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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Irã aceita acordo com a AIEA para inclusão de sete novas metas em programa nuclear - Opera Mundi

O Irã concordou em firmar um acordo neste domingo (09/02) com a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica da ONU) para tomar sete novas medidas de cooperação que têm o intuito de apaziguar as preocupações internacionais a respeito do seu programa nuclear.
 Agência Efe

Embaixador iraniano da AIEA, Reza Najafi (à esq.), conversa com Tero Varjoranta (à dir.), diretor-geral do órgão, após firmar acordo em Teerã


Em conjunto com a AIEA, a OEAI (Organização de Energia Atômica do Irã) divulgou um comunicado, declarando que a república islâmica cumpriu seis compromissos requisitados no Memorando de Entendimento, assinado em novembro e com prazo para até o dia 11 de fevereiro. Agora, ambas as partes acertaram cooperar em outros sete pontos, que deverão ser efetivados antes do dia 15 de maio, assinalou o embaixador iraniano na AIEA, Reza Najafi.

Outros detalhes das novas medidas não foram divulgados até o momento, mas devem ser publicados em breve pelo diretor-geral da AIEA, Tukiya Amano, aos 35 países que participam do conselho do órgão. Contudo, o porta-voz da organização atômica iraniana, Behrouz Kamalvandi, já antecipou que, nestes novos sete pontos, não está inclusa a entrada dos inspetores da AIEA à instalação nuclear de Parchin, acesso que a organização reivindica há anos.



Transparência em Teerã
De todo modo, o novo acordo também pode representar um passo positivo para as negociações paralelas entre o Irã e o Grupo 5+1 (China, Rússia, EUA, Alemanha, França e Reino Unido) que estão previstas para acontecer novamente no dia 18 de fevereiro para tentar chegar a uma solução diplomática para a questão nuclear.

No fim de novembro, essas reuniões paralelas chegaram a um acordo em Genebra, firmando o compromisso de Teerã suspender o enriquecimento de urânio a 20% e congelar as demais atividades nucleares — em troca de um levantamento limitado das sanções internacionais. Tudo isso por um prazo de seis meses.

Há anos, a AIEA acusa o Irã de não cooperar. Frequentemente, a comunidade internacional acusa que seu programa nuclear tenha objetivo militar – o que é negado pelo governo de Teerã.

 Agência Efe

Inspetores da AIEA visitaram o Irã com frequência para verificar o cumprimento do pacto de Genebra, em novembro

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Irã paralisa alto enriquecimento de urânio, diz agência da ONU


Por Fredrik Dahl
VIENA, 20 Jan (Reuters) - O Irã paralisou a sua mais polêmica atividade nuclear, seguindo o acordo firmado com seis potências mundiais, segundo um relatório confidencial da agência de energia atômica da Organização das Nações Unidas obtido pela Reuters, abrindo assim o caminho para o alívio de algumas das sanções impostas contra o país.
O relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) também disse que o Irã começou a diluir o seu urânio enriquecido a uma concentração de 20 por cento, nível que deixava o país próximo do necessário para produzir uma bomba atômica.
O Irã também continua a converter em óxido parte da sua reserva, disse a AIEA, o que torna o material menos próprio para alguma tentativa de fabricar bombas. O Irã diz que o seu programa nuclear é por inteiro pacífico.
A AIEA terá um papel crucial em verificar se o Irã está cumprindo a sua parte no acordo provisório, que prevê cortes no enriquecimento de urânio em troca de alívio nas sanções internacionais que estão prejudicando muito a economia iraniana dependente do petróleo.
O relatório da AIEA para os países-membros declara que "a agência confirma que, em 20 de janeiro de 2014, o Irã parou de enriquecer urânio acima de cinco por cento" nas usinas de Natanz e Fordow.
Mais cedo a TV estatal iraniana disse que o Irã havia paralisado o enriquecimento a 20 por cento em Natanz e que os inspetores se dirigiam para Fordow.
O Irã tem enriquecido urânio a uma concentração de 20 por cento desde 2010, criando alarme no Ocidente sobre os fins do seu programa nuclear.
http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPEA0S2Y020140120 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Irã diz crer em acordo nuclear se 'direitos' forem respeitados


