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domingo, 26 de novembro de 2017

BBC Brasil - Ataque no Egito: atentado contra mesquita deixa pelo menos 305 mortos no Sinai; o que se sabe até agora


Um ataque com bomba e tiros a uma mesquita no Egito deixou pelo menos 305 mortos - quase 30 crianças - e 100 feridos, segundo a mídia estatal do país.
Testemunhas disseram que o atentado ocorreu enquanto eram feitas as preces de sexta-feira no templo Al-Rawda, em Bil al-Abed, cidade na região do Sinai, no nordeste do país, localizada a 211km da capital, Cairo.
Segundo testemunhas, dezenas de homens chegaram ao local em veículos 4x4 e o bombardearam antes de abrir fogo contra os fiéis. Eles ainda teriam incendiado veículos estacionados nos arredores para bloquear o acesso ao templo.
Em comunicado transmitido neste sábado pela televisão, o procurador-geral egípcio afirmou que havia pelo menos 30 agressores.
"Eles atiravam conforme as pessoas saíam da mesquita", disse um morador da área à agência de notícias Reuters. "Eles estavam atirando contra as ambulâncias também."
Ainda não se sabe de fato quem está por trás deste atentado. Por enquanto, nenhum grupo assumiu sua autoria. Mas militantes ligados ao grupo extremista autodenominado Estado Islâmico foram responsáveis por diversos ataques recentes a forças de segurança e igrejas cristãs nesta Província do país.

'Força bruta'

O presidente do Egito, Abdul Fattah al-Sisi, declarou três dias de luto e, após se reunir com autoridades para debater o incidente, disse que reagiria com "força bruta". Relatos dão conta que o bombardeios foram realizados nas montanhas ao redor de Bir al-Abed.
"O que está ocorrendo é uma tentativa de impedir nossos esforços de lutar contra o terrorismo, de destruir nossos esforços para impedir um plano terrível de acabar com o que resta de nossa região", disse Sisi em um pronunciamento na TV.
O chefe da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, condenou o ataque como um "crime aterrorizante que mostra que o Islã não tem culpa por aqueles que seguem uma ideologia extremista terrorista".
O presidente americano, Donald Trump, afirmou se tratar de um ato "horrível e covarde", enquanto a premiê britânica Theresa May se disse "chocada com o ataque revoltante" e expressou suas condolências às famílias das vítimas, assim como fez o ministro de Relações Exteriores francês, Jean-Yves Le Drian.

Insurgência

O Egito luta contra uma insurgência islâmica nesta região, um conflito que se intensificou desde 2013.
Este ataque um dos ataques mais letais do tipo na história recente do país e deixou muito nos Egito em choque. Fotos do local mostram fileiras de corpos dentro do edifício.
"Essa é a primeira vez que fiéis dentro de uma mesquita foram vítimas", afirma Sally Nabil, da BBC News no Cairo. "O número de mortos é sem precedentes para um ataque assim."
O jornalista explica que militantes operam no norte do Sinai há vários anos e têm como alvo principalmente membros das forças de segurança do país.
Centenas de policiais, soldados e civis foram mortos nos últimos anos, a maioria em ataques realizados pelo grupo Província do Sinai, que é ligado ao grupo extremista autodenominado Estado Islâmico (EI).
Em setembro, ao menos 18 policiais foram mortos em um ataque a um comboio nesta região promovido por este grupo.
Acredita-se que seu objetivo seja assumir o controle desta parte do Egito para transformá-la em uma província sob o controle do EI.

