unidos, que acusam o Irã de tentar desenvolver armas atômicas, disseram que a versão iraniana é plausível.

"Há várias explicações possíveis para isso, inclusive a que os iranianos forneceram", afirmou Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado. "Vamos depender da AIEA para ir até o fundo disso."

O urânio enriquecido pode ser usado como combustível para reatores nucleares ou, num grau de pureza muito maior, na fabricação de armas atômicas, o que Teerã diz não ser seu objetivo.

O relatório da AIEA diz que amostras ambientais colhidas em fevereiro na usina subterrânea de Fordow mostram a presença de partículas enriquecidas a 27 por cento. O Irã havia declarado que a usina enriquecia urânio a no máximo 20 por cento. Acima disso, o urânio já é considerado altamente enriquecido.

Novas amostras foram recolhidas neste mês, para que os testes sejam confirmados.

David Albright, especialista norte-americano em proliferação nuclear, disse que uma falha técnica pode ter resultado na medição realizada, mas que mesmo assim a descoberta é "constrangedora para o Irã".  

O relatório da AIEA sugere que o urânio adicionalmente enriquecido pode ser resultado de um fenômeno técnico associado ao início da operação da rede de centrífugas.

A avaliação trimestral da AIEA foi divulgada um dia depois do encerramento de reuniões, na quarta e quinta-feira em Bagdá, nas quais potências mundiais -EUA, Rússia, Grã-Bretanha, Alemanha, China e França- tentaram sem sucesso convencer o Irã a suspender seu enriquecimento de urânio a 20 por cento.

O Irã começou a enriquecer urânio nesse grau em 2010, e desde então ampliou drasticamente a atividade, alegando a necessidade de abastecer um reator de pesquisas médicas.

O Ocidente teme que, passando o limite dos 20 por cento, o Irã consiga facilmente superar os obstáculos necessários para chegar a um grau de pureza superior a 90 por cento, que é necessário para o uso em armas atômicas.

Fonte: Reuters
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