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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Egito: Mursi se Impõe ao CSFA

Opera Mundi

Presidente egípcio demite ex-ministro da Defesa de Mubarak e retoma poder legislativo

Mohamed Mursi também afastou o chefe de gabinete Sami Annan e nomeou um vice-presidente, o juiz Mahmud Mekki
      O presidente egípcio, Mohamed Mursi, surpreendeu neste domingo (12/08)  ao anunciar a anulação de uma "declaração constitucional" que concedia amplos poderes ao Exército e demitir o marechal Hussein Tantawi, ministro da Defesa há 20 anos. Além de Tantawi, o chefe de gabinete Sami Annan também foi demitido. Segundo a CNN, o marechal - que também liderou a junta militar que governou o Egito durante a transição entre a queda do regime Mubarak - foi forçado a se aposentar.
      De acordo com seu porta-voz, Mursi também nomeou um vice-presidente, o juiz Mahmud Mekki, que será apenas a segunda pessoa a ocupar este posto em mais de 30 anos. Mekki, é um magistrado que participou da revolta dos juízes em 2005 contra a fraude eleitoral durante a eleição presidencial que terminou com a vitória esmagadora de Hosni Mubarak, que seria derrubado por uma revolta popular quase de seis anos depois.
       "O presidente decidiu anular a declaração constitucional adotada no dia 17 de junho" pelo Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), que governava na época o país e na qual os militares assumiam principalmente o poder legislativo, anunciou o porta-voz do presidente, Yasser Ali, em uma declaração transmitida pela televisão.
      A Irmandade Muçulmana, grupo ao qual pertence o presidente Mursi, havia denunciado essa "Declaração Constitucional Complementar" como "um golpe de Estado institucional" do CSFA, liderado pelo marechal Tantawi, tendo como objetivo limitar as prerrogativas presidenciais. A "declaração" havia sido adotada no dia do fim do segundo turno da eleição presidencial, provocando uma crise política entre o Exército e os islamitas.
      Com o poder legislativo, os generais mantinham o direito de veto sobre qualquer nova lei ou medida orçamentária e se reservavam também o direito de velar pela redação da futura Constituição, depois de o texto fundamental em vigor durante o governo Mubarak ter sido suspenso.
      Mursi, que tomou posse formalmente no dia 30 de junho, é o primeiro civil a assumir a magistratura suprema, em um país onde todos os presidentes vieram do Exército depois da queda da Monarquia em 1952. Depois de chegar ao poder, ele alternou concessões e conflitos com o Exército para tentar se impor.
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/23622/presidente+egipcio+demite+ex-ministro+da+defesa+de+mubarak+e+retoma+poder+legislativo.shtml