'Hereges'

Em relatos, locais são citados mencionando que seguidores do sufismo, uma corrente mística do Islã, se reúnem com frequência nesta mesquita. Alguns grupos jihadistas, inclusive do EI, consideram essas pessoas hereges.
O chefe da polícia religiosa do EI disse em dezembro passado que os sufistas que não se "arrependessem" seriam mortos, depois de o grupo extremista decapitar dois idosos que seriam clérigos dessa religião.
O Península do Sinai já matou dezenas de pessoas em ataques contra cristãos coptos, uma minoria religiosa, em outros pontos do país, e reivindica a autoria do atentado a bomba que derrubou um voo comercial que sobrevoava o Sinai em 2015, matando as 224 pessoas a bordo.
A região em que o grupo opera está em estado de emergência desde outubro de 2014, quando 33 membros de forças de segurança foram mortos em um ataque do qual o grupo assumiu a autoria. No atentado mais recente, há militares entre as vítimas.
"A frequência dos ataques lança dúvidas sobre a eficácia das operações contra o grupo", afirma Nabil.
"Mesmo que o Exército divulgue volta e meia comunicados se dizendo vitorioso em partes do Sinai, parece não haver um fim à vista para a batalha em curso entre militares e militantes."

Sheik Munir. Muçulmanos são as maiores vítimas dos atentados

Quem mais sofre com os atentados provocados por muçulmanos são os próprios muçulmanos, diz o líder da Mesquita Islâmica Central de Lisboa.
David Munir reage assim ao atentado de ontem no Egipto que matou mais de 300 pessoas numa mesquita no Sinai, frequentada por muçulmanos sufi.
Munir falou no Seminário da Luz, numa conferência organizada pela Comissão Nacional Justiça e Paz, em Lisboa, sobre migrações e diálogo de culturas onde lamentou aquele acto de terrorismo.
“Ontem, infelizmente, houve um atentado numa mesquita feito por muçulmanos. Quem mais sofre com esses últimos atentados são os próprios muçulmanos. Nenhum atentado se justifica em nome de qualquer religião. Há um versículo do Alcorão que diz: ‘Aquele que salvar uma pessoa salva toda a humanidade, aquele que matou uma pessoa matou toda a humanidade”, disse.
O sheik David Munir sublinhou nesta palestra que o Islão sempre conviveu e dialogou com as outras religiões monoteístas, nomeadamente com cristãos e judeus.
Munir acrescentou ainda que, e dando exemplo dessa aproximação entre religiões, que o Islão "acredita que a mensagem de Jesus veio de Deus e que o seu nascimento é milagroso", sublinhando ainda que a Maria é dedicado o "décimo nono capítulo do Alcorão".
No final do painel em que participou, o líder da mesquita central de Lisboa, garantiu que a comunidade muçulmana em Portugal "não tem nenhum problema de integração", dando também a garantia que estará "sempre disponível para o diálogo independentemente da crença".
Ficou, entretanto, o convite para que todos os que assistiram a esta conferência no auditório do Centro Cultural Franciscano, em Lisboa, visitem "a mesquita em qualquer dia ou hora".
A "irmã" Zahara e a irmã Maria Manoel
Nesta conferência dedicada às migrações e diálogo de culturas houve espaço também para dois depoimentos sobre o acolhimento de refugiados em Portugal.
A primeira experiência relatada foi a de Joana Rigato, uma professora de Filosofia no Colégio São João de Brito, em Lisboa, que decidiu abrir as portas da própria casa a uma família de iraquianos em Março deste ano.
Trata-se da família Aljazaeri, um casal e um filho que chegaram à capital portuguesa por via de uma autêntica rede de voluntários, apoiados pela Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR).
Joana Rigato contou nesta conferência que a ligação entre a sua própria família e a dos Aljazaeri tornou-se tão próxima que actualmente trata a Zahara, a mulher do casal, por "irmã", explicando a boa integração dos três iraquianos, que, entretanto, se tornaram quatro já em Portugal, já que Zahara chegou grávida de oito meses.
Muito diferente foi a integração de outros refugiados que chegaram ao nosso país, numa experiência contada pela Irmã Maria Manoel, uma freira das Escravas do Sagrado Coração de Jesus.
Esta congregação religiosa recebeu até agora quatro famílias de refugiados e os que mostraram mais problemas de integração foram duas famílias provenientes da Síria instaladas em Palmela.
A irmã Maria Manoel explicou mesmo que houve "alguma dificuldade de socialização" e mesmo "uma certa resistência", de tal maneira que uma das famílias, composta por uma mãe e três crianças fugiu da casa de acolhimento "sem dizer nada a ninguém". A outra família ainda se despediu e foi para a Alemanha.
Tudo isto provoca, segundo a irmã Manoel, um problema até de "gestão dos nossos sentimentos e das pessoas que colaboram connosco", que rematou que "não é pedir muito, nem que seja um obrigado" por parte dos refugiados.
Em relação às outras duas famílias acolhidas pela Congregação, tratam-se de cidadãos do Iraque que estão, segundo a religiosa, "cada vez mais autónomos" e já falam português, contando que uma das famílias é composta por uma mãe com pouca mobilidade - desloca-se de cadeira de rodas - tendo a cargo quatro filhos.
O principal problema relatado pela irmã Maria Manoel é o "processo lento de socialização" destas pessoas que chegam a Portugal.