FREDRIK DAHL E MARCUS GEORGE - REUTERS
As negociações deste mês entre o Irã e a comunidade internacional podem ter resultados positivos se os "direitos nucleares" do país forem reconhecidos, disse um assessor do líder supremo da República Islâmica em declaração publicada nesta terça-feira.
Mas Washington afirmou que o Irã antes de mais nada precisa tornar seu programa nuclear compatível com o direito internacional e autorizar inspetores da ONU a visitar uma instalação militar onde o Ocidente suspeita que houve pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de armas atômicas.
O Irã nega ter a intenção de desenvolver armas atômicas e insiste que seu programa nuclear está voltado exclusivamente para pesquisa e geração de eletricidade com fins civis.
O país há anos sofre sanções da Organização das Nações Unidas por sua insistência em enriquecer urânio, processo que, dependendo do grau de pureza obtido, pode gerar material para alimentar reatores nucleares civis ou bombas atômicas.
Teerã alega que, como membro do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), pode desenvolver todo o ciclo do combustível nuclear, e que o sucesso das negociações depende do reconhecimento disso.
Depois de inconclusivas reuniões em maio em Bagdá, uma nova rodada de discussões foi marcada para os dias 18 e 19 em Moscou, envolvendo o Irã e seis potências mundiais (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China, que são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha).
"Espero que o P5+1 reconheça o direito nuclear inalienável do Irã dentro do marco do TNP, e que evite se colocar à parte", disse Ali Akbar Velayati, assessor do aiatolá Ali Khamenei, à agência de notícias Irna.
(Reportagem adicional de Andrew Quinn, em Washington; e de Zahra Hosseinian)
FONTE:  http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,ira-diz-crer-em-acordo-nuclear-se-direitos-forem-respeitados,882753,0.htm

sábado, 26 de maio de 2012

AIEA identifica traços de urânio com enriquecimento elevado no Irã

Inspetores da agência nuclear da ONU encontraram partículas de urânio refinado até um nível superior ao esperado num espaço subterrâneo onde o governo instalou mais de 50 por cento de centrífugas adicionais, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira pela Agência Internacional de Energia Atômica.

O Irã, segundo o relatório, atribuiu isso a "razões técnicas" alheias ao seu controle. "A Agência está avaliando a explicação do Irã e solicitou mais detalhes", disse o texto.

Os Estados Unidos, que acusam o Irã de tentar desenvolver armas atômicas, disseram que a versão iraniana é plausível.

"Há várias explicações possíveis para isso, inclusive a que os iranianos forneceram", afirmou Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado. "Vamos depender da AIEA para ir até o fundo disso."

O urânio enriquecido pode ser usado como combustível para reatores nucleares ou, num grau de pureza muito maior, na fabricação de armas atômicas, o que Teerã diz não ser seu objetivo.

O relatório da AIEA diz que amostras ambientais colhidas em fevereiro na usina subterrânea de Fordow mostram a presença de partículas enriquecidas a 27 por cento. O Irã havia declarado que a usina enriquecia urânio a no máximo 20 por cento. Acima disso, o urânio já é considerado altamente enriquecido.

Novas amostras foram recolhidas neste mês, para que os testes sejam confirmados.

David Albright, especialista norte-americano em proliferação nuclear, disse que uma falha técnica pode ter resultado na medição realizada, mas que mesmo assim a descoberta é "constrangedora para o Irã".  

O relatório da AIEA sugere que o urânio adicionalmente enriquecido pode ser resultado de um fenômeno técnico associado ao início da operação da rede de centrífugas.

A avaliação trimestral da AIEA foi divulgada um dia depois do encerramento de reuniões, na quarta e quinta-feira em Bagdá, nas quais potências mundiais -EUA, Rússia, Grã-Bretanha, Alemanha, China e França- tentaram sem sucesso convencer o Irã a suspender seu enriquecimento de urânio a 20 por cento.

O Irã começou a enriquecer urânio nesse grau em 2010, e desde então ampliou drasticamente a atividade, alegando a necessidade de abastecer um reator de pesquisas médicas.

O Ocidente teme que, passando o limite dos 20 por cento, o Irã consiga facilmente superar os obstáculos necessários para chegar a um grau de pureza superior a 90 por cento, que é necessário para o uso em armas atômicas.