sábado, 31 de março de 2012

Brasil adota rumo diferente de vizinhos na revisão do regime militar


Atualizado em  30 de março, 2012 - 05:02 (Brasília) 08:02 GMT
Protesto no Rio, na última quinta-feira, contra celebração de militares do aniversário do golpe de 1964 (AP)
Celebração de golpe de 1964, por parte de militares, foi alvo de protestos no Rio
O Brasil tem adotado um caminho diferente de seus vizinhos ao tratar de crimes políticos cometidos durante o regime militar. Enquanto o Brasil mantém a anistia ampla, geral e irrestrita e o caminho para a criação da Comissão da Verdade, a Argentina, o Uruguai e o Chile reabriram processos contra os acusados de crimes durante o período.
Na quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou a análise de um recurso da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que questiona a validade da lei da anistia, o que poderia aproximar as ações do Brasil das de seus vizinhos do Cone Sul. No mesmo dia, uma celebração do golpe de 1964, por parte de militares aposentados no Rio, foi alvo de protestos.
O ex-ministro da Justiça e atual secretário de Direitos Humanos de São Paulo, José Gregori, entende que a anistia no Brasil teve apoio da sociedade e hoje a democracia brasileira é "mais sólida" que a da Argentina, onde os processos do regime militar foram reabertos a partir de 2003.Especialistas ouvidos pela BBC Brasil têm opiniões divergentes sobre os fatos no Brasil e na vizinhança.
A presidente da ONG Tortura Nunca Mais, Cecília Coimbra, acha que o Brasil está "dez passos atrás da Argentina". Para ela, a Argentina tem dado exemplo de como lidar com a questão, incluindo medidas judiciais e iniciativas como o "escrache" (manifestação para expor publicamente acusados por crimes) dos responsáveis por tortura no Brasil.
O "escrache", inspirado em ações semelhantes na Argentina, tem levado jovens brasileiros a escrever "aqui mora um torturador" na porta das casas dos acusados.
Para Gregori, essa forma de protesto é perigosa. "Hoje são torturadores, mas depois podem ser aqueles que foram comunistas, como ocorreu com o macartismo (inspirado nas ideias de um senador americano contrário aos comunistas). Esse tipo de ação não ajuda a democracia brasileira", disse.
Na opinião do secretário José Gregori, o processo democrático no Brasil é parecido com o da África do Sul, onde, para ele, a opção foi pela paz e não pelo conflito interno.
Solenidade na qual a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que cria a Comissão Nacional da Verdade e a Lei de Acesso a Informações Públicas (Foto: Wilson Dias/ABr)
Dilma sancionou Comissão da Verdade e Lei de Acesso a Informações Públicas
O professor chileno de Ciências Políticas Guillermo Holzmann diz que o Brasil foi o único país da região que "manteve" a anistia ao longo dos vários governos democráticos, incluindo o de Dilma Rousseff.

Processo democrático

Segundo Gregori, no inicio do processo democrático os países da região implementaram anistias, mas depois foram mudando.
"No Brasil, a anistia é geral e irrestrita, teve o apoio da sociedade brasileira, e foi uma das bases para a Constituição de 1988 e da nova democracia do país. A anistia vai continuar existindo", disse o ex-ministro.
"Na Argentina houve anistia e no caminho eles mudaram (as regras). Tenho a maior paixão pela Argentina, mas acho que a nossa democracia no momento está no nível de maior avanço que a deles. Nosso processo de democracia é mais solido", afirmou Gregori.
Para ele, o Brasil atualmente precisa enfrentar outras questões ligadas aos direitos humanos, como a exclusão social num momento de crise internacional. Gregori foi ministro no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e, no cargo, recordou, se empenhou para que fosse criada a Comissão da Verdade e pela aprovação da lei que reconheceu que os desaparecidos políticos (estimados em 500) eram juridicamente mortos.
"Com esta lei de mortos e desaparecidos, as famílias puderam entrar com o pedido de inventário. Na realidade o meu projeto, que se tornou lei, veio complementar a Lei de Anistia. Eu acho que a lei da anistia foi um dos consensos que permitiu a democracia no Brasil", afirmou.
Ele observou que nos últimos anos o Brasil tem sido governado – tanto nos governos municipais, como estaduais e federal - por aqueles que foram "perseguidos" no regime militar.
Para Gregori, ao elegerem Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), Lula (2003-2011) e Dilma Rousseff, os eleitores brasileiros confirmaram a opção pelo fortalecimento democrático e "coerência".