http://rr.sapo.pt/noticia/99300/sheik-munir-muculmanos-sao-as-maiores-vitimas-dos-atentados 

domingo, 23 de dezembro de 2012

Irã elogia a aprovação da nova Constituição no Egito - Reuters


DUBAI, 23 Dez (Reuters) - O Irã saudou os primeiros resultados do referendo realizado no Egito, os quais mostraram a aprovação de uma Constituição islâmica, afirmou a agência de notícias dos estudantes iranianos (Isna). O movimento Irmandade Muçulmana, que levou ao poder o atual presidente egípcio, Mohamed Mursi, na eleição de junho, informou que uma contagem não oficial indicou que 64 por cento dos eleitores apoiaram a Carta, no referendo realizado em duas etapas e concluído no sábado passado.
Segundo a Isna, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, felicitou os egípcios pela aprovação da Constituição, acrescentando que o governo iraniano considerou o resultado "um passo decisivo para a democracia" no Egito.
As relações diplomáticas entre o Irã e o Egito foram rompidas após a Revolução Islâmica, em 1979, por causa do apoio do governo egípcio ao Xá, deposto pelos revolucionários, e por seu acordo de paz com Israel, arqui-inimigo do Irã.
Desde a queda do presidente egípcio Hosni Mubarak há sinais de reaproximação. Em agosto, Mursi fez a primeira visita a Teerã de um líder egípcio em mais de 30 anos. No entanto, oficialmente os dois países ainda não melhoraram suas relações.
"A participação das pessoas (no referendo) será um grande apoio ao governo egípcio para que, no futuro, possa tomar mais medidas para atingir os grandes objetivos islâmicos e revolucionários do povo egípcio", acrescentou Mehmanparast.
http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE8BM02B20121223

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Morsi dá poder de polícia ao Exército egípcio



AE - Agência Estado
CAIRO - O presidente Mohamed Morsi concedeu poderes de polícia ao Exército egípcio nesta segunda-feira, 10. A medida foi anunciada às vésperas do controverso referendo constitucional, que deu origem a enormes e violentos protestos de rua no país e resultaram na morte de sete pessoas, além de deixar centenas de feridas.
     O decreto, publicado no diário oficial, ordena que os militares cooperem com a polícia "para preservar a segurança e proteger as instituições estatais vitais, durante um período de tempo limitado, até o anúncio dos resultados do referendo", de acordo com uma cópia do documento obtida pela agência France Press.
     O Exército, que governou o Egito entre a queda do ex-presidente Hosni Mubarak em fevereiro de 2011 e a eleição de Morsi em junho deste ano, tem buscado permanecer neutro em relação à crise política, embora tenha advertido que "não vai permitir" que a situação se deteriore e pediu que os dois lados dialoguem.
     Desde quinta-feira, tanques do Exército estão ao redor do palácio presidencial, mas os militares não entraram em confronto com os milhares de manifestantes que se reúnem no local toda noite.
     A oposição, formada por seculares, liberais, esquerdistas e grupos cristãos, afirmou que vai intensificar os protestos para prejudicar o referendo. Para os opositores, a nova Constituição, redigida principalmente por aliados islamitas de Morsi, enfraquece os direitos humanos, os direitos das mulheres, as minorias religiosas e prejudica a independência do Judiciário.
     Na noite de domingo, o principal grupo de oposição, a Frente de Salvação Nacional, convocou a realização de enormes protestos no Cairo contra o referendo, marcado para 15 de dezembro.
     As informações são da Dow Jones