Fonte: Reuters

sábado, 28 de abril de 2012

Os riscos de uma guerra contra o Irã



A arma de destruição em massa do Irã não é nem uma frota de motor de popa, nem a informática, muito menos uma bomba nuclear: é o preço do petróleo. E, para usá-la, Teerã não fecharia o Estreito de Ormuz. Se todas as sanções internacionais fossem aplicadas, faltaria cerca de 2 milhões de barris/dia de petróleo no mundo
por Gary Sick

É preferível um Irã sem armas nucleares a um que as possua. Até Teerã admite isso. Sempre signatário do Tratado de Não Proliferação (TNP), o país aceita que suas principais instalações sejam inspecionadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). E seus dirigentes, em primeiro lugar o aiatolá Khamenei, declaram regularmente que a posse, a fabricação ou a utilização de armas dessa natureza são contrárias ao Islã.
Desde a época do xá, o país apoia a ideia de um Oriente Médio livre de armas nucleares. James Clapper, diretor de Inteligência Nacional (DNI), que coordena todas as agências de segurança dos Estados Unidos, garante que a república islâmica não tomou a decisão de construir a bomba – decisão que, aliás, seria impossível dissimular.1 Porém, a história nuclear do país tem furos e inconsistências que não inspiram confiança, e a retórica inflamada de seus líderes contribui para as suspeitas.
Uma opinião bastante difundida é a de que somente a coerção poderia persuadir Teerã a mudar de rumo. Essa política foi desenvolvida a partir de meados da década de 1990, sob a administração de Bill Clinton. George W. Bush e Barack Obama seguiram o mesmo caminho.2 Os Estados europeus, de início relutantes, acabaram também se agregando a ela, a começar pela França e Reino Unido, que assumiram a liderança do movimento, preconizando sanções mais duras.
Antes da adoção dessa estratégia, o Irã tinha um programa nuclear dos mais rudimentares, sem uma única centrífuga de enriquecimento de urânio. Quase duas décadas depois, a AIEA informa que o país dispõe de um programa consistente, com cerca de 8 mil centrífugas operando em duas instalações principais, além de um estoque de cerca de 5 toneladas de urânio de baixo enriquecimento. O fracasso da coerção é evidente.
As sanções se transformam em guerra
Em vez de perceber isso, os Estados Unidos e seus aliados responderam com a intensificação das sanções, chegando a impedir o Irã de vender seus produtos petrolíferos, o que o priva de mais da metade de suas receitas. Tais medidas são muito semelhantes a um bloqueio militar dos portos de petróleo, ou seja, muito semelhantes a um ato de guerra. As sanções, que deveriam evitar uma guerra, gradualmente se transformam em guerra econômica. O boicote aos bancos e ao petróleo iraniano deveria estar em pleno funcionamento até a metade de 2012. Isso permite falar em conflito não declarado. Ninguém sabe como a república islâmica responderá, mas não podemos imaginar que seus dirigentes vão capitular nem que permanecerão de braços cruzados.
A escolha pela coerção baseia-se na crença de que ela não pode se virar contra quem a pratica. E é justamente essa a convicção que parece reinar entre os grupos que travam uma guerra clandestina contra o Irã por meio de assassinatos de cientistas e ataques cibernéticos – por exemplo, em 2010, com o worm Stuxnet, projetado para interferir no funcionamento de centrífugas.3 Drones norte-americanos sobrevoam o território iraniano. Fontes confiáveis revelam o apoio a movimentos separatistas na região do Baluquistão – onde israelenses se fazendo passar por agentes norte-americanos da Agência Central de Inteligência (CIA) teriam recrutado agentes – e na província de população árabe do Cuzistão, no Curdistão iraniano ou em áreas de população azerbaijana.4
Esses desenvolvimentos suscitam grande satisfação em Israel, nos Estados Unidos e em certas capitais europeias. A despeito das declarações de que o Irã é uma ameaça à paz e à estabilidade internacional, a política ocidental fundamenta-se na hipótese implícita de que Teerã não pode responder de maneira eficaz às ameaças financeiras e clandestinas contra sua segurança. Nenhuma das partes envolvidas toleraria tais ações em seu território. Qual poderia então ser a resposta da república islâmica?
O Irã não constitui grave perigo para ninguém, nem para seus vizinhos mais próximos. O orçamento militar do país é uma fração minúscula não apenas do orçamento dos Estados Unidos ou da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mas até do conjunto das despesas dos membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG, que reúne Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein e Kuwait).5 O país está cercado por forças norte-americanas e pela Otan, incluindo bases e forças navais. Consciente de sua relativa fraqueza, até agora o Irã tem evitado confrontos militares diretos.
Em compensação, tem investido pesadamente numa estrutura de defesa robusta, embora relativamente barata, que tornaria qualquer potencial invasão bastante perigosa. Também aperfeiçoou técnicas de guerra assimétrica, como a guerrilha e o uso de barcos rápidos que poderiam confundir e até vencer navios de guerra. O país desenvolveu baterias de mísseis de cruzeiro, armas relativamente simples, mas potencialmente muito eficazes quando usadas em massa, mesmo contra um alvo grande.