Comissão

AMÉRICA DO SUL

CHILE
Em 1978, na época do regime militar no Chile, foi promulgado um decreto de anistia que perdoava os crimes dos agentes do próprio Estado. Com o retorno da democracia, a partir de 1990, a Justiça decidiu limitar a anistia ao declarar crimes contra a humanidade – que não prescrevem. Os casos de desaparecidos políticos continuam abertos e, nos casos em que as vítimas já foram identificadas, seus responsáveis estão presos. O processo democrático após o regime de Augusto Pinochet começou com um plebiscito popular que optou pelas eleições. Durante 1990 e 2004, em três governos, foram criadas varias comissões para apurar a verdade dos anos de Pinochet. Mas Pinochet foi somente condenado por evasão de impostos e não pelos crimes da ditadura.
ARGENTINA
A Argentina foi o primeiro país da região a levar os líderes do regime militar ao banco dos réus. O ex-presidente Jorge Rafael Videla e outros foram condenados no governo do então presidente Raúl Alfonsín. Mais tarde, Alfonsín assinou uma espécie de perdão aos militares de menor escalão, e anos depois o ex-presidente Carlos Menem indultou os ex-líderes militares e ex-guerrilheiros. As iniciativas do governo Alfonsín ficaram conhecidas como leis de Obediência Devida e de Ponto Final e, junto com os indultos, conhecidas como 'leis de impunidade'. A partir de 2003, no governo do ex-presidente Nestor Kirchner, as investigações sobre os crimes do regime militar foram reabertas e os militares beneficiados com aquelas leis condenados e presos. Vários processos continuam sendo realizados. A reabertura dos casos foi possível depois que a Suprema Corte de Justiça declarou as leis nulas.
URUGUAI
O regime militar no Uruguai terminou em 1985 e a fórmula jurídica local não foi anistia. Foi a chamada 'lei de caducidade', de 1986, e que ainda está em vigor. Nela, o Estado se "inibe a investigar e a punir os crimes da ditadura". Em dois plebiscitos – em 1989 e em 2009 – os uruguaios votaram pela manutenção da lei. O mesmo ocorreu em uma votação no Congresso Nacional. Mas a lei tem um artigo que permite que o presidente tome a iniciativa para que a Justiça investigue e condene acusados daqueles crimes. Foi o que permitiu o governo do ex-presidente Tabaré Vázquez levar acusados ao banco dos réus, incluindo o ex-presidente Juan María Bordaberry, que foi condenado. No Uruguai, houve comissão da verdade para se ter informação sobre desaparecidos políticos e ainda hoje são realizadas buscas das ossadas das vitimas daquele período.
Gregori afirmou ainda que a Comissão da Verdade, projeto do governo Lula e reafirmada na atual gestão, contou com "consenso" parlamentar e significa "um passo a mais" na democracia brasileira.
"A comissão não tem poderes para julgar ou para prender alguém. Mas pode ter mais acesso do que outra entidade e ouvir depoimentos no sentido de trazer informação sobre o que ocorreu. Ainda há muita coisa para se esclarecer, muita coisa nebulosa", disse Gregori.
Para ele, falta ser esclarecido, por exemplo, se havia "hierarquização" das ordens para prender e torturar ou se as iniciativas eram originadas na própria cadeia.
Gregori defendeu mais transparência sobre o que ocorreu, o que será possível através da Comissão da Verdade, mas disse ser contra qualquer intenção de "ajuste de contas", como sugeriu perceber nos vizinhos.
A presidente da ONG Tortura Nunca Mais apoiou a ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) solicitando que os crimes de tortura sejam excluídos da anistia, por serem "crimes comuns", criticou as "limitações" da Comissão da Verdade e disse que o "escrache", inspirado na Argentina e no Chile, é uma forma legítima de protesto.
"Como a OAB, nós entendemos que os crimes de sequestro e de tortura não prescrevem", disse.
Para ela, o Brasil "exportou" métodos de tortura para os países vizinhos, como o "pau de arara", mas hoje é "o mais atrasado" da região na apuração do que ocorreu.
"O Brasil está dez passos atrás da Argentina. O Brasil é o mais atrasado (da região)", disse. Na sua opinião, a reparação às vítimas e seus familiares não deve ser somente financeira.
"A sociedade de modo geral não tem informação sobre o que aconteceu e silenciou (sobre a anistia). Hoje, acho que a juventude que realiza a execração pública dos torturadores está certa e me emociona", disse.
Ela recordou que o Brasil foi condenado pela Comissão de Direitos Humanos da OEA a investigar o que ocorreu.
"O prazo era dezembro de 2011 e por isso foi criada a Comissão da Verdade, mas com limitações", disse.
Gregori acha que a Comissão "não conhece o Brasil" já que, na sua visão, o país tem avançado nesta área.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Situação atual dos equipamentos bélicos da Força Aérea e Marinha do Brasil