Gustavo Chackra - Conforme previsto, Morsy começa a virar “Chávez” islâmico




     O Egito não corre o risco de voltar a ser uma ditadura como nos tempos de Hosni Mubarak. O perigo, hoje, é o governo da Irmandade Muçulmana, liderado pelo presidente Mohammad Morsi, aderir a uma espécie de chavismo islâmico, no qual tentará impor as suas ideias ao restante da população por meio das urnas.
     O plebiscito sobre a Constituição pode até parecer democrático. Afinal, a população que irá votar para decidir se aceita ou não a proposta de uma assembleia constituinte controlada pela Irmandade e pelos ainda mais radicais salafistas, sem a participação de figuras liberais e também da minoria religiosa cristã copta, que corresponde a cerca de 10% da população.
     Mas o texto é um retrocesso na questão das mulheres, dos cristãos e mesmo de liberdades civis quando comparada aos tempos de Mubarak. Seria uma legislação inaceitável em qualquer país do Ocidente. A base para as leis será a Sharia, adotada apenas em regimes radicais do Golfo Pérsico, como a Arábia Saudita, mas não em nações árabes mais modernas como o Líbano e a Tunísia.
     Teoricamente, podem afirmar que, se população não quiser, simplesmente votará contra. O problema, porém, é que a Irmandade Muçulmana adiantou o máximo possível a votação e possui uma máquina eleitoral para o dia da votação comparável à do Partido Democrata nas recentes eleições presidenciais dos EUA.
     O grupo do presidente Morsi tem uma logística avançada para conseguir levar a sua base para votar. Também implementou uma sofisticada máquina de propaganda. Os adversários da oposição, por sua vez, ainda não conseguiram se organizar e são desunidos.
     Desta forma, parece provável que Morsi conseguirá aprovar a Constituição que conduz o Egito para um viés mais conservador. Uma das últimas alternativas dos opositores seria, com os protestos, convencer o novo governo a postergar a votação com o temor de deterioração da situação no país e aumento da violência.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

No Egito, há quem exorte a armar urgentemente os palestinos




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Um assessor do presidente egípcio Mohammad Mursi exortou a proclamar imediatamente um Estado palestino independente, informou a emissora israelense Call Israel.

Mohammad Fuad Jadallah, assessor jurídico do presidente do Egito, declarou, falando a um canal de TV árabe, disse ser necessário fundar um Estado palestino e iniciar o fornecimento de armas aos palestinos para que eles possam opôr resistência a Israel.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Egito: Mursi se Impõe ao CSFA

Opera Mundi

Presidente egípcio demite ex-ministro da Defesa de Mubarak e retoma poder legislativo