Outro terreno no qual o Irã tem grande competência: o da guerra de informação, na qual todos, ou quase todos, têm sua chance. A repressão após a eleição presidencial contestada de junho de 2009 demonstrou a capacidade do governo de controlar o ciberespaço. Ao contrário dos Estados árabes que vivem protestos em massa desde o início de 2011, o Irã conseguiu desativar seletivamente frações da internet e impedir o uso de Facebook, Twitter e o envio de SMS, sem causar grandes danos a seu comércio. Também conseguiu penetrar as mídias sociais para identificar potenciais líderes da oposição e usar suas propostas e ações para processá-los na justiça. O país dispõe ainda de uma reserva de jovens e brilhantes engenheiros da computação, que compõem um ciberexército semiclandestino. Até o momento, essa força tem sido colocada principalmente a serviço da repressão, mas pode ser facilmente dirigida contra um inimigo externo.
A arma de destruição em massa do Irã, no entanto, não é nem uma frota de motor de popa, nem a informática, muito menos uma bomba nuclear inexistente: é o preço do petróleo. E, para usá-la, Teerã nem precisa fechar o Estreito de Ormuz. Se todas as sanções internacionais fossem aplicadas, faltariam cerca de 2 milhões de barris/dia de petróleo no mundo. A Arábia Saudita indicou que pode aumentar sua produção, e a retomada da produção da Líbia também poderia ajudar a compensar a escassez. Além disso, os Estados Unidos e outros países, especialmente europeus, poderiam usar suas reservas estratégicas.
Mas a Europa teria de encontrar, por conta própria, um modo de substituir os cerca de 600 mil barris diários que importa do Irã. Essa demanda parte principalmente de suas três economias mais vulneráveis – Grécia, Itália e Espanha –, cujas importações atualmente se baseiam em acordos de troca e contratos relativamente vantajosos a longo prazo, para os quais será difícil encontrar equivalente em termos de preço e qualidade. Novos contratos precisariam ser negociados, outros circuitos de fornecedores acionados, e refinarias redimensionadas.
Essa transformação pode ser feita suavemente, sem aumento significativo do preço do petróleo? Em janeiro de 2012, quando Irã e Estados Unidos trocaram ameaças sobre o Estreito de Ormuz, o preço do barril aumentou mais de 6% e se estabilizou nesse patamar, sem que a menor troca de tiros tenha ocorrido. Mas qualquer aumento tem repercussões globais não apenas no preço – politicamente sensível – da gasolina, mas em quase tudo que é fabricado e transportado.
Imaginemos, em quatro meses, o seguinte cenário: enquanto o mundo luta para substituir o petróleo iraniano, e o Irã enfrenta cada vez mais dificuldades para manter sua receita, o mercado tem uma tendência de alta. Nesse momento, oleodutos ou instalações de carregamento no sul do Iraque são atingidos por explosões inexplicadas, cujo resultado é retirar do mercado 1 milhão de barris/dia. Ao mesmo tempo, panes misteriosas afetam refinarias sauditas e kuwaitianas, e as operações de carregamento nos Emirados Árabes Unidos são atrasadas em razão de dificuldades técnicas imprevistas, resultado de controles computacionais ou talvez de sabotagem orquestrada por Teerã. É impossível prever a que nível subiria então o preço do barril, e por quanto tempo...
Qual é o objetivo?
Esse cenário mostra que as sanções máximas não afetariam apenas o Irã: elas poderiam ter graves consequências em escala internacional. Assumir tais riscos certamente vale a pena quando se persegue um objetivo político bem definido e realista. Se a questão é fazer Teerã capitular e eliminar seu programa de enriquecimento nuclear, qualquer um que conheça um pouco o país é capaz de afirmar que isso é um sonho. Aliás, nesse ponto, pouco importa quem está no governo.
Se o objetivo fosse trazer de volta a república islâmica à mesa de negociação, o Irã já declarou, há mais de um ano, que deseja um diálogo sem condições prévias, ou seja, sem ter de aceitar uma cessação completa de seu programa de enriquecimento de urânio, como exigem as resoluções do Conselho de Segurança da ONU – ainda mais quando o TNP permite o enriquecimento. Mas é exatamente isso que pede a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Catherine Ashton, em carta do dia 21 de outubro de 2011, que convida o país a retomar as conversações.6 Aí está uma falha fundamental da estratégia ocidental, que torna a situação perigosa.
Por fim, se o objetivo é punir o Irã na esperança de provocar uma guerra, então há realmente chances de sucesso. Mas isso não elimina a ameaça nuclear – pelo contrário. Assim se fortalece um governo extremista em sua postura de desafio e rejeição da “comunidade internacional”, em sua determinação de dominar um ciclo completo do combustível nuclear e, finalmente, em acelerar a construção da bomba.
Gary Sick
Ex-conselheiro do presidente Jimmy Carter e autor de October surprise: America's hostages in Iran and the election of Ronald Reagan {Surpresa de outubro: reféns norte-americanos no Irã e a eleiçaõ de Ronald Reagan}, IB Tauris & Co, Londres, 1991

