Variados temas de História Geral e do Brasil são abordados aqui. A ênfase é História Contemporânea, mas, afinal, TUDO É HISTÓRIA!
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domingo, 26 de junho de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Reformas no CS - Algumas Considerações (2ª parte)
Se em relação a proposta de reformas do CS existe um consenso acerca de sua necessidade, no contraponto existe uma total divergência sobre como e quando isso deverá ocorrer.
Consideremos a questão sob o ponto de vista da ampliação do direito de veto e chegaremos a situção de que a mesma poderia conduzir o órgão a uma paralisia endêmica, pois haveriam ainda mais conflitos de interesse envolvendo as questões.
Haveria então, penso eu, que dois caminhos poderiam ser trilhados na busca da "reforma possível".
A primeira seria a extensão do direito de veto aos membros provisórios sob a condição de maioria simples ou absoluta. Neste caso, o conjunto dos interesses envolvidos nas questões seria dinâmico e não "estático" e permitiria que estes membros pudessem efetivamente influir na âmbito decisório. Mesmo considerando os interesses dos 5 grandes não são de fato estáticos, ainda assim devemos considerar que tais interesses mudam relativamente muito pouco em "tempos curtos", sendo menos provavel uma radical mudança de posição pontual ou até mesmo a ocorrência de uma reorientação estratégica, do tipo de uma inversão de aliança. Assim, a alteração da composição deste CS reformulado permitiria estabelecer linhas mais fluídas de posicionamentos diplomáticos e/ou estratégicos.
Numa outra possibilidade, o CS poderia usar o mesmo raciocínio no sentido de incluir mais representantes no núcleo duro da instituição mas determinando que tal situação seja contrabalançada por um simétrico raciocínio do acima exposto: mais membros, porém, com um poder de veto em bloco! Isso seria menos complicado de administrar por que se estarria trabalhando com menos participantes mas com a mesma limitação da ação coletiva. Tal recurso provavelmente demandaria mais esforço dos novos integrantes para coordenarem-se entre si do que, digamos, atrapalhar o Quinteto atual - este envolvido nas suas próprias composições de convergências ou diverg~encias como acontece hoje.
Um dos argumentos manifestados pelos pretendentes ao assento permanente no CS é que a composição atual não corresponde a nova realidade geopolítica internacional, onde a ascensão dos BRICs em termos econômicos - sendo que Rússia e China já são membros permanentes do CS - deveria se refletir na inclusão da Índia (outra das maiores expressões estatais da Ásia) e na América Latina, do Brasil: 7ª maior economia do mundo, maior PIB da AL, portador da economia mais dinâmica, diversificada e complexa da região, com uma democracia consolidada que contempla de eleições regulares ao pleno funcionamento das liberdades públicas e políticas.
Portanto, à reboque do crescimento econômico destas economias emergentes seu corolário seria o legítimo pleito de acesso ao mais vistoso órgão da ONU.
Talvez mais do que o acrônimo BRICs, esta proposta devia corresponder em termos de legitimidade a outro: o IBAS (Índia, Brasil e África do Sul). Enquanto o primeiro mistura um alinhamento norte-sul, o segundo é claramente um alinhamento sul-sul, o que tenderia a reforçar um certo alinhamento geopolítico-econômico-estratégico entre seus componentes, embora a diferenciação em termos de escala é muito mais relevante do que entre os BRICs.
Se a Índia, Rússia, o Brasil e a China possuem vastos territórios e uma abundância de recursos materiais e humanos, sob qualquer escrutínio deste tipo os sul-africanos ficam distantes....muito distantes.
Não é porque o Brasil e a África do Sul representam regionalmente - até continentalmente - as maiores economias da América do Sul e África que exista, entre elas, uma similaridade de escala. Com cerca de 50 milhões de habitantes e um PIB de US$ 550 (dados de 2009), o Brasil tem 191 milhões de habitantes e mais de 2 bilhões de PIB.
Assim, a discussão segue tendo que romper não só um mar de interesses contrários, como a própria diversidade dos envolvidos.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
BRICs e Capacidade Militar
O Brasil é o primeiro país da sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e também o mais jovem. Conta 510 anos de idade, enquanto os outros são muito mais antigos, sendo que a China e a Índia têm história milenar. A Rússia, a China e a Índia são potências nucleares e possuem Exércitos gigantescos tanto em efetivos como em armas pesadas. A Rússia se enfraqueceu depois do desmoronamento do Estado soviético, mas ainda se conserva como potência militar e investe bastante em tecnologia bélica, sendo um grande exportador de armamentos. A China está investindo pesadamente em tecnologia militar visando manter uma hegemonia geopolítica na Ásia Pacífico, vis a vis o industrializado e antigo inimigo o Japão.
A Rússia se afastou de vez da Guerra Fria ao aceitar a proposta da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de estabelecer em conjunto com os EUA um sistema de defesa anti-mísseis, fato esse recente por ocasião da gigantesca conferência de cúpula da Otan em Lisboa no fim de novembro deste ano. Tive a oportunidade de estar em Lisboa e acompanhar de perto várias etapas daquela conferência considerada histórica pelo significado do fim da Guerra Fria e por essa parceria militar entre Rússia e a aliança atlântica contra mísseis vindos provavelmente de fora do território europeu...