Mohamed Mursi também afastou o chefe de gabinete Sami Annan e nomeou um vice-presidente, o juiz Mahmud Mekki
      O presidente egípcio, Mohamed Mursi, surpreendeu neste domingo (12/08)  ao anunciar a anulação de uma "declaração constitucional" que concedia amplos poderes ao Exército e demitir o marechal Hussein Tantawi, ministro da Defesa há 20 anos. Além de Tantawi, o chefe de gabinete Sami Annan também foi demitido. Segundo a CNN, o marechal - que também liderou a junta militar que governou o Egito durante a transição entre a queda do regime Mubarak - foi forçado a se aposentar.
      De acordo com seu porta-voz, Mursi também nomeou um vice-presidente, o juiz Mahmud Mekki, que será apenas a segunda pessoa a ocupar este posto em mais de 30 anos. Mekki, é um magistrado que participou da revolta dos juízes em 2005 contra a fraude eleitoral durante a eleição presidencial que terminou com a vitória esmagadora de Hosni Mubarak, que seria derrubado por uma revolta popular quase de seis anos depois.
       "O presidente decidiu anular a declaração constitucional adotada no dia 17 de junho" pelo Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), que governava na época o país e na qual os militares assumiam principalmente o poder legislativo, anunciou o porta-voz do presidente, Yasser Ali, em uma declaração transmitida pela televisão.
      A Irmandade Muçulmana, grupo ao qual pertence o presidente Mursi, havia denunciado essa "Declaração Constitucional Complementar" como "um golpe de Estado institucional" do CSFA, liderado pelo marechal Tantawi, tendo como objetivo limitar as prerrogativas presidenciais. A "declaração" havia sido adotada no dia do fim do segundo turno da eleição presidencial, provocando uma crise política entre o Exército e os islamitas.
      Com o poder legislativo, os generais mantinham o direito de veto sobre qualquer nova lei ou medida orçamentária e se reservavam também o direito de velar pela redação da futura Constituição, depois de o texto fundamental em vigor durante o governo Mubarak ter sido suspenso.
      Mursi, que tomou posse formalmente no dia 30 de junho, é o primeiro civil a assumir a magistratura suprema, em um país onde todos os presidentes vieram do Exército depois da queda da Monarquia em 1952. Depois de chegar ao poder, ele alternou concessões e conflitos com o Exército para tentar se impor.
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/23622/presidente+egipcio+demite+ex-ministro+da+defesa+de+mubarak+e+retoma+poder+legislativo.shtml

Uma nova guerra no Sinai?