1 Meredith Buel, “US: Iran keeping open option to develop nuclear weapons” [EUA: Irã mantém aberta opção de desenvolver armas nucleares], Voice of America, 2 fev. 2010.
2 Ler “Tempête sur l’Iran” [Tempestade no Irã], Manière de Voir, n.93, jun./jul. 2007.
3 Ler Philippe Rivière, “Cyberattaque contre Téhéran” [Ciberataque contra Teerã], Le Monde Diplomatique, mar. 2011.
4 Alain Gresh, “Quand Israël attaquera-t-il l’Iran? Il y a deux ans…” [Quando Israel atacará o Irã? Há dois anos...], blog Nouvelles d’Orient, 17 jan. 2012.
5 O orçamento militar da Arábia Saudita é de US$ 45 bilhões; o do Kuwait, de US$ 4,6 bilhões; e o do Irã está estimado em US$ 9 bilhões.
6 Peter Jenkins, “The latest offer to Iran of nuclear talks: don’t hold your breath” [A última oferta ao Irã sobre a questão nuclear: não prenda a respiração], 30 jan. 2012. Disponível em: www.lobelog.com
Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1122

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Irã oferece mais tempo para visita de inspetores da AIEA

     O Irã afirmou hoje estar disposto a prolongar a visita dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ao país, se a missão prevista para durar três dias não for suficiente para esclarecer as dúvidas do órgão da ONU sobre o programa nuclear iraniano. O chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, se disse “muito otimista” sobre os resultados da missão.

Samy Adghirni, correspondente da Folha de S.Paulo em Teerã, em colaboração especial para a RFI

     Os observadores chegaram ao Irã no domingo de manhã e devem ficar no país até a quarta-feira. Eles terão encontros com autoridades do setor nuclear e especula-se que possam visitar a polêmica central de Fordoo, uma nova central de enriquecimento de urânio que fica debaixo de uma montanha na cidade de Qom, a pouco mais de uma hora de carro ao sul de Teerã.
     Mas o principal objetivo dessa visita dos peritos da ONU não é inspecionar as centrais atômicas. Os inspetores estão no Irã para cobrar explicações sobre o último relatório da AIEA, divulgado em novembro.
     O documento diz que Teerã está cada vez mais perto da capacidade para fabricar uma bomba atômica. O relatório foi um divisor de águas na questão iraniana e levou EUA e União Europeia a adotarem as sanções mais duras impostas até agora ao Irã, cuja economia afunda a cada dia.
     O governo iraniano diz que está disposto a esclarecer todo o conteúdo do documento e deixa claro que não teme inspeções, por não ter nada a esconder.
     O Irã diz que enriquece urânio apenas para fins energéticos e medicinais e enxerga o relatório como parcial e injusto. Muitos analistas, incluindo ex-inspetores da ONU, concordam que o documento tem falhas.
     Primeiro, ele foi feito em parte com informações fornecidas pelos serviços de espionagem de países inimigos do Irã, e essas informações são difíceis de verificar. Segundo, o relatório não traz provas contundentes contra o Irã, apenas suspeitas. Terceiro, muitos acham que o relatório não traz novidade: apenas reitera algo que todos já sabiam: que o Irã não é transparente sobre seu programa nuclear.  - Grifo meu
     Mas as potências ocidentais e muitos analistas dizem que o documento prova de uma vez por todas que o Irã mente para a ONU e está, sim, buscando a bomba atômica. A tensão não para de aumentar – setores mais conservadores nos EUA e em Israel querem que o Irã seja atacado para impedir que tenha a bomba nuclear.
     Para evitar uma guerra, a ONU e o Irã concordam em retomar negociações, mas ninguém está de acordo sobre a agenda das conversas. O Irã diz que não abre mão de seu direito de enriquecer urânio, enquanto a ONU continua exigindo a suspensão da atividade nuclear iraniana.