 
Angelo D. Nicolaci 08/08/11 06:08

AeronáuticaA frota atual
Mirage 2000
Frota de 12 aeronaves, sendo que duas já foram retiradas de voo. As outras 10 precisam ser desativadas entre 2014 e 2015.
F-5E/F
Frota de 57 aeronaves, sendo que 47 encontram-se em processo de modernização, com término previsto para 2012. Onze unidades compradas da Jordânia devem passar por modificações ainda este ano. A previsão de desativação é até 2025.
A-1 (AMX)
A frota é de 54 aeronaves, sendo que 43 precisam passar por processos de modernização na Embraer para operarem. O programa foi afetado pelo cortes no Orçamento anunciados no início do ano.
Boeing KC-137 Stratoliner
Divide com outros modelos, como o Hércules, a responsabilidade pelo reabastecimento em voo das aeronaves de ataque e caça da FAB. Vida útil termina em 2014.
Atualizações previstas
Caças
O Plano de Defesa prevê a compra de 36 aeronaves ao custo de R$ 10 bilhões, devendo estender a aquisição para até 120 unidades em 20 anos.
A-29 (Super-Tucano)
A encomenda é para a formação da frota com 99 aeronaves, sendo que 78 já foram entregues.
Embraer KC-390
Avião de transporte, teve 28 unidades encomendadas à Embraer. O projeto foi imediatamente afetado pelos cortes orçamentários.
Contingente
Ampliação do corpo de militares de 67.442 para 80.937 até 2030.
MarinhaEsquadra atual
Submarinos classe Tikuna
Frota de uma embarcação, movida à energia diesel-elétrica, precisa passar por modernização.
Submarinos classe Tupi
Frota de quatro embarcações, movida à energia diesel-elétrica, precisam passar por modernização
Porta Aviões São Paulo
Passa ainda por um extenso processo de modernização que se arrasta por anos.
Caças Skyhawk
Os AF-1 estão sendo modernizados pela Embraer, assim a aeronave terá suas capacidades de combate atualizadas e a vida útil extendida.
Atualização prevista
Submarinos convencionais
Frota de quatro embarcações modelo Scorpène movida à energia diesel-elétrica.
A primeira seria entregue em 2015, mas o prazo deve ser adiado.
Submarino nuclear
Frota de uma embarcação modelo Scorpène, construída com reator brasileiro em casco de tecnologia francesa. Início das obras previsto para 2016 e conclusão para 2022.
A Marinha ainda ambiciona construir mais três embarcações até 2047.
Fragatas
Ainda sem definição, a Marinha esta estudando as opções para ampliar sua esquadra e moderniza-la, pois grande parte de sua esquadra esta obsoleto e no fim de sua vida operacional.
Contingente
Ampliação do corpo de militares de 59 mil para 80.507 até 2030.
Fonte: Correio Braziliense com adições do GeoPolítica Brasil
Technorati Marcas: ,,