     A crise na Península do Sinai está preocupante. O Egito enviou tropas para o Sinai a fim de realizar operações em grande escala contra os extremistas radicais. Israel está assistindo passivamente a revisão dos acordos de paz de Camp David, quando, nesta semana, os rebeldes já tinham feito a primeira tentativa de invadir o seu território.
     O exército egípcio está varrendo a Península do Sinai de grupos radicais. Está sendo planejada a operação para destruir os rebeldes nas montanhas. Para realizá-la, foram transferidas urgentemente para o local tanques, aviões e lançadores de foguetes.
     Já foram eliminados mais de 50 rebeldes, o mesmo numero deles foi preso. Eles são suspeitos de ataques aos postos de controle do exército e assassinato de 16 soldados. Autoridades egípcias afirmam que rebeldes têm ligações com Al-Qaeda.
     Quando o presidente era Hosni Mubarak, o Cairo, mais ou menos, controlava a situação no Sinai, afirma o presidente do Instituto do Oriente Médio e Israel, Evgueni Satanovsky. Depois de derrubá-lo, a situação ficou fora de controle:
      “Depois da Primavera árabe, após a queda do regime de Mubarak, não há controle no Sinai. Sinai se tornou uma área de anarquia. A libertação de prisioneiros após a derrubada de Mubarak fez com que milhares e dezenas de milhares de terroristas islamitas e elementos criminosos ficassem fora do controle do sistema egípcio de detenção. Tráfico de armas no Egito no momento é absolutamente livre, dezenas de milhares e centenas de milhares de armas estão espalhadas por todo o país no mercado interno. Entre este armamento estão os sistemas de mísseis antitanques que permitem abater aviões. Hamas estabeleceu no Sinai a sua rede de bases de apoio para ataques terroristas contra Israel.”
     Muitos destes grupos, na semana passada, declararam contra o Cairo uma guerra de guerrilha. O presidente egípcio, Mohammed Mursi, prometeu restaurar a ordem na península. Seus oponentes não acreditam nele. A transferência de tropas para o Sinai, através do Canal de Suez é um argumento forte na disputa. No entanto, quando e com que resultado vai terminar a operação militar, ninguém é capaz de prever, além disso, o controle real da situação só é possível no caso da cooperação com os serviços de inteligência israelenses. Quando Hosni Mubarak era presidente, o controle estava presente, mas agora é minimizado. O seguinte episódio, por exemplo, é evidência disso. A inteligência israelense teve a informação de que os rebeldes iriam, em carros blindados, realizar ataques contra Israel após capturarem um posto de controle na fronteira egípcia. Como resultado, a Força Aérea Israelense destruiu rebeldes a 50 metros da fronteira. Enquanto os militares egípcios estavam totalmente despreparados para este ataque.
     Cooperação com Israel na esfera de segurança, obviamente, pode ajudar ao presidente do Egito a sair do "impasse de Sinai." No entanto, é provável que a Irmandade Muçulmana não permita que o seu candidato coopere com os "inimigos sionistas", concluindo, por exemplo, com ele alguns acordos informais.
     Se Israel de repente decidir estender primeiro a mão para o Egito, então, em troca, ele vai colocar suas próprias condições, diz o chefe do Centro de Estudos Árabes do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências Russa, Bagrat Seyronyan:
     “Depois da revolução do Egito, em janeiro do ano passado, especialmente após a chegada à presidência do islamita, foram feitas algumas declarações muito duras contra Israel, após os quais as relações com este evidentemente ficariam piores, comparando com o período de Mubarak. Israel gostaria de ter alguma pressão sobre o novo governo egípcio, para confirmar, pelo menos, os acordos que foram alcançados durante o regime anterior. Parece-me que este fator seja, naturalmente, importante.”
      Israel, evidentemente, está interessado no mais rápido restabelecimento do controle sobre o Sinai por parte do Cairo. No entanto, as forças conservadoras de Israel ainda não disseram a sua última palavra sobre a transferência de soldados egípcios e armas pesadas na área. Na verdade, até 1973 Sinai tinha sido ocupado por Israel e os Acordos de Camp-David o obrigaram a retirar suas tropas de lá. Agora, o lugar dos israelenses ocupam soldados egípcios, por isso podemos esperar uma reação dura do Telavive contra isso.
     É claro que os extremistas radicais atingiram o que queriam i.e. conseguiram provocar uma grave crise nas relações entre Egito e Israel, afirma o perito do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências Russa, Boris Dolgov. Ele prevê que o desenvolvimento da situação será seguinte:
     “A tensão e a incerteza da situação na Síria vão continuar, os confrontos continuarão. Isso cria dificuldades para Israel, com os radicais islâmicos que tentaram reingressar no território. É possível falar sobre o crescimento de uma ameaça direta contra os serviços de inteligência egípcios e o exército, porque os radicais islâmicos encaram o exército do Egito como o seu adversário.”
     Na mesquita do Cairo, Al-Rashdan, onde se despediam com os policiais mortos no posto de controle, Rafah, quase que explodiu uma revolta espontânea da população. Ao chegar na cerimônia, o Primeiro-ministro Hisham Kandil, foi atacado pela multidão e se retirou rapidamente. Jogaram nele sapatos que é o indicador do mais alto grau de desprezo no mundo muçulmano. E em seguida, foram ouvidas maldições contra a Irmandade Muçulmana.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Os "barbudos" do Cairo e a islamização do poder