http://www.portugues.rfi.fr/mundo/20120130-ira-oferece-mais-tempo-para-visita-de-inspetores-da-aiea



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Petróleo: Irã diz que União Europeia sairá perdendo com sanções




A União Europeia, e não o Irã, sairá perdendo com as novas sanções da UE - que proíbem a compra de petróleo iraniano -, disse o presidente Mahmoud Ahmadinejad nesta quinta-feira, enquanto parlamentares diziam que poderiam cortar o fornecimento aos países europeus antes do prazo final em 1º de julho.


"É o Ocidente que precisa do Irã e a nação iraniana não perderá com as sanções", disse Ahmadinejad em seus primeiros comentários públicos sobre a questão desde que os 27 países-membros da UE concordaram com o bloqueio na segunda-feira. "Houve um tempo em que 90% de nosso comércio era com os europeus. Isso agora caiu para 10%. Nós não pedimos isso. Corte (o comércio) e vamos ver quem vai arcar com as perdas", disse ele em extratos de um discurso transmitido por rádio.


Teerã disse que o prazo de seis meses da UE para que o bloqueio entrasse em vigor indica as dificuldades do bloco em cortar o fornecimento de petróleo iraniano enquanto enfrenta incertezas econômicas sem precedentes devido a uma crise da dívida. A UE é o segundo maior comprador do petróleo iraniano, depois da China.


O Parlamento vai debater no domingo uma lei que obrigará o governo a suspender as exportações de petróleo antes do prazo de 1º de julho, estipulado pela UE para diminuir o golpe às economias enfraquecidas de Grécia, Itália e outras, de quem o Irã é um importante fornecedor.


"Todos os países europeus que fizeram do Irã o alvo de suas sanções não poderão comprar nem mesmo uma gota de petróleo do Irã e as torneiras de petróleo serão fechadas para eles para que eles não brinquem mais com fogo", disse o parlamentar Nasser Soudani à agência de notícias semioficial Mehr.


A medida de UE e novas medidas americanas que tornam mais difícil para países comprarem petróleo do Irã, que é o segundo maior exportador da Opep, constituem as mais duras sanções até agora feitas para pressionar Teerã a moderar seu programa nuclear.


Elas foram feitas enquanto Ahmadinejad luta para controlar o aumento da inflação e uma crise monetária que em parte foi causada pelo impacto psicológico das novas sanções.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sobre as Sanções (2)

A poucos dias a Rússia resolveu "rever" as conclusões da investigação internacional sobre o afundamento da corveta sul-coreana, e que foi atribuído a um torpedo lançado pelos norte-coreanos.
A mesma questão interessa à China.
Com a nuclearizada Coreia do Norte têm-se enormes cautelas e chineses e russos, alinhados com os Estados Unidos, poderiam estar trocando o apoio às sanções iranianas por uma forma de acomodação na crise coreana.
Os demais membros do Conselho de Segurança - permanentes ou não - estão sim sujeitos a pressões pois sem exagerar os poderes do "império", o FMI, o BIRD, o comando da OTAN, etc, estão em mãos de representantes dos Estados Unidos.  Aqueles que menosprezam tais postos recaem no mesmo erro dos que os exageram.  Só não podemos desprezar estes dados.
O voto do Líbano, se abstendo, é indicativo do temor que os libaneses têm de uma eventual retaliação israelense ou, no que é tão ruim quanto, serem apanhados de novo num fogo cruzado entre o Hezbolah [apoiado pelos iranianos] e Israel.  Mesmo tendo um grande peso no governo, o Hezbolah e suas estruturas militares não puderam, ou quiseram, impor uma posição de veto às sanções no CS.  Se foi isso, alguma coisa está errada nas avaliações sobre as relações do Hezbolah com o governo libanês: ele têm ou não força naquele governo?  Seja por temor ou por indefinição, o embaixador libanês se absteve.
A Liga Árabe apoiou o acordo tripartite e pelo menos em tese, rejeitou novas sanções da ONU contra o Irã, pelo menos de imediato.
O governo iraniano desdenhou das novas sanções e provavelmente está aguardando o posicionamento da AIEA.
Vale lembrar que a justificativa da invasão ao Iraque era que "existiam" armas de destruição em massa.  No caso iraniano, a única acusação é de que o programa nuclear oficialmente pacífico, poderia ter uso militar.
Ou seja, sem isentar o Irã de responsabilidades pela situação, até agora ele é "culpado por suspeita"!
Que o Brasil e aTurquia continuem defendendo seu acordo, e bem faz, segundo Clóvis Rossi, de rejeitar novas discussões quando as concessões são respondidas com mais ameaças.