Escolha de Amorim pode azedar reaproximação do Brasil com os Estados Unidos



A escolha de Celso Amorim como ministro da Defesa gerou desconforto entre os militares, algo que ele começou a equacionar na tarde de sábado (6), em reunião com os comandantes das Forças Armadas no Palácio do Planalto.
Há outras arestas a serem aparadas, porém. O histórico da atuação do diplomata poderá atrapalhar a política de reaproximação do Brasil com os Estados Unidos iniciada no governo Dilma Rousseff. A simpatia que Amorim demonstrava em relação ao Irã nos tempos em que era chanceler, principalmente a posição enfática a favor do processo de enriquecimento de urânio, jamais foi vista com bons olhos pela Casa Branca. A situação agora se agrava: titular da Defesa, Amorim será responsável pelo programa nuclear brasileiro. “Como explicar aos norte-americanos que o programa de desenvolvimento de um submarino com propulsão nuclear não vai se transformar em um empreendimento para a fabricação de um submarino com armamento nuclear?”, questiona o coordenador do curso de relações internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), de São Paulo, Gunther Rudzit.
Há dois anos, quando estudava nos Estados Unidos, Gunther participou de uma audiência na Comissão de Segurança do Senado norte-americano. Ouviu de um senador democrata que o Brasil, depois de um longo tempo, voltou a ser incluído no radar de alerta após as declarações de simpatia de Amorim e do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ditador iraniano Mahmoud Ahmadinejad. O especialista em defesa lembra que o Senado dos EUA tem amplos poderes para influenciar a política externa e não seria improvável que a nomeação de Amorim para a Defesa aumentasse o grau de incerteza dos americanos em relação ao Brasil. “A luz amarela passaria para vermelha rapidamente”, afirmou Gunther ao Correio.
A questão da compra dos caças para renovar a frota brasileira também gera outro ponto de interrogação. Estimulado por Lula, que sempre quis manter uma relação próxima com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, Amorim defendia a aquisição dos caças Rafale, da fabricante Dassault. A Força Aérea Brasileira elaborou um estudo técnico mostrando as vantagens de se adquirir as aeronaves da empresa sueca Gripen. O documento foi fuzilado pelo Planalto, a gritaria acabou amplificada pelo veto do assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e a Aeronáutica teve que revisar o parecer técnico. A exemplo dos militares, Nelson Jobim também preferia os aviões suecos. Mas teve que engolir a seco.
Quando Dilma Rousseff assumiu a cadeira no Planalto, a compra dos aviões deixou de ser prioridade e o tema foi relegado a segundo plano, o que também desagradou Jobim, embora as Forças Armadas tenham um projeto de modernização. Gunther acreditava que, na linha de uma reaproximação com os Estados Unidos, o Brasil poderia rever as questões ideológicas e optar pelos aviões da Boeing, embora não haja qualquer garantia que os americanos vão transferir a tecnologia desejada pelo governo brasileiro.
Desavenças
Além das questões práticas, ainda existem as desavenças profissionais. Tanto a diplomacia quanto a área de Defesa são consideradas carreiras de Estado, o que, inevitavelmente, gera ciúmes entre os profissionais dos dois setores. A nomeação de Amorim ressuscita um questionamento, feito em 2003, quando Lula resolveu indicar o também diplomata José Viegas para o cargo de ministro da Defesa. “Os diplomatas gostariam de ver um general quatro estrelas chefiando o Itamaraty? Pois é, os militares pensam exatamente da mesma forma”, reforçou Gunther.
Uma nuance que pode ajudar nessa relação e diminuir a desconfiança dos quartéis à indicação de Amorim é o estilo mais low profile do novo ministro em relação ao antecessor. Ninguém espera ver Amorim vestido com fardas camufladas ou fazendo operações pirotécnicas na selva. O ex-chanceler também nunca tomaria banho nu durante a cerimônia religiosa do Kuarup no Rio Xingu, como fez Jobim, em 1995. Ambos são vistos por pessoas próximas como detentores de egos inflados, mas o novo ministro é mais “disciplinado hierarquicamente”, acredita Gunther. “Se ele começar a extrapolar em suas palavras e ações, Dilma poderá falar: ‘Menos, Amorim, menos’ ”, brincou o professor.
Há quem enxergue, também, uma saia justa para o atual ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota. Ele foi uma escolha pessoal da presidente Dilma para dar um novo rumo à política externa brasileira, menos benevolente com governos de esquerda, como Bolívia, Equador e Venezuela, e mais voltada a uma reaproximação com os Estados Unidos. Além disso, o atual ministro de Relações Exteriores era secretário executivo de Amorim no Itamaraty. “Ele substituiu o chefe e, agora, o antigo superior passa a ser colega dele na Esplanada. Será constrangedora a reunião ministerial”, aposta um interlocutor da área diplomática brasileira.
Um especialista ainda lembrou que a própria aproximação de Amorim com os países “bolivarianos” vai provocar questionamentos entre os comandantes militares. Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula foram obrigados a rever conceitos. O tucano teria dito “esqueçam o que escrevi”. Lula, ao adotar a política econômica conservadora para domar a inflação, autointitulou-se de “metamorfose ambulante”. “Agora, diante da tropa, Amorim dirá: esqueçam quem eu admirava?”, provoca um diplomata.
Fonte: Correio Brasiliense  via by Angelo D. Nicolaci 08/08/11 06:31