Egito: barba de premiê vira centro de debate sobre islamização


     O novo primeiro-ministro do Egito (a direita) é o primeiro na história do país a usar barba. A nomeação de Hesham Kandil, um engenheiro de 50 anos de idade, causou muita discussão no país e marca uma nova fase na sociedade egípcia, que convive com uma visibilidade cada vez maior de símbolos associados ao islamismo na esfera de poder.
     A barba, que já foi vista como um símbolo de piedade religiosa, agora representa uma atitude política e é um sinal de como as coisas estão mudando rapidamente no país. Tradicionalmente, usar barba é uma prática de muçulmanos devotos que seguem à risca os preceitos do profeta Maomé. Mas no Egito, país que há muitos anos preza o secularismo, muitos clérigos islâmicos não usam barba.
     Nos últimos 60 anos, aqueles que usavam barba no país, de maioria muçulmana (mas aliado do Ocidente, sobretudo dos Estados Unidos), eram vistos como indivíduos com tendências fundamentalistas. Na maioria das vezes, eram mantidos sob constante vigilância pela polícia de segurança do ex-líder Hosni Mubarak (que esteve no poder por mais de 30 anos) e era muito raro ver um homem de barba ocupando um cargo de alto escalão em instituições estatais, incluindo a polícia e emissoras de rádio e TV públicas.
     Anos depois, o Egito tem um presidente e um primeiro-ministro de barba. Após semanas de expectativa, Mohammed Mursi, o novo chefe do Executivo recentemente eleito, apontou Hesham Kandil como premiê. Kandil já havia chamado atenção na política egípcia em 2011, quando se tornou o primeiro político egípcio barbado a assumir um cargo de ministro.
Medo da islamização
     Na época, a barba de Kandil foi interpretada como um sinal positivo, de que os islâmicos não estavam mais sendo alvo de "caça às bruxas" no país. Mas, no entanto, agora que Kandil foi escolhido para ser o novo premiê do país e após a ascensão do islamismo como nova força política no Oriente Médio, a barba já não é mais tão bem-vinda assim.
     Nas redes sociais, muitos egípcios chegaram a comentar a indicação com sarcasmo, dizendo que Mursi teria deixado de lado opções como Mohamed ElBaradei e Ahmed Zewail, ambos detentores de um prêmio Nobel, em função da barba de Kandil. "Só no Egito vale mais ter uma barba do que um prêmio Nobel", disse no Twitter o egípcio Hamdy Ibrahim.
     Gamal Fahmy, jornalista e ativista político, considera os debates nas redes sociais "reveladores". "A Irmandade Muçulmana conseguiu convencer os americanos e o Ocidente, mas fracassaram em convencer os egípcios. Os egípcios estão com medo de uma islamização da sua nação", disse em entrevista à BBC.
Muito a fazer
      Pouco após assumir o poder, Mursi deixou claro que optaria por um primeiro-ministro independente e patriota, sem afiliação, sobretudo sem ligações com o Partido da Justiça e Liberdade, da Irmandade Muçulmana. De fato, Kandil não é membro do partido, mas críticos do grupo insistem que ele segue os preceitos da Irmandade, e o fato de usar barba só parece reforçar esta desconfiança entre os egípcios.
     "Kandil pertence ao Islã político. Ele é uma figura respeitada, e pode não estar envolvido com nenhum partido, mas é aliado com a Irmandade Muçulmana, ao menos mentalmente", diz Fahmy, um ativista.
     Já Salah Abdel Maqsoud, jornalista e analista político, diz que o julgamento de Kandil por sua aparência é irrelevante, e que é necessário esperar e analisar suas escolhas de ministros e como lidará com os desafios do país.
     Entre executivos, empresários e industriais também há desconfiança, já que muitos espearavam um premiê com extensa experiência financeira para tentar reerguer a economia do país. Além disso, ele é o premiê mais jovem da história do país.
     Em seu primeiro discurso, Kandil reforçou o compromisso com promessas de Mursi, de garantir pão, combustível, limpeza, trânsito e segurança pública. "Vocês ainda vão ouvir muito isso de mim. Nós temos que nos esforçar muito e atingir os objetivos da revolução. Temos muito a fazer", disse em seu primeiro discurso na TV.
Fonte:  Terra