Sobre as Sanções (1)

A ONU, por intermédio do Conselho de Segurança aprovou uma resolução de sanções contra o Irã e seu programa nuclear.  É a quarta rodada de sanções.
Brasil e Turquia perderam pois apesar de seus esforços - classificados por parte da imprensa como algo próximo do "bisonho" - pois nosso país ficou isolado.  Estranho que os jornais não se refiram da mesma forma à Turquia.  Se o Brasil está isolado, e a Turquia estava no mesmo projeto, é lógico estender aos turcos o mesmo isolamento que agora nos apontam.
Mas será mesmo?
Primeiro que a resolução aprovada pela maioria foi feita antes que os termos do acordo tripartite Brasil-Turquia-Irã tenha tido uma efetiva conclusão na sua análise pela AIEA.
Em segundo lugar, China e Rússia que têm em distintos graus problemas com populações muçulmanas, votaram a favor das sanções mas destacaram sua provável ineficácia.  Então foi um voto do tipo "morde/assopra" destinado mais demonstrar um alinhamento com a diplomacia dos EUA mas sem se comprometer efetivamente.
Em terceiro destaca-se que uma vitória dos EUA seria uma resolução que mais que aprovada, o fosse com unanimidade, e isso não aconteceu.
Em quarto consideremos que o Brasil e a Turquia mantiveram-se fiéis aos esforços de moderação mesmo diante das pressões norte-americanas.  Lembremo-nos que apenas um dia após o anúncio do acordo tripartite o governo dos EUA anúnciou mais sanções sem nem tomar conhecimento do que fora acordado.
"Quem ousa Vence" é o lema do SAS (Special Air Service) e tanto o Brasil como a Turquia sabiam que a questão nuclear iraniana era um risco.  Para o Brasil especialmente, envolver-se numa assunto que o colocaria tão frontalmente contra os Estados Unidos, era um enorme risco diplomático capaz de manchar de forma indelével o prestígio internacional do nosso país.
Como o fracasso é órfão vale considerar que quando o acordo foi obtido, o mesmo foi saudado como um sucesso sem igual nas últimas décadas; e agora, sem atrito, o sucesso virou um desastre.
Sucesso ou fracasso?
Brasil e Turquia mantiveram-se firmes e se o acordo não for implementado não será por sua ação, e sim pela intransigência dos "grandes".  Assim, tanto o esforço de protagonismo como de projeção internacional continuam, tanto que a Secretária de Estado Hillary Clinton engatou uma rodada de viagens pela Ásia com uma outra pela América do Sul.
Ainda que o Irã fizesse mais e maiores concessões, ainda assim as pressões lideradas pelos EUA continuariam, pois apesar de todo o isolamento iraniano desde 1979, ainda assim eles desenvolveram uma indústria militar capaz de produzir de caças a mísseis de médio alcance.  Assim,mesmo sem armas nucleares o Irã se tornou uma potência militar convencional com capacidade para estrangular as exportações de petróleo via golfo.
Qual o crime do Irã?
Tudo bem que seu governo seja extremista e o presidente Ahmadinejad faça declarações estapafúrdias, mas enriquecer urânio a 20% ainda está muito longe de fazer uma bomba atômica.  Porque com Israel se tolera que tenha armas nucleares?