A Índia quer manter sua influência na área do Oceano Índico e garantir sua hegemonia naval em rotas de petróleo vindas do Oriente Médio. Aliás, dois programas de construção naval são considerados os mais ambiciosos do mundo. O primeiro é da Índia e o segundo do Brasil, ambos por conta de reservas petrolíferas, sendo que a Índia é um grande importador de óleo bruto, enquanto o Brasil deverá se transformar em grande produtor se as reservas do pré-sal forem efetivamente confirmadas. A Índia precisa garantir fluxo externo de petróleo. O Brasil precisa garantir sua soberania marítima de produção petrolífera...
Nosso País tem extensa fronteira marítima, como também extensa fronteira terrestre. Além disso, o Brasil tem um gigantesco patrimônio ambiental representado por florestas e reservas de água doce consideradas as maiores do mundo, sendo também uma potência mineral de primeira grandeza o que o torna um dos líderes mundiais no futuro de duas décadas em termos de economia.
Mas como anda hoje o nosso poderio militar? Do ponto de vista qualitativo nossas Forças Armadas são as melhores da América Latina superando de longe as potências mais próximas deste continente como a Argentina e o México. Também do ponto de vista quantitativo nossas Forças Armadas são superiores a todos os países latino-americanos, incluindo Cuba, que no passado foi grande “exportadora” de terroristas de esquerda e hoje está à míngua, numa situação constrangedora para alguns intelectuais que defendem a dinastia castrista. Setenta por cento das Forças blindadas cubanas estão sucateadas e enferrujadas e o salário dos oficiais cubanos são ao nível da pobreza absoluta o que atinge o moral daqueles militares...
O Brasil sofreu uma redução no investimento militar no governo FHC. O governo Lula recuperou parte desse investimento, mas em nível insuficiente. De qualquer forma estão se modernizando as Forças blindadas do Exército, renovando os meios flutuantes da Marinha, inclusive com a construção de novos submarinos de tecnologia francesa, e se espera que a FAB consiga resolver a questão dos caças supersônicos no curto prazo...
Um fato interessante: dos BRICs, dois são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Rússia e China), enquanto a Índia já obteve apoio formal dos Estados Unidos para fazer parte daquele colegiado mundial.
Um sinal para o Brasil: se quiser ser membro permanente daquele conselho, deve fortalecer suas Forças Armadas, mantendo-as ao nível do “estado da arte” em tecnologia militar e na ampliação e qualificação do pessoal, garantindo qualidade e profissionalismo desse sensível segmento da vida nacional.
Fonte: Jornal do Commercio
A Rússia se afastou de vez da Guerra Fria ao aceitar a proposta da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de estabelecer em conjunto com os EUA um sistema de defesa anti-mísseis, fato esse recente por ocasião da gigantesca conferência de cúpula da Otan em Lisboa no fim de novembro deste ano. Tive a oportunidade de estar em Lisboa e acompanhar de perto várias etapas daquela conferência considerada histórica pelo significado do fim da Guerra Fria e por essa parceria militar entre Rússia e a aliança atlântica contra mísseis vindos provavelmente de fora do território europeu...
A Índia quer manter sua influência na área do Oceano Índico e garantir sua hegemonia naval em rotas de petróleo vindas do Oriente Médio. Aliás, dois programas de construção naval são considerados os mais ambiciosos do mundo. O primeiro é da Índia e o segundo do Brasil, ambos por conta de reservas petrolíferas, sendo que a Índia é um grande importador de óleo bruto, enquanto o Brasil deverá se transformar em grande produtor se as reservas do pré-sal forem efetivamente confirmadas. A Índia precisa garantir fluxo externo de petróleo. O Brasil precisa garantir sua soberania marítima de produção petrolífera...
Nosso País tem extensa fronteira marítima, como também extensa fronteira terrestre. Além disso, o Brasil tem um gigantesco patrimônio ambiental representado por florestas e reservas de água doce consideradas as maiores do mundo, sendo também uma potência mineral de primeira grandeza o que o torna um dos líderes mundiais no futuro de duas décadas em termos de economia.
Mas como anda hoje o nosso poderio militar? Do ponto de vista qualitativo nossas Forças Armadas são as melhores da América Latina superando de longe as potências mais próximas deste continente como a Argentina e o México. Também do ponto de vista quantitativo nossas Forças Armadas são superiores a todos os países latino-americanos, incluindo Cuba, que no passado foi grande “exportadora” de terroristas de esquerda e hoje está à míngua, numa situação constrangedora para alguns intelectuais que defendem a dinastia castrista. Setenta por cento das Forças blindadas cubanas estão sucateadas e enferrujadas e o salário dos oficiais cubanos são ao nível da pobreza absoluta o que atinge o moral daqueles militares...
O Brasil sofreu uma redução no investimento militar no governo FHC. O governo Lula recuperou parte desse investimento, mas em nível insuficiente. De qualquer forma estão se modernizando as Forças blindadas do Exército, renovando os meios flutuantes da Marinha, inclusive com a construção de novos submarinos de tecnologia francesa, e se espera que a FAB consiga resolver a questão dos caças supersônicos no curto prazo...
Um fato interessante: dos BRICs, dois são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Rússia e China), enquanto a Índia já obteve apoio formal dos Estados Unidos para fazer parte daquele colegiado mundial.
Um sinal para o Brasil: se quiser ser membro permanente daquele conselho, deve fortalecer suas Forças Armadas, mantendo-as ao nível do “estado da arte” em tecnologia militar e na ampliação e qualificação do pessoal, garantindo qualidade e profissionalismo desse sensível segmento da vida nacional.
Fonte: Jornal do Commercio
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