domingo, 8 de julho de 2012

Presidente egípcio reempossa Parlamento; Exército se reúne


Por Marwa Awad e Shaimaa Fayed
CAIRO, 8 Jul (Reuters) - O novo presidente do Egito, Mohamed Mursi, ordenou neste domingo que o Parlamento liderado por islâmicos, que fora dissolvido a mando dos generais que governavam o país, volte a legislar até que outro possa ser eleito, desafiando a autoridade dos militares que destituíram o Congresso com base uma decisão judicial.
Mursi assumiu o poder no dia 30 de junho, tendo herdado o posto dos generais que governaram o Egito interinamente desde a queda de Hosni Mubarak, no ano passado. Mas, pouco antes de assumir, o Exército retirou alguns poderes presidenciais e deu a ele mesmo um papel legislativo.
A decisão de Mursi remove esses poderes legislativos do Exército e os entrega ao Parlamento, dominado pelo partido da Irmandade Muçulmana, o mesmo do presidente, e seus aliados, disseram especialistas.
A agência de notícias estatal Mena afirmou que o conselho militar realizou uma sessão extraordinária para discutir o decreto. Um membro do conselho, que pediu para não ser identificado, disse à Reuters que os generais não receberam aviso prévio sobre a decisão de Mursi.
O presidente também pediu uma eleição antecipada assim que uma nova Constituição seja feita. Isso sugere um possível acordo, ao indicar que a Assembleia, criticada pela sua performance inicial, não permanecerá pelos quatro anos de mandato.
"O presidente Mohamed Mursi ordenou a retomada do Parlamento eleito para realizar sessões", informou um comunicado presidencial lido pelo assessor de Mursi, Yasser Ali.
"Assim que uma nova Constituição for aprovada pela nação, haverá eleições parlamentares dentro de 60 dias", disse Ali.
As reuniões de um órgão para formatar uma nova Constituição ainda estão em estágio inicial, atrasadas pelas rixas entre liberais, islâmicos e outras facções.

Especialistas dizem que não esperavam um fácil relacionamento entre o Exército e o presidente, mas acreditavam que Mursi agiria com cautela para evitar o confronto.
"Todos esperavam que isso aconteceria, mas não agora, a não ser que essa decisão tenha sido tomada em acordo com o conselho militar, mas eu duvido disso", afirmou o analista político Mohamed Khalil sobre o decreto deste domingo.
"Isso significa que ele está tirando poder legislativo do Exército e dando de volta ao Parlamento. Então talvez nesse período ele precise de certas leis para habilitar o governo ou implementar o plano de cem dias" para seus primeiros dias no cargo, disse Khalil.
O pano de fundo para tal decisão ainda não está claro, mas o pedido de eleições antecipadas pode apaziguar as exigências para um novo Parlamento, afirmou.
"Os militares queriam dissolver o Parlamento e a Irmandade, não. Precisa haver algum ponto em que eles possam achar um denominador comum, ou então haverá um impasse e ambos os lados terão que ceder", afirmou o analista Shadi Hamid, do Brookings Doha Center.
“"Isso seria um acordo para curto prazo, para que os militares consigam parte do que queriam, um novo Parlamento nos próximos meses, e os islâmicos possam evitar uma situação na qual os militares dominem a autoridade legislativa", disse.
A Suprema Corte Constitucional ordenou a dissolução da Câmara dos Deputados no dia 14 de junho, após encontrar falhas no processo eleitoral. Os generais implementaram a decisão dois dias depois e, em seguida, emitiram um decreto delimitando os poderes presidenciais em 17 de junho, antes mesmo da contagem dos votos da eleição para o cargo.
A Irmandade entrou com um processo em outro tribunal para contestar a decisão de dissolver o Parlamento, argumentando que tal decisão só poderia ter sido tomada com consentimento popular.
(Reportagem adicional de Tom Pfeiffer)
Fonte: Reuters  http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE86702020120708?pageNumber=2&virtualBrandChannel=0
Fonte Imagem http://imagem.band.com.br/f_108771.